Juntando os Pedaços

5 Capítulo III Parte I - Junho


Notas iniciais
Amadas e amado (caso tenha), queria pedir desculpas pela demora. Mas estava estudando, veio a CCXP e depois tive que trabalhar ajudando minha amiga a editar o livro dela, pois ela irá lançar esse mês, então eu estava atolada de coisa. Jessicat também está estudando MUITO e tá com 0 tempo pra escrever, infelizmente :( mas vamos torcer pra ela se dar bem nas provas e trabalhos ♥ Hoje terminei o capítulo que comecei um século atrás, espero que vocês gostem. Nesse capítulo só teremos um pouco do Tiago. Queria agradecer a vocês pelos comentários, mais uma vez, pela paciência e pelos 1000 views ♥ Mesmo que eu não esteja postando esses dias. To bem feliz ♥ P.S.: uma leitora minha escreveu uma one shot e agora está continuando ela, está maravilhosa, deixarei os links pra vocês irem lá dar uma lida também. — https://fanfiction.com.br/historia/729935/Sempre_Ela_-_One_Shot/ — https://fanfiction.com.br/historia/730420/Nossa_Primavera_-_Short_Fic/

Tiago

Se tinha uma coisa que Tiago tentava a todo custo esquecer era o quanto o destino estava tentando brincar com ele, fazendo-o encontrar Isabela num lugar inesperado e que se antes as pessoas não falavam dela quando ele estava próximo, agora parecia que essa regra havia sido quebrada. Ana Luíza havia sido pedida em casamento e comentou que gostaria de convida-lá por causa do Elio, afinal foram muito amigos, e que alguns anos depois de todo o ocorrido elas haviam se aproximado um pouco, se reuniam principalmente quando iam visitar o túmulo dele junto com Flávia e não havia falado nada pra ele para não magoá-lo de alguma forma. Uma vez passou no posto da Salete e ouviu Flávia falar ao telefone com ela, parecia estar em alguma comemoração de dois anos de namoro. O pior de tudo era que sentia curiosidade em saber mais dela, mas ao mesmo tempo sentia um certo receio, afinal as coisas não acabaram bem. Ele sentia medo do velho Tiago voltar com a aproximação dela, essa era a verdade.
Após ter ficado até tarde ajudando a limpar o IBE, resolveu ir andando caminhando pelo centro de São Paulo para pegar metrô ou ônibus para ir pra São Dimas. Ainda não havia se acostumado a dirigir no trânsito caótico da cidade e andar o ajudava a colocar as ideias no lugar. Ao chegar próximo de uma praça começou a ouvir fracos gritos, parecia ser um homem, andou mais rápido para ver se o senhor ou rapaz precisava de algum tipo de ajuda, talvez estivesse passando mal, quando viu dois homens o chutando enquanto ele estava deitado no chão. Correu até eles e empurrou um deles, o fazendo tropeçar para trás, o outro tentou partir para cima dele, mas acabou levando um soco de Tiago.
— Vocês estão loucos? — Tiago perguntou nervoso. Ele não era de brigar com ninguém, mas teve que aprender a se defender pois nunca sabia o que poderia lhe acontecer em certos lugares que esteve. — Isso é agressão, vocês podem ser presos.
— Cala a boca! Ele é só um mendigo, seu otário! — o que havia levado um soco revidou em Tiago, e por ele ser mais forte fez o jovem Leitão cair no chão.
— Vocês são uns idiotas! — limpou o sangue que parecia estar escorrendo da sua boca, tentou se levantar, mas viu que os dois agressores começaram a ir embora, pois ouvia-se mais de perto uma sirene. Gritou pela polícia e se voltou para o mendigo que estava todo coberto e soltava leves gemidos de dor.
— Pai?!?!! — exclamou ao tirar a manta do rosto do senhor.

Quando havia voltado para casa não havia procurado saber sobre o seu pai, ele não era alguém que merecia sua atenção, ainda mais depois do que fez pra sua mãe. As irmãs após uns dias havia lhe informado que ele havia sumido e que algumas pessoas o tinha viso vagando pelas ruas da grande cidade. Parecia inacreditável que seu pai tivesse tido esse fim, não que ele não merecesse, porque ele merecia sim depois de tanto mal que havia feito a tanta gente, principalmente a ele e as irmãs.

Os policiais ao se aproximaram deles, perguntou o que havia acontecido e chamaram uma ambulância para levar os dois pra um hospital mais próximo. Tiago ligou para Camila para desmarcar o jantar deles, já que ele iria passar lá para babar um pouco sua sobrinha e conversar um pouco com sua irmã que ainda não havia voltado a trabalhar na tecelagem e estava se sentindo um pouco entediada em casa, mesmo adorando estar cuidando da bebê, queria estar dirigindo a empresa de novo, mas fora obrigada a cumprir a licença maternidade. Ela ficou preocupada, mas disse que eles poderiam almoçar no outro dia.
Ao chegar no hospital fora separado do pai, precisavam examinar o mais velho para ver se tinha se ferido internamente e ele foi levado para limpar o corte perto da boca e colocar o gelo no pulso, pois havia falado que não aconteceu nada demais com ele. Não esperava ver uma hora depois ela com o seu jaleco branco, seu cabelo como antes: com franja e preso num coque. Realmente era uma grande pegadinha isso tudo.

— Tiago? Você está bem? — falou ao se aproximar dele, ela o olhava com preocupação, suas mãos estavam nos bolsos do jaleco, ficou em pé de frente para ele.

— Olá, Isabela. Sim, eu estou bem. Não foi nada grave.

— Certo, falei com a enfermeira que te atendeu e ela disse que já havia feito todo o procedimento com você e que já estava liberado. — ela vagava o olhar dela entre a boca ferida e o pulso levemente inchado dele, enquanto ele mantinha um olhar fixado em seu rosto. Ela estava ainda mais bonita que no dia que se encontraram na Paulista.

— Ok. Você… você tem alguma notícia sobre o Hércules?

— Sim. A situação dele é estável. — sentou-se numa cadeira vaga ao lado dele. — ele fraturou a alguns ossos da costela e tivemos que engessar a perna dele. — suspirou. Ela não o olhava mais, agora se concentrava em algum ponto em sua frente e mantinha suas mãos no colo, mexendo-as, parecia estar nervosa de alguma forma. Ele não sabia se isso era bom ou ruim. — Estamos ainda o examinando para ver se houve algum ferimento mais sério, ele vai precisar passar uns dias no hospital.

— Tudo bem. — ele agradeceu mentalmente a Deus por Hércules não ter ficado tão ferido e o sentimento seria o mesmo se fosse outra pessoa invés do seu “pai”.

— Bom que você o encontrou ou ele poderia ter se machucado mais. — ele apenas balançou a cabeça. Passaram alguns minutos em um silêncio desconfortável, eram tantas coisas que queriam saber, mas ao mesmo tempo preferiam se esconder cada um dentro de si. — Você quer conversar sobre isso? — sua voz saiu como um sussurro. Tiago levantou a cabeça e olhou para ela, ela o olhava nesse momento ainda com a feição preocupada.

— Não sei o que falar. É estranho passar tanto tempo longe e quando voltar encontrar com o Hércules nessas condições, pensei que nunca mais fosse vê-lo. — confessou. — Nós nunca tivemos uma relação boa e depois que descobri que ele sabia da morte da minha mãe eu me afastei ainda mais. Mas não sei… Não o perdoei, porém ao mesmo tempo me sinto mal agora com o que aconteceu com ele.

— Isso mostra que você é uma boa pessoa, Tiago. E que se preocupa com o próximo. — Isabela baixou o olhar e para a surpresa dos dois segurou na mão dele que não estava machucada. Tiago sentiu como se uma corrente elétrica estivesse passando por todo o seu corpo, lhe aquecendo, assim como no passado. — Eu sempre soube que você havia bondade em você mesmo nos momentos ruins. — se ele não estivesse próximo a ela não teria ouvido o que ela falou. Ao mesmo tempo em que ele se sentiu feliz por ela compartilhar isso com ele, sentiu-se estranhamente nervoso também.

— Obrigado. — com voz de rouca de emoção. — Eu poderia ter sido melhor, principalmente com você. Me arrependo de muita coisa que fiz. — ela soltou minha mão.

— Tiago, não… Eu acho que… acho que não devemos falar sobre isso.

— Isa… — ela levantou-se e colocou as mãos nos bolsos novamente.

— Eu preciso ir.

— Ok, desculpa. — se levantou também e ficou parado em frente a ela. — Não foi minha intenção falar do passado, mas você sabe que um dia teremos que conversar, não é? — Tiago sempre soube ler Isabela e mesmo após todos esses anos isso não havia mudado, podia perceber que ela estava sofrendo e isso fez seu coração doer também.

— Conversamos outra hora, Tiago. — virou-se para ir embora, mas antes informou que se acaso ele quisesse ver Hércules antes de ir poderia ir até o leito onde ele estava e foi andando o mais rápido que conseguiu. Como ela não falou o quarto, ele foi atrás de alguém que o ajudasse a encontrar. Antes de entrar no local ligou para que Analu viesse buscá-lo, afinal já estava tarde para ir de ônibus para casa. A mesma ficou muito preocupada com o irmão, mas ele a tranquilizou e disse que explicaria melhor quando ela chegasse, e ela o prometeu chegar o mais rápido possível.

Tiago entrou no quarto e viu Hércules dormindo, a enfermeira havia falado que ele estava sedado, pois estava tendo muitas dores e não estava suportando. Ele nunca havia visto o pai tão tranquilo como naquele momento, o que o deixou bem. Antes estranhava o motivo de ter ficado tão preocupado, agora lembrava que mesmo antes, quando pareciam se odiar, Hércules sempre se preocupou com ele e com suas irmãs. Após o acidente que aconteceu com Isabela ele até pensou que um dia iriam se dar bem, mas isso não aconteceu, a relação só piorou após a carta. Nos cinco anos que esteve fora pensou muito se as coisas poderiam ter sido diferentes se o pai não fosse do jeito que era. Ele gostava de acreditar que sim.

Analu ficara desesperada quando vira o irmão machucado, mas Tiago tratou de acalmá-la e ele não pode esconder nada sobre Hércules quando ela perguntou o que aconteceu. Ela ficou indignada com a agressão, afinal apesar de tudo ele era um ser humano e não merecia ter sofrido isso sem ter feito nada com os agressores. Ela já chegara a odiar muito o pai, hoje ela simplesmente ignorava a sua existência. Não conseguia ter mais nenhum sentimento por ele.Tiago preferiu não contar que encontra Isabela, de novo, para não ter de responder perguntas que ele não sabia o que responder. Apesar da sua irmã dizer que viria com ele visitar Hércules no outro dia.

Hércules permanecia sedado, então Tiago e Analu passaram lá rapidamente e não avistaram Isabela em local algum, o que para Tiago foi uma coisa boa. Porém quando voltou no outro dia e no outro, achou que havia algo estranho. Foi conversar com uma enfermeira que gostaria de falar com a médica que cuidava do seu pai e ela o informou que ela não estava, ao perguntar em que horário ela se encontrava lá, a mesma respondeu que teria de ver para informá-lo melhor. Ou seja, Isabela parecia estar fugindo dele.

Ele sabia que suas irmãs não iriam apoiá-lo, mas Tiago ao saber que Hércules iria ter alta resolveu levá-lo para ficar num quartinho que havia nos fundos do IBE. Esse novo Tiago não conseguia deixar uma pessoa ainda machucada na rua podendo até mesmo ficar mais doente ou aparecer outras pessoas, que não deveria ser chamada de ser humano, para machucá-los. E ao contar a elas o que planejava, teve a certeza. Precisou de muita conversa com as duas para fazê-las entender o que se passava dentro dele, prometeu que só iria ajudá-lo até ele melhorar. No final elas arrumaram o quarto e deixaram algumas roupas e remédios que Hércules iria precisar.

— Estamos fazendo por você, Tiago. Apenas por você. — falaram.

Sempre que ia visitar Hércules na maioria das vezes ou ele estava sedado ou apenas dormindo, então não tiveram tempo para se falarem, o que Tiago agradecia, afinal não sabia o que falar para ele. Mas no dia que foi buscá-lo, ele estava bem acordado e se negava a ir com o filho.

— Hércules, não vou deixar você na rua todo machucado desse jeito.

— Eu sou uma pessoa maior de idade e não quero sua pena. Não mereço nada de você e nem das suas irmãs e sei que não sou bem vindo.

— Não estou fazendo isso por pena, estou fazendo o que faria por qualquer pessoa. E se eu estou lhe levando é porque não há problema algum.

— Não vou pra casa que era do papai.

— Não irei levar você pra lá de qualquer forma. — Tiago estava tentando ficar calmo, mas Hércules estava dificultando isso. Inspirou e respirou fundo várias vezes pra não começar uma briga com ele.

— Por que você está querendo me ajudar? Não sou digno da sua ajuda. A única coisa que fiz todos esses anos foi ferir você e suas irmãs, me fazerem odiá-los e sentir vergonha de mim. — era verdade. O pai só soube alimentar o ódio que eles sentiam por ele, nunca tentou conquistá-los.

— Eu mudei muito nesses últimos anos. E luto todo dia para ser alguém melhor que eu fui. E que você foi. — Hércules engoliu em seco. A voz de Tiago estava carregada de sentimentos e ele pode perceber que o filho realmente havia mudado não só na aparência, pois as enfermeiras sempre lhe diziam que ele havia ido visitá-lo e que passava um tempo sentado em silêncio ao seu lado. O antigo Tiago com certeza não faria isso. Sentiu orgulho do filho, por ele estar tentando algo que ele nunca teve coragem de ser.


Após a pequena discussão, finalmente Hércules aceitou a ajuda do filho, mas antes de irem, Tiago entregou a enfermeira, que sempre aparecia pra falar sobre a situação do pai quando ele chegava, uma pequena lembrança pra Isabela como forma de agradecimento por ela ter ajudado a cuidar de Hércules.