A visita de Julieta Bittencourt provocava um misto de emoções nos homens da família Cavalcante. O Barão a desprezava, ao mesmo tempo em que sentia medo, não admitia verbalmente, mas se ela era tida como Rainha do Café, boa coisa não era. Ninguém sabia mais do que ele como era o ramo dos negócios, embora acredite que o marido tenha ajudado de uma forma ou de outra, afinal uma mulher não seria capaz de tal feito.

Aurélio tinha que tentar ser firme, nunca foi ligado nesse ramo, preferia cuidar dos seus cavalos e ser mimado por sua filha. Estava certo que nutria curiosidade sobre essa mulher, pensava que se já tinha um filho homem feito devia ser bem mais velha, até porque era viúva há bastante tempo. Talvez ela fosse rabugenta como seu pai, teria que ser o mediador da conversa, pois Afrânio não fazia a menor questão de esconder sua impaciência com esse "encontro".

— Vai servir um cafezinho?

— Claro, papai

— Devia por um veneno

O filho revirava ao olhos e ignora aquele comentário torpe.

O empregado anunciou a chegada das damas. Julieta em sua pose altiva adentrou o recinto e cumprimentou ambos, logo em seguida, Susana com um pouco mais de informalidade, pois já se “conheciam”. Uma rápida troca de olhares se sucedeu, Aurélio não pode deixar de reparar o quanto estava equivocado sobre a mãe de Camilo. Por mais que mostrasse estar ouvindo a conversa, sua mente admirava aquela mulher, tentou não parecer indiscreto, apesar de que vez ou outra a observava. Sua atenção fora desviada para a troca de farpas entre ela e Afrânio.

— A senhora é muito arrogante. Não vendo minhas terras, portanto fora daqui.

— Antes, eu peço que leia esse documento

— Estou sem óculos, faz um resumo

— Eu comprei a dívida de vocês com a Torrefação Alencar, portanto agora ela chama-se a dívida dos Bittencourt

— Comprou?! – o senhor repete a pergunta na tentativa de ter ouvido errado

— Sim ou o senhor acha que eu me tornei o que sou por aceitar provocações de homens que me mandam cheirar flores ou tomar chás, senhor Barão?

— Antes da senhora ter furtivamente pego esse título, eu já era o Barão.. ai meu coração. Aurélio seu inútil, me ajude

Diante daquela encenação que Afrânio enganou a todos, menos Susana, as negociações foram interrompidas.

— Como ele está? – a empresária questionou o médico, o qual ela fez questão da sua comparsa ir busca-lo

— Ele precisa de repouso

— Essa conversa ficará para outro dia – Aurélio determina

— Claro. Eu sinto o que aconteceu, mas iremos retornar a esse assunto. Se não com ele, com o senhor. Passar bem.

Depois de todos saírem, o pai de Ema continuava chocado com aquela mulher. Era jovem, mas a postura endurecida, a envelhecia certamente. Julieta é sagaz. Sorriu ao lembrar que ela não engoliu os desaforos de seu pai. Ela também não deu um único sorriso, depois de tanto queimar as pestanas.

— Julieta Bittencourt, a senhora é um enigma