Juliet and Juliet
17 Mais aliados!
Notas iniciais
Estacionei o carro em uma vaga de professores enquanto suspirava. Tinha deixado Rachel a poucos instantes na esquina do colégio, já mais poderia chegar com ela no colégio, seria arriscado.
Entretanto, mal pus o pé do lado de dentro do colégio e já fui puxada por uns dez adolescentes em direção a minha sala. Fui jogada em minha cadeira com minhas coisas postas em qualquer lugar. A minha volta tinham Silena, Annabeth, Clarisse, Thalia e- era obvio que metida viria- Ártemis, de meninas, além de Percy, Will, Chris, Nico e Luke- novamente, obvio que o metido estaria.
– O que estão fazendo aqui?- perguntei aos dois universitários.
– Ajudando- responderam os dois dando de ombros.
– Por que não nos contou?- perguntou Silena sentando em cima de minha mesa- Ah, eu sempre pensei que vocês formassem um belo par, senti-me ofendida por não ter sido informada.
– Não exagere, Silena. Essa não é a questão- Annabeth bradou batendo a mão em minha mesa com um semblante indignado- Já parou para pensar nas consequências, Reyna?
Abri a boca para falar, mas Chris me interrompeu.
– Arellano’s e Dare’s não era famílias rivais? Que eu lembre, são as famílias com mais poder no estado, isso não é perigoso?
– Pior que isso, querido- falou Clarisse me olhando animada- É audacioso. É uma aventura contra suas famílias!
– Na verdade- tentei explicar.
– Ora, poupe-me. Isso aqui é amor verdadeiro, meu povo! Não é o perigo que vai as impedir e eu super apoio- cortou-me Will sorrindo para Nico.
– E fora que nós já vivenciamos como Reyna faz para defender Rachel- completou Nico.
– E elas se amam!- falou Luke.
– Fora que são muito fofas, claro, se ignorarmos o fato que Reyna é mais alta que Rachel- falou Ártemis dando de ombros.
E então todos eles começaram a discutir sobre o MEU relacionamento com Rachel. Percy, que foi o único que não falou nada, ajoelhou-se ao meu lado e sorriu da forma mais gentil que eu já vi.
– Você a ama, não é?- todos se calaram e nos encararam. Eu olhei-o nos olhos, não sei porque, assenti com a maior certeza da minha vida. Percy ficou em pé, pôs as mãos nos bolsos e sorriu de canto- Então eu vou ajudar.
– Como é?- questionou Annie.
– É, Annie. Elas se amam e, se é como nós, quero ajuda-las como Rachel nos ajudou. Por que não?
Annie suspirou.
– Tem razão... ok, a gente ajuda vocês.
Fiquei em pé revirando os olhos.
– Não era para ser assim. De inicio, era para ser apenas eu e Rachel a sabermos sobre isso, mas ela contou a Thalia e Nico, que contou para Will. Então eu contei para Luke e Ártemis, que contou para Zoe. Aliás- encarei a ruiva- Não era para estar deixando Zoe no colégio?
Ártemis negou.
– Deixei-a mais cedo hoje, disse que tinha que resolver algo com você- respondeu ela dando de ombros.
Revirei os olhos.
– Eu sei os riscos que estamos nos envolvendo- fitei Annabeth, logo depois Chris, Clarisse e assim por diante- Eu sei que é perigoso, que estamos literalmente correndo risco de vida, mas eu a amo e não vou desistir dela assim, sem mais nem menos. Eu vou luta por Rachel e não desistirei dela tão cedo. Continuarei tentando, continuarei olhando-a e amando-a, continuarei a protege-la... mas eu não posso fazer isso com tantas pessoas envolvidas.
Apontei para as cadeiras, eles se sentaram e eu me encostei em minha mesa, suspirando e esfregando a mão em meu rosto, demonstrando o quão frustrada eu estava. Apesar de minha noite com Rachel ter sido maravilhosa, hoje, pela manhã, tive de fugir pela janela e fingir ser uma amiga de Rachel para que os pais dela não pensassem o que achávamos que eles iriam.
Fora que tive de deixar Rachel esperando na garagem do meu prédio para tomar banho e trocar de roupa. Ainda tive de deixa-la na esquina do colégio e dar uma volta no quarteirão.
– Prestem atenção- falei calmamente- Eu acho que Rachel não sabe o risco que corremos, apesar de ela já ter presenciado algo. Vou explicar exatamente o que está acontecendo, entretanto, quem escolher nos ajudar, apesar de eu ficar hiper agradecida, eu infelizmente não poderei proteger. Meu pai pode muito bem mandar qualquer cara a qualquer momento para pegar um de vocês e fazer vocês falarem caso lhes vejam conosco. O pai de Rachel é capaz de mandar matar caso descubra que eu a namoro. Então, por favor, se envolverem-se nisso... tomem o máximo de cuidado possível. Eu tentarei ser o mais discreta possível com Rachel, tomaremos cuidado, mas vocês... você precisam o dobro.
Percy sorriu e ficou em pé.
– Eu topo.
Annabeth ergueu-se e enlaçou a mão do namorado, o encarando.
– Por Rachel- ela me encarou- eu também topo essa loucura.
Clarisse pulou da cadeira.
– Eu já mais cairia fora dessa.
Chris suspirou e abraçou a namorada ficando em pé.
– Não vou deixar Lisse sozinha nessa- ele sorriu dando um selinho em Clarisse- Eu também topo.
Silena pulou da cadeira me abraçando e dando gritinhos histéricos.
– Eu estou mais que topando isso!- confirmou ela.
Ártemis, Luke, Will e Nico sorriram ficando em pé. Ártemis abriu os braços e falou: Abraço em grupo. Mas antes que pudéssemos fazer qualquer coisa, a porta da minha sala foi aberta e por ela começaram a entrar os outros alunos do ultimo ano.
– Fica para a próxima, Art- comentei sorrindo- Precisam ir.
Luke assentiu, me dando um beijo na bochecha, enquanto Ártemis me dava um em outra bochecha. Luke abraçou Ártemis pelos ombros e os dois me deram tchau enquanto saíam. Eles ainda esbarraram em Rachel, a cumprimentando e logo depois seguindo caminho.
Rachel sorriu para de canto enquanto caminhava na direção de seu acento. Percy, Annabeth e os outros se sentaram em seus devidos lugares. Peguei um piloto e um papel, escrevi bem grande no quadro “Eros e Psiquê”.
Olhei-os abrindo o maior sorriso que eu um dia dera.
– Trabalhos?- perguntei. Os alunos começaram a se remexer murmurando resmungos- Ah, qual é pessoal. O trabalho nem era tão grande e a história é linda. Um só aluno fez?
Annabeth estendeu três trabalhos para mim, uma outra garota mais quatro e outro garoto apenas um.
Peguei-os e pus em cima de minha mesa.
– Ok, esses aqui, não importando o resultado, contendo as três paginas e falando sobre o conto... já recebem o dez. Os demais restantes terão mais um dia para fazer o trabalho, mas este só estará valendo de 0 à 5, entenderam?- os alunos resmungaram. Sorri gentilmente para Rachel- Menos a senhorita, senhorita Elizabeth. O diretor me avisou que teve problemas e por isso faltou, sendo assim, seu trabalho estará valendo a mesma nota, até amanhã, claro.
– Obrigada, professora.
Juro que senti o tom de ironia que Rachel pôs ao me chamar de “professora”, mas tentei pensar que era apenas coisa da minha cabeça. Ela não faria isso... faria?
Ainda sim, prendi o riso e peguei o papel.
– Irei ler para vocês um pouco sobre o mito- disse- Era para hoje fazermos um trabalho em grupo, mas como muitos não fizeram, ficará para uma próxima aula. Bem, vamos começar a ler: Eros era filho da deusa do amor, Afrodite, um imortal de beleza inigualável. Já Psiquê, mortal, era uma das três filhas de um rei, todas muito belas, capaz de despertar a admiração de qualquer pessoa, tanto que muitos vinham de longe para apreciá-las. Logo, as duas irmãs de Psiquê casam-se. Apenas a jovem não casa, ainda que seja a mais bela das três, e justamente por isso era a mais temida, já que sua beleza fazia seus pretendentes terem medo. Consultando os oráculos, os pais da jovem entristeceram-se pelo destino da filha, já que foram aconselhados a vestirem-na com trajes de núpcias e colocarem-na num alto de um rochedo para ser desposada por um terrível monstro! Na verdade, tudo fazia parte de um plano da vingativa Afrodite, que sofria de inveja da beleza da moça. Assim que a jovem foi deixada no alto do rochedo, um vento muito forte, Zéfiro, soprou e a levou pelos ares e ela foi colocado em um vale. Psiquê adormece exausta e quando acorda parece ter sido transportada para um cenário de sonhos, um castelo enorme de mármore e ouro e vozes sussurradas que lhe informavam tudo que precisava. Foi levada aos seus aposentos e logo percebeu que alguém a acompanhava e logo descobriu que era o marido que lhe havia sido predestinado, ele era extremamente carinhoso e a fazia sentir bastante amada, mas ele havia colocado uma condição, que ela não poderia vê-lo, pois se assim o fizesse o perderia para sempre. Psiquê concorda com a condição e permanece com ele. O próprio Eros, que tinha sido encarregado de executar a vingança da mãe, se apaixonara por Psiquê, mas que tem de se manter escondido para evitar a fúria de Afrodite. Com o passar do tempo, ela se sentia extremamente feliz, porque seu marido era o melhor dos esposos e a fazia sentir o mais profundo amor, mas resolve fazer-lhe um pedido arriscado: o de ir visitar seus pais, mesmo com a advertência dos oráculos e o temor do esposo, ela insiste, até que ele cede. Da mesma forma que foi transportada até o seu novo lar, Psiquê vai até a casa dos pais. O reencontro gera a felicidade dos pais e a inveja das irmãs, que enchem-na de perguntas sobre o marido, e ela acaba revelando que nunca vira seu rosto. Elas acabam convencendo-na que ela deveria vê-lo e ela se enche de curiosidade. Quando a noite chega e ela retorna à casa, o coração dela está totalmente tomado pela curiosidade, então ela acende uma vela e procura ver o rosto do marido. Ela fica totalmente extasiada e encantada pela beleza estonteante do marido oculto, Eros, que teria feito esse pedido para que a esposa se apaixonasse pelo que é e não pela sua beleza. Psiquê ficou tão deslumbrada pela visão do esposo que não percebeu que uma gota da cera da vela pinga no peito do amado e o acorda assustado. Ele, ao ver que ela tinha quebrado a promessa, a abandona. Sozinha e infeliz, Psiquê começou a vagar pelo mundo. Passando, assim, por vários desafios e sofrimentos impostos por Afrodite como uma vingança por ela ter ferido o seu filho, a jovem luta tentando recuperar o seu amor, mas acaba entregando-seà morte, caindo num sono profundo. Ao vê-la tão triste e arrependida, Eros, que também sofria com a ausência da amada, implorou a Zeus que tivesse misericórdia deles. Com a concessão de Zeus, Eros usou uma de suas flechas, despertando a amada, transformando-a numa imortal, levando-a para o Olimpo. A partir daí, Eros e Psiquê nunca mais separaram-se. O mito de Eros (o amor) e Psiquê (a alma) retrata a união entre o amor e a alma. Em grego "psiquê" significa tanto "borboleta" como "alma". Uma alegoria à imortalidade da alma, simboliza também a alma humana provada por sofrimentos e aprovada, recebendo como prêmio o verdadeiro amor que é eterno.
Encarei-os sorrindo animada.
– Estão prontos para um teste surpresa?
Todos começaram a resmungar logo de cara enquanto eu ria pegando os papeis e distribuindo pela sala.
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