Extremo Sul, Eixo Norte — Planeta Y

Quase 12 dias para a véspera de Natal

Ully estava dormindo quando a nave entrou na atmosfera do planeta, Greta comandava a nave e tentava rastrear a nave de Jean, hackeou os sistemas de seu pai e procurou uma conexão feita entre a nave do francês com a de seu pai. Não conseguiu achar conexões feita depois dele entrar no Planeta Y, mas conseguiu achar o rastro de Jean depois da última ligação feita do chefe para ele. Todavia achou mais naves caçadores enquanto procurava a do Moreau, não gostou da competição e decidiu invadir pelo menos 15 das 32 naves caçadoras que adentraram naquele planeta.

Depois que entrou na atmosfera e estava planando no céu escuro, Greta acordou Ully e coordenou a nave até os pinheiros não ocos, descendo perto da nave e discou o código da máquina, que também funcionava para fazer ligações. Jean não atendeu, então Ully decidiu descer e ir até ele pessoalmente. Trocou o fino baby doll, vestindo uma calça pantalona, roxa e de padrões geométricos, por cima de uma meia calça preta e grossa. Vestiu uma blusa de frio preta, de pano grosso e gola alta, que tinha mangas apenas para seus dois braços superiores, colocando luvas longas nos dois braços inferiores. Colocou vários colares dourados no pescoço e apoiou a jaqueta de aviador nos ombros. Antes de ir, ficou alguns minutos se olhando no espelho e preparando-se mentalmente para o que faria.

Foram passos difíceis, pareciam lentos demais em sua cabeça. Aproximou-se da nave, batendo várias vezes no capô e gritando por Jean. A porta de carga foi aberta, de dentro dela saiu o francês com a roupa amassada e a cara de sono embaixo do capacete de vidro. Ully sentiu um pouco de nervosismo, mas ignorou e foi até Jean.

— Que merda você quer, ma chèrie? Colocar um prêmio na minha cabeça e roubar minha missão já não é o bastante putain! Pensei que ia ter que caçar você também! E para quê tudo isso? — Ully ouvia quieta as reclamações de Jean, não queria dar razão a ele, mas também estava em uma situação difícil e não podia exigir muito. — Eu desisto de tentar entender você e seu pai, ainda mais tentar entender qu'est-ce que je t'ai fait? Il n'est pas possible que personne d'autre ne gagne beaucoup d'argent pour une chasse! Sans parler que vous êtes de terribles chasseurs, je suis même offensé dans mon lieu de chasse. Et salope qui a accouché ! Tu gâches la plus grande conspiration que j'ai jamais faite ! Je ne vais même pas mentionner le temps que tu viens de ruiner! — Ully o olhava assustada, ele ofegava enquanto gritava e chegou até a apoiar as mãos no joelho, então ela percebeu que ele não usava roupas tão quentes assim e que tinha marcas vermelhas no pescoço.

— Greta? — apertou o aparelho que tinha atrás da orelha — Pode traduzir para mim o que ele acabou de dizer?

— Traduzindo livremente seria: o que eu fiz para você? Não é possível que ninguém mais vai ganhar muito dinheiro com uma caçada. Sem mencionar que vocês são caçadores terríveis, me sinto ofendido no meu lugar de caça. E… vadia que deu à luz? Ah! E puta que pariu! Você está arruinando a maior conspiração que eu já fiz? É isso mesmo? Ah, é sim. Que estranho. Sem mencionar o tempo... que você acabou de arruinar? Ah! Não, não! Clima, é com certeza. É tão bom não fingir mais ser um robô! Ih, sis, acho que chegamos numa hora ruim.

— Qualquer hora que eu chegasse ia ser ruim…

— Você o deixou bem magoado para quem foi o melhor com quem você transou. — Greta riu pelo rádio e as bochechas de Ully ficaram arroxeadas.

— Acabou com seu desabafo? — Ully o interrompeu e ele pareceu parar no tempo pela cara que fez.

— Não — riu — mas eu esqueci o resto, essa erva é muito boa. — Foi até Ully e passou o braço por cima do ombro dela, a levou para dentro rindo e pedindo para Audrey fechar a porta. — Você está linda, sempre cheirando a mirtilo.

— Foi mais fácil do que eu esperava...

— Você nem pediu! — retrucou Greta

— Grinch! — disse quando chegou na sala, levando a uranis arrastada para a epifania que os dois estavam tendo — Essa é a Ully, filha do chefe. Conhecida minha, sabe? É uma filha da puta, mas acho que ela pode ajudar no nosso plano.

— Que plano? — olhou para o malasiano de cabelos verdes escuros que estava deitado no chão, ele desenhava estrelas no ar.

— Vamos arruinar o Natal, é isso — dizia baixinho — Vamos arruinar tudo.

— Eu não estou entendendo — olhou para Jean desconfiada — Me solta.

— Shh! Não estraga o momento, aproveita! É Natal! Vamos adiantar o Natal!

— Que?

Depois de confundir Ully com falas sem sentido, explicar todo o plano de maneira devagar e depois repeti-lo cada vez mais rápido até que conseguisse dizer tudo em um minuto, Jean dormiu no chão da sala. Não deixou que Audrey abrisse as portas para Ully e também a proibiu de seguir as ordens que não fossem as dele. Quando acordou, tomou um susto ao ver a uranis assistindo sua televisão com Grinch deitado em seu colo.

— E aí — acenou para Jean — Tira ele de cima de mim, por favor.

— O que você está fazendo aqui?

— E lá vamos nós de novo — revirou os olhos.



Pinheiro A23, Eixo Norte — Planeta Y

12 dias para a véspera de Natal

Quando Mary May abriu a porta não pode ficar mais chocada e feliz ao mesmo tempo, por um momento pensou que já tivessem achado seu marido e um pouco de esperança aqueceu seu coração gelado. Sorriu para o estranho trio que apareceu em sua porta, mas quando percebeu que não tinham achado Klaus seu sorriso murchou. Mesmo assim deu passagem para o trio entrar, ofereceu chá e biscoitos, empurrou os gáudios de madeira que ocupava todo o sofá e deixou que os convidados sentarem.

— É bom vê-los de novo. Você eu não conheço — olhou para Grinch — Mas é bom te ver também. E fico feliz que tenha encontrado sua parceira, fez a surpresa para ela? — Jean e Ully se olharam, enojados com a possibilidade e se ajeitando no sofá, desconfortáveis.

— Não somos parceiros — Jean corrigiu — Ela roubou minha missão e depois veio pedir ajuda no meio da madrugada na maior cara de pau.

— Estava quase de dia, seu idiota — retrucou e Grinch se sentiu um pouco excluído da história.

— Enfim, madam...Mary, nós pensamos que estamos muito perto de achar seu marido — começou Jean que sorriu involuntariamente ao ver o brilho nos olhos de Mary — Mas eu, nós, precisamos da sua ajuda.

— Isso é maravilhoso, criança! Do que precisam?

— De fotos, muitas fotos — começou Ully

— O trenó e algumas cartas, que já foram lidas, claro — continuou Jean.

— E a melhor roupa de trabalho que ele tem, seja lá o que for — finalizou Grinch revirando os olhos e cruzando os braços em seguida. Mary May olhou os três à sua frente, sem entender nada e tomando um susto depois de ouvir uma garrafa de espumante ser aberta por um de seus duendes.

— E também, Mary… preciso que me conte o que aconteceu com o Pinheiro B13 — Mary May engoliu seco, mordendo a ponta do dedo como sinal de nervosismo.

— Sim, sim, o que for preciso para ajudar meu marido. Mas não, não consigo, eu acho, eu não queria reviver isso, desculpem.

— Então não terá seu marido de volta, dona. Aí! — recebeu uma cotovelada de Grinch que suspirou depois, coçou o nariz e olhou para Mary May.

— Senhora, nós precisamos dessa informação. Você irá viver coisas piores caso não aceite o passado. — Jean nunca ouviu tanta ternura no tom de voz do recepcionista, olhou-o de relance vendo a feição séria e sem qualquer resquício de deboche.

— Tudo bem. — fungou — Tudo bem. Obrigada, jovem. Bom, talvez nunca tenham percebido ou viajado o bastante, mas desde o B13 não temos mais nenhum Pinheiro B no Eixo Norte. Foi uma época difícil, sabe? A guerra pareceu durar longos anos e olha que eu nasci durante ela — riu — Nosso sobrenome era outro, nós éramos os Noix e estavamos brigando com os Petrova pelo domínio do Norte, mesmo que fossemos sangue igual… — baixou a cabeça — nos matamos.

10 anos malasianos atrás, Eixo Norte — Planeta Y

299 dias para o Natal

Tinham acabado de descobrir como sair do planeta, a longa guerra fez com que os estudos se desenvolvessem com extrema rapidez. Depois que o pinheiro B13 não ficou mais oco, todos ficaram desconfiados e angustiados, nenhum pinheiro depois da Era Mágica tinha se rebelado e expulsado malasianos. Foi um processo lento e desesperador, o pinheiro B13 não deixava que mais ninguém entrasse ou morasse dentro dele, ampliou sua madeira exterior para dentro e ficou não oco. Suas raízes saíram da terra e ficaram maiores, suas folhas deixaram o azul para trás e ficaram verdes. As raízes aos poucos estavam dominando os outros pinheiros, até que nenhum pinheiro B fosse oco.

A floresta foi desocupada e os enormes animais tomaram o lugar, a “magia” entre os malasianos ainda era forte e eles conseguiram afastar os pinheiros não ocos e isolá-los. A Revolta dos Pinheiros ocasionou mais revoltas, mesmo que a Guerra dos 7 Anos tivesse acabado, todos ainda sentiam as consequências e a raiva do ocorrido. Infelizmente, não eram revoltas genuínas, a chefe da dinastia Petrova incitava um motim aqui e ali em uma contínua guerra fria com a dinastia Noix.

Os longos sete anos de terror tinha chegado ao fim por uma trégua liderada pelos Noix, mas a inimizade entre as famílias por causa do poder não tinha dado trégua e sim começado uma guerra indireta. A guerra fria deu continuidade aos vários estudos que tinham sido feitos, um dos experimentos que fez o Pinheiro B13 se rebelar. Os magos estavam tentando descobrir como a magia dos pinheiros funcionava, como também tentavam decifrar como os números entalhados no casco influenciava no interior das árvores. Tudo que é proveniente das árvores foi pedido, foi barganhado ou comprado, sem desrespeitar as vontades dos pinheiros. Porém, infelizmente, no dia treze do décimo terceiro mês, o mago Elijah Petvyr tentou tirar o látex da árvore a força, cortar pequenos galhos e arrancar algumas folhas. O número ficou amaldiçoado e as várias famílias que ali viviam, desabrigados.

Todos estavam cansados de tanta rixa e de serem rebeldes sem uma real causa. Os malasianos estavam ficando seu pinheiros, as festas de cinco dias não davam boas colheitas e os lobos pararam de dar bons sinais, as comemorações que deviam agradar os pinheiros só os deixavam mais zangados. Parecia tudo perdido, mas, felizmente ou infelizmente, um grande mago do Eixo Sul teve uma fantástica descoberta, logo depois teve várias outras grandes descobertas. Em poucos anos, a dinastia Noix ganhou respeito e influência por todo o Eixo Norte, apesar da Revolta dos Pinheiros, e os Petrova foram para o Eixo Sul, se dando por vencidos e partindo em busca do grande mago.

Mais um ano e alguns meses, os Petrova e os malasianos do Eixo Sul partiram para a primeira viagem interplanetária do Planeta Y. Viajaram até o Planeta X, levaram a magia consigo e colonizaram o planeta. O povo malasiano que ficou perdeu parte de sua ciência, foram obrigados a recomeçar partes dos estudos e a descobrir novas outras coisas. Os lobos sempre uivavam agora, a Guarda e os Navegadores fizeram um acordo com os caçadores espaciais, os Noix mudaram de nome para Nöel, um velho barbudo, que naquela época ainda tinha fios de cabelo preto, começou a trabalhar uma vez por ano e os pinheiros não ocos ficaram conhecidos como Extremo Sul.

Embora os Petrova tenham consolidado um legado no Planeta X, ainda tinham uma forte rixa com a família Nöel. Os malasianos foram influenciados pela rixa e a partir de então, começaram a se odiar, não percebendo que outro planeta se aproveitava mais disso do que as próprias famílias.



2005, Pinheiro A23, Eixo Norte — Planeta Y

Ainda 12 dias para a véspera de Natal

— E foi isso, sinto muito. — Mary May deixou as pequenas pedras de gelo escorrerem pelo rosto — Depois que o número 13 ficou amaldiçoado e Klaus começou com nosso trabalho, facções extremistas surgiram. Nunca entendi os lados desses grupos, mas são fanáticos, querem uma nova ordem mesmo que não tenhamos mais tanto controle assim do Eixo Norte. Ajudamos a Guarda e fazemos nosso trabalho, nos preparamos o ano todo para isso e de pensar que tem uma grande chance dele não poder trabalhar esse ano — colocou as mãos no rosto — Não quero nem pensar. Mas…

Respirou fundo, levantou e andou para trás, estava indo até a cozinha e dali iria para o quarto de casal pegar as coisas que o trio a sua frente precisava. Minutos se passaram e Mary May estava de volta, segurava um grande saco verde e era acompanhada por mais outros elfos que Jean não se lembrava de ter visto na última visita.

— Aqui está. São as fotos do nosso casamento e de quando nos conhecemos — entregou o grosso album de fotos para Jean. Pegou uma roupa vermelha do saco e entregou a Grinch — Este é o uniforme preferido dele, são todos iguais, não vejo diferença — riu — Mas este está limpo e eu não consigo achar os outros. — E aqui são algumas cartas, pouquinha coisa, você lerão em meia hora. — Virou o saco de ponta cabeça e jogou todas as cartas na mesa de centro, fazendo uma pequena montanha. — Boa sorte, crianças! Eu tenho que ver como está indo na produção e também achar Felf, Helf, Ilf, Lelf e os outros duendes, estão fazendo uma bagunça com os espumantes! Por falar nisso, querem espumantes? — os três negaram — Sim, sim, vamos deixar de comemoração. Também tenho que costurar mais bonecas, meus panos estão acabando, aí luas! — bateu a canela no braço da cadeira que tinha sentado antes, massageou o lugar e foi para a cozinha falando sozinha.

— O cara finge ser o Papai Noel? — Grinch perguntou-se enquanto analisava a roupa, estava enojado em ter que usar aquilo, não tinha o menor charme. — Ou melhor, ele realmente acredita ser o Papai Noel?

— Ele é o Papai Noel, elfo — retrucou Ully atraindo a atenção de Jean — Por que acha que todos estão atrás dele? Querem os presentes ou os desejos, sei lá o que vocês comemoram com isso.

— Não me chama de elfo, quatro olhos.

— Ei! — Jean e Ully exclamaram ao mesmo tempo.

— Enfim, temos tudo que precisamos agora. Só precisamos consertar Audrey.

Tinha duas naves perto do Pinheiro A23, Jean tinha pedido ajuda de Ully para consertar o sistema de salto espacial. Era preciso de outra nave para fazer troca de energia, ao menos era o que Jean pensava. Ele foi apresentado a Greta, sentiu-se honrado porque sempre ouvia o chefe reclamar de como Greta sempre hackeada seus computadores, naves e até mesmo algumas armas. Depois da Revolta D, Greta ajudou o pai a consertar e criar outra inteligência artificial para a nave, ela virou subcomandante depois, mas nunca foi tratada como número dois. O chefe tinha aprendido com seus erros, Greta era seu braço direito e sua segunda filha mais velha.

Quando pensou que o subcomandante estava atrás de sua família, o chefe mandou que Greta escondesse todos pelo universo. Ele não deveria saber onde cada um estava, podia enviar missões, mas somente por mensagens com aplicativos que mudam o IP do remetente toda hora. Os irmãos ligavam entre si pelos hologramas e telefones de outras pessoas, depois os telefones eram destruídos e eles recebiam uma mensagem instantânea com o novo número depois. Greta estava fazendo um ótimo trabalho, o subcomandante não fazia ideia de onde estavam os filhos do chefe e nem que ela existia. Fez com que os outros caçadores divulgassem sua falsa morte até que todos tivessem sido convencidos disso. Entendia de naves espaciais como ninguém e por isso encontrou outra maneira de resolver o problema de Jean.

— Obrigado, Greta. Eu já estava pensando em trocar de nave e transferir Audrey.

— Não há de quê, foi um problema bem simples na verdade. Cuide bem dela — deu leves socos no metal, limpando as mãos em seguida — A última vez que eu vi uma nave tão assim foi no meu aniversário de 90 anos. Espero que não tenha sido Ully que fez o estrago.

— Não, não foi — riu pelo nariz.

— O idiota ignorou meus cálculos, fizemos um salto dentro de buraco de minhoca. — Jean coçou a nuca envergonhado.

— Eu estava com o prazo curto. Desespero, um litro de cerveja e eu precisava da grana, sabe como é.

Dentro do pinheiro, Grinch e Mary May conversavam no quarto. Grinch estava com os braços abertos enquanto Mary May dava alguns ajustes no traje, eles tinham enfiado enchimento de travesseiro na roupa para que o recepcionista conseguisse se assemelhar ao corpo de Klaus. Mesmo que o plano fosse seu, ele não via a hora de tirar aquela roupa.

— Você acha mesmo que vai dar certo? Mesmo que eu use um pouco de magia, você não vai ficar idêntico ao meu marido, criança. E é arriscado demais. E se… não gosto de pensar em coisas negativas, mas e se você for sequestrado para valer e seus parceiros não conseguirem te ajudar? Ou pior, e se matarem você? — Grinch olhou surpreso para Mary May — Desculpa, querido, mas depois de seis meses com o Klaus desaparecido comecei a pensar em coisas terríveis.

— Então, porque convocou vinte e três Distritos e ainda chamou os caçadores espaciais? — Grinch pôs a barba balsa que Mary May fez de umas das várias perucas que tinha. Antes de se juntar a Klaus na produção, Mary vendia perucas para os atores e fazia figurinos.

— Não posso acreditar que ele esteja morto. E também… mereço saber o que aconteceu, se ele estiver morto que pelo menos eu possa afogá-lo junto com os outros da família — Grinch concordou com um aceno, se olhou no espelho que parecia que tinha crescido junto com a árvore, alisou a barriga falsa e começou a treinar a risada estranha. Mary May riu com as falhas tentativas, o ajudando a melhorar a risada e imitando junto. — Essa ficou muito boa, acho que agora acertamos.

— Já tive que imitar muitas vozes no meu trabalho. — Mary May tirou os olhos do espelho e olhou para Grinch — Se eu ganhasse uma moeda para cada briga que os delegados arrumam, ganharia mais do que ganho agora. Posso ficar com a barba depois? Tenho uma festa à fantasia para ir daqui uns dias.

— Claro, criança.

Agora que o disfarce estava pronto, Mary May foi chamar os outros para se reunirem novamente. Ully e Jean gargalharam ao ver o recepcionista vestido de Papai Noel, ele bufou e jogou um dos duendes que passavam por debaixo de suas pernas. Mary May os levou para o porão, tirou o pano que cobria o trenó com foguetes na parte traseira e abriu a porta que dava acesso à outro túnel. Colocou Grinch no banco, depois empurrou Ully e Jean para se sentarem no espaço que tinha a frente do banco, cobriu a cabeça da uranis e o capacete de Jean com um chapéu de duende e, por fim, jogou o saco cheio de cartas lidas e madeira da lareira atrás do banco. Entregou o controle do trenó para Grinch, assobiou chamando algumas renas robôs e as amarrou no trenó.

— Greta, está tudo certo com a nave? — perguntou Ully apertando o aparelho que estava atrás da orelha.

— Tudo, sis. Preparando decolagem para daqui cinco minutos.

— Tomem cuidado, crianças — alertou Mary May, deu um abraço apertado em cada um do trio. — Embaixo do banco tem algumas poções que pode ajudar vocês a fugirem caso algo dê errado. Tem mesmo certeza do que estão fazendo?

— Se a experiência com o pinheiro B13 deu mesmo certo, como diz a senhora, seu marido tem mais poder que qualquer Petrova e com certeza, deve estar no Planeta X — Grinch reforçou sua teoria.

— E estamos sem tempo — disse Jean.

— Vamos logo, acabou de anoitecer — alertou Ully, impaciente.

O trio trocou olhares entre si, Mary May deu um tapa no traseiro da primeira rena do grupo e assistiu elas começarem a correr e levarem o trenó para a saída. O trio gritou dizendo algo como “já é Natal” e quando o trenó saiu pela caverna, que nenhum deles sabia de onde era, Grinch começou a imitar a risada de Klaus. Os foguetes do trenó foram ligados junto com os minifoguetes nas patas das renas. Os pequenos sinos que enfeitavam o trenó balançaram e o trio começou a fazer o mesmo caminho que Klaus fez no dia que supostamente desapareceu, com a nave de Ully os seguindo e Audrey dando cobertura.

— Ho-ho! Deuses, o que eu não faço por uma investigação?! — foi a última coisa que disse antes de sentir algo amarrar-se a si e o morder. Nem percebeu quando empurrou Ully e Jean do trenó ou ainda quando foi puxado para trás deixando que mais outro trenó fosse destruído e puxado para dentro do Espinhaço Níveo.