Juliet.

1 "Bem-vindo à Carolina do Norte"


Eu estou exausta. Se mudar é uma tarefa muito difícil. Principalmente quando a sua irmã de quinze anos consegue ser mais levada que a sua irmã caçula. Donna esqueceu que hoje seria o dia da mudança e foi para a casa do namorado. Como ela nunca ajuda em nada, só notamos a sua ausência quando entramos no carro, e ela não pôs um CD do Metallica. Tivemos que ir no outro lado do Kansas praticamente, para buscar aquela irresponsável. Ás vezes chego à pensar que não sou irmã dela. E para completar, pegamos um engarrafamento monstruoso na estrada, e chegamos lá quatro horas mais tarde do que o previsto.


A casa é bem espaçosa, e tem um quintal esplêndido, mas a minha casa antiga era um pouco maior. Vai ser a primeira vez que vou dividir meu quarto com a Donna. Apesar dela ser a minha irmã, nós nunca dividimos nada. Deve ser por isso que somos tão diferentes e desunidas.


Minha mãe disse que teremos que ir de ônibus para a escola, porque a escola é no centro da cidade, e nós moramos no interior. O ruim de mudar de colégio é esse: Novos professores, novos colegas de classe, nova metodologia, novo tudo. Temos que fazer uma reputação, novas amizades...


Nós ainda temos que arrumar a casa. Até agora, só arrumamos os quartos e uma parte da cozinha. E pela casa ser meio grande, vai demorar um tempo, pois a rotina da casa é corrida: Meu padrasto trabalha o dia todo, e minha mãe aguarda nós (Eu e Donna) Chegarmos da escola para ficar com a Michelle, para ela ir trabalhar. Ela tem medo de contratar uma babá para ficar com nossa irmã. E como Donna sempre sai, eu tenho que ficar com a Michelle e arrumar a casa. No final do dia estou esgotada. E ainda tenho que fazer o dever de casa. Normalmente, Donna só volta pra casa quando dá umas dez e meia da noite, que é a hora que a minha mãe e meu padrasto estão voltando pra casa. Mas eu não conto pra minha mãe porque eu sei que um dia a minha mãe vai chegar mais cedo em casa, e ela vai se ferrar. Eu só aguardo esse dia.