Julieta e Aurélio - Sintomas da Paixão
7 Capítulo 7 - O acordo
Notas iniciais
— Bom dia, Julieta
Só com a menção de seu nome, pode sair daquele transe. Retirou a mão da dele sem muita vontade de fazer isto
— O que o senhor faz aqui?
Aurélio ficava abalado só de vê-la, optou pela honestidade.
— Eu vim vê-la
— Ora, eu não permito... esse tipo de intimidade. Fora daqui
— Calma
— O senhor acha mesmo que eu vou cair nesse truque barato? Pois eu não irei. Sou imune a táticas de fletes
— Jamais tentaria isso, mas o que posso fazer se você não saí dos meus pensamentos – baixou a voz e se inclinou para frente nunca deixando os olhos dela – Eu tenho sonhado tanto com você, sei que não é indiferente a mim quanto tenta transparecer
— E-Eu não sou dada a esse tipo de coisa – ela não convencia nem a si mesma.
— Julieta, por que fugir de algo que é tão bom? – segurou sua mão, mesmo ela relutando, com paciência conseguiu e a levou até seu coração – Só de te ver fica assim, não estou jogando.
A respiração acelerou. O coração dele batia tão rápido quanto o dela, sentia, mas isso não quer dizer que venceria sua desconfiança. Queria gritar, essas sensações... se ela pudesse escolher, jamais se permitiria desfrutar.
— E-Eu
— Sua respiração afetada, suas mãos frias e trêmulas – foi chegando cada vez mais perto, segurando as mãos dela. Acariciou de leve seu rosto tão macio, nada mais governava Julieta, exceto a emoção de ter Aurélio ali tocando-a tão delicadamente, transmitindo um calor por todo seu corpo, era preciso fugir dali, mas a razão parecia ter sumido. Onde estava seu controle?
Segurou seu rosto, beijou a testa dela e foi inalando o pequeno caminho até a boca. Chupou seu lábio, dando chance para que ela se afastasse caso quisesse e quando não fez, se sentiu convidado a continuar e mostrar o sentimento sincero que nasceu de uma hora para a outra sem avisar.
Julieta o beijou de volta, ainda tremendo de emoção, uma lágrima escapou dos olhos, não estava triste, mas parecia que seu coração estava inundado em uma alegria a qual ela não conhecia. Só havia chorado de tristeza ou raiva, jamais de alegria, Aurélio conseguiu mostrar que sua humanidade ainda vivia, cabia a ela deixar isso transparecer ou não.
Ambos estavam envoltos em uma sincronia perfeita, o filho do barão puxou a empresária mais para perto e a abraçou, emitindo o claro sinal de que não era necessário sentir medo, estava perdido, sem rumo por aquela mulher. Ela era o farol que iluminava sua vida extremamente pacata, não iria perdê-la de vista, só precisava convencê-la disso também.
Mesmo desnorteada saiu do beijo, precisava reunir forças de algum lugar.
— Seu insolente. Não vai dominar minhas emoções
— Se te conforta saber, você já dominou as minhas
— Retire-se. Meus assuntos a respeito de sua família agora são só tratados com o Barão
— Está fugindo do que sente. Sabe que nossa ligação não são mais os negócios
Ficou sem resposta pela primeira vez em sua vida. Ele a desarmava com palavras doces, carregadas de afeto e o seu olhar apaixonado. Julieta não sabia lidar com emoções, sempre se blindou e de alguma forma ele penetrou nas paredes que protegiam seu coração.
Aurélio precisava se aproximar dela e a forma direta funcionou por um breve período, tinha que fazer Julieta ganhar sua confiança, sabia que ela tinha um pé atrás com homens, será algum trauma do passado? Tinha que descobrir.
— Está bem, se quer fingir que nada aconteceu, tudo bem.
Ela estranhou, mas seguiu seu raciocínio
— É melhor, antes que eu some esse seu abuso a sua dívida
— Eu vim aqui fazer-lhe um pedido
— Só não vou garantir uma resposta
— Quero propor um trato. Você sabe que eu não ligava para os negócios de meu pai até descobrir da nossa falência, eu agora quero entrar nesse mundo e achei que você poderia me ajudar.
— Absolutamente. Acha que sou idiota? Eu ajudo e vocês dão a volta por cima me fazendo perder o que é meu por direito
— Se quiser podemos ir a cartório. Estabelecemos um prazo ou até a morte de meu pai e vendemos a você tudo, eu te garanto. Só que quero me reerguer em outro lugar para ao menos sobreviver. É minha família que está em jogo
Ela admirava seu carinho pela família, nunca iria admitir isso. Aurélio podia ser só mais um filho acostumado a riquezas, vender tudo e torrar o dinheiro do pai, mas não, ele tinha um apego muito forte ao senhor turrão e a filha.
Tão diferente dos outros homens que conheceu na vida, desprovidos de sentimentos, machistas e interesseiros. Sentiu uma vontade enorme de sorrir ao se dar conta do quanto ele era diferente e que isso balançava seu coração. Deixou para lá e se concentrou em algo que a incomodou: o fato dele dizer que iria embora. A ideia de ficar longe dele a desagradou
— E o que eu ganho além da venda?
— Posso ajudar a comprar terras vizinhas, já que conheço pessoas daqui e Xavier, produtor de café provavelmente disputará interesses com você. Claro, não que você precise, mas posso tornar o caminho mais fácil.
— Irei falar com meus advogados para propor o tempo estimado para que você me venda às terras e até lá eu me comprometo a ajuda-lo.
Foi gratificante saber que alguém valorizava suas conquistas no ramo dos negócios. Aurélio quer aprender com ela e não com um homem, indiretamente ele reconheceu sua jornada. Cada vez mais se surpreendia, péssimo sinal, ficar próximo a ele seria perigo controlável, ela supôs. Como ele a acusou de sentir medo, não o deixaria sentir o sabor da vitória. Provaria a si mesma e a ele que era capaz de não fraquejar, de não cair em tentação, contanto que ele ficasse distante e não a olhasse de forma apaixonada.
— Então ficarei no aguardo
— Antes, vamos estabelecer regras.
— Como assim?
— Para nossa convivência, enquanto existir nosso acordo claro – ele assentiu – Primeiro: ficará distante de mim, Segundo: não ousará me beijar ou me t-tocar em hipótese alguma. Terceiro: as coisas serão do meu jeito. Espero que tenha sido clara e objetiva
— Aceito as condições – tinha que provocá-la – Nunca mais a beijarei pode ficar tranquila, seu beijo não é bom, aliás beijar um vespeiro teria sido melhor. Até mais ver
Jogou o cinzeiro na porta, por um fio não o atingiu
— Crápula
Ele sabia irritá-la, com ele, Julieta se desfazia daquela pose estoica e fria, sabia mais que ninguém, o quanto ela podia ser o oposto disso principalmente em seus braços. O beijo dela era viciante.
— Que mulher é essa?
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