Notas iniciais
Um capítulo intenso! Boa leitura, meus amores. E não deixem de ler as "Notas Finais"

Sabia que estava rumo a um abismo sem fim. Casar com Xavier, nem em seus piores pesadelos imaginou isso. A distância ia ficando mais curta e sua respiração falhava cada vez mais, faltava-lhe ar, estava sufocada demais, mas precisava ser firme ou ele se vingaria. Não podia nem pensar na hipótese dele assassinar Jane. Sentiu um calafrio na espinha ao olha-lo. A princípio ele queria casar na Igreja, mas não podiam já que Julieta era viúva, pelo menos Deus a poupou dessa loucura.

Estavam de frente para o Juiz que começou a falar. Julieta só pensava em Aurélio, do quanto o queria ali ao lado dela, mas era tarde demais para eles.

— Mãe a senhora não pode casar-se com esse homem

— Alguém tira esse fedelho daqui

— Ninguém encosta no meu filho, Xavier – a Rainha ordenou no seu tom de voz mais imperativo – Camilo, me deixe

— Não. Eu sei que a senhora só está casando com ele, por causa que senhoras e senhores, Xavier sequestrou a minha esposa Jane Benedito. A prova está aqui: Virgílio, o capanga dele entregou tudo

— Eu sequestrei a moça a pedido do Xavier. Ele me prometeu muito dinheiro e terras, mas me enganou.

— Isso é uma calúnia, uma infâmia. Eu jamais faria isso

— Onde está Jane?

— Ela está segura minha mãe. Não se case com esse monstro

— Eu não vou

— Onde pensa que vai, Julieta?

— Para bem longe de você, crápula – ela dá uma bofetada na cara dele

— Como ousa?

Quando ele iria revidar, Camilo intervém e segura o braço dele

— Se tocar na minha mãe. Considere-se um homem morto

Todos os presentes começam a vaiar Xavier. Um homem acalma os ânimos das pessoas e diz que tem revelações a fazer

— Essa mulher, sua assistente, dona Julieta Bittencourt, é uma cobra. Susana ou melhor Genésia pensou em tudo junto com Xavier, eles planejavam dar um golpe e ficar com toda sua fortuna. Ela lhe odeia, é uma mulher amoral, sem escrúpulos. Eu sou Olegário, ex-marido, ela me traiu e me deixou na completa falência.

Julieta estava incrédula. Sabia que Susana não era flor que se cheire, mas ela havia sido extremamente baixa e calculista.

— Isso tudo que esse homem está dizendo, é verdade?

— Quer saber?

— Claro

— É sim. Eu nunca a suportei, Julieta. Sempre achando que o mundo deve alguma coisa a você, tratando mal quem quer que seja. Você não passa de uma frígida

— Cale-se, sua ordinária. Quem você pensa que é, Genésia? Está descendo demais a escadinha da vulgaridade, também o que eu poderia esperar de uma mulher do seu calibre. Eu espero que você e Xavier mofem na cadeia.

O delegado e os outros policiais se aproximaram para algemar os dois. Logo em seguida Aurélio chegou em seu cavalo e Julieta mal pode acreditar que aquilo era real, ele sorriu e estendeu a mão para que ela subisse, fugindo com ele de tudo e de todos. A empresária não pensou duas vezes, correu para pegar impulsão e montar na garupa. Todos observavam a cena que mais parecia de algum conto ou filme, no entanto estava longe do final feliz, pois Xavier se desvencilhou do policial, sacou uma arma, dando um tiro nas costas do pai de Ema.

Julieta gritou quando o sentiu mole nos seus braços.

— Eu... amo...v-você

— Não faça esforço.

Julieta só conseguia chorar, não podia perdê-lo agora, não podia perdê-lo nunca na verdade. Um gosto de bile vinha à sua boca, estava zonza. Por que ele tinha que aparecer justo aqui? Pensou em matar Xavier para se vingar... sua mente estava muito perturbada. Logo os homens o tiraram de cima do Cavalo levando para dentro da fazenda, onde Rômulo pudesse examinar melhor.

Talvez a reza ajudasse a confortar seu coração e a deixa-lo mais tranquilo. Camilo segurava sua mão

— Vai ficar tudo bem. O senhor Aurélio é forte como um touro

— Eu não vou aguentar ficar aqui parada, enquanto ele esta lá agonizando

— Se acalme, minha mãe. Rômulo é um médico competente

Camilo a abraça, enquanto ela chora aos prantos. Se perdesse Aurélio, morreria junto.

— Ele não vai me perdoar. Eu não acreditei nele. Se não fosse a carta que Josephine escreveu, estaria até agora com raiva, mas eu nunca deixei de ama-lo um segundo sequer

— Eu acredito. É claro que ele vai sobreviver e a perdoará, se não, não a roubaria do casamento na frente de todo mundo

— Pensando por esse lado, você está certo. Tentarei ser mais confiante

— Assim é que se fala

Após algum tempo. O médico responsável apareceu

— Diga-me doutor, ele irá sobreviver?

— Foi um trabalho difícil de remoção da bala, temi que acontecesse o pior, mas o senhor Aurélio e forte e irá viver

— Graças a Deus. Eu posso vê-lo?

— Olha ele está em coma. Mas uma visita rápida não o prejudicará

— Certo

Julieta sentia o coração inundar em alegria. Seu amor estava vivo e nada mais importava. Quando o viu, fraco, chorou de preocupação misturada a felicidade. Precisava ver aqueles olhos verdes límpidos, cheios de emoção.

*

Os dias passavam, Aurélio ainda não despertava, tinha noites de febres, segundo Rômulo era normal. Julieta cuidava com todo amor e afinco dele, mas estava ansiosa para vê-lo forte e vigoroso como era. Deslizou a mão em seu rosto num gesto de afeto

— Sinto tanto a sua falta. Rezo todos os dias para que acorde. Será que é um castigo? O tanto que eu já sofri, não mereço ficar sem você, Aurélio. Vamos! Reaja! Eu ordeno que saia desse sono sem fim – estava tentando se exaltar para esconder a sublime vontade de chorar, beijou sua testa, enquanto as lágrimas escorriam e depois deu um selinho demorado, o sentiu se mexer

— Ju.. Julieta?

Ele era seu Aurélio. Estava vivo

— Meu amor. Ah que bom

— O que aconteceu?

— Calma. Me deixe te olhar um pouco

Ela o tocava para ver se era verdade mesmo. Apesar de confuso, o pai de Ema, estava contente. Isso significava que ele e sua amada estavam bem.

— Você acredita em mim – a empresária o beijou de surpresa – Eu acho que isso responde minha pergunta

— Quero que me perdoe por não ter acreditado em você

— Você me magoou, mas eu a perdoou sim.

— As evidências eram claras. Se não fosse a carta que Josephine escreveu, me explicando tudo. O plano de Susana, não sei o que teria sido.

— Agora me lembro. Você iria se casar com Xavier. Por quê?

— Aquele crápula miserável havia sequestrado Jane e meu neto, me chantageou, eu tinha que me casar ou ele os mataria.

— Devia ter comunicado a polícia, Julieta

— Eu não podia correr riscos, mas felizmente tudo acabou bem. Pensei que fosse te perder quando ele disparou aquele tiro

— Você não vai se livrar de mim tão facilmente, minha querida.

*

Meses depois. Julieta e Aurélio casaram-se no civil, uma cerimônia íntima, porém muito aconchegante. Todos do Vale do Café brindavam ao amor dos dois.

— Eu só podia estar louca quando quis fugir disso

— Lembra-se quando você foi na minha antiga fazenda cobras as dívidas de papai?

— Lembro que você me olhava demais

— Eu já estava completamente encantado

— Bobo!

— Agora, o que minha esposa acha de tomarmos um bom banho quente juntos

— Eu acho essa ideia simplesmente perfeita

Os dois se olhavam com desejo, estavam em lados opostos na banheira. Julieta descia o pé pelo peitoral de Aurélio afim de provoca-lo enquanto tomava vinho de forma lasciva.

Não aguentando mais, o pintor pegou sua perna e a puxou para si, Julieta sentiu seu volume e deu um gritinho, deixando-o bem excitado. Logo partiu para um beijo faminto. Ali amaram-se, depois na cama, depois de frente para lareira e por todos os anos que passaram juntos.

Notas finais
Bom, gente finalizei a fanfic. Eu quero agradecer de coração quem chegou até aqui, recebi comentários afetuosos e muito apoio quando a criatividade fugiu. Vocês são maravilhosas, eu espero que tenham gostado do final, quis fazer algo diferente e real. Foi lindo viver essa fanfic com vocês, um beijo grande e quem sabe nos encontremos aí com um novo ship. #AurietaForever ❤ Ainda tem o epílogo, galera.