Julieta e Aurélio - Sintomas da Paixão
3 Capítulo 3 - O pedido
Depois do incidente lamentável no jantar, Julieta determinou a volta dela e de Camilo a São Paulo. Logo entrou em contato com sua comparsa para saber de notícias.
— Susana, eu preciso que me mantenha informada sobre Jane.
— Ela e aquela mãe maluca vieram aqui se desculpar pelo jantar desastroso, eu tive o prazer de dizer que vocês já tinham partido para São Paulo
— Ótimo.
— E nosso Camilito como está?
— Triste e com raiva de mim, nada que ele não supere. Como vão as negociações com o barão?
— Eu sei tirar vantagem do velho. O ponto fraco dele é a neta, Ema. Logo, logo ele venderá as terras
— Essa é a minha parceira. Fico no aguardo de mais informações.
Passado alguns dias, o jovem atendeu um telefonema de Jorge.
— Quem era?
— Jorge, o advogado do Barão. Ele quer nos encontrar amanhã
— Diga que sim. Você irá comigo
— Eu?
— Há mais alguém aqui?
— Pensei que depois de você tomar a decisão de voltarmos para cá não precisasse mais de mim
//
— Ora Camilo, não seja dramático – ela se aproximou do filho – Pode não parecer agora, mas isso é para seu bem
Ele decidiu a ignorar, Julieta estava irredutível com relação a Jane Benedito, só que Camilo não era de desistir facilmente. Um amor como aquele valeria a pena lutar.
Na Cafeteria:
— A senhora sabe o estado de saúde de meu pai, só peço um pouco de generosidade da sua parte
— O que ele quer dizer é que se a senhora honrar nosso acordo verbal com a Torrefação Alencar teremos tempo de nos organizarmos para quitar as dívidas ou até mesmo vender...
Aurélio interrompe o amigo advogado
— Depois que o Barão se for
— O senhor está usando a vida de seu pai para eu adiar meus negócios
— Não é isso
— Mas é o que parece... e depois dizem que eu sou uma negociante fria
— A senhora está me chamando de frio?
— Mãe, não me parece que seja
— Pois a mim parece. Um pedido calculado para derreter meu coração pelo fato de eu ser mulher e ter que ser sentimental a despeito de minha fama. Por isso tenho que dizer que NÃO
— Se a senhora está chamando Aurélio de frio e calculista bem se ver que não o conheço
A empresária faz cara de desdém e Aurélio num ímpeto se aproxima dela, pela rapidez poderia ser visto até como um ataque, mas ele se ajoelha, deixando de lado sua dignidade.
— O que o senhor está fazendo?
— Implorando, é só o que me resta. Por favor tenha piedade de minha família
— Levante-se, homem. Está todo mundo olhando
— Aurélio isso não é necessário – Jorge chama atenção do amigo
— Não tenho vergonha de fazer tudo o que eu puder para salvar a dignidade de minha família. Eu penso que eu posso contar com a pena de alguém que passei a admirar muito
— O senhor me admira?
— Claro. Uma mulher que soube manter esse império sozinha, que entende muito mais do que eu sobre negócios. Não só admiro como também invejo seus conhecimentos
Aquilo de certa forma atingiu Julieta, porque no fundo sentiu que Aurélio estava sendo sincero em suas palavras. Nunca nenhum homem admitiu sua competência de forma verdadeira, eles a respeitavam pelo sobrenome que carregava.
Havia ficado muito surpresa, nem reparou que ele já estava de pé com ajuda de Jorge. Seus olhares demoraram um bom tempo até que algo a despertou, precisava continuar a conversa com o advogado.
Fale com o autor