Notas iniciais
Boa noite, gente!! Fiquem atentas a esse capítulo, ele é muito importante. O próximo postarei amanhã ou sábado. Beijos

Ela aceita sua ajuda para descer do cavalo. Aurélio caminha com ela de mãos dadas

— Não sabia da existência desse lugar. A vista é linda

— Tem razão. O Vale é um lugar muito especial. Quer tentar?

— O que?

— Isso – gritou o nome dela

— Não. Eu não consigo

— Consegue sim, se liberte. Estamos só nós dois

Na primeira tentativa nada saiu, na segunda nem Aurélio ouviu, na terceira ainda foi muito baixo, apenas na segunda Julieta conseguiu gritar o nome do filho. Esses meses todos distantes, rompidos, aquilo fazia muito mal ao seu coração. Já nem se importava com a presença do pai de Ema, suas lágrimas represadas por semanas agora escorriam por seu rosto

— Meu filho... eu sou um monstro

Ele ofereceu o conforto do silêncio, estava desabafando do modo dela. Interviu quando a empresária caiu no chão em desespero

— Me ouça, Julieta. Nós fomos pais jovens demais, você ainda mais do que eu, é normal errar

— Eu não dei amor a Camilo, eu mal o tocava. Saia daqui, Aurélio. Eu quero ficar sozinha

— Eu não vou te deixar aqui

— Pois então saio eu. Detesto que sintam pena de mim

— Pare. Não sinto pena, nem nada parecido. Só quero ajudar

— Eu não quero sua ajuda

Se levantou, andando em direção ao cavalo. O abalo emocional era tão grande que quase se desequilibrou, não fosse Aurélio a segurando.

— Preciso ir embora

— Você veio comigo, vai voltar comigo e não se fala mais nisso.

Amarrou Soberano em Zeus. Seguiram o caminho, ele percebeu o quanto ela sofria, mesmo resistindo, Julieta encostou a cabeça no seu ombro umedecendo seu paletó.

Ao chegarem na fazenda.

— Fique bem. Você devia ir atrás de Camilo, já passou da hora de vocês se acertarem.

— Tem razão. Aurélio, você entende que eu ainda não estou pronta para viver tudo que nossa relação envolve? Acho melhor...

— Eu entendo sim, vamos dar um passo de cada vez e nos ajudamos nos nossos problemas. – ele beijou cada mão dela – Não pense que se livrará tão fácil de mim, dona Julieta

Ela sorriu discretamente, os dois trocaram olhares e ele recebeu um suave beijo na bochecha

— Boa noite

A cada vez tinha mais certeza de que valia a espera, podia se apaixonar mais por essa mulher?

Um enigma cheio de surpresas. Pensou

*

Não fora muito bem recebida por Camilo, aliás sua indiferença conseguia ser pior do que se ele a acusasse, tripudiassem em cima dela. O conforto veio de Jane, a qual ela pensou os piores impropérios. Julgou-a tão mal.

— Dê tempo a ele, dona Julieta. Logo Camilo cairá em si e a perdoará

— Obrigada pela água. Meu filho mudou, não sei se ele me perdoará

— A senhora foi responsável por dar a vida a ele. As mães são abençoadas por Deus

Parecia estranho ouvir as palavras dela com uma certeza de que irá acontecer. De um jeito aquilo acalentou seu coração de mãe que sofria bastante.

FLASHBACK ON

— O que há Camilo?

— Nada

— Não minta para sua mãe. Por que está com essa cara?

— Os meninos caçoaram de mim, porque eu disse que o herói da minha vida é você

Ela queria abraça-lo, no entanto não conseguia e isso fazia seu peito apertar. Por mais que soubesse que a criança não tinha culpa, nas veias dele também corria o sangue do pai. O máximo que conseguiu fazer foi apertar a mão dele tão pequena

— Você é um Bittencourt, não se amedronte, futuro príncipe do café.

FLASHBACK OF

— Está tudo bem, dona Julieta?

— Sim, eu já vou indo.

— Eu acompanho a senhora

— Obrigada... Jane?

— Pois não

— Cuide dele

— Eu cuido sim

Em um movimento rápido Jane a abraçou e era como se Julieta abraçasse o filho.

— Peço perdão por meus pré julgamentos.

As duas se afastaram

— Eu já me esqueci disso.

— Obrigada

*

Ao chegar em casa, pensava nos seus momentos com Camilo, foi quando sentiu-se só naquela casa. Uma sensação de impotência a afligia, sem falar na angústia em se dar conta de que mal tocava o filho, mesmo estando muito presente na vida dele.

— O que eu fiz?

Foi até o escritório, derrubou os papeis no chão, os livros, empurrou as almofadas, as cadeiras. Seu emocional estava abalado e seu ódio por Osório só aumentava, aliás motivo também de seu surto.

— A culpa disso tudo é sua, quisera eu que Camilo soubesse a verdade sobre você

Ela chorava compulsivamente, tantos anos prendendo o choros, precisava liberta-los e por isso nunca parecia ser o suficiente.

Aurélio veio atrás de Julieta, estava com receio de que ela o expulsasse de casa ou mesmo de sua vida, mas seu coração apertava apenas por pensar nela, por isso seguiu o extinto de vir até ela. Ela parecia precisar de seu apoio e lá estava ele na porta, a observando escorregar até o chão, segurando uma foto do filho no peito. Ele se surpreendeu ao escutar suas palavras dirigidas ao marido, algo de muito grave existiu ali.

Tomou coragem para adentrar no recinto e levanta-la dali, no começo se assustou, embora eles não tenham trocado uma palavra, ela o abraçou com muita força. Ficaram um bom tempo assim. Tudo que Julieta precisa a era daquele acolhimento genuíno, aos poucos fora se acalmando e seu tremor passando.

— Você me seguiu, Aurélio?

— Não, eu vim depois de algumas horas que você.

— Por quê? – ela se afastou para olhar em seu olhos

— Senti que você não estaria bem e talvez precisasse de mim

— Meu encontro com Camilo foi um desastre. Mas eu mereço não fui uma boa mãe.

— Claro que foi, se não Camilo não estaria aí vivo, forte, independente. Ele tem muito de você, Julieta

— Você acha?

— Claro, ele é obstinado, generoso, amável e acima de tudo um grande coração, que com certeza irá lhe perdoar. Dê tempo a ele

— Jane também me disse isso

— Pois então

— Eu não sou amável, Aurélio

— É sim, à sua maneira, mas é.

— Talvez eu tenha sido, mas isso já faz muito tempo. Osório retirou isso de mim

— Quem?

— Acho melhor eu ir me deitar

— Julieta, você pode confiar em mim. Esperarei o tempo que for. Não se esqueça do meu amor por você

Estava frágil demais para fugir e esconder seu passado. Virou-se para encara-lo ainda com os olhos marejados

— Aurélio... eu não posso seguir adiante nessa relação. Você merece alguém menos quebrada emocionalmente. – ele queria falar, mas ficou atento ao sinal dela de que iria prosseguir – Eu não posso ser inteiramente sua, viver nosso amor, isso tudo é uma ilusão.

— Do que está falando?

Foi ficando difícil segurar o entalo em sua garganta, parecia Osório asfixiando sua garganta, como fizera tantas vezes.