Jovens e Heróis
13 Stand by me
Notas iniciais
“Quando a noite chegar
E a terra ficar escura
E o luar for a única Luz que se vê
Não, não vou ter medo não,
Enquanto você ficar, ficar comigo...”
Alice
Bella saiu do quarto, apesar de eu ter implorado para que ela ficasse.
– Viu só o que fez Rose? E se alguém pegá-la fora do dormitório?
– Vai ser bem feito!
– Eu vou atrás dela trazê-la de volta!
– Ficou louca Alice?
– Ela também é minha amiga Rose, eu vou e pronto!
Saí do quarto antes que Rose tentasse me impedir e procurei Bella por todo o lugar. Não a encontrei em lugar algum.
– Achei mais uma! – ouvi alguém dizer e me virei. Droga! Me pegaram e pelo que o cara disse, Bella também.
Ele veio em minha direção e me carregou escada abaixo.
– O chefe vai ficar furioso ao ver que tem mais gente desobedecendo-o.
Ele me levou até a diretoria.
– Leve-a para o mesmo lugar que a outra e se aparecer mais, faça o mesmo!
Pelo menos eu ia ter companhia, pra onde quer que eu fosse. Espero que Bella esteja bem e ninguém venha atrás de nós.
Bella
– Alice! O que está fazendo aqui? – Um dos caras jogou Alice pra dentro.
– O mesmo que você Bella. Eu sou sua amiga e não ia deixar você fazer besteira.
– Ah Alice! – eu a abracei, era bom tê-la ali comigo, estava com medo de ficar sozinha, mas agora ela também iria sofrer...
– Não devia ter feito isso! Aquele homem é um monstro, quer nos deixar aqui passando fome e sede. – eu disse.
– Não importa Bella. Estamos nessa juntas, vamos passar por isso e superar tudo juntas!
Alice realmente era minha amiga, assim como protegi Ângela, ela estava tentando me proteger. Como diz o ditado, é nas horas difíceis que a gente conhece os verdadeiros amigos.
Nós nos sentamos em um sofá que havia ali.
– Espero que dessa vez o Edward não faça nenhuma besteira. – falei – Ele vai ficar furioso quando souber o que fiz.
– Não devia ter ouvido a Rose Bella, já disse pra você ignorá-la.
– Eu me sinto culpada Alice. Eu sei que a culpa é minha, eu mereço esse castigo.
– Não Bella, ninguém merece isso! Você vai perceber quando seu estômago começar a doer de fome.
Eu estava com medo. Mais medo do que sentira quando James havia tentado me agarrar.
– Alice, tem um daqueles calmantes com você?
Alice tirou um envelope do bolso e me deu um comprimido. Tomou um também.
– Obrigada Alice! Por tudo.
– Não tem de quê Bella. Amigas são pra essas coisas. Conhece a história sobre um homem, seu cavalo e seu cão?
– Não. Conta!
Eu gostava de ouvir histórias e não tínhamos nada pra fazer mesmo.
– “Um homem, seu cavalo e seu cão, caminhavam por uma estrada.
Depois de muito caminhar, esse homem se deu conta de que ele, seu cavalo e seu cão haviam morrido num acidente.
Às vezes os mortos levam tempo para se dar conta de sua nova condição...
A caminhada era muito longa, morro acima, o sol era forte e eles ficaram suados e com muita sede. Precisavam desesperadamente de água.
Numa curva do caminho, avistaram um portão magnífico, todo de mármore, que conduzia a uma praça calçada com blocos de ouro, no centro da qual havia uma fonte de onde jorrava água cristalina.
O caminhante dirigiu-se ao homem que numa guarita, guardava a entrada.
– Bom dia, ele disse.
– Bom dia, respondeu o homem.
– Que lugar é este, tão lindo? ele perguntou.
– Isto aqui é o céu, foi a resposta..
– Que bom que nós chegamos ao céu, estamos com muita sede, disse o homem.
– O senhor pode entrar e beber água à vontade, disse o guarda,indicando-lhe a fonte.
– Meu cavalo e meu cachorro também estão com sede.
– Lamento muito, disse o guarda. Aqui não se permite a entrada de animais.
O homem ficou muito desapontado porque sua sede era grande. Mas ele não beberia, deixando seus amigos com sede. Assim, prosseguiu seu caminho.
Depois de muito caminharem morro acima, com sede e cansaço multiplicados, ele chegou a um sítio, cuja entrada era marcada por uma porteira velha semi aberta.
A porteira se abria para um caminho de terra, com árvores dos dois lados que lhe faziam sombra.
À sombra de uma das árvores, um homem estava deitado, cabeça coberta com um chapéu, parecia que estava dormindo.
– Bom dia, disse o caminhante.
– Bom dia, disse o homem.
– Estamos com muita sede, eu, meu cavalo e meu cachorro.
– Há uma fonte naquelas pedras, disse o homem e indicando o lugar. Podem beber à vontade.
O homem, o cavalo e o cachorro foram até a fonte e mataram a sede.
– Muito obrigado, ele disse ao sair.
– Voltem quando quiserem, respondeu o homem.
– A propósito, disse o caminhante, qual é o nome deste lugar?
– Céu, respondeu o homem.
– Céu? Mas o homem na guarita ao lado do portão de mármore disse que lá era o céu!
– Aquilo não é o céu, aquilo é o inferno.
O caminhante ficou perplexo.
– Mas então, disse ele, essa informação falsa deve causar grandes confusões.
– De forma alguma, respondeu o homem. Na verdade, eles nos fazem um grande favor. Porque lá ficam aqueles que são capazes de abandonar seus melhores amigos, por puro egoísmo..."
– Que história linda Alice! Se for assim, nós duas vamos para o céu.
– Claro que vamos Bella. Eu tenho certeza disso.
Nos encostamos uma na outra e adormecemos. Dormi um sono tranqüilo, meu medo havia passado. Eu tinha que acreditar que havia um céu, depois de tudo aquilo que estávamos passando.
Jasper
Acordamos de manhã e nos vestimos para descer e tomar o café. Alguém bateu na porta.
– Meninos abram a porta! É urgente.
Era a voz da Jessica. Mike abriu aporta.
– O que aconteceu agora? — perguntou.
Jessica entrou correndo no quarto e parou olhando de mim para Edward, assustada.
– A Bella e a Alice, elas...
– Eu não tenho nada a ver com isso Jasper – Rose entrou no quarto e já foi dizendo – Alice foi porque quis!
– Do que diabos vocês duas estão falando? – perguntou Edward já sem paciência.
– Rosalie expulsou Bella do quarto ontem à noite e... – Jessica começou a explicar, mas Edward interrompeu.
– Rose ficou louca? Como pode fazer isso com a Bella?
– Calma aí mano. Não grita com a Rose. Ela ainda está fragilizada com tudo o que aconteceu. – defendeu Emmett.
– Façam o favor de deixar a Jessica contar o que aconteceu? – pedi. O que Alice tinha a ver com isso?
– Obrigada Jasper. – falou Jessica – Como eu ia dizendo a Rosalie expulsou a Bella do quarto e a Alice foi atrás dela. E desde então não soubemos mais nada delas.
– Por que não nos avisaram ontem? Pra que serve a passagem secreta? – perguntei.
– Jasper tem razão – concordou Edward – Se tivessem nos avisado na hora, poderíamos ter ido atrás delas para trazê-las de volta.
– Foi exatamente por isso que não avisamos – explicou Jessica – Já havia pessoas demais fora dos dormitórios e se todos ficassem encrencados, todos iriam estar ferrados e não poderíamos fazer nada pra ajudá-las.
Eu tinha que admitir que essa Jessica era inteligente.
– Ela tem razão – concordou Emmett – Se elas tivessem avisado antes, vocês dois teriam feito alguma besteira.
– Tanto faz – disse Edward – eu vou procurar em cada canto dessa escola até encontrá-las.
– Calma Edward, nós temos que esperar. Vamos descer para o café e para a primeira contagem, se alguém tiver visto algo vai comentar. – eu falei, mas eu também estava preocupado com a Alice. Essa mania de querer abraçar o mundo e proteger todos. Ela era muito maternal...
– Ok. Vamos descer e perguntar por aí se alguém as viu. – Edward concordou.
Descemos e saímos perguntando pra todos se alguém havia visto as duas, mas ninguém tinha notícias.
– Droga! Bella havia me prometido que não faria mais nada imprudente e em menos de vinte e quatro horas quebrou a promessa. – Edward estava inconformado. – se aquele canalha encostar um dedo nela, eu juro que vou...
– Calma Edward, a gente ainda não sabe o que aconteceu. – falei.
Nós já havíamos chegado ao refeitório e nada das garotas. Ângela, Ben e Eric vinham correndo em nossa direção.
– É verdade que Bella e Alice sumiram? – perguntou Ângela, ela parecia bem preocupada.
– É – respondeu Edward – vamos iniciar as buscas pela escola depois do café, se vocês quiserem se juntar a nós...
– Claro, podemos nos dividir e ir um grupo em cada andar. – respondeu Ben. Eles eram pessoas muito legais, não sabia como poderia tê-los ignorado durante tanto tempo que estudamos juntos. Pelo menos pra alguma coisa estava servindo isso tudo.
Nós entramos na fila para a contagem. Quando James apareceu, tentamos ler alguma diferença em seu semblante, mas estava inexpressivo.
Quando terminou a contagem, ele veio até mim e disse:
– Você vem comigo. Agora!
Eu fui atrás dele, não conseguia imaginar o que ele poderia querer comigo...
Ele entrou na diretoria e eu entrei atrás. Dois caras entraram logo depois.
Música: http://www.youtube.com/watch?v=XQYdkCqD8cQ
– Amarrem-no! – James ordenou aos dois homens.
Eles me sentaram em uma cadeira, amarraram meus braços na guarda e meus pés nos da cadeira. Eu não estava gostando nada disso.
– O que você quer? – perguntei assim que os caras terminaram de me amordaçar.
James ficou de pé na frente e cruzou os braços.
– Eu faço as perguntas aqui. Você fala quando eu mandar. Entendeu?
– Entendi.
– Eu sei que foi seu avô quem construiu essa escola, o que sabe sobre ela?
– Não entendi a pergunta.
Ele olhou para um dos caras que me deu um soco no estômago.
Então era isso? Ele queria me torturar.
– Eu vou ser mais claro. Um aluno fugiu e eu sei que existe outra saída dessa escola além do portão e você vai me dizer onde é!
– Eu não sei do que você está falando.
Outro soco. Dessa vez foi no rosto. Senti o gosto de sangue na boca.
– Será que vou ter que refrescar sua memória? Vai me dizer que nunca viu o mapa dessa escola? Que o garoto descobriu sozinho onde era a saída?
Eu não podia entregar tudo para os caras e acabar com as nossas esperanças de sair daqui. Eu decidi que iria agüentar! Pela nossa liberdade, pela nossa vida...
Eu olhei o mais firme que pude pra ele e disse:
– Eu já disse que não sei do que está falando. Eu nunca vi o mapa dessa escola!
Outro soco. A dor foi tão terrível que me curvei! Acho que atingiu um rim...
Eu gemi com a dor. Lembrei de perguntar sobre as meninas.
– Você quer apanhar mais ou vai começar a falar? – perguntou.
Eu respirei fundo e perguntei.
– Onde estão Alice e Bella?
Mais um soco nas costas. Não sei se não quebrou uma costela.
– Já disse que eu faço as perguntas aqui! Fala onde é a outra saída!
Eu tentei falar, mas a dor era demais, se eu abrisse a boca iria gritar ao invés de falar. Lembrei da Alice, eu tinha que tirá-la daqui, não podia me entregar. Tentei juntar as forças de novo:
– VAI SE FERRAR! – gritei o mais alto que pude. Depois senti uma pontada forte de dor na cabeça e não vi mais nada.
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