Juntas Pelo Acaso

25 Capítulo 25 - Abra Seus Olhos


Notas iniciais
Capítulo dedicado a Lari gleek, obrigada pela recomendação. =D

Música: Open Your Eyes - Snow Patrol (dica: ouçam a música lendo o capítulo ;)

Santana havia perdido muito sangue, ela estava desacordada e sendo cuidada para cirurgia. O médico de plantão era Dr. Scott amigo da família Lopez, ele prestou atendimento necessário para que tudo ocorresse bem. O homem ficou muito surpreso ao ser chamado na emergência, ele verificou o estado de vida de Santana e seguiu em direção a sala do Dr. Lopez, talvez o pai pudesse salvar a vida da filha novamente, eles tinham o mesmo tipo sanguíneo.

– Dr. Scott – Lopez – o chamou – sua menina voltou, não sei o que fez homem, mas preciso de você para salva-la.

– Dr. Lopez – Sany está viva? – perguntou incrédulo e segurando pela gola da camisa do médico – minha menina não me deixou?

– Dr. Scott – pelo que parece não. – o médico sacudiu os ombros do amigo – Antônio, eu vou precisar de você.

– Dr. Lopez – faço tudo pela Sany, me diga.

– Dr. Scott – ela está passando por uma cirurgia agora e eu preciso que você doe seu sangue, é o único compatível.

– Dr. Lopez – vamos — correu até a porta, o médico confirmou balançando a cabeça e seguiram para fora da sala, caminhando em passos largos até o elevador.

– Dr. Scott – só você pode salvá-la — disse acordando de seus pensamentos

Durante o percurso o médico corria afrouxando o nó da gravata, retirou o jaleco e desabotoava os pulsos da camisa social branca. Não demoraram em chegar a sala de doações, as enfermeiras deixaram tudo pronto, ele iniciou todos os procedimentos e então um enfermeiro começou a colher o sangue.

Maribel chegou ao hospital amparada pela empregada e por Sebastian, na recepção foi avisada que poderia aguardar no consultório do marido, os três ficaram dentro do cômodo em silêncio, as horas pareciam não passar, a latina mais velha caminhava de um lado para o outro tentando manter a calma, até que a porta se abriu e ela se jogou nos braços do marido, seu choro ecoava pela sala e seu peito

O pessoal aguardava em silêncio na sala de espera, a cirurgia demorou mais de seis horas, Sebastian tentou algumas vezes ligar para Brittany, porém o telefone chamava por diversas vezes e ninguém atendia, ele daria a noticia no outro dia até que Santana estivesse boa o suficiente dentro do quarto e não numa mesa de cirurgia correndo um risco maior.

O médico amigo da família entrou na sala de recepção com uma expressão indecifrável, suplicante e esperançoso o pai caminhou até ele, as mãos estavam cruzadas num pedido desesperador ao todo poderoso que não levasse sua filha.

– Dr. Lopez — e então? – iniciou quebrando o breve silêncio

– Dr. Scott – foi uma operação difícil, mas conseguimos retirar a bala alojada, ela já está no quarto, porém sedada. – um suspiro alto de alivio foi deixado por todos naquela sala, a esposa agarrou-se o marido com lágrimas nos olhos e falando palavras sussurradas de “obrigada meu Deus”.

– Dr. Lopez – podemos vê-la pelo vidro – sussurrou para Maribel retribuindo o abraço

– Maribel – avise todos os amigos Sebastian – pediu – Sany voltou para nós.

– Sebastian — ela é forte — dando um sorriso fraco – vai sair dessa rápido.

– Dr. Lopez – sim, minha menina consegue demonstrar isso bem.

A madrugada não foi uma das melhores para família Lopez, Maribel pediu que Sebastian fosse descansar e voltasse na manhã seguinte com Britt e os amigos. O casal descansou alguns minutos no consultório do médico e ali ficaram até amanhecer, o pai de Santana ainda inseguro a cada hora tinha acesso ao quarto da filha e verificava seus batimentos cardíacos, os aparelhos nela instalados ou pedia a enfermeira para analisar os curativos.

Santana necessitou usar aparelhos respiratórios como apoio, a atividade cardíaca estava baixa e seu risco ainda era grande, o tiro havia acertado um órgão e qualquer falha no corpo humano poderia acarretar numa parada cardíaca ou numa hemorragia interna. Quando a latina finalmente acordou e olhou a sua volta ficou tentando raciocinar onde estava, mas a medicação era forte demais a fazendo dormir em poucos minutos novamente. Maribel entrou no quarto junto com a enfermeira trazendo o almoço da filha, ela tocou o ombro da morena levemente e acariciou os cabelos negros, deixou um beijo na testa da filha e a chamou baixinho.

– Maribel – hija acorde – pediu – você precisa se alimentar Sany.

– Santana – hum... – resmungou tentando virar de lado, porém uma fisgada no peito lhe fez abrir os olhos e gemer de dor – Ai..

– Maribel – você não pode se mover Sany, precisa ficar quietinha para melhor hija.

– Santana — madre cadê Britt? – perguntou olhando para comida que parecia papinha de criança – eu não vou comer isso.

– Maribel – eu tentei ligar pra ela, mas não atende o celular e nem o telefone querida. – Ela olhou para comida e então insistiu – é especifica para seu estado San, coma e não discute comigo e nem tente me enrolar hija.

– Santana – o Sebastian foi avisá-la que estou bem? – perguntou tentando dobrar a mãe

– Maribel – sim, Santana Lopez coma ou eu te darei na boca. – ameaçou, a latina mais velha apertou o botão da cama fazendo a filha ficar sentada e na altura da bandeja.

– Santana – eu não tenho fome. – respondeu séria – ai esse “troço” aqui faz doer todo o corpo. – reclamou tentando puxar o soro do braço.

– Dr. Lopez – Santana não retire a medicação – pediu entrando no quarto – hija é para sua melhora.

– Santana – não estou melhorando, isso aqui faz doer mais. – resmungou empurrando o prato para longe – só comerei se Britt-Britt vier aqui. – desafiando os pais

– Dr. Lopez – San não brinque conosco hija, seu estado é delicado e você não colaborando pode demorar mais a sair daqui, coma logo e prometo que Britt estará aqui logo.

– Santana – o senhor jura? – perguntou fitando os olhos negros do pai, a morena parecia uma criança indefesa necessitando carinhos e afetos. A latina mais velha deu a volta na cama e passou os braços sobre o ombro da filha e o pai segurou sua mão dando um leve aperto e sorrindo em confirmação para filha.

Santana não abriu discussão, ela se alimentou e passou o resto da tarde vendo televisão. Brittany demorou em aparecer e a ansiedade da latina começava a aparecer, ela estava inquieta não querendo permanecer na cama. Santana estava sozinha no quarto, ela retirou o soro e qualquer aparelho preso a seu corpo. Caminhou com muita dificuldade e sentindo dores até a porta, mas ao olhar para fora viu Brody ao lado de sua mãe caminhando em direção ao quarto, na tentativa de voltar pra cama ela escorregou caindo de joelhos no centro do quarto. Antes que Brody e a mãe entrasse ela conseguiu subir na cama sentindo dores pelo corpo todo, ela tentou esboçar um sorriso fraco ao ver o amigo.

– Brody – seja bem vida – sorriu aproximando-se da amiga – peito de aço. – sussurrou em seu ouvido.

– Santana — se fosse aço não teria furado cabeção – brincou dando um falso golpe no abdômen do amigo.

– Brody — nunca mais cometa essa loucura entendido? — brigou abraçando a amiga – eu fiquei com medo de te perder, sua latina chata.

– Santana – Se acontecesse algo com Britt eu seria a primeira a matar aquele lábios de hidratante. – séria — Ela é a minha vida, parece que vocês não entende isso. — falou chateada

– Antônio — Nós entendemos filha, só não nos assusta desse jeito. Agora você precisa descansar.

– Santana — mais? Estou forte o suficiente para pular de um caminhão em movimento

– Maribel – Santana Lopez – chamou em tom sério – você vai descansar sim e nada de aprontar por ai.

O Dr. Lopez olhou pela cama e sentiu falta dos aparelhos, Santana estava sem o aparelho respiratório e a maquina não dava sinais de batimento cardíaco.

– Antônio – hija você levantou? – perguntou olhando sério pra filha – e retirou os aparelhos.

– Santana – a enfermeira esteve aqui – tentando persuadi-lo – acho que até posso ir pra casa ficar com Britt.

Santana foi pega na mentira quando a enfermeira entrou no quarto anunciando a troca de curativos.

– Enfermeira — preciso trocar os curativos – ela olhou os monitores – Dr. Lopez o sr retirou os aparelhos?

– Santana – fui eu – confessou fazendo cara de poucos amigos, Brody sorria com o desespero da amiga – essa porcaria não me ajuda em nada.

– Enfermeira — não, você está se movimentando? Não pode ter movimentos bruscos, a senhorita passou por uma cirurgia delicada, é crucial o repouso se não pode acarretar uma hemorragia.

– Maribel — está vendo? Sua teimosia pode gerar consequências, fique quietinha ai e sem reclamar. – ameaçou em tom sério

– Santana – eu sei madre. Eu quero minha Britt, ela deveria estar aqui comigo... – resmungou.

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Na manhã seguinte Sebastian entrou no carro apertando os números de Britt no smartphone, ele estava tendo contato com a loira desde cedo, mas nenhuns dos telefones atendiam.

– Sebastian – atende Britt, por favor. – pedia atento no trânsito.

O rapaz não demorou em chegar ao apartamento, ele cumprimentou o porteiro o informou sobre o estado de Santana e subiu para o apartamento delas. Ela apertava a campainha insistentemente. Dez minutos depois, ainda parado de frente para a porta do imóvel ele ouviu o barulho da porta se destrancando. Uma Brittany com a aparência muito cansada e com rosto inchado o recebeu. Ele lhe deu um abraço e acariciou os cabelos loiros.

– Sebastian – preciso que vá ao hospital.

– Brittany – só familiares podem reconhecer o corpo Sebastian – murmurou agarrada ao rapaz.

– Sebastian – ela sobreviveu.. – sussurrou

Sebastian não vendo nenhum questionamento de Brittany percebeu que ela havia desmaiado. Amparando a loira ele a levou com certa dificuldade para dentro do imóvel e a deitou no sofá, mediu a pulsação e então se levantou em busca de algo forte o suficiente para inalação. Brittany precisava conferir pessoalmente o que acabara de afirmar. Uma hora depois a loira chegou ao hospital, eles corriam pelos corredores pedindo por informações até que parar na sala de espera, ela viu Brody em pé na porta, caminhando em passos largos até o rapaz e o abraçando fortemente, os lábios tinham um sorriso esperançoso e um frio lhe percorria toda a espinha, a sementinha da esperança aquecia seu peito e toda sensação de perda ia se dissipando.

– Brittany – como ela está? – finalmente perguntou quebrando o silêncio.

– Sebastian – bem e querendo te ver. – respondeu sorrindo – surtando um pouco talvez.

– Brittany – eu sabia que a San não me deixaria – sorriu feliz, ela viu que a sogra estava parada perto de Brody, ficou indecisa se a abraçava ou dizia apenas “oi”.

– Maribel – Britt querida, você pode ir vê-la se quiser.

– Brittany — claro – Maribel vendo a indecisão de Britt, quebrou a confusão lhe dando um abraço acolhedor. – obrigada.

Elas caminharam juntas até o quarto de Santana, parando em frente a porta do quarto.

– Maribel – Por nada, você de certa forma foi o motivo mais importante para volta de Sany — disse apertando a mão de Britt — talvez se Santana não tivesse entrado na frente da arma, os tiros poderiam ter pegado em você, ela te salvou querida – Maribel fechou os olhos tentando tirar a imagem da cabeça, ela tinha visto pela TV como havia sido o final daquela história, ela só rezava para que tudo acabasse bem. — só quem ama faz uma coisa dessas.

Quando Britt entrou no quarto ela encontrou a namorada dormindo tranquilamente, os olhos azuis se encheram de lagrimas e então ela caminhou até a cama. Com cuidado ela fez uma leve caricia no rosto moreno, passou os dedos pelos fios de cabelo moreno e beijou cada pedacinho da pele da namorada. Britt sussurrava palavras amorosas e pedia “obrigada” sentindo-se aliviada pelo pesadelo ter acabado. Ela sentou-se na poltrona ao lado da cama e ficou por ali velando o sono da amada, sua mão segurava a mão da latina com medo de que ela fosse fugir dali e deixa-la, Britt evitou dormir ou fechar os olhos, ela tinha tanto medo de aquilo ser uma peça pregada pelo subconsciente, mas se fosse um sonho ela queria vive-lo intensamente e não acordar nunca só para continuar ao lado de Santana.

– Santana — NÃO — acordou assustada, se levantou bruscamente olhando o local.

– Brittany — amor? – ficando de pé e segurando a namorada pelos ombros — não se levanta você está se sentindo bem?

– Santana — onde eu estou? ai.. minha cabeça dói – se deitando novamente

– Brittany — está no hospital — acariciou seu rosto — quer que eu chame a enfermeira?

– Santana – não precisa... – Santana puxou a mão de Britt e beijou delicadamente, arrancando um tímido sorriso de Britt – como você está?

– Brittany – na medida do possível – não se contendo a loira puxou a morena para um abraço, ela sorria entre lágrimas e beijava os lábios carnudos não dando tempo para respirar – quase te perder foi horrível. – sussurrou – não me deixa mais San – pediu ainda com as testas grudadas e de olhos fechados, Santana iria falar, mas o abrir a boca soltou um pequeno gemido de dor. Fazendo se desfazer do abraço – desculpa te machuquei?

– Santana — não, continua.. eu senti falta do seu cheiro – a morena tocou o rosto claro e beijou carinhosamente – eu só queria você e não te vi por aqui.

– Brittany – Sebastian me avisou hoje sobre... sobre sua.. volta – ouviram duas leves batidas na porta, e então o médico entrou.

– Dr. Scott — como está Santana? – perguntou verificando a ficha da morena.

– Santana — com uma dor de cabeça e essa coisa na minha barriga dói – falou brava — quando posso ir pra casa?

– Dr. Scott – pode ficar tranquila, você ficará em observação por duas semanas, se tudo ocorrer bem, logo estará liberada.

– Santana – no me gusta, onde está mi padre? Ele pode resolver isso – com a medicação o humor da latina só se fez piorar, ela tentou levantar, porém as fortes dores voltaram fazendo-a desistir – AI.

– Brittany – San – ajudou a namorada a se deitar – seu pai dirá a mesma coisa, você deve se recuperar. Eu não quero que nada aconteça com você novamente.

– Santana – eu não quero ficar aqui Britt-Britt – falou manhosa – esse lugar é chato.

– Dr. Scott – Santana, você recebeu dois tiros e uma das balas ficou alojada no estômago, através de cirurgia conseguimos retirar, mas você perdeu muito sangue, esse repouso será o mínimo, até que volte suas atividades aos poucos, terá um pouco mais 40 dias de repouso em casa e sem qualquer atividade que faça esforço ou estresse.

– Santana – 40 dias? Eu vou enlouquecer até lá – se desesperou – não vamos poder fazer amor? – olhou incrédula pra Britt.

Sorrindo pelo desespero da morena o médico negou, ele passou todas as especificações para Britt e deixou o quarto. Muito chateada Santana deitou-se e ficou numa posição que pudesse olhar os olhos azuis de Britt, ela os amava e olhar para loira era uma das suas coisas preferidas.

– Santana – não foi assim que programei nossas férias. – explicou quebrando o silêncio

– Brittany – e como você programou? – perguntou acariciando o rosto moreno.

– Santana – eu e você nuas numa praia paradisíaca no Hawaii curtindo muito o som e se amando.

– Brittany – fique boa e faremos tudo isso, mas antes nada de traquinagem. – respondeu sorrindo pela ideia – minha caixinha de surpresas, eu te amo tanto por enfrentar qualquer coisa por mim.

– Santana — Eu faria qualquer coisa por você meu amor – disse beijando os dedos de Britt – eu só via você nos meus sonhos.

Notas finais
dúvida: O que estão achando de Faberry, devo continuar descrevendo sobre elas?