João e Maria
21 Esse tipo de detalhe
Dandara subiu as escadas decidida mas chegando na porta do apartamento de Gael, titubeou, esticando e dobrando o dedo sobre a campainha. Antes que pudesse fazer sua escolha, a porta se abriu e Karina olhou-a, surpresa, franzindo a testa.
'Dandara?'
'Oi Ka...' Dandara não conseguia esconder a vergonha. 'Tudo bem, flor? Fiquei de encontrar seu pai, ele já chegou?'
'Ainda não, mas entra aí.' Ela deu espaço para a morena entrar. 'Eu to indo pra casa do Pe, mas você pode esperar a vontade, ta? Quer que eu deixe a chave?'
Dandara agradeceu a menina e sentou-se. 'Seu pai liberou?'
'Mais ou menos... Eu posso ir pra lá mas não posso dormir. Como se o que ele temesse não pudesse rolar de dia, né?'
Dandara deu uma gargalhada e puxou a menina pela cintura num gesto carinhoso. 'Adultos, eu sei...'
Karina estranhou o contato físico, mas abraçou a professora de canto.
'Ka, eu to sabendo que você anda brigando bastante com a Bi por causa do Pedro... Eu posso ajudar em alguma coisa?'
'Infelizmente não.' A menina se jogou no sofá cruzando os braços 'São os problemas de sempre, a Bianca vem toda meiga, toda fofa e sempre consegue tudo o quer. Mas comigo não, comigo o seu Gael fica na rédea curta...'
'E você queria que a sua irmã te ajudasse mais, é isso?'
'Pra ela ajudar mais ela teria que ajudar um pouco mas nem isso ela faz... Enfim, deixa eu ir aproveitar o pouco tempo de liberdade que me foi concedido.'
Dandara deu um sorriso condoído. Karina já estava na porta quando ela chamou-a de volta.
'Vaos fazer uma coisa... Eu quero conversar com seu pai, aí eu posso aproveitar e tentar convence-lo de você dormir no Pedrinho, que tal? Pega um pijama e leva. Se não der, eu te ligo pra você voltar. Mas você tem que prometer que volta.'
'Prometo, prometo!' Karina disparou em direção a seu quarto mas voltou para abraçar Dandara e agradecer. 'Você é a melhor madrasta que alguém pode ter!'
Karina se despediu e Dandara respirou fundo. Madrasta. Ela não havia pensado nisso mas estando com Gael ela assumiria essa posição com as meninas. Será que ela estava preparada? Inconscientemente, levou a mão a barriga lembrando de sua conversa com Delma. Ela sabia que estava assumindo um risco, tocando naquele assunto com Gael, mas tinha um bom argumento para convencer o lutador. Na verdade, era de seu interesse que tivessem o apartamento só para eles. Ela queria poder ter uma conversa franca com ele.
Olhando em volta para o apartamento vazio, seguiu até a geladeira para preparar algo para jantar. Pouco tempo depois, escutou a chave de Gael na porta e virou-se para cumprimenta-lo.
'Nossa, não faz isso que você me mata.'
'Boa noite pra você também.' Ela cobrou, com humor e ele riu.
'Perdão, mas abrir a porta e dar de cara com um monumento desses...' Ela revirou os olhos e voltou a dar atenção à panela. 'Fazer o que? Você que faz isso comigo...' Ele se aproximou e parou atrás de Dandara, segurando-a pela cintura. 'Que bom que você veio.'
'Assim você tem o que jantar, né? To fazendo macarrão.'
Ele olhou para dentro da panela, um pouco descrente com a quantidade.
'As meninas, cadê?'
'Somos só nós dois. A Karina vai jantar no Pedrinho, ela que me deixou entrar.'
'Tenho que agradece-la por isso...'
'A Bi deve estar ensaiando na Ribalta? Não sei... Mas vem cá,' ela desligou o fogo e virou-se de frente para ele. 'que tal aproveitar esse seu surto de doçura...' Ele riu 'e liberar a Ka pra dormir no Pedrinho?'
'Ah, Dandara' ele interrompeu, ansioso, 'não quero brigar com você por causa disso de novo. Já disse, enquanto a Karina for menor de idade--' Dandara levou dois dedos à boca dele, impedindo-o de falar.
'Você não me deixou terminar... Pensa bem, o João vai dormir lá também. Aí você ganha pontos com a Ka por deixá-la ficar, mas será uma noite tranqüila porque tem o João e a Tomtom...'
Ele ergueu a sobrancelha, interessado.
'E o que eu ganho com isso?'
'Depende...' Ela segurou os ombros dele e jogou o corpo para longe, se afastando. 'Se eu conseguir esquecer o que você fez hoje...'
Gael olhou para baixo, sem conseguir encarar a morena.
'Eu não devia ter escondido de você.'
'Mentido, né? Agido pelas minhas costas... Eu te pedi para não se envolver nisso...'
'Mas eu tenho uma relação com ela--'
'Tem?'
'Tinha. Eu tinha uma relação com ela além do João, não dava para não me envolver, eu já estava envolvido...'
Ela fez sinal para ele pegar o escorredor e Gael ajudou Dandara a servir o macarrão em silêncio. A verdade é que essa não era a única preocupação na cabeça de Dandara. Eles se sentaram na mesa e ela retomou a conversa.
'Então você tomou um café com a doutora Olga hoje.'
'Eu tomei um café com a Olga hoje.'
'E aí?'
Ele respirou fundo.
'Foi difícil, eu não a via há muito tempo é ao mesmo tempo parecia que ela era a mesma.'
Dandara bateu com o talher no prato, sem perceber. Gael olhou-a e ela deu uma risada de leve.
'Preciso mesmo ouvir esse tipo de detalhe?'
Ele sorriu. 'Tem razão, não precisa. Mas você precisa saber que nós não temos uma relação, no presente, então não vamos ter nenhum tipo de problema com o João. Ela não sabe quem eu sou e eu deixei claro que ela não poderá saber enquanto o João precisar da ajuda dela.'
'O que vocês tiveram, Gael? Prefiro saber com o que estamos lidando.'
'Nós nunca tivemos nada além de uma amizade. Nos beijamos, só--'
'Não hoje, eu espero.'
Ele riu. 'Claro que não... Há dez anos. Um único beijo.'
'Ela não vai desistir tão fácil... Eu já disse isso, mas você não é fácil de esquecer.'
'Olha quem fala. Meu amor,' ele se levantou e cruzou a mesa até ficar de frente para a morena. 'Não se preocupa mais com isso... Vamos deixar o passado no passado.' E adicionou num sussurro 'Eu estou completamente apaixonado pelo presente.'
Ele inclinou-se para beija-la enquanto ela se levantou indo em direção a ele, ambos no mesmo movimento. Suavemente ele a beijou, se deleitando na textura da pele dela contra seus lábios. Gael passou uma mão pela barriga dela e corpo e mente de Dandara estremeceram. Ela se virou, confusa, e ele encostou seus corpos juntos. Respirando na nuca da morena, ele beijou-a o pescoço e Dandara, deixou-se sentir o roçar da barba dele, seu corpo tomado por uma quentura, seus pensamentos relaxando.
Os lábios deles desciam até seu ombro, enquanto ele empurrava a manga do vestido dela, abrindo mais espaço para beija-la. Totalmente entregue ao toque dele, Dandara respirava pela boca emitindo suaves gemidos ao sentir os lábios do lutador sugarem sua pele e suas mãos contornarem seus seios, agora expostos.
Sem aguentar, virou-se de frente para ele e enlaçou-o num beijo, prendendo a cabeça dele em seus antebraços e invadindo a boca dele com sua língua. Gael alternava entre responder aos beijos dela e assumir seu próprio caminho em direção aos seios da morena.
'Te disse que iria te enlouquecer.', ele sussurrou, levando-a até o sofá. Ela sorriu para ele, decidida a deixa-lo fazê-la esquecer suas preocupações. Gael estava hipnotizado pelo vermelho dos lábios dela, fruto das mordidas que demonstravam o desejo dele.
Ele sentiu-a pressionando o corpo dele contra a poltrona e surpreendeu-se quando ela começou a desabotoar os jeans dele. Olhou-a sentada por cima dele e o tempo pareceu parar. Quando sentiu o corpo dela cobrindo o seu, ele fechou os olhos, navegando para um estágio quase de sonho. Ela se movia de maneira graciosa e o cabelo dela escorria pelo rosto dele. Ele deixou-a escolher o próprio ritmo, só intervindo de vez em quando para puxar seu rosto de encontro ao dele, sentir seus lábios nos dela novamente.
Em alguns momentos ele parecia esquecer onde estava.
Sem nenhuma ideia de quanto tempo havia passado, ele sentiu a cabeça dela agora acomodada abaixo de seu queixo, o corpo dela descansando no topo do dele, quente e relaxado. Lentamente abriu os olhos e percebeu a hora. Eles deviam provavelmente se vestir de novo, ele pensou com um sorriso. Bianca poderia chegar a qualquer momento.
'Odeio ter que falar isso, mas a gente não pode ficar assim...'
Ela suspirou, e se levantou, olhando pra ele.
'A Bi, claro.' Os olhos de Gael a encaravam com um brilho que não permitiam-a fugir de suas duvidas.
Percebendo a preocupação da morena, ele perguntou.
'Tudo certo? Nada como uma sensação de dever cumprido, né?’ ele puxou-a para mais um beijo enquanto ela ria. Quando aquela mulher sorria, o mundo parava.
Ela se levantou, sentando ao lado dele, e vestiu seu vestido. Ele fechou seus jeans, mas continuou deitado, observando-a. Com uma mão ele esticou o braço e deslizou seus dedos lentamente pelas costas dela. Agora que ele havia tocado-a novamente ele não gostaria de parar. Ela suspirou, profundamente, mas não se virou. Parecia estar tomando uma decisão.
'Posso te pedir uma coisa?' a voz dela parecia nervosa, um pouco presa, com preocupação.
'Qualquer coisa.' Ele respondeu curioso, mas ainda relaxado.
'Você se importa se eu descer rapidinho? Eu preciso de uma coisa da farmácia.'
'O que? Você...' Ele olhou em volta procurando manchas no sofá. 'É absorvente?' Perguntou, achando que tinha acertado 'Acho que deve ter no banheiro das meninas,'
'Não.' Ela interrompeu-o, sua voz soando como se estivesse prendendo o riso 'Não é isso, pode acreditar.'
'O que, então?' O suspense o estava matando.
'Eu realmente não sei como dizer isso...' Ela finalmente se virou, olhando para ele. Existia um tipo de medo no olhar dela, completamente diferente do que ele havia visto antes. Em voz baixa, mas ainda audível, ela falou. 'Eu preciso de um teste de gravidez.'
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