João e Maria
25 O início do seu presente
Gael observava Dandara do outro lado da mesa. Seu semblante estava dividido entre o alívio que sentia ao saber que a gravidez ainda era uma possiblidade e o medo de perder a esperança outra vez.
'Eu também acho mas…' Ela tentou argumentar, porém seu sorriso desabou e Gael esticou uma mão por cima da mesa, amparando-a.
'Não vamos nos precipitar, tá? Amanhã é seu aniversário e é só nisso que a gente tem que pensar por enquanto. Essa noite é o início do seu presente.'
'Só o início?' Ela questionou, sorrindo e ele assentiu.
'Depois a gente faz um exame de sangue para ter certeza.'
'Um exame de sangue…' Ela repetiu para si, como se estivesse assimilando a informação.
'Ei.' Gael chamou sua atenção. 'Não se preocupa. Se for negativo, eu te prometo mudar o placar em pouco tempo. Não que eu precise de motivos para querer te tirar desse vestido…' Ele continuou em voz mais baixa, com um sorriso sugestivo no rosto. 'Por mim eu começo hoje mesmo…'
'Mas é muito competitivo!' Ela riu, jogando o cabelo para o lado.
'Sou lutador, né?' Ele ergueu a sobrancelha e tocou o interior do braço dela. 'Se você não quiser esperar...'
'Gael!' Ela o repreendeu, divertida. O sorriso que ela abriu aliviou o coração dele.
'Vamos lá, me leva pra sua casa e eu garanto que vai rolar um positivo nesse exame de sangue.'
Dandara revirou os olhos.
'Tenho certeza que o João vai a-do-rar esses seus planos...'
'O esquisito? Quer dizer, seu lindo e adorável filho? Ele não te falou? Vai ficar na casa do Capiroto hoje.' Descrente, Dandara jogou o rosto pro lado e levou uma mão à cabeça.
'O que a Delma vai pensar de mim, meu Deus! Meu filho não sai mais da casa dela!'
'É por um bom motivo vai…' Ele trouxe sua cadeira para mais próximo da morena e ela admitiu que estava feliz de poder passar a noite acolhida nos braços dele. Eles estavam precisam desse momento para reconectar. Após o negativo do exame, Dandara havia criado uma barreira entre eles que precisava ser derrubada.
'Tá certo. O João dorme no Pedrinho... E você dorme comigo.' Gael sorriu satisfeito 'Mas amanhã a gente busca ele para o café da manhã!'
'Não se pode ter tudo na vida, né?' Ela ignorou.
'A gente podia comer na sua casa, que é perto, com as meninas também, afinal... A gente tem que agradecer a elas, né?'
'Eu já agradeci a Bianca.'
'De uma forma que ela entenda.' Dandara adicionou e ele riu.
'Dessa vez eu expliquei – ou você acha que eu ia pensar nisso tudo aqui sem ela?'
'Eu devia ter desconfiado...'
'Devia mesmo.' Por alguns segundos eles só trocaram olhares. Os olhos de Gael brilhavam olhando a morena e ela sabia que seus olhos estavam emitindo a mesma luz.
'Aqui estamos nós... Falando de filhos novamente... Mas eu acho tão bonita a relação de vocês… Independente dos seus estouros, as meninas sempre te defendem...'
'O que eu posso dizer? Eu fascino as mulheres.' Ela revirou os olhos e ele insistiu que a fascinava. Após negar algumas vezes Dandara finalmente admitiu que sim. Dandara, ainda admirada com Gael ter conseguido o apoio de João, insistiu para que ele contasse a saga que o trouxe até aqui. O jantar dos dois seguiu com um clima leve.
'Isso tá parecendo primeiro encontro, sabia? O romance…'
'O nervosismo…'
'Você está nervoso?' Dandara questionou.
'É seu aniversário eu não--… Eu não sei o que posso te dar que vá—'
'Eu não quero nada além do que você já me deu.'
Ele aproximou ainda mais sua cadeira da dela e passou uma mão pela perna da morena. O vestido de seda fluía na pele lisa dela e Dandara segurou a mão do lutador, parando-o. Ele se desculpou dizendo que não dava pra resistir a ela e fungou profundamente no pescoço da morena fazendo-a sentir seu corpo se eletrizar.
'Uh-hum' Lincoln limpou a garganta, se aproximando da mesa do casal. 'Vocês gostariam de fazer o pedido?'
'Claro, Lincoln, desculpa.' Gael encarou-a com frustração, mas ela riu e escolheu um prato para cada um. Eles jantaram apaixonados, conversando sobre as aulas que deram naquela semana, e após pagarem a conta, deixaram o restaurante, Gael com o braço pela cintura da morena.
'Falta um minuto para a meia noite...' Ele afastou-a admirando-a 'Quero ver a transformação… O ano passar e você seguir sendo a mulher mais linda do mundo.'
Dandara riu dele, mas Gael seguiu encarando-a. Com o tempo, ela olhou para baixo, constrangida.
'Amor…'
'Não adianta, eu te amo.' Ele repetiu puxando-a para um longo beijo que demoraria para se desfazer.
Na cozinha de seu apartamento, Dandara olhava Gael de cima a baixo enquanto passava o copo perto da boca, como se estivesse decidido beber. A expressão no seu rosto era de encantamento e diversão.
'O que foi?' Ele se aproximou.
'Nada.' Ela respondeu instintivamente, mas logo passou os braços pelo pescoço do lutador e sorriu. 'É só que há poucas horas eu não poderia imaginar estar me sentindo leve assim de novo... Eu acho que fiz um drama maior do que eu devia... Deve ser a idade chegando...'
'Ou os hormônios...'
'Para,' ela o repreendeu, sempre com um tom leve 'a gente ainda não sabe, né, mas é engraçado como a gente pode sentir falta de algo que a gente nunca teve.'
'Sabe o que eu acho? Que devemos parar de pensar...' Ele beijou o pescoço dela 'Por esse noite, pelo menos, você não vai pensar em nada.'
'Não vou?' Ela questionou, sem dar muita bola para as investidas dele. Na verdade, sexo não era algo que ela queria lidar com agora. Não depois da montanha russa de sentimentos que ela passou no dia. Depois do choque do exame de gravidez fora da validade ela não se julgava capaz de concentrar em nada – especialmente o que ele parecia ter em mente.
'Gael...' Ela empurrou-o de leve, afastando-o de si. 'Não é a hora...' Mas a força dela não era páreo para a dele, que continuou investindo no pescoço dela.
'Por que não?' Ele seguiu trilhando beijos pelo corpo dela. 'Eu já disse que quero garantir um positivo nesse exame...'
Ela levou uma mão a cabeça e se virou, desvencilhando dele.
'Mas é muito bobo!'
'E você é muito gostosa.'
Dandara jogou uma almofada nele e ele riu, seguindo-a até o quarto. Ele entrou ainda olhando-a, de forma apaixonada, a segurou pela cintura e virou-a de frente para o espelho, embora ela ainda resistisse.
Ele deu um passo para o lado, se mantendo atrás dela, e ela olhou o reflexo deles. Por mais estranho que fosse, percebeu que nunca tinha se visto ao lado de Gael. Ela tinha de admitir que eles combinavam bem, fisicamente. Confusa, ela buscou o olhar dele e encontrou um brilho de má intenção que ela conhecia muito bem.
Abaixando a cabeça, ele respirou no ouvido dela. A textura da barba dele de encontro com seu pescoço atiçou algo em Dandara que estivera dormente e de repente seu corpo concordava plenamente com os planos dele. Talvez, depois de tudo, essa fosse a forma de distração que ela precisava. Ela se virou para ele, querendo alcançar seu pescoço, mas ele a parou.
'Ainda não...' Ele sussurrou, provocante, virando-a 'Por enquanto você só aproveita...' Passando uma mão por suas costas, ele encontrou o zíper que prendia seu vestido e lentamente puxou-o para baixo. O decote caiu somente o suficiente para revelar um triangulo de pele em seu colo. Antes de puxar as alças, ele passou seus dedos tentativamente pela pele a mostra.
Dandara manteve seu olhar no espelho, sem conseguir desviar. Ela tentava se manter parada enquanto Gael descia as alças do vestido, beijando cada centímetro de seus ombros no meio tempo. Ele descia beijando o corpo dela a partir de seu pescoço, sua língua por vezes pressionando na pele dela, e ela não controlou o impulso de virar a cabeça e tomar os lábios dele nos seus.
Finalmente ele tirou as duas alças e o vestido caiu no chão. Gael se abaixou, beijando dos ombros dela até a curvatura de seus seios. Seus dedos seguiram passeando pela barriga de Dandara, onde ele depositou alguns beijos carinhosos antes de ajoelhar em frente a ela. Ela passou os dedos pelos cabelos negros dele, e tentou trazê-lo para cima novamente. A fim de provoca-la, ele tocou seus calcanhares e subia percorrendo o corpo dela a medida que se levantava. Ela soltou um súbito suspiro quando ele, delicadamente, tomou a área entre suas pernas e pressionou os dedos contra ela.
Com ele de pé novamente, frente a frente a ela, ela tentou se envolver, sentir seus lábios nos dele, mas ele desviou, beijando o topo dos seios dela novamente. Ela suspirou em frustração, pois ele sabia exatamente o que estava fazendo com ela.
Trabalhando como pode, ela desabotoou a camisa dele e, para seu alivio, ele respondeu tirando-a de forma rápida e polida. Ele desabotoou o sutiã dela e seu olhar encontrou o de Gael no espelho.
Levantando o queixo dela, ele beijou novamente seu pescoço, se demorando onde havia pulso. Ela agora encarou seu próprio olhar no espelho. Sua figura a olhava de volta com uma expressão de desejo que era não somente físico mas outra coisa indefinida. De repente o erotismo daquela cena estava lhe subindo a cabeça e ela se virou de costas para o espelho. Aquilo havia durado demais.
Jogando o cabelo para o lado ela encarou Gael e empurrou-o em direção a cama, onde ele caiu olhando-a com uma mistura de desejo e admiração. Ela tomou os lábios dele com os seus e dessa vez ele não tentou impedi-la. Voltando-se ao pé da cama, ela sentou na porta e rapidamente tirou o cinto dele enquanto ele a observava com divertimento. Finalmente, para o alívio dela, eles estavam no mesmo estado de nudez.
Mas agora ele tomara o controle novamente, pressionando a lombar dela contra o colchão e se abaixando por cima dela. Ela sentiu a barba dele roçar seu estômago enquanto seu quadril se movia como se possuísse vida própria, tentando encontrar o dele. Após o que pareceu uma eternidade ele permitiu que ela o guiasse para dentro dela. O quadril dela era tão fino que ele a preenchia completamente e ela arqueava a coluna para criar mais espaço. Se deitando sobre ela, ele cobriu sua boca, sua língua encontrando a dela, e ela respirou fundo quando ele começou a se mover mais depressa.
Por vezes o colchão fazia um barulho que a lembrava o para-brisas de um carro. Em qualquer outra ocasião o som a teria deixado constrangida mas naquela noite ela não conseguia se importar com mais nada.
Se levantando, ele trocou novamente olhares com Dandara. Ela se sentia mais próxima dele nesses momentos que antecediam o clímax. Eles se comunicavam muito bem fisicamente. Ele voltou a se mover e a respiração dela se tornou ofegante, sobrando quente no pescoço dele. Todo o resto sumiu de sua mente – o luto, e o medo deixaram de existir, mesmo que por alguns segundos.
Logo ela parou de respirar enquanto o calor radiava de si mesma em ondas, alcançando seus dedos em alguns pulsos. Seus músculos se contraíram em volta dele e ela observou o rosto dele enquanto toda a postura de mau evaporava naquela perda total de controle e ela sorria, satisfeita em saber que era a causa daquilo. Puxando o lençol em volta deles, ela cobriu-os criando uma espécie de caverna que ela não tinha nenhum desejo de deixar.
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