João e Maria

7 Devagar e sempre


Notas iniciais
Finalmente o reencontro oficial! Queria alertar vocês que esse cap. é um pouquinho mais quente que os outros! Tentei escolher bem as palavras por causa da classificação. Acho que algumas de vocês vão gostar, mas desde já peço desculpas se alguém se sentir ofendido!

Gael segurava a morena nos braços e respirava o cheiro dos longos cabelos dela. De costas para ele, ela jogou o pescoço para o lado e passou sua mão sobre as dele, que por sua, enlaçavam a cintura dela… Como ele havia sentido falta daquela entrega… De tê-la nos braços e tê-la pra si…

'Eu já te disse isso uma vez mas… Essa casa sentiu muito a sua falta…' Virando-a de frente pra si, adicionou. 'E eu também.'

'Meu amor…' Dandara passou uma mão pelo rosto dele como se o sentisse pela primeira vez. 'Eu também senti muito a sua falta, sabia? Eu nunca realmente quis ir embora…'

'Então não vai mais.' Ele tocava os lábios dela, quentes e tão convidativos. Ela respondia, depositando beijos leves nos dedos dele. Aquela sensação despertara Gael num instante e ele direcionou o olhar para o corpo da morena. Caminhando com seus dedos pela lateral do corpo dela, se demorou em seus seios, o que fez com que ela revirasse os olhos, rindo do efeito que causava nele. Após um breve beijo, ela olhou em volta e continuou.

'Eu entro nessa casa e me vêm tantas lembranças… Me lembro bem de sentar ali naquela mesinha e te esperar voltar da Clareira dos Macacos…' A morena se desvencilhou dos braços do lutador e se apoiou no encosto da poltrona, observando a casa com certa melancolia. 'Sabe, Gael, eu tinha que ficar repetindo pra mim mesma que a gente não dava certo… Tipo um mantra pra não esquecer, sabe?'

O tom dela era leve, como se quisesse colocar a conversa em dia. Gael, contudo, havia acabado de despertar e não tinha vontade de revisitar o assunto. Não queria ter de lembrar das vezes que falhara com ela. Sozinho ele já se culpara vezes o suficiente. Sem querer ser rude, ofereceu à morena um copo d’água e seguiu em direção à cozinha para evitar a conversa. Ela percebeu o desconforto dele, e seguiu-o sem desistir do que tinha para falar.

As palavras de René tinham permanecido com ela durante toda a viagem de táxi até a casa de Gael. Ela merecia sim dar uma segunda chance à seus sentimentos, afinal, essa era a sua essência. Ela era uma mulher que ia atrás do que queria e se entregava por completo, vivendo o que a vida lhe oferecia para viver. Só que para poder se sentir livre novamente ao lado de Gael, ela precisava aprender com o passado para que o mesmo não se repetisse.

'Dandara,' ele respondia os argumentos dela com paciência, apesar da falta de vontade. 'Eu sei que você acha que precisa me explicar, e que a gente precisa conversar, mas confia em mim. Eu sei que eu errei com você… Você não sabe disso ainda?' E adicionou em tom de brincadeira 'Até cantar pra você eu cantei pra te provar que eu estava tentando!'

Ela sorriu, lembrando.

'Podia cantar de novo, né?' Brincou, abandonando, por hora, o assunto, o que fez Gael sorriu aliviado.

'Deixa pra próxima vez que eu não me controlar...' Ela ajeitou a blusa, que caía de seus ombros, e encarou-o erguendo uma sobrancelha. Garanhão, ele aproveitou para sussurrar pra ela. 'Não levanta essa sobrancelha aí que eu não respondo por mim!'

'Eu estou te seduzindo, é?' E arqueou novamente a sobrancelha, inclinando o corpo em direção a ele e puxando-o pelo cós do jeans.

'Quando que você não faz isso, é uma pergunta melhor.' Gael sorriu com o rumo da noite voltando ao que ele tinha em mente.

'Vamos tentar de novo.' Ela falava não somente sobre o relacionamento dos dois, era também um convite. 'Com calma… Devagar…'

'…E sempre, eu já entendi.' Dandara deu uma leve gargalhada enquanto Gael se aproximava-se dela e ela escondia o sorriso, olhando em volta.

'Vem cá, não to vendo nenhum prato do lado de fora… Na mesa só tem uma toalha…' Ela riu 'É impressão minha ou você já sabia que não ia ter um jantar?'

'Olha, preciso confessar que essa coisa de jantar era só pra você, mesmo.' E lhe arranca outra risada. 'Eu sempre tive outros planos.'

'Outros planos?'

'Eu sou homem, né, Dandara? E você… É uma mulher…'

'Bem observado.' Ela ria, fazendo graça. Ele se aproximava tocando de leve o quadril da morena.

'E que mulher…' Ele pronunciava as palavras com calma, enquanto Dandara recuava até encostar no gabinete da cozinha. Sentindo o móvel atrás de si ela se sentou no balcão, ficando da mesma altura que o lutador. Imediatamente, passou seus braços pelo pescoço dele e desceu por seu peito, sentindo os músculos bem definidos dele. Seu corpo pedia por mais.

'Sabe o que eu to achando, mestre Gael? Que esse devagar… Não precisa ser tão devagar assim.' A última parte da frase ela pronunciou com uma voz baixa que causou arrepios nos dois.

'E você tem algum problema com isso?' Ele perguntou, jogando a cabeça de lado, sedutor.

Ela fez que não com a cabeça.

Seus rostos estavam apenas a alguns centímetros um do outro, e quando ele se inclinou em direção a ela, ela não fez nenhum esforço para resistir. A principio eles se beijavam de forma reconfortante, suavemente, aos poucos consumindo a saudade que sentiam um do outro. Ela enrolou suas mãos em volta do pescoço dele e ele tocou sua têmpora, alisando o cabelo dela. Logo a necessidade física começou a competir com a necessidade emocional e gradualmente a intensidade do beijo cresceu. Suas línguas se encontraram e a cabeça de Dandara bateu no armário da cozinha, mas ela mal percebeu.

As mãos de Gael desciam por sua cintura e ventre, entrando por debaixo de sua blusa. O corpo de Dandara ardia com aquele toque e ela se inclinara ainda mais, como se pedisse para ele continuar. Gael podia sentir o calor do corpo dela e numa ação rápida, abriu o sutiã que o impedia de deslizar suas mãos livremente pelas costas dela. A pele dela era macia e ele não tinha nenhuma vontade de parar de tocá-la, o que Dandara achava ótimo pois era o seu desejo que ele se demorasse o máximo possível.

Quando ele interrompeu o beijo para então beijar-lhe o pescoço e a pele de seu colo, a mostra devido ao decote, ela teve tempo de considerar se deveria tentar pará-lo, mas logo desistiu da ideia. Ela não tinha tanta força de vontade. De certa forma, essa situação se tornara inevitável desde o momento que ela decidiu telefonar para René cuidar de João. Ela já tinha se decidido, só não tinha percebido. E naquele momento, ela não queria nada além de que isso continuasse. Usando suas pernas para prendê-lo, ela se inclinou sobre seu peito e sussurrou em seu ouvido.

'Vamos pro quarto.'

Suavemente ele afastou-a de si para olhá-la nos olhos, esperando uma confirmação. A expressão do olhar dela disse tudo o que ele precisava saber. A não ser que um furacão destruísse a casa, nada os impediria dessa vez… Ele beijou-a novamente, suavemente, quase como se agradecesse, ao mesmo tempo que levantou-a do gabinete da cozinha, segurando seus pernas por dentro da saia longa que a morena vestia. Ela prendeu seus braços em volta do pescoço dele e ele levou-a até o quarto, sem por uma vez romper o beijo. Ela fingiu não perceber quando, na entrada do quarto, ele tropeçou e empurrou-a contra a maçaneta da porta.

Gentilmente deitando-a na cama, no quarto escuro, ele continuou a beija-la enquanto ela se ocupava em tirar camisa dele. Ela depositava beijos molhados sobre o peitoral do lutador enquanto Gael tentava livra-la da saia transpassada, e logo se frustrou, o que fez com que Dandara abrisse um enorme sorriso, achando graça da situação.

'Droga! Como é que se tira isso?' ele sussurrou, impaciente. Rindo, ela respondeu

'Deixa que eu tiro' e ele sorriu, grato por poder apreciar o show. O corpo daquela mulher o enlouquecia. Ela puxava os fios da saia lentamente, perfeitamente consciente da ansiedade de Gael, e revelando aos poucos sua pele, e uma fina lingerie preta que Gael já conhecia bem. Ele fez com o dedo um sinal pedindo que ela desde uma voltinha e ela bateu com a saia nele, fingindo não gostar. Ele puxou-a pela cintura derrubando-a na cama e tocando suas pernas, subindo em direção à renda que ainda cobria seu corpo.

Desejando que tivesse mais luz para que ele pudesse vê-la, mas satisfeito com a sensação do corpo dela em suas mãos, ele desceu trilhando beijos por todo o corpo dela, sem esquecer de nenhuma parte, até ela estar ofegante e não aguentar esperar um minuto a mais. Sentando-se, ela dirigiu suas mãos para o cós do jeans dele, desabotoando a calça do lutador enquanto beijava-o com ardor o pescoço e a nuca. Hipnotizado, Geel teve um calafrio e Dandara sorriu satisfeita, ao sentir o volume crescer ainda mais sob o jeans dele.

Que mulher era aquela!, pensava Gael. Enquanto ela tirava sua blusa, ainda como se fizesse um show para ele, ele arrancou a própria calça que o incomodara desde que ela havia chegado por aquela porta. A sombra dos seios dela, agora a mostra faziam o membro de Gael pulsar. Ela era perfeita em todos os sentidos e precisava ser sua, imediatamente. Puxando-a sobre si, ele deitou com ela no topo, apreciando a vista que agora já estava acostumada com o escuro. Eles não descansavam e seguiam redescobrindo o corpo um do outro como dois adolescentes fazendo aquilo pela primeira vez.

Apesar do desejo, ele queria ir devagar e se segurar. Ele sabia que ela apreciava aquele jogo de sedução, que fazia uma vez durar horas. Mas essa noite ele não parecia conseguir resistir nem a si mesmo. Aquela era Dandara! Era a Dandara de volta para ele! Desde que Ana se fora, ele nunca havia sentido tanta paixão por nenhuma outra mulher.

Ele se esforçava para manter um ritmo vagaroso mas era inútil. Ela se movia sobre ele num ritmo que o faria logo perder o controle. Antes que ela colocasse tudo a perder, ele virou-se por cima dela, tomando a direção novamente. Beijando-a o pescoço, decidiu que haveria tempo para irem devagar mais tarde… Eles teriam a noite toda… Ele a compensaria. Eles já haviam esperado o máximo que conseguiam esperar...

Quando ela arqueou as costas por debaixo dele e deixou escapar um grito, ele sentiu todos os músculos de seu corpo tencionarem e logo em seguida relaxarem. Caindo por cima dela, ele sentia os ares da respiração e o batimento do coração dela sob as batidas de seu próprio. Pensou em deitar-se ao lado dela, pois era muito pesado, mas ela imediatamente prendeu seus braços em volta dele e o segurou ali.

Ele voltou a beijar o pescoço dela novamente, seguindo para seu rosto, repetindo para si, quase que de maneira ingênua, que era mesmo Dandara na cama com ele. Ele não conseguia acreditar que isso estava mesmo acontecendo. Talvez porque fosse algo que ele queria há tanto tempo e havia desistido, achando que não iria acontecer novamente.

Os olhares dos dois se encontraram e ambos abriram sorrisos, quase espelhados um no outro.

'Sabe de uma coisa?’ Estava escuro, mas ele conseguia ver a sombra do sorriso dela. 'Acho que demoramos demais para voltar aqui.'

Ele suspirou em tom de zoação

'O que eu estive tentando te dizer esse tempo todo?'

Ela riu e ele cobriu o rosto dela de beijos.

**

Quando finalmente cederam ao sono, Dandara com a cabeça no peito dele e Gael com a mão ainda entrelaçada nos cachos dela, a luz clara da manhã já começava iluminar o quarto.