Joy

1 Capítulo 1 - Only


Notas iniciais
Tive essa ideia semana passada e achei justo postar por causa da data de hoje!
Obrigada, Maí por me ajudar a desenvolver a ideia. Essa é para você.
Beta: Maíra

Enjoy! :3

* 09 de Janeiro, 1999 *

Kate e Jim caminhavam pelas ruas mal iluminadas na esperança de que Johanna já tivesse voltado para casa. Ela deveria ter ido encontrá-los no restaurante de sempre, no entanto, a advogada não apareceu. Jim disse à filha que a mãe poderia ter ficado presa em alguma análise e por isso se esquecera de ligar.

Os dois riam alto do vício de Johanna Beckett, lembraram das inúmeras vezes em que a advogada se atrapalhara em horários por causa das pilhas de processos.

Pai e filha voltaram a atenção que davam um ao outro para o outro lado da rua, para a frente de sua casa. Uma viatura branca da DPNY estava parada e com a sirene ligada, um oficial estava dentro do carro e um homem, que Jim julgou ser um detetive, estava sentado no segundo degrau da escada na entrada da casa.

“Senhor Beckett? Eu sou o detetive John Raglan”, o detetive se levantou e se aproximou dos dois. Jim acenou, sentindo a garganta fechar e os olhos encherem de lágrimas.

Kate deu um passo vacilante para trás ao perceber o olhar de pena que o oficial na viatura lhe lançava.

“O que aconteceu? Por que tem uma unidade da DPNY em nossa porta?”, Jim esbravejou perdendo a paciência. Queria saber o que estava acontecendo. Queria saber onde sua esposa estava.

“Senhor, senhorita, sinto muito ter que lhes dar essa notícia, mas...”, a garota, com seus dezenove anos, caminhou até chegar bem perto do homem.

“Onde está a minha mãe? Onde está Johanna Beckett?”, ela segurava a gola da camisa de Raglan e gritava em desespero.

“Katie”, Jim pôs a mão no ombro da filha, fazendo com que ela se afastasse.

“E-ela foi encontrada em um beco em Washington Heights, o relatório preliminar da autópsia indica que ela foi esfaqueada dez vezes. Estamos investigando, mas, ao que tudo indica, foi um crime aleatório, briga de gangues.”, John respirou fundo e abaixou o rosto. “Sinto muito por sua perda.”

Beckett não esperou para ouvir o restante das informações sobre a morte de sua mãe, entrou em casa correndo. Teve dificuldade para colocar a chave no lugar e abrir a porta, as mãos tremiam e a visão estava embaçada pelas lágrimas. Assim que pôs os pés no carpete cinza, ela gritou a plenos pulmões, chamando pela mãe. Gritou seu nome, seu apelido e até mesmo os nomes dos quais ela não gostava.

Kate caiu de joelhos ao perceber que sua mãe não estava ali e que tudo o que ouvira era verdade. Os passos pesados de seu pai ficavam cada vez mais próximos, ele também caiu de joelhos ao seu lado, no entanto, ele não se permitiu chorar. Naquele momento, sua garotinha precisava dele.

“Tudo ficará bem, Katie.”

##

Era tarde da noite e Castle ainda não voltara da livraria, Kate andava de um lado para o outro do loft acariciando sua barriga de nove meses. Sua garotinha estava atrasada, mas ela não se importava, quanto mais tempo ficasse ali dentro, mais tempo ficaria protegida.

“Ei, Lily, papai está demorando, não?”, Kate sentou no grande sofá e ajeitou as almofadas nas costas para ficar mais confortável. Quando repousou a mão na barriga novamente, o bebê passou a se mexer sem parar. “Tudo bem, eu sei que você sente falta dele, mas podemos esperar mais um pouco.”, Beckett não sentiu mais a agitação e se deixou relaxar.

Ela olhou para o aparador e logo em seguida para o calendário em cima da estrutura de metal. Oito de Janeiro. Há quase dezoito anos ela perdera a mãe, a maior dor que poderia sentir, ela sentiu naquela noite. Sem perceber, as lágrimas já molhavam seu rosto e os soluços escapavam de sua garganta.

Ela havia feito justiça, mas a falta da mãe em sua vida nunca poderia ser preenchida. Apesar de ter uma família novamente e de todas as alegrias, Johanna sempre faria falta. Beckett gostaria que ela estivesse ali para vê-la daquela forma, grávida, casada e feliz.

Com aqueles pensamentos, ela adormeceu. O sono pesado a levou para o mundo dos sonhos. Ela sabia exatamente onde estava.

Conne Island. Era o mesmo lugar onde Jim a levara depois da recepção na casa deles após o funeral de Johanna. Ela lembrava de estar arrasada, assim como seu pai. Ainda conseguia ouvir a voz dele sussurrar em seu ouvido “vamos dar o fora daqui, Katie”. Lembrava-se de quando pegaram o trem e de desceram na estação de Conne Island. Eles haviam caminhado até a praia, aproveitando a companhia um do outro, ainda vestidos nas roupas que usaram no funeral. A melhor parte daquele dia fora seu pai se abaixando na areia e recolhendo os gravetos e os trapos para fazer um bonequinho para ela. Aquele objeto era um lembrete de que até nos piores dias existe a possibilidade de alegria.

Ela podia sentir o vento vindo do mar em seu rosto, o sal grudar em sua pele e os raios de sol iluminarem seu corpo. A areia sob seus pés e a água os molhando.

“Você está linda, Katie.”, Beckett virou o rosto e encontrou sua mãe ao seu lado. Um olhar de alegria e satisfação.

“Mãe?”, ela levantou a mão para tocar-lhe o braço e, assim que o fez, sentiu o arrepio em seu corpo. “Você está aqui.”

Assim como antes de adormecer, as lágrimas molhavam seu rosto, porém, desta vez, com maior intensidade.

“Estou, filha, mas não por muito tempo.”, Johanna abraçou a mulher e se afastou para olhá-la. “Veja você, está linda. Feliz, realizada, formou uma família e está prestes a aumentá-la.”, a mulher mais velha colocou a mão na barriga enorme da filha, Kate sorriu entre as lágrimas. “E, vejamos, para quem dizia que não pretendia casar, dois anos de casamento já é muito, não?”

As duas riram.

“Eu o amo, mãe.”, Beckett olhou para o mar e de volta para a mulher. “Ele me faz feliz desde o dia em que o conheci.”

“Eu sei, sempre estive lá por vocês. Acompanhei cada momento, do primeiro olhar até agora. Cada briga, cada sorriso e cada decisão mal pensada.”, Johanna olhou para Kate com um sorriso sarcástico em sua face. Beckett abaixou o rosto. “Não estou aqui para te julgar, Katie, pois saiba que cada decisão e cada momento os levaram a isso.”

Kate abraçou a mãe e deixou as lágrimas caírem.

“Eu sinto a sua falta. Amanhã faz dezoito anos daquela noite e eu não quero ter que lembrar tudo novamente.”, ainda com o rosto na curva do pescoço da mais velha, Beckett choramingava.

“Por isso que o dia de amanhã se tornará um dia especial.”, Johanna afastou a filha e segurou seu rosto entre suas mãos. “Até nos piores dias existe a possibilidade de alegria. Agora, acorde para a melhor realidade e a melhor alegria da sua vida, minha querida.”

Johanna deu um beijo na testa da filha e se afastou, sumindo entre as ondas do mar. Kate deu um passo para trás quando seu corpo tremeu por causa da dor insuportável que lhe atravessava.

Abriu os olhos e viu que estava deitada em sua cama, Castle estava ao seu lado, dormindo serenamente. Ele deve ter chegado e me visto dormindo no sofá, e me trouxe para cá. Virou para o lado e viu que o relógio marcava 3:13 da madrugada. Antes que pudesse pensar em outra coisa, a dor que sentiu no sonho a invadiu, mas, desta vez, mais forte. Um grito saiu de sua garganta e Castle pulou ao seu lado.

“Kate?”, Rick estava ao lado dela, já totalmente desperto.

“Rick, ela está nascendo.”, Beckett apontou o colchão molhado antes de gritar de dor novamente.

Sem pensar duas vezes, ele a tomou nos braços e a levou para fora do loft, lembrando apenas de pegar as coisas que estavam próximas à porta: a bolsa de Lily, os documentos, os telefones e a chave do carro.

Ela resmungava de dor e apertava o braço do marido tentando diminuir a intensidade da dor. Castle não podia se desesperar, ela estava em trabalho de parto, precisava dele.

Ao chegar ao hospital, Beckett deu entrada para a ala da maternidade, no entanto, ela não gritava mais, parecia anestesiada e, por isso, Castle fora impedido de seguir com ela.

“O que está acontecendo com a minha esposa? Por que eu não posso entrar?”, o escritor disparou todas as perguntas de uma vez e a enfermeira precisou da ajuda de outros dois enfermeiros para segurar o homem.

“Senhor, a sua esposa teve uma complicação. Os registros médicos dela indicam que ela levou um tiro no coração há cinco anos, o coração dela está falhando. Precisaremos fazer uma Cesária de emergência e o senhor não pode entrar.”, a enfermeira loira pediu para que os dois colegas soltassem o rapaz e, assim que o fizeram, Castle caiu de joelhos no chão de piso branco.

O som de passos rápidos invadiu os ouvidos dele, mas ele não teve forças para sustentar a cabeça e olhar para cima, no entanto, sabia que seus amigos estavam ali e que o apoiariam.

“Senhor Castle, eu sou o Doutor Green, eu serei o responsável pela cirurgia da sua esposa. Ela está sendo preparada nesse exato momento, mas eu preciso saber algo do senhor.”

Castle levantou do chão e piscou rápido, tentando afastar as lágrimas de seus olhos.

“O que?”, a rouquidão em sua voz trouxe Martha e Alexis para o seu lado.

“Eu só conseguirei salvar uma das duas, mãe ou filha.”

Richard cambaleou e se encostou na parede, ouvindo as vozes dos amigos se misturarem.

“Kate, salve Kate.”, ele falou baixo, mas fora o suficiente para o médico ouvi-lo.

Doutor Green deu as costas e desapareceu depois das portas duplas.

“Vai ficar tudo bem, Richard.”, Martha segurou a mão do filho tentando confortá-lo.

“Não, mãe, não vai.”

Dentro de sua mente, uma voz ecoou dizendo para que ele tivesse fé e, sem saber porque, ele obedeceu.

Ele olhou ao redor, todos estavam ali, Jim estava ali.

O tempo passou como se passa em uma viagem longa, lentamente. Horas após a saída do médico daquela sala, Castle estava encostado na parede e com as mãos nos bolsos da calça. Estava preocupado, mas seu coração parecia ter se acalmado, por algum motivo, a voz lhe acalmara.

“Senhor Castle.”, Doutor Green voltou, já sem a roupa da cirurgia e com um semblante cansado.

“Como Kate está? Minha esposa está bem?”, ele avançou no médico e Kevin e Javier precisaram segurá-lo.

“Elas estão bem.”, o senhor sorriu e deixou um longo suspiro escapar.

Elas?”, Castle ouviu a voz de Lanie logo atrás de si.

“Sim, nós conseguimos salvar ambas.”

Castle riu alto e as lágrimas molharam seu rosto. Eles haviam salvado sua esposa e sua filha.

“Eu quero vê-las.”, ele apoiava o peso do corpo alternadamente, entre um pé e outro.

“Assim que ela for transferida para o quarto, você poderá ver sua esposa, mas a criança ainda passará por todos os exames e demorará um pouco mais. Além disso, com o efeito na anestesia, sua esposa deve acordar dentro de uma hora.”

Ele balançou a cabeça, concordando e enxugando o rosto.

Elas estavam bem.

##

Kate abriu os olhos e encontrou o marido pairando sobre ela, ele parecia aliviado, mas feliz.

“Ei”, a voz dele invadiu seus ouvidos.

“Ei, onde está Lily?”

“Estão fazendo exames, daqui a pouco a trarão aqui.”, ele encostou sua testa na dela. “Pediram para eu escolher entre você e ela. Disseram que era impossível salvar as duas.”

Beckett suspirou e beijou os lábios dele.

“Passou, meu amor. Eles conseguiram salvar a nós duas. Está tudo bem.”

Os braços dele a envolveram, mas ele não foi muito longe, pois ouviu um gemido de dor vindo dela.

“Desculpe.”, ele se afastou e, nesse exato momento, a enfermeira que informou a Castle sobre a real situação de Beckett entrou no quarto com um pacotinho rosa nos braços.

Kate cobriu a boca com as mãos, mas logo esticou os braços pedindo para segurar a filha. A enfermeira deu todas as instruções e Kate pode segurar sua criança pela primeira vez.

Os olhos da menina tinham um tom castanho claro, próximo ao verde, e aquilo a encantou.

“Ela é linda, assim como a mãe.”, Castle sentou ao lado da esposa e a observou olhando para a filha deles.

Naquele momento, Kate entendeu o significado do sonho que tivera. Lily era a sua possibilidade de alegria no pior dia. Ela nascera em um dia triste, transformando-o em um dia feliz. O maior presente que ela poderia ter ganhado.

Notas finais
E então? ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!