Juliet and Juliet
23 Finalmente com você, minha Julieta.
Notas iniciais
Encarei novamente a porta, mordi um pouco forte demais o meu lábio inferior enquanto mudava meu peso de uma perna para a outra. Eu estava nervosa, admito. Eu queria ver Rachel, era tudo o que eu mais queria, mas... e se eu travasse? E se eu não conseguisse dizer o que eu tinha para dizer? O que eu iria fazer? Eu iria falar para ela que eu a amava, mas e depois?
O maldito “e depois” estava me deixando maluca. Eu estava com medo disso? Eu enfrentei caras armados, quase morri, lutei contra caras com facas tendo apenas meus pulsos para me defenderem e mesmo assim estava com medo de me declarar? Eu sou o que? Uma idiota? Só pode, porque era exatamente assim que eu me sentia.
– Vai entrar ou quer tirar uma foto com a porta primeiro?- Ártemis me tirou de meus devaneios. O comentário lhe custou um tapa de Zoe- Ai! O que, amor? Estamos aqui há meia hora e ela só olha para a porta!
– Não seja insensível, Art- ralhou Zoe- E estamos aqui de metidas, era para ser um momento Reychel.
– Reychel?- encarei-as confusa.
– Fizemos o nome do shipp de vocês, ué- defendeu-se a ruiva.
Revirei os olhos e tornei a fitar a porta. Segurei a maçaneta e me preparei para entrar, mas antes murmurei:
– Não entrem agora- para as duas que estavam ali.
Abri a porta após duas batidinhas e entrei, fechando a porta atrás de mim. Meu coração deu um salto, começando a bater aceleradamente em meu peito. Minhas mãos começaram a soar e minha boca salivar- motivos diferentes, diga-se de passagem.
Rachel estava na maca. Os olhos verdes me encarando com um brilho a mais; os cabelos ruivos, assim como a pele, tinham retomado seu tom de antes; as sardas estavam mais visíveis, mas não tanto.
O sorriso. O sorriso inocente e brincalhão estava ali, tão iluminado e divertido quanto antes. Os lábios ainda estavam um pouco pálidos, mas dava para ver o leve tom rosado.
Em sua maçã do rosto, tinha um curativo e em seus braços e pulsos também, mas nada demais. Fora algumas leves orelhas abaixo daquelas esmeraldas brilhantes, fora o pequeno corte no canto da boca... para mim, Rachel parecia ainda mais bonita que antes.
Meus olhos se encheram de lágrimas e eu corri na direção da ruiva, joguei-me em seus braços, escondendo meu rosto em seu peito enquanto chorava compulsivamente. Senti suas mãos acariciarem meus cabelos enquanto ria de leve.
– Eu pensei que não fosse entrar pela demora- comentou ela rindo.
Encarei-a segurando seus rosto entre minhas mãos.
– Nunca mais me dê um susto desses novamente, mocinha!- briguei.
Rachel gargalhou com um sorriso de canto.
– Adivinha, Avilla?- arqueei as sobrancelhas- Eu não quero mais te assustar assim também.
Sorri.
– Bom mesmo.
Então eu não resisti mais.
Puxei Rachel pela nuca e rocei nossos lábios, senti-a salivar com desejo que eu selasse nossos lábios logo, mas tinha uma coisa que eu precisava dizer antes.
– Eu amo você, Rachel.
E só ai, eu a beijei. Segurando o rosto de Rachel entre minhas mãos, beijei-a com todo o amor que eu tinha. Eu estava mais que feliz em tê-la ali comigo, ela estava viva, estava ao meu lado e, acima de tudo, ela estava segura. Eu poderia beija-la quantas vezes eu quisesse, poderia ama-la quantas vezes eu quisesse, eu poderia até mesmo andar na rua de mãos dadas com ela.
Mas aquele nosso momento foi quebrado por ela. Senti minhas mãos se umedecerem e separei-me de Rachel, encarando-a assustada. Rachel estava chorando.
– Eu te machuquei? Quer que eu chame um médico? Uma enfermeira? Vou chamar o seu médico- comecei a me levantar, mas a ruiva segurou meu pulso.
Encarei ainda mais confusa Rachel. Então, a ruiva ergueu o olhar em minha direção. Apesar dos olhos inundados de lágrimas, tinha um brilho emocionado neles e os lábios sustentavam um sorriso que quase não cabia no rosto pequeno de Rachel.
– Não me machucou, sua boba. Pelo contrário... eu amei ouvir isso.
Suspirei e sentei mais perto da ruiva, ao seu lado e passando meu braço sobre seus ombros.
– Então vai gostar ainda mais disso... posso?- ela assentiu animada- Eu já falei que não sei o que é amor, certo? E que pensava que amor era para os fortes... mas você me fez mudar isso, Rachel- fitei-a nos olhos com um sorriso- Você me fez ver o que é amor. É como você disse, não tem uma definição, mas eu acho que eu encontrei uma palavra que define meu amor. Tem nome, sobrenome, olhos verdes como esmeralda, uma juba pegando fogo... e quase me matou do coração algumas horas atrás. Eu a salvei, duas vezes, e a pus em primeiro lugar em tudo para mim. Mas o que essa definição não sabe é que quem salvou quem aqui... foi ela. Ela me salvou. Salvou de um mundo sem noção e me fez viver de verdade. Sabe qual a definição?
A ruiva assentiu sorrindo.
– Rachel Elizabeth Dare... para íntimos como eu, Julieta.
Desta vez, foi Rachel quem me puxou para beija-la. Não recuei, obviamente que não. Pelo contrário, aproveitei cada toque e cada espaço. Eu sabia que se continuassem daquele jeito, não iria ser legal tanto para Rachel e eu, quanto para o resto das pessoas no hospital.
Separei-me de Rachel arfando e rindo junto dela.
– Esperaremos estarmos 100%... não quero você quebrada- disse eu rindo de como Rachel tinha ficado.
A ruiva corou, mas continuou rindo. Antes que eu pudesse dar mais um selinho nela, a porta se abriu e um estrondo soou.
Eu e a ruiva ao meu lado tentamos olhar o que foi, mas nem precisou, pois logo em seguida se pode ouvir a barulheira dos nossos amigos.
– Eu falei para não entrar, Ártemis!- brigou Zoe.
– Ah, mas eu estava curiosa, amor!- defendeu-se a outra, que acabara de ficar em pé.
– Hey- falou Luke passando pelo casal.
Thalia, Nico, Will e Luke se aproximara de nós, Ártemis e Zoe fizeram o mesmo. Thalia sentou-se bem de frente para nós, Luke ficou em pé atrás dela, Will e Nico sentaram nos nosso pés e Zoe sentou a minha frente com Ártemis ao seu lado.
– Como é que está, mini eu?- perguntou Ártemis.
– Ah, está doendo um pouco no tórax e na barriga, mas nada demais.
– O que o médico disse?- perguntou Nico.
Rachel mordeu o lábio inferior.
– Falo depois- Rachel ficou hesitante- E então? Como Percy e os outros estão?
Fitei Rachel, estranhando seu comportamento, mas não disse nada. Ela precisa descansar, depois eu confrontaria o médico do porque de ela ter ficado tão apreensiva assim sobre o que ele falara.
– Estão ótimos. Tiveram ferimentos leves, anda muito grave e já foram liberados. Os pais os levaram para poderem descansar, mas disseram eu não vão os tirar da escola e deixaram que os filhos deponham contra os sequestradores.
Encarei Will quando ele explicou essa parte.
– Tenho denunciar uma pessoa...- murmurei ficando em pé- Eu venho logo- dei um beijo no topo da cabeça de Rachel e um selinho rápido- Vou apenas resolver umas coisas, antes que o horário de visitas acabe, estarei aqui. Já avisei ao médico que serei sua acompanhante, não vai se livrar tão fácil de mim, ruiva.
– Nem que eu quisesse- concordou a ruiva.
– Cuidem dela-mandei.
Saí do quarto e fui para o que eu estava. Troquei de roupa, pondo a roupa que Art trouxera para mim. Como Ártemis era levemente mais alta que eu e tinha seios maiores, sua blusa ficou frouxa em mim e longa- blusa do Yankees, desgosto eterno- e um short jeans, que ficou até bom. Coloquei os tênis dela- calçamos diferente, eu calço 35-36 e ela 37-38-, mas consegui por direitinho ponto papel e a meia.
Após conversar com Mari Di Angelo, convenci-a de me levar até em casa com mais quatro policiais- ela era delegada. Quando chegamos, eu subi primeiro e sozinha. Mal abri a porta e vi exatamente o que eu esperava.
Papai sentado em sua poltrona lendo tranquilamente enquanto mamãe estava apreensiva no sofá. Eu tinha visto Hylla ainda no hospital antes de sair, mandei que ela ficasse lá e que quando eu chegasse, conversaríamos.
– Boa tarde- falei aproximando-me deles.
– Onde estava?- perguntou papai sem nem me olhar.
– Você sabe- fui ríspida- Sabe exatamente onde eu estava, assim como mamãe. Os médicos ligaram aqui para casa, seria impossível não saberem.
Papai me encarou. Os olhos frios como gelo.
– Ninguém ligou.
– Mentira.
– Como é?- ele ficou em pé.
– Mentira- repeti- Admita. Planejou tudo para tentar matar Rachel, mas contou que eu fosse reagir. Admita que não se importa com nada além do seu poder no governo imbecil e, quem sabe, eu pegue leve- ameacei.
Papai gargalhou, deixando mamãe ainda mais apreensiva.
– Vamos, garota. Você contra mim? Não conseguiria nem a pau.
– Covarde- mandei começando a andar ao redor da sala- Tentou atirar em mim pelas costas. Tentou me matar. SUA PRÓPRIA FILHA.
– Você o que?- mamãe finalmente se manifestou.
– Oh, ele não contou-lhe, dona Belona? Pois eu lhe conto. Ele me torturou, me fez lutar contra caras muito mais fortes que eu e armados. Depois, tentou me matar atirando pelas costas. Mas isso não é nada comparado as torturas que ele fez a cinco jovens adolescentes.
– Não os torturei!- bradou papai começando a vir para cima de mim- Não conte mentiras, garota. Já lhe ensinei sobre isso!
Diferente de antes, eu ergui o nariz e o olhei nos olhos, enfrentando-o.
– Quero fazer algo que eu não fiz hoje mais cedo... papai– dei bastante ênfase ao pronunciar “papai”.
Então, eu dei um soco na cara de meu pai, depois um chute entre as pernas e o joguei no chão.
– Eu não a matei- disse ele com os dentes trincados- Eu só a torturei. Eu precisava que ela implorasse pela morte, assim você não iria recusar mata-la.
Um chute em seu rosto. Mamãe fez menção de levantar, mas eu a olhei com raiva.
– Não se mova- falei devagar.
– Você é muito mal agradecida. Sempre lhe dei tudo e agora, só porque está caidinha pela vagabunda...
– NÃO- interrompi-o- A CHAME ASSIM.
– VAGABUNDA DARE- repetiu ele- Só porque está caidinha por ela, destruiu tudo. Você é muito burra. Eu precisava por um ponto final nisso. Então eu os torturei... e contratei pessoas para darem o primeiro aviso, mas mesmo depois, vocês continuaram juntas. Eu precisava por um ponto final nisso! E para isso, uma de vocês precisava morrer, de preferencia... ela.
– CHEGAAA- berrei em plenos pulmões- MENTIROSO. CANALHA. COVARDE. ESPERO QUE VOCÊ MORRA NAQUELA MALDITA PRISÃO, VOCÊ E TODOS OS CARAS QUE ESTIVERAM COM VOCÊ.
E então os policiais entraram, já rendendo meu pai e minha mãe, mamãe como cumplice. Não vou mentir, doeu ver eles sendo levados presos na minha frente, mas era o certo e, naquele momento, eu não queria nenhum dos dois na minha frente.
Maria se aproximou de mim, abraçou-me rapidamente e depois sorriu orgulhosa.
– Estou orgulhosa de você, querida. Mas disse que queria voltar antes do horário de visitar acabar, certo? Então acho bom se apressar em pegar roupas, pois o horário de visita acaba em uma hora.
Esbugalhei os olhos, correndo mancando para o andar de cima. Adentrei meu quarto, pegando uma mochila e enfiando o que eu achei que fosse necessário lá dentro, logo depois pegando meus fones pequenos- e os grandes- e algumas coisas de higiene pessoal.
Logo depois, voltei com Maria para o hospital, que agora possuía duas visitas inusitadas: um casal. Uma mulher em um terno feminino branco e salto alto, cabelos longos e ruivos, fora olhos castanhos claros. O homem também estava de terno preto também, cabelos negros e olhos verdes. Eles me pareciam familiares.
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