Juntas Pelo Acaso
22 Capítulo 22 - Nunca Me Deixe Partir
Notas iniciais
Dos tiros disparados, dois foram determinantes ao acertar o estômago e peito da morena, as mãos estavam sujas de sangue e um leve tremor começava a tomar conta de Santana. Britt abaixou a visão verificando os ferimentos a bala, gotas de sangue escorriam e pingavam na calçada. Ela sentiu a umidade ainda maior em seu rosto enquanto Santana foi escorregando pelos seus braços da namorada até ficar completamente estirada na calçada, a loira tentou pressionar os ferimentos temendo pela vida da amada, as lágrimas escorrendo pelos cantos dos olhos..
- Brittany – Deus.. San.. — as mãos trêmulas, a respiração de Santana aumentava gradativamente – vai ficar tudo bem, só.. só não.. se esforça tá? – ela olhou para os lados em desespero – ALFRED, CHAMA UMA AMBULÂNCIA. – gritou desesperada, o porteiro vendo a situação se abaixou perto da latina oferecendo um lenço branco para que Britt estancasse o sangramento.
- Alfred – a ajuda já vem – confortou discando os números da emergência em seu celular
- Policial – Senhorita – disse tocando levemente no ombro da loira – me deixe ajudar.
- Brittany – faça alguma coisa, por favor. – pediu aos prantos
- Santana – você é tão.. linda.. meu amor – ela tentava apertar a mão de Britt, mas sua força ficava cada vez mis fraca.
- Brittany – San.. não diz nada.. fica olhando pra mim — Santana confirmou balançando a cabeça – não diga nada amor, a ajuda já vem só fique acordada. – pediu chorando – mantenha seus olhos nos meus, bebê.
- Policial – Duas ambulâncias para West Side, próximo ao central park e Starbucks duas vitimas com ferimento à bala. – falou pedindo ambulância via rádio.
- Santana – Britt.. eu amo. – uma lágrima escorreu no canto de seus olhos. — você – tossiu, algumas gotículas de sangue escaparam de sua boca – e eu es-estou c-com frio.
- Policial – AQUI – sinalizou para os paramédicos, o homem pressionou o ferimento da bala e Santana apertou os olhos sentindo dor.
- Santana — eu
- Brittany – não se despede... – pediu negando com a cabeça – por favor San.
- Santana – m-me p-..perdoa? – Britt segurou sua mão em um aperto forte – eu.. só tentei.. consertar as coisas.. – Santana elevou uma das mãos até o rosto de Britt fazendo uma leve carícia, Britt beijou os dedos morenos. Desespera ela olhou para os lados, o policial fazia força sobre o sangramento no peito da latina e tentava pedir socorro pelo rádio. Britt viu uma grande poça de sangue se formar perto da morena, ela sentia um forte aperto no peito e olhava para os lados desesperada
- Brittany – você.. vai ficar bem San – mostrando um sorriso nervoso – é a mais forte de todos.. que conheço.
- Santana – eu..amo..você – murmurou sentindo sua visão ficar turva – é a mulher..
- Brittany – San – chamou tocando o rosto da morena – Bebê.. não dorme por favor.. olha pra mim! — sacudindo pelos ombros.
Santana ouvia a voz de Britt ficar cada vez distante, ela viu as cores da ambulância perderem o tom, os olhos azuis vermelhos e as lágrimas escorriam pelo rosto claro como se fossem em câmera lenta, a morena sentia a mão de Brittany na sua e um choro baixinho, um dos policiais afastou Britt de perto, as mãos se desconectaram e a força de mantê-lo firme tinha se perdido.
Um dos paramédicos armou a maca, e cuidadosamente colocaram a latina sobre ela, examinaram o ferimento na tentativa de estancar o sangramento, Santana sentiu seu corpo já não responder mais. O coração ficando cada vez mais fraco, ela fitou pela última vez os olhos azuis, uma lágrima escorrendo pelo canto de seus olhos e tentou miseravelmente sussurrar um “eu te amo” antes tudo se escurecer e seus olhos se fecharem...
- Paramédico – estamos tendo uma parada, pegue o desfibrilador! — gritou
- Brittany – não, vocês precisam... fazer alguma coisa.. — o policial tentava segurar Brittany, mas a loira perdeu os sentidos ao ver aquela cena, ela gritava agarrada ao policial o rosto já inchado pelo choro – ela.. ela não pode me deixar..
- Policial – Senhorita fique longe. – pediu
Os paramédicos tentaram por alguns minutos reanimar a latina, mas nenhum sinal vital era dado. Brittany chorava compulsivamente amparada pelo policial, Sebastian conseguiu se aproximar no momento que um lençol era estendido pelo corpo moreno, ele correu tentando não acreditar que isso estava acontecendo. Ele acolheu Brittany em seus braços, enquanto os paramédicos encaminhavam para o veículo, levando a maca consigo. Brittany ainda agarrada a Sebastian via a ambulância se distanciar com o corpo da latina, a loira socava o peito de Sebastian murmurando palavras inconformadas pela cena.
- Brittany – é mentira.. eles.. Eles não fizeram o trabalho... direito
- Sebastian – Britt vem cá – ele apertou a loira em seus braços – que droga.. – sussurrou
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POV Santana
"Eu sentia meu corpo se esfriar, o forte impacto que era dado em meu corpo cessou, um aperto de dor me subia pela garganta. Era estranho, eu comecei a me sentir mais leve, escutei a voz de Brittany me chamar ao longe, misteriosamente me vi deportar-se para um corredor nada familiar, ele era extenso, não parecia ter fim. Eu vestia um pijama azul, nele tinha ursinhos muito sem graça e gay, igual ao porcelana. No corredor haviam várias portas de vidros, fui caminho lentamente, ficando atenta em olhar cada uma delas, tentando reconhecer algo ou alguém. Uma placa no alto indicava — Anos de Santana — e cada um estava intimamente estava ligado a minha vida, na primeira porta eu vi minha família, meus pais e abuela prestigiando a vinda de um bebê, padre dizendo "Ela vai se chamar Santana", um sorriso brotou dos meus lábios, abuela me pegando no colo e cantando uma música baixinho, madre estava abraçada ao padre sorrindo, um sorriso lindo que poucas vezes a vi tão feliz. Caminhei para segunda porta e me vi no aniversário de 4 anos, era meu aniversário... madre aproximou-se de mim com uma garotinha linda e loira ao seu lado, era Britt, seus lindos olhos azuis vermelhos devido ao choro, as pintinhas claras nas bochechas rosadas, eu me aproximei com um sorriso tímido nos lábios, madre me apresentou e disse "vocês serão melhores amigas, San cuide de Britt", depois que madre disse isso, eu e Britt nunca nos afastamos, eu segurei sua mãozinha e perguntei o motivo dela ter um arranhão no braço, ela contou que um garoto a empurrou sobre os arbustos, eu disse para ela não se preocupar que a defenderia de tudo. Britt me mostrou que quem tinha feito seu machucado, era meu primo. Ele sempre arrumava confusão nas festas da família e afastava dos meus colegas, ele tinha feito Britt chorar e isso eu não permitiria jamais. Eu me vi caminhando chateada até ele, o empurrando e socando seu estômago, e brava ainda briguei “nunca mais se meta com a minha garota”. Na terceira porta eu me vi no Aniversario de 15 anos de Britt, Brittany quis uma festa diferente, uma festa a fantasia, onde ela era princesa, naquela época nós tínhamos um amor secreto uma pela outra, mas eu não admitia. Britt se recusou chamar qualquer garoto que se dizia seu amigo para fantasiar-se de príncipe, só uma pessoa poderia cortejá-la naquela noite e foi isso que aconteceu, depois de obrigar Kurt a me ajudar com uma fantasia, ele já entendia de moda, logo, adaptou uma roupa estilo escocesa, uma saia de xadrez na cor verde-musgo, uma blusa social, com colete e um blazer com broxes em formato de medalhas, uma gravata de borboleta para complementar tudo. Eu me vi entrando pelo salão de festa com uma rosa vermelha nas mãos, inclinando-se em reverencia a Britt, que estava no centro do salão, oferecendo a rosa disse: “me concede essa dança?” Britt sorrindo, pulou em meus braços e se deixou levar pela música. Vendo aquela cena senti que, não podia imaginar como era difícil ficar longe de Britt, a garota era perfeita em todos os sentidos. Na quarta porta, eu vi o fadigo dia que contei para abuela sobre Britt e eu, foi terrível, sua negação em aceitar meu amor pela garota mais amável do mundo, abuela me apagou de sua vida. Não pude nunca mais frequentar sua casa ou ouvir seus conselhos, era algo tão dolorido. Abaixei meus olhos sobre o ferimento e percebi que não sangrava, nem sequer tinha machucado ali. A quinta porta eu via Brittany vestida de noiva, sua beleza sem dúvida era dos deuses, seus cabelos soltos, o vestido era simples, o local era um jardim no alto de um morro, tudo decorado com rosas, cadeiras rústicas, arranjos impecáveis e todos os meus amigos, no altar Brittany aguardava sorrindo, eu tentei abrir a porta, mas não consegui, eu consegui ouvi-la me chamar “San, venha, finalmente nosso dia chegou..” as imagens foram sumindo, eu vi todo cenário mudar e me vi sentada em uma poltrona, logo a frente uma tela de cinema contado uma história por eu mesma com imagens de Lima, a escola, New York, meu emprego e várias outras. “Nós adoramos ver uma desgraça alheia, somos vítimas de preconceito, praticamos algum bullying, existem diversos tipos de minorias. Talvez, alguma vez na vida você tenha sofrido e cometidos erros, foi injusta, virou as costas para quem mais precisava de você, negou seu amor ou se sentiu boa o suficiente para se caracterizar perfeita, uma completa narcisista. O fato é: quando vimos a nossa vida passar diante de nossos olhos, algo muda, na verdade tudo muda! Eu tive minha chance, todos nós temos uma segunda chance para fazer a diferença, no momento em que nossa vida para. Basta enxergá-la com certo cuidado, usar como um ponto positivo é a melhor forma de ser feliz. Se lembrando de quem é e quais são seus valores, a confiança em si e se deixar que a vida lhe encarregue de recompensas boas.” No filme também exibia cenas que eu e Britt sempre imaginávamos ter, um namoro tranquilo, amigos por perto, a realização dos nossos sonhos, um casamento feliz, filhos e uma casa linda, perto do lago. Mas aos poucos todas as imagens daquela vida estavam clareando, perdendo cor e tudo se apagar, o que estava acontecendo afinal?”
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Sebastian levou Britt para o apartamento de Santana, ligou para Sugar e Tina, explicou a situação toda, esperou paciente que as amigas a loira chegassem. Ainda em estado de choque, ele não acreditava no que tinha acabado de presenciar horas atrás sua expressão era indecifrável ele caminhou pelo apartamento olhando porta-retratos sobre o aparador. Britt ficou no sofá chorando inconsolavelmente, seu coração tinha morrido, era um vazio que se instalara e ela não podia acreditar que era mesmo verdade. Tina e Sugar não demoraram em chegar, despediram de Sebastian e foram com a loira até o banheiro para se livrar do sangue em suas roupas. Ela se colocou em frente ao espelho a blusa toda suja com o sangue da latina, o rosto ainda inchado, Tina vendo o estado da amiga ofereceu o ombro que prontamente aceito, se deixando chorar mais...
- Brittany – me diga que é mentira – pediu debulhando-se em lágrimas – É só um sonho ruim que eu quero acordar.
- Tina – Britt – suspirou com os olhos cheios de lágrimas – pelo que Sebastian me contou, eles tentaram de tudo..
- Brittany – não é verdade! — gritou abaixando-se dentro do box do banheiro, as mãos em volta das pernas – ela.. ela está bem, só.. só foi um acidente.. eles vão curá-la.. Nada deu errado – repetia pra si mesma, balançando a cabeça em confirmação.
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Naquela triste noite Sebastian se dirigiu para casa de Brody sem qualquer expressão, o rapaz foi recebido por Brody com lágrimas nos olhos, o amigo junto da noiva o acolheu de imediato. Abraçados caminharam até o sofá Brody se sentou na mesinha de frente para o sofá e confuso perguntou o motivo daquilo tudo.
- Brody – eu nunca te vi assim, aconteceu algo?
- Sebastian – O Sam, ele.. ele e Santana brigaram – as mãos foram elevadas até o rosto, se recordando da cena que não parava de ser exibida em sua mente – ele.. o cara.
- Brody – calma – consolando o rapaz – ele e Santana brigaram e cadê a Santana?
- Sebastian – ela.. ela foi atingida pela bala.. e quando eu cheguei.. os. . Os paramédicos cobriam o corpo.. ele a matou cara.. — Kitty levou as mãos até a boca surpresa com a declaração e Brody se levantou assustado – ela.. ela se foi
Brody não reagindo bem a noticia caminho pela sala puxando a respiração e passando as mãos no rosto. Ele pegou o celular e retirou d bolso já apressionando os números de Santana que chamou até cair na caixa postal, perdendo qualquer razão que tinha ele pegou um vaso e arremessou em direção a parede.
- Brody – não.. não pode ser.. — caminhou sentindo a vista embaçar – não é verdade — gritou – eu.. preciso vê-la, cara você tá delirando – Kitty foi até o noivo e o abraçou, o rapaz soluçava compulsivamente as lágrimas molharam seu ombro e ele a apertava contra o próprio corpo – o Dr. Lopez pode.. ele pode salvar ela.. é – confirmou balançando a cabeça e enxugando as lágrimas, buscou as chaves do carro no bolso – só ele pode.
- Kitty – amor, você não pode sair assim. — tentou tranquilizá-lo – vamos aguardar notícias ok?
- Brody – você não entende.. Santana não morreu! – sorriu nervoso – ela só se machucou... vai se recuperar.. ela é forte..
- Sebastian – eu vi! Ela.. não sobreviveu – balançando a cabeça em negação. – não sobreviveu.. – repetiu chorando copiosamente
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