Jovens - Interativa

19 Capítulo 19 - Imprevistos


Notas iniciais
Muito beem, demorei mas cheguei. Estava escrevendo esse cap desde que postei o outro - por isso ele está bem comprido, e digam se acharem que é pouco ou muito, ando toda empolgada ultimamente - Atingimos os 150 comentários!! Brigadinha de montão a quem comentou, e ainda está comentando, isso é muito gostoso. Ok, eu tenho alguns recadinhos pra dar, muito personagem saiu do cap passado pra esse - eu consegui uma 'causa' por assim dizer - porque eu estava me sentindo meio trouxa segurando personagem de pessoas que comentaram nos primeiros dois caps e sumiram. Eu até faria a lista de quem saiu mas não tenho os nomes - apaguei tudo que tinha salvado comigo, ficha, anotações, ideias - e então pra vocês terem uma noção quem tá nesse segue normalmente - e não adianta leitores fantasmas virem choramingar, porque eu estou choramingando a uns dez capitulos - De 34 personagens - incluindo Andrew e Laura - nos reduzimos a 18 :/ Chato eu sei, mas pro lado positivo desses 18 com o numero menor de personagens da pra fazer uma narracao maior de cada um e um cap mais longo. OLHA EU AMEI ESCREVER ESSE, E ELE DEMOROU UM POUCO PORQUE EU JÁ ESTAVA ESCREVENDO O 20 AO MESMO TEMPO PORQUE MINHA MENTE TA A MIL

Jovens – Interativa / Capítulo 19 – Imprevistos

POV Onix Carter

Eu sabia que aquele lugar estava uma loucura, e que teria sido mais apropriado eu ter entrado de maneira natural, ter perguntado por Brandon de maneira natural, e ter me sentado na cadeira na sala de espera de forma natural.

Mas a minha mente não estava trabalhando tão bem assim, e por dentro eu me sentia completamente desesperada por informações, e talvez no meio daquela bagunça mental eu esquecera sobre onde todo mundo estava, e aquilo me dava uma agonia sem igual.

As portas automáticas estavam logicamente abertas, o vai e vem de rostos conhecidos da faculdade e celulares tocando por toda parte, assim como a chegada de ambulâncias e macas não davam a elas oportunidade de fecharem.

Foi só quando eu realmente entrei que percebi que a loucura não era só minha, eu vasculhei os rostos a minha volta, onde ele estava.

– Eu vou ver se tem alguém lá dentro – Dae me deu tapas nas costas enquanto tomava a coragem de entrar em um dos corredores que levaria para outra sala de espera. Eu senti meu peito apertar. Eu olhei outra vez, o barulho de choros baixos, conversas ao celular, e da correria estava pra fazer minha cabeça doer.

– Onix!

Eu me virei a procura de Brandon, eu ainda não o via.

– Onde você está? – A minha voz soara um pouco alta demais para um hospital, mas não fez o efeito nas pessoas que teria em um dia normal, aquele não era um dia normal. Ele precisou se espremer entre duas garotas pra se aproximar, e eu corri até ele dando o abraço mais apertado que já dera em toda a minha vida.

Ele estava bem, mas eu ainda não estava feliz.

– Onde você estava? – Ele perguntou, respondendo o aperto na mesma intensidade – Você está bem? – Colocou as mãos no meu rosto enquanto me averiguava com o olhar – Você não atendia a porcaria do telefone, eu pensei que-

– Está tudo bem – Eu tentei tranquiliza-lo quando era eu quem estava precisando ser tranquilizada. –Você está bem?

– Sim, eu to bem, eu estava no final da rua, um posto de gasolina explodiu logo em seguida depois dos carros, foi desesperador.

Eu o abracei outra vez.

– Dae correu pra ver se tem algum conhecido nosso na outra sala.

Ele afirmou com a cabeça e seu olhar ficou vago.

– Eu não sei se Chris e Rúbia-

– Não, por favor – Eu cobri sua boca com a mão – Não diga absolutamente nada. Você conseguiu falar com alguém?

– Helena e o pessoal estão vindo, eu acabei de falar com Israel, ele vai chegar o mais rápido que conseguir.

Eu concordei, nos afastamos e eu olhei em volta mais uma vez, não tinha se quer um lugar pra que sentássemos. Eu vi a figura de Laura voar no meio das pessoas, ela parecia tão aflita que eu soube que tinha alguma coisa errada.

Eu me voltei a Brandon

– Andrew estava lá?

Ele piscou algumas vezes, e tirou o celular do bolso.

– Liga pra Michelle.

Ele concordou e eu ergui ambos os braços quando um Josh atordoado chegou. Ele se aproximou sorrindo.

– Eu amo vocês! – Exclamou e abraçou a mim e Brandon ao mesmo tempo – Obrigado por estarem vivos.

Brandon reclamou algo sobre estar no telefone e eu suspirei. Alguma garota começou a gritar, mas não era um grito, seja lá quem fosse era um escândalo dos altos. Eu respirei fundo algumas vezes e Dae voltou a aparecer.

– Jell está na outra sala com uns amigos e eles vão ficar por lá mesmo.

Eu concordei.

– A Michelle está vindo – Brandon desligou o telefone – Ela não gostou nada quando eu disse que Laura chegou aqui desesperada.

Houve mais escândalos.

*-*

POV Keira Tanaka Lee

Eu entendia o completo desespero de Helena, eu também estava desesperada, mas na condição de Helena, já parecia ter tomado conta dela. Ela não esperou Logan estacionar, e caiu aos tropeços na calçada Genevieve tentou argumentar algo no banco do passageiro, mas não acho que ela tenha escutado.

Logan e eu descemos, Gê se recusou a entrar dizendo que ligaria para Raymond para ter certeza de que estava tudo bem, Logan pareceu meio dividido entre fazer companhia a ela ou fazer companhia a Lena, ele escolheu a segunda opção.

Quando entramos Lena estava jogada sobre a bancada da recepcionista, louca por informações, mas a julgar seus soluços ela não estava dizendo nada muito coerente. Logan caminhou na direção dela e eu me aproximei de onde Brandon estava, com Onix, Josh e Dae.

– Alguma noticia? – Eu coloquei as mãos na cintura aflita.

Eles negaram e eu bufei, odiava hospitais.

– A Lena está bem? – Brandon ergueu uma sobrancelha olhando brevemente para a figura banhada em lagrimas abraçada ao irmão.

– Não, Chris e ela eram melhores amigos, e eu nem sei se tem mais alguém além de Rúbia pra aumentar nossas preocupações.

Israel chegou segundos depois. Ele olhou surpreso para os Jackson e nós trocamos olhares, era melhor ele conversar com ela depois. Houve um berro de algum lugar roubando nossa atenção, eu ergui a cabeça para tentar ver alguma coisa, achei que era Laura segurada por dois caras, não, não podia ser.

Como se confirmasse as minhas suspeitas, Israel marchou a passos firmes, e eu escolhi também me aproximar. Maldição. Era Laura.

– Eu preciso vê-lo! Vocês não estão entendendo, ele é meu irmão, eu conheço ele! Andrew! – Ela berrou a plenos pulmões.

Israel dispensou os dois enfermeiros que pareceram mais do que aliviados. Ela não parecia vê-lo

– Me solte você também! Você não tem nada que ver com isso! Eu não estou pedindo ajuda!

– Olha pra mim, olha pra mim! – Ele a segurou pelos ombros, mas isso não a impediu de protestar – Você tem que se acalmar, ele vai ficar bem.

– Você é médico agora? Você não sabe de nada, não o conhece, aquele idiota estava tentando se matar!

Eu franzi o cenho chegando mais perto

– O que quer dizer? – Eu perguntei e ela se virou com fúria na minha direção, como se eu tivesse culpa em tudo aquilo.

– Ele entrou nos escombros pra salvar seus malditos amigos – As lagrimas lhe escorriam de forma exasperada enquanto trincava os dentes, ela parecia tão destruída quanto Helena – Está feliz agora, será que pode parar de se intrometer na conversa dos outros? Eu só quero o meu irmão bem e vivo se não se importar

Israel suspirou de forma entediada ao meu lado

– Fazer em escândalo não vai ajuda-lo Laura – Ele parecia nervoso – Você só vai piorar tudo.

Ela cobriu a boca completamente abalada.

– Eu só quero o meu irmão bem – Disse com a voz embargada e fechou os olhos, mais lagrimas. Israel a puxou junto dele quando ela ameaçou cair.

– Como a Lena está? – Ele tentou não parecer preocupado, tentativa falha.

Eu neguei

– Nós não temos noticia nenhuma do Chris ou da Rúbia.

Ele concordou como se fosse o suficiente pra ele e voltou sua atenção a Laura. Eu revezei olhares entre os dois, deixando claro que eu queria saber o que era tudo aquilo quando toda aquela loucura acabasse.

Ele me ignorou e eu fui atrás dos Jackson.

*-*

POV Cristal Freya Killer

Eu encostei a cabeça na parede gelada, eu estava cansada e não via a hora de ir pra casa, mas com toda a insistência de Jell sobre ter certeza de que nenhum amigo dele estava machucado, ferido ou qualquer coisa do tipo, como irmã eu me ofereça a ficar. Cass e Mek voltaram pra casa e Kaike chegou algum tempo depois.

– Noite – Ele se sentou ao meu lado, não tinha mais tantas pessoas na sala de espera como antes, e eu fiquei aliviada, toda aquela movimentação e choradeira estava pra me irritar.

– Noite – Foi a única coisa que eu consegui responder.

– Onde está Jell?

– Ele está conversando com uma das enfermeiras em algum corredor – Eu dei de ombros, era quinze pra meia noite. –Acho que, felizmente pro nosso lado, está todo mundo bem.

Ele só concordou e ficamos em silêncio.

Porque ele não diz nada? Ele não vai perguntar se estou bem, se preciso de alguma coisa, ou oferecer alguma coisa?

Vocês não estão mais juntos. O outro lado da minha mente pareceu berrar. Eu suspirei alto, aquela falta de interesse na minha pessoa me fazia mal.

– Como está Laura? – Eu me virei para olha-lo, apesar de não possuir muito interesse no assunto.

– Ela está na outra sala, esperando noticias do irmão.

– Isso estragou o encontro de vocês – Eu tentei comentar da forma mais natural possível, e ele sorriu.

Ah, aquele sorriso.

– Não era um encontro, foi só pra por as ideias em dia.

Eu voltei a olhar pra frente, não era um encontro, mas ainda assim ele se importava.

Kaike se importa com todo mundo.

– Vocês vão juntos na baile? – Fora mais uma desculpa para olha-lo outra vez, ele voltou a sorrir.

– Não.

Eu olhei para frente outra vez, uma misera pitada de esperança me cresceu no peito.

– A gente podia ir junto – Eu abracei as pernas olhando-o mais uma vez – Sabe, como amigos.

Ele me encarou por alguns minutos, ele diria não. Um sorriso brotou-lhe o rosto.

– Porque não.

Eu sorri de volta, um suspiro de alivio me escapou os lábios e eu voltei a olhar pra frente.

Como amigos.

Talvez eu pudesse fazer isso.

– Acho que já podemos ir – Jell caminhou em nossa direção lentamente – Todo mundo que está com queimaduras graves está internado e isolados em salas esterilizadas, e poucos foram liberados, só vamos ter noticias concretas de manhã.

Nós ficamos de pé e Jell sorriu

– Vocês não estão sérios ou nervosos por estarem perto um do outro, isso é bom.

Eu revirei os olhos. E começamos a andar.

Nós viramos um dos corredores, até Jell trombar com uma garota, que aliás, estava com um copo de café na mão, e foi tudo direto pra camisa de Jell. Eu contive um sorriso.

– Ah meu Deus – Ela cobriu a boca com uma das mãos em uma expressão culpada – Me desculpe, eu não tive a intenção-

Jell negou com a cabeça, os olhos fechados.

– Você não fez isso.

– Eu não vi você e-

– Isso não vai recuperar a minha blusa e nem o café quente descendo no meu peito – Ele apontou para si mesmo enquanto inclinava-se para olha-la nos olhos – Mas você pode me compensar.

Ela deixou os ombros caírem

– Ah, qual é, se você jogar isso na maquina logo que-

– Jellal ao seu dispor — Então ele soltou um dos seus melhores sorrisos. Meu irmão não prestava, ela ficou séria.

– Keira.

– E o que você vai fazer amanhã à tarde?

Ela jogou o que ainda restara do café no rosto dele. Kaike gargalhou alto.

– Bom senso faz bem a saúde – Ela ironizou e continuou o caminho que pretendia fazer, Jell lambeu os lábios.

– Amargo, tá faltando açúcar.

*-*

POV Michelle Parker

Eu sentia meu peito apertado, como se uma corda apertasse forte meus dois pulmões dificultando toda e qualquer tentativa de ar. Jell saiu há alguns minutos com a irmã e outro cara deixando claro que se eu precisasse de alguma coisa era só ligar.

Eu precisava de informações e ele não me era útil agora. Não tinha muitas pessoas quando eu cheguei, e menos agora, e eu não tinha certeza se era bom ou mau sinal. Helena e Logan estavam sentados do outro lado, ele tinha um braço em volta dos ombros dela a abraçando de olhos fechados, enquanto ela parecia totalmente desperta. Keira se sentara irritada junto deles, e parecia se conter pra não extravasar, tinha também outro casal que eu não lembrava os nomes.

Laura estava sentada isolada do mundo com Israel apoiado na parede ao lado dela, ele parecia revezar os estágios de sono e alerta.

– Tudo bem? – Onix passou a mão nas minhas costas de forma carinhosa. Eu afirmei com a cabeça, mas ela sabia que não, toda a história sobre Andrew me provocava calafrios. Laura não me encarou nem uma única vez. – Eu vou mandar o Josh ir pra casa, e eu e o Brandon vamos ficar.

Eu concordei e ela se afastou. Um homem apareceu com uma prancheta nas mãos, e o rosto de todo mundo se entupiu de lembranças. Ele franziu o cenho em direção a uma das folhas.

– Os familiares de Andrew Miller

Laura ficou de pé em uma velocidade surpreendente e apontou o dedo na direção de Israel.

– Você fica ai.

Ele revirou os olhos, e quando eu ameacei levantar ela fez o mesmo comigo. Ótimo, como se eu já não estivesse sedenta demais por qualquer noticia. Eu não podia escutar de onde estava, então só me restou decifrar a linguagem corporal dos dois. Ela abraçou a si mesma de forma aflita enquanto ele começou a falar e gesticular, Laura cobriu o rosto com as mãos e algo me disse que aquilo não era bom. Ela respirou fundo, concordou e o homem voltou a se afastar. Ela permaneceu imóvel. Eu não podia ficar ali parada, a coitada estava querendo lidar com tudo aquilo sozinha.

Eu me aproximei, apesar de uma parte do meu cérebro berrar que teria sido melhor pegar as minhas coisas e ter saído sem olhar pra trás eu coloquei uma das mãos em seu braço.

– O que aconteceu?

Ela ergueu o rosto molhado.

– Ele queimou toda as costas – Ela soluçou, a voz ficando mais fina – Ele está anestesiado e com uns remédios que não vão deixa-lo acordar, colocaram-no em uma sala esterilizada – Ela arfou, informação demais pra processar – Porque com a gravidade das queimaduras, ele pode correr o risco de contrair algum tipo de infecção e isso é algo que precisa ser evitado a todo custo. Vão fazer enxerto – Ela passou a mãos pelas bochechas vermelhas – Mas a única coisa que podemos fazer agora é esperar.

Eu a abracei, ela ficou meio impressionada mas eu também precisava do abraço. Levou alguns minutos até que ela respondesse na mesma intensidade o aperto, mas acho que ficamos ali por uns dois minutos até nos soltássemos.

Israel se aproximou

– Vocês precisam de alguma coisa? – Perguntar se podia ajudar em alguma coisa pareia fazer doer pelo tom de voz dele.

– Eu vou pra casa – Laura colocou as mãos na cintura evitando encara-lo. – E nunca mais vou subir naquela sua porcaria.

Ele sorriu minimamente.

– Você vai chegar muito mais rápido se for comigo.

– Não estou preocupada com rapidez – Ralhou – Vai acelerar o tempo do Andrew dentro daquela sala também, eu ainda preciso ligar pra um par de pai ocupados pra avisar que o filho querido está internado.

– Eu posso te fazer companhia se você quiser – Eu coloquei a mão sobre o ombro dela – Eu não vou dormir tão cedo hoje.

Ela ainda estava meio abalada.

– Eu não preciso de ninguém, posso voltar sozinha, boa noite.

Ela se afastou e Israel suspirou de forma pesada.

– Eu sinto muito – Ele ficou meio desconcertado – Vou pro meu segundo problema na noite agora – Indicou os Jackson do outro lado e eu dei de ombros, eu segui para um Aldo e ele pro outro.

*-*

POV Christopher Logan Jackson

Helena se levantou de forma rápida quando Israel resolveu se aproximar.

– Como você está? – Ele cruzou os braços com a expressão neutra.

– Péssima, não graças a você é claro – Ela trincou o maxilar – A sua amiga já foi embora e agora você resolve aparecer?

Ele não respondeu.

– Eu sou sua amiga há quase cinco anos – Ela bateu a mão no peito dele com força – E você me colocou como segunda opção quando provavelmente um amigo nosso está morto lá dentro?

– Você não entende Lena-

– Eu não quero entender nada! – Ela berrou e eu fiquei de pé.

– Os parentes de Christopher Lawrence, e Rúbia Gomez?

Toda a atenção fora completamente roubada, o médico se aproximou, com uma expressão nada boa. Eu fechei os olhos quando ele começou a falar.

– Christopher teve um traumatismo craniano, provavelmente causado quando ele bateu com força com a cabeça no volante durante o capotamento, ele teve duas hemorragias internas e queimaduras de 3º grau pelo corpo inteiro, se tivéssemos demorados mais alguns minutos ele não teria sobrevivido. Ele está em coma, mas o caso é grave.

Keira apoiou os braços nos joelhos enquanto cobria o rosto, ela parecia a única a ter se mantido forte até ali, eu me sentei abraçando-a. Israel amparou Helena quando os joelhos dela pareceram ceder.

– Não toque em mim – Ela o afastou sem muita força e sentou-se entre Keira e Raymond.

– E infelizmente Rúbia não resistiu aos ferimentos, sinto muito – Ele se afastou.

Israel virou –se passando a mão na nuca frustrado.

Genevieve se ergueu da outra ponta.

– Eu vou buscar um copo d’água pra elas, você vai querer Logan?

Eu neguei e ela virou um dos corredores.

(...)

2 dias depois

POV Dae Chung-Hee

– O clima lá em casa está péssimo – Eu cruzei os braços e Josh suspirou – O enterro de Rúbia foi ontem a tarde e os Jackson estão eu um marasmo sem fim.

– Onix me disse que Michelle não quer sair do quarto – Ele passou a mão pelo rosto – E pra variar metade da minha classe trancou a matricula com o acidente, parece que muita gente saiu machucada.

– Se fosse só na sua eu não me preocuparia tanto, tem pais que querem processar a faculdade.

– Eles não podem fazer isso, a faculdade não se responsabiliza pelo que fazemos do lado de fora.

– Tenta explicar isso pra eles.

– Eu estou preocupado com Michelle, se o cara não melhorar logo não acho que ela vai querer ir pro Baile.

– Falando em baile – Ele apontou para um anuncio com letras grandes e vermelhas sobre o cartaz do baile no celotex em um dos corredores principais na qual viramos – Ele acaba de ser adiado.

– Olha isso – Eu apontei para as listas de chamadas das salas, nomes e nomes riscados – Isso é péssimo.

– Pra que adiar? Não podia servir pra levantar o astral das pessoas?

– Tem gente de luto pra lá e pra cá, se reunir todo mundo acho que vamos ter um rio de lagrimas correndo pela faculdade.

Josh abriu um meio sorriso e voltamos a caminhar, até Jell nos parar com um ar ofegante.

– Oi pessoas – Ele se apoiou nos joelhos arfando.

– Por que a pressa? – Josh ergueu uma sobrancelha.

– Eu to atrasado, passei pra ver se Michelle estava bem, ela não quis me ver. – Ele voltou a se erguer — Eu vou ligar mais tarde, vocês sabem se-

Ele ergueu o dedo indicador, mas parou a frase no meio sem nenhum aparente motivo. Eu franzi o cenho. Ele fixou o olhar em outra pessoa, eu me virei a tempo de ver Keira passando por nós. Ele a perseguiu com o olhar como o caçador e a caça.

Josh riu.

– Você nunca vai conseguir se aproximar de Keira – Eu sorri abertamente e ele fez o mesmo, como se a possibilidade o tentasse.

– Ela derrubou café quente em mim no hospital no outro dia, ele me deve uma camisa.

Josh balançou a cabeça em negativo.

– Você vai ganhar um chute entre as pernas, bem mais provável.

– Eu já volto – Ele deu meia volta correndo na direção em que viera, alcançando Keira no final

– Ela vai ignora-lo, certeza – Josh comentou ao meu lado.

Jellal sorriu falando o que deveria ser uma série de bobagens, Keira cruzou os braços em descaso e respondeu alguma coisa, Jell fez um comentário sério com um brilho pervertido no olhar. Ela tirou a carteira do bolso.

– Ela não vai fazer isso – Eu comentei e Josh gargalhou alto.

Keira tirou algumas notas e socou no peito dele enquanto dava alguns tapinhas, ela falou alguma coisa antes de tentar dar a volta nele com um meio sorriso. Ele segurou o pulso dela ainda preso ao dinheiro.

Ele disse algo que a fez puxar o próprio braço com força antes de se afastar, ele sorriu, caminhando de maneira tranquila na nossa direção

– Ela disse que tem péssimo gosto pra escolher camisas.

*-*

POV Laura Elizabeth Miller

Estava escuro quando eu sai da biblioteca na universidade, eu passara o dia presa aos livros, mas não conseguia assimilar uma única palavras. As vozes do meu pai gritavam na minha cabeça, todo o blá blá blá que eu e Andrew deveríamos tomar conta um do outro, e que parte daquilo era minha culpa.

Eu senti meu peito sufocar, eles certamente estavam na sala de visitas observando Andrew e tudo o que eu menos queria era encara-los cara a cara. Eu passei as mãos pelo rosto de forma cansada, eu não via a hora de chegar em casa e dormir, minha cabeça precisava desligar.

Israel estava sentado no chão de um dos corredores escuros abertos para o campus, só tínhamos a luz da lua como guia. Tinha uma garrafa do lado dele.

– Não está meio tarde pra beber em uma instituição de educação?

Ele fechou os olhos, como se a minha voz fizesse a cabeça dele doer e eu me aproximei.

– Pra você é sempre ‘cedo demais’ ‘tarde demais’.

– Você se arrisca demais bebendo aqui, porque não bebe na sua casa?

– Eu dividia o meu apartamento com três garotas, até elas trancarem a matricula e eu ter que me virar sozinho, tudo o que eu menos preciso, é ficar completamente isolado.

Eu estreitei os olhos.

– O que está fazendo aqui?

Ele sorriu, ainda de olhos fechados.

– Você ainda não conseguiu adivinhar?

Eu cruzei os braços impaciente.

– É melhor pra você parar de tentar me agradar.

– Ah qual é — Ela abriu os olhos que ainda assim pareceram brilhar no escuro – Fazemos o mesmo curso, não pode me evitar o dia todo, todos os dias, a semana inteira.

– Isso não quer dizer nada – Eu cerrei os lábios – Eu o considero um idiota por isso.

Ele franziu o cenho.

– Eu sou o idiota aqui? É você que trata cada um de uma maneira, as pessoas sabem da sua falsidade e como destrata aqueles que você acha inferior.

Eu sorri de forma doce.

– Você acha que eu não sei disso? — Ele ficou de pé, se apoiando na parede – Eu não vim pra cá pra agradar ninguém Israel, muito menos pra fazer amigos. Você já trabalhou realmente no mundo do teatro, ou teve empregos aqui e ali por ser um rostinho bonito?

Ele não me respondeu.

– Vou considerar isso como um sim. Você sabe como o Book Rosa funciona Israel?

Ele travou o maxilar e o meu sorriso aumentou.

– Digamos que não é muito apropriado fazer parte desse meio quando você é só uma garota de 12 anos sonhando em ser estrela de cinema. Eu já fazia parte quando eu conheci a sua amiguinha Helena, e os meus empresários gostaram da carinha de anjo dela, e eu vi a minha carreira ser ameaçada. Se eu não manchasse o nome dela, meus pais teriam afundado junto com a crise que houve com o escândalo dos pais dela, porque eu certamente teria sido jogada de lado pra investirem a carinha dela nas passarelas – Eu avancei o passo – Eu me livrei daquelas pessoas nojentas quando eu fiz 15, e eu nunca mais quero chegar perto de uma agência de modelos. Você precisa entender uma coisa Israel, não é tão simples pras mulheres virarem atrizes como pra rostinhos bonitos como o seu, os homens sempre vão nos desejar e eu não vou aceitar mais isso. Eu não confio nas pessoas, e não tenho a intenção de confiar, é melhor parar com seu joguinho de tentar ser gentil, porque não vai dar certo.

Ele se manteve neutro e eu agradeci internamente por isso, tudo o que eu menos precisava agora era que alguém tivesse dó de mim.

– Eu cheguei até aqui sozinha, sobrevivi sem amigos de verdade e sem namorado, não preciso de você na minha cola.

– A pena de prisão pra menor e agenciar esse tipo de coisa é no mínimo dez anos de prisão.

– Mas se você não contar eu não conto – Eu pisquei e ele fechou um dos punhos com força.

– Por que não contou a ninguém?

– Pra quem eu contaria? – Eu ri colocando as mãos na cintura – Pra Andrew? Ele é o tão amado primogênito, destinado a assumir a grande empresa dos Miller, ele pode ser protetor, mas ele nunca teve interesse em como você se torna modelo, pra ele, eu apenas desisti da carreira.

Nós ficamos em silêncio, eu contara tantas vezes aquela história para mim mesma no espelho que eu fazia o possível pra ser de outra pessoa, que eu ouvi de alguém sobre um passado distante.

Ele levou uma das mãos ao meu rosto e eu recuei completamente assustada.

– O que está fazendo?

– Eles te destruíram – Ele mantinha o olhar fixo no meu rosto – Não pode descontar nas pessoas a sua volta.

– Eu não estou descontando em ninguém – Esbravejei – Eu estou me protegendo de caras como você, que agradam garotinhas até leva-las pra cama pra depois pisarem e cuspirem nelas.

– Você fere a si mesma se isolando – Ele deu um passo a frente

– E o que você tem feito? – Ficamos cara a cara – Eu não estou vendo nenhum amigo realmente preocupado com o seu bem estar desde que cheguei aqui – Ele estreitou os olhos – E você só fede a álcool.

– A garrafa é minha amiga.

Eu revirei os olhos.

– Continue com esse comportamento infantil e vai ser sempre visto como um modelo.

Eu o vi ficar irado, eu recuei mas ele manteve o passo, e quando a minha costas bateu contra a coluna ele bateu com a mão na mesma ao alto da minha cabeça.

– Você nunca – Ele ergueu a mão ocupada com a garrafa para apontar pra mim, o tom dele era sério, não era um pedido, era uma ordem – Vai dizer isso de novo.

Eu franzi o cenho, o que o fazia pensar que eu o temia? Pois eu ergui o rosto, o suficiente para encara-lo nos olhos, a proximidade dele me incomodava e eu odiava o cheiro de bebida alcoólica que ele parecia exalar.

– Continue sendo esse poço de arrogância, e cheirando a álcool, e você nunca vai deixar de ser só mais um modelo.

A boca dele se chocou contra a minha com violência, a mão ocupada com a garrafa a deixou cair, o barulho do vidro se quebrando ecoando por todo o corredor. Ele levou a mão para o meu pescoço me trazendo para mais perto enquanto nossas línguas pareciam entrar em uma dança movimentada e ritmada. Ele tinha gosto de Gim Tônica, o meu coração pareceu bater com mais força contra o peito.

Será que ele podia ouvir?

– Quem está ai? – Uma voz grave soou de algum lugar e Israel sorriu me puxando pelo braço.

– Temos que sair daqui – Ele começou a correr

– A garrafa! – Eu indiquei a sopa que fora feita no chão – Uma coisa é você feder a álcool, outra é o corredor inteiro.

Ele riu.

– Não é engraçado! – A minha sandália batia contra o piso nos denunciando totalmente – E o que você pensou que estava fazendo? Você me da nojo!

Ele se virou pra mim, ainda com o maldito sorriso.

– Você precisa aprender a calar a boca, agora tire essa porcaria do pé.

– Não é porcaria! – Eu esbravejei – São Manolo-

– Não me interessa! – Ele gesticulou com a mão livre olhando o corredor atrás de mim – Se você não quiser pegar uma semana inteira de suspensão ou ser expulsa e presa por invasão vai tirar essa porcaria.

Eu bufei enquanto me desfazia das sandálias, ele ainda não tinha me soltado. Nós voltamos a correr, e eu agradeci a pausa na calçada pra respirar. Ele desprendeu o capacete da moto.

– Se pensa que eu vou subir ai está muito enganado.

Ele me olhou confuso.

– Além de eu não confiar nessa porcaria de duas rodas você está bêbado, eu não vou subir.

Ele praguejou quando vimos a luz da entrada da faculdade se acender, voltando a pegar no meu braço e correr. Nós paramos quando viramos a primeira esquina. Ele voltou a me puxar tampando minha boca com uma das mãos, nossas tentávamos acalmar a respiração.

– Olá? – A voz grave ecoou na rua – Eu vou descobrir quem são vocês, e é melhor não estarem por perto quando isso acontecer – Agora ele estava irritado.

Permanecemos em silêncio até a luz se apagar, o ar pareceu finalmente entrar nos meus pulmões.

*-*

POV Helena Patterson Jackson

As minhas mãos tremiam mesmo depois de ter colocado a caixa de papelão no chão. Eu fechei os olhos respirando fundo uma porção de vezes, eu precisava ser rápida, então seria muito mais fácil.

Eu passei o braço pela cômoda com os pertences de Christopher jogando-os todos dentro da caixa, eu não podia prestar atenção nas coisas. Eu puxei a mala de baixo da cama e fui abrindo gavetas levando todas as roupas para dentro.

– Não devia ir com mais calma? – Logan estava apoiado no batente da porta.

– Não posso ir com calma – Eu joguei uma serie de camisetas dentro da mala – Ah não ser que prefira que eu volte a ficar no quarto pra me lamentar.

– Você quer ajuda?

– Não.

– Keira já embalou as coisas de Rúbia, os pais dela vão passar daqui a pouco.

– Ótimo.

– Lena – Ele suspirou cansado e eu me virei para olha-lo – A culpa não foi sua.

Eu senti minha voltar a ficar embaçada, e eu olhei minhas mãos outra vez, elas ainda tremiam.

– Os pais dele – Eu funguei quando Logan se aproximou — Disseram que a culpa era minha, que eu tinha influenciado o filho deles. Os pais deles pediram pra ele ser transferido pra outro hospital mesmo com o risco de ele morrer na viagem – Logan me abraçou e eu arfei, porque eu não conseguia parar de chorar – Ele vai morrer Logan.

Ele não me disse nada, porque nós sabíamos que não havia nada para ser dito, manter esperanças, no atual estado de saúde dele era só aumentar a altura da queda quando tudo acabasse.

– Você precisa comer alguma coisa, deixa que eu termino aqui pra você.

Eu demorei um tempo pra concordar e me arrastar até o lado de fora do quarto.

*-*

4 dias depois

POV Raymond Goddard Steel

– Você não ligou pra ela nenhuma única vez? – O tom de Genevieve era de indignação.

– E o que eu deveria falar? Sinto muito por você ter perdido dois amigos, e vários outros terem trancado matricula na faculdade e voltado pra suas casas? Não há muito o que ser dito além de esperar o luto passar.

– Mas demonstrar que se importa é o mínimo de educação que você poderia ter – Ela cerrou os dentes.

Eu revirei os olhos.

– Não sei lidar com situações de sofrimento e dor Gê, e se eu chegar lá e ela começar a chorar, que deve ser só o que ela tem feito nos últimos dias, eu vou ficar parado.

– Sei lá – Ela deu de ombros passando a mão pelos cabelos – Você da uma palavra de apoio ou coisa do tipo, oferece um ombro pra ela chorar, pede pra ela se acalmar e sair pra tomar um ar puro, qualquer coisa. Eu não consigo ficar lá dentro com aquele clima péssimo, Keira parece lutar contra o choro se isolando, e Logan se oferece pra conversar sobre qualquer assunto que chega a assustar enquanto Lena fica no quarto.

– Mas é claro, eu deveria chamar todo mundo pra sair e rir um pouco em algum lugar – Ironizei e Gê parou de andar.

– Exatamente.

Eu me virei.

– Não, de jeito nenhum, foi uma piada, agora não é hora pra ideias mirabolantes.

– Pode ser que funcione, a gente pode ir no cinema ou coisa do tipo – Seus olhos brilharam

Eu tive que rir

– Seu tão precioso Logan não quer me ver nem pintado de ouro, e o que te faz pensar que ele aceitaria o convite? Porque Helen não iria sem ele, não tão abalada emocionalmente.

Gê colocou a mão no queixo de forma pensativa, antes de seu rosto iluminar.

– Podemos dizer que é meu aniversário! Não o seu porque pode ser que Lena se lembre que dia que é, mas ninguém sabe quando é o meu.

– Mentir?

– É a opção que temos.

– Não está meio em cima da hora pra dizer que quer ganhar presente?

Ela revirou os olhos.

– É um bom plano, você pode comentar de forma descontraída quando for lá, perguntando se o cinema ainda está de pé, Lena é boa demais pra me deixar na mão no meu aniversário e Logan vai adorar a ideia.

– “Logan vai adorar a ideia” – Eu a imitei – É Logan pra cá, Logan pra lá-

– Você só está sendo implicante.

– Interprete como quiser – Eu dei de ombros — O quanto antes chegarmos lá, ante tudo isso acaba.

Ela riu. Levou um tempo até que chegássemos ao apartamento dos Jackson.

– Eles vão desconfiar – Eu sussurrei enquanto ela destrancava a porta.

– Não se você souber interpretar direito. – Sussurrou de volta.

–Eu não sou ator sou diplomata.

Ela revirou os olhos.

– Políticos mentem – Ela abriu a porta – Olá! Alguém?

– Genevieve, você sabe se- Ele parou quando viu que eu também viera – Ah que ótimo, eu falo depois – Ele voltou.

Eu bufei.

– Satisfeita?

Ela me ignorou e apontou na direção do sofá. Eu me sentei e ela ergueu a voz.

– A Lena está melhor?

– Melhor do que quando eu acordei sim – Helen ainda estava de pijama, que a julgar o tamanho, não era dela – Obrigada.

– De quem que é o pijama? – Eu apontei e ela só então pareceu me notar. Franziu o cenho.

– O que está fazendo aqui?

– Eu estou bem também obrigado.

– Ele veio comigo – Genevieve a interrompeu antes de me dar uma resposta malcriada – Eu vou pegar alguma coisa pra comer, vocês querem?

Negamos e ela me fuzilou com o olhar antes de ir em direção à cozinha. Helen sentou na poltrona do meu lado com os braços cruzados.

– Você está se sentindo melhor? – A pergunta veio de mim e ela me encarou curiosa.

– É, acho que sim. E você, o que tem feito?

– Ido a faculdade, estudado, ido a alguns lugares – Eu de dei ombros – Sabe, essas coisas de universitários.

Ela sorriu e abraçou as próprias pernas, ela parecia cansada.

– Sei, tem andado difícil sem a minha presença pra te atazanar.

– Tem sido tedioso.

Ela escondeu o sorriso por entre os joelhos.

– Então, ainda está de pé final de semana? – Genevieve se jogou no sofá ao meu lado, um pacote de bolacha nas mãos – Porque eu ainda não decidi o que vestir.

– O que vocês vão fazer? – Helen piscou curiosa.

– Nossa garotinha – Eu bati nas costas dela a fazendo engasgar – Vai fazer aniversário.

O sorriso de Helen foi morrendo.

– Você vai fazer aniversário e não disse nada?

– Bom sabe como é né – Genevieve pagou a constrangida – Com tudo que aconteceu, não era a melhor hora pra comemorações.

Helen piscou algumas vezes antes de ficar de pé, meio atordoada, correndo para dentro gritando o nome do irmão.

– Ótimo – Eu sussurrei – Você sabe que se descobrirem sou eu quem vai levar a bronca de “mentiroso, você poderia só ter me abraçado”

– Xiu

– Por que você não disse nada Gê? – A intimidade de Logan me dava enjoos, ele parecia meio impressionado enquanto escutávamos Helen correr de um lado para o outro no quarto – Nós podíamos ter preparado alguma coisa.

– Que isso – Gê abriu um meio sorriso – Não tem necessidade.

– Eu vou trocar de roupa – Helen gritou.

– Por que? – Keira surgiu meio sonolenta com toda a movimentação – Você não sai de casa tem uns dois dias.

– Eu preciso comprar alguma coisa pra Genevieve – Helen correu em direção a cozinha escovando os cabelos.

– E por acaso ela faz aniversário? – Keira perguntou irônica enquanto se sentava onde Helen estivera.

Logan riu.

– Sim senhora.

Keira piscou meio desnorteada.

– Ela não disse nada – Logan riu outra vez enquanto se afastava.

– Onde vamos no final de semana? – Uma Helena decentemente vestida parou a nossa frente.

– Nós? – Ergui as sobrancelhas surpreso.

– É – Afirmou confiante antes de olha-la – Onde vamos comemorar? É seu aniversário, não podemos deixar passar em branco por causa – Ela engoliu seco – Bom, é, não podemos.

– Eu pensei que poderíamos ir no cinema – Gê olhou para mim para que eu concordasse, eu o fiz – Podemos dar uma volta no shopping, comer alguma coisa.

– Claro! – Ela sorriu lindamente e voltou a chamar por Logan – Liga pro Brandon, diz que vamos no shopping final de semana comemorar o aniversário da Gê.

Keira, que pareceu ter tirado um cochilo abriu os olhos confusa.

– Não está meio em cima da hora pra comprar presentes? Quero dizer, sem ofensa Genevieve – Ela a olhou antes de continuar a falar, alto para que os dois em algum lugar da casa ouvissem – Sei lá, tipo, você já está convidando meio mundo. – Ela voltou sua atenção a nós dois, agora no tom baixo que nós ouvíamos – Porque eu tenho certeza que Brandon vai usar a oportunidade pra tirar mais gente de casa como Michelle, Dae, a prima dele e sabe se lá mais quem.

Eu passei a mão pelo rosto evitando rir, em menos de dez minutos já tinha uma festa de aniversário pronta.

– Lena parece ter uma fixação por aniversários – Logan sentou na outra ponta ao lado de Gê colocando os tênis, vestido de forma mais apresentável – Acho que ela os considera como a data mais importante do ano depois do Natal.

– Onde vai? – Gê franziu o cenho.

– Bom, eu tenho que comprar alguma coisa também não é – Ele trocou os pés sorrindo abertamente, eu revirei os olhos – Se não, não tem graça cantar parabéns.

– Sinto muito mas eu não vou sair com vocês hoje não – Keira jogou a cabeça pra trás com os olhos fechados enquanto bocejava – Talvez eu te de um vale presente porque eu não sou expert em comprar presentes. Eu falei que aquele idiota que eu derrubei café no hospital me parou outro dia pra me convidar pra sair? – Ela nos olhou indignada – As pessoas não tem mais bom senso?

Genevieve riu e Logan saiu caminhando.

– De quem estamos falando? – Eu perguntei confuso.

– Jellal, ele é uns dos que fazia parte do time de boliche que tirou as camisas? Você se lembra dele?

– Jellal é amigo do Kaike – Helen gritou de algum lugar

Eu suspirei, olhando outra vez para Genevieve.

– Quem é Kaike?

– Ele faz o curso de psicologia comigo – Helena se apoiou no raque da televisão para trançar o cabeça de lado.

– Sei, e vocês são amigos? – Estreitei os olhos

– Colegas, sim – Deu de ombros indiferente – Ele anda ocupado em uma aposta com a amiga e tentando fazer ciúmes na ex namorada.

Eu relaxei o corpo sobre o sofá enquanto cruzava os braços diante do peito.

– Como você está informada sobre a vida dele – Minha voz soou cínica – E vocês se intitulam apenas colegas?

Ela evitou sorrir, passando o elástico fino e pequeno no fim do cabelo.

– É Raymond, apenas colegas.

– Eu vou voltar pro meu quarto – Keira se levantou de olhos fechados – Feliz Aniversário pra vocês.

*-*

3 dias depois

POV Brandon O’Neill

– O que eu estou fazendo aqui? – Onix olhava o folheto dos firmes em cartaz – Eu nem conheço a garota e tive que comprar um presente pra ela.

– Não seja tão rude Onix – Dae puxou o papel da mão dela – Keira é gente boa, na maior parte do tempo.

Josh riu.

– Olha sinceramente – Michelle voltou da bilheteria – Acho que ela escolheu uma semana ruim pra fazer aniversário porque não tem nada muito legal passando.

– Vocês são muito malvados – Josh riu outra vez – Eu vou dar um abraço que já ta bom, graças ao Brandon eu recebi o convite em cima da hora e eu não tenho dinheiro plantado no quintal de casa.

Eu bufei.

– Eu também fui avisado de última hora esperteza – Nós começamos a procurar uma mesa na praça de alimentação – Ela não quis dizer que era o aniversário dela, com todo o acidente, ninguém ta em clima de festa.

– Não vai dar pra todo mundo – Onix olhou a mesa com quatro lugares – Quanta gente ainda falta?

– Pouco mais de meia dúzia acho, os Jackson,Keira, a aniversariante, Raymond, e pode ser que tenham chamado mais gente.

– Ótimo — Onix revirou os olhos enquanto cutucava Dae e Josh apontando para outras mesas – A gente precisa pegar mais mesa.

– A gente? – Eu ergui uma sobrancelha e ela sorriu cínica.

– Não espera que eu e Michelle façamos todo o trabalho braçal não é?

– Vocês mulheres – Eu estreitei os olhos – Pra querer direitos iguais estão dispostas, agora quando não querem fazer algo “é porque é coisa de homem.

– Eu nunca disse isso – Ela evitou sorrir – Agora vai lá antes que o pessoal chegue.

Eu bufei, puxamos outras duas mesas, e foi um alivio quando as cadeiras acabaram, eu não era muito de fazer exercício regularmente, então com todo aquele vai e vem eu já me sentia cansado.

– Genevieve já chegou? — Helena disse meio alto para um ambiente publico desviando de outras mesas pra nos alcançar, um pacote debaixo do braço.

– Não – Dae puxou uma cadeira se sentando e eu fiz o mesmo, Logan e Keira estavam com ela.

– Ai que alivio – Ela colocou o pacote vinho sobre sobre a mesa antes de suspirar – O que vamos comer?

– Pra mim nada muito pesado porque depois não consigo comer a pipoca – Michelle apoiou o rosto sobre a mão – Se ninguém tentar se matar até a sala do cinema.

Logan riu.

– Veremos – Comentou – Raymond não chegou ainda.

– Eu não quero discussões – Helena apontou o dedo na direção dele — Deixem pra outra hora, estamos tentando comemorar um aniversário aqui, e não seria muito apropriado discutir com o melhor amigo da aniversariante.

– Traz o assunto pra esse lado da mesa por favor, se não vamos ficar deslocados.

Keira sorriu.

– Eu quero ver é discórdia.

– Como vocês podem ter tendência a tanta discórdia e ainda assim estarem se falando? – Josh sorriu.

– Essa é uma ótima pergunta – Israel jogou uma caixa sobre a mesa enquanto sorria.

O sorriso de Lena morreu.

– Quem-

– Eu – Keira apoiou os cotovelos sobre a mesa – Achei que pegaria mal todo mundo aqui menos ele, vocês são amigos afinal.

Helena respirou fundo enquanto se sentava. Da esquerda pra direita, estava Dae, Josh, Keira, Lena e agora Israel, do outro vinha Michelle, Onix, eu e Logan.

– Não seria mais fácil se fizessem um grande quadrado ao invés de uma extensa fileira? – Israel franziu o cenho.

– Só falta o Raymond e a Genevieve então não vai-

Helena interrompeu Logan

– Na verdade, eu convidei Kaike e disse que ele podia trazer os amigos dele.

– Você o que? – Logan passou a mão no rosto de maneira cansada. Keira gargalhou, mas ela parou de repente como se lembrasse de algo importante.

– Espera, quando você diz amigos, quer dizer que o Jellal vem? – Ela ficou de pé.

Dae e Josh começaram a rir e eu fiquei perdido

– Isso é um problema? – Onix franziu o cenho – Porque ele é nosso amigo e não deixaria ele-

– Jell tem dado em cima da Keira – Dae resumiu toda a história.

– Vocês não me contaram isso – Eu apoiei os braços sobre a mesa.

Keira revirou os olhos.

– Olha, é melhor vocês mandarem o amiguinho de vocês desistir porque-

– Ai está você – Keira, e praticamente acho, todo mundo, foi surpreendido, quando Jell pareceu brotar do chão a abraçando por trás. Ela levou a mão a boca segurando o grito que quase escapou por completo. Ele colocou a boca a orelha dela.

– Não achei que vinha.

– Não me disseram que você vinha – Ela resmungou o fazendo sorrir.

– Parece que tem gente ao meu favor então.

– Vão pra um quarto – Josh comentou fazendo parte da mesa rir, ela o empurrou com força

– Eu juro que eu não sabia – Lena comentou revezando entre sorrir e se desculpar.

Keira estava muito séria, toda a animação inicial pareceu se dissipar completamente.

– É claro que não sabia – Ela puxou a cadeira de volta se sentado emburrada.

E ela ficou sentada de cara emburrada quando quase todos tiveram que se levantar para organizar as mesas outra vez. As pessoas a nossa volta não estavam nem um pouco contentes. Jell trouxe com ele a irmã, Cris, e outros três, Merak, Cassandra e Kaike. Pra variar, Lena cedeu o lugar dela a Jell e não soube se aquilo era bom ou ruim.

Tínhamos seis mesas agora, duas fileiras com três. Do meu lado a ordem ainda era mesma, terminando com Merak e Cass, e do outro lado também – com a entrada de Jell, Lena passara para o lugar de Israel, e Israel ficara na ponta.

Cris e Kaike na direita, dois lugares vagos ao lado deles, e quatro na outra ponta. De repente me pareceu ter muita gente.

Helena ficou de pé

– Tá errado, isso aqui tá muito comprido – Ela gesticulou mostrando o caminho das mesas – Precisamos de uma mesa redonda bem grande.

– Mas é claro – Onix ironizou – Muito simples, conseguir uma mesa redonda bem grande.

– No shopping no final do centro tem – Dae cruzou os braços com um meio sorriso.

– Ótimo – Cris ficou de pé – Quem vai ligar pra aniversariante e dizer que o local da festa mudou?

*-*

POV Genevieve Cotterill

– Você subestima a capacidade de Helen convidar pessoas, ao contrário de mim, ela tem a péssima mania de ser carismática com gente desconhecida, o que significa que não importa onde você esteja, ela parece ter amigos por toda parte – Raymond ainda resmungava quando entramos no shopping

Eu revirei os olhos.

– Qual é, não está exagerando um pouco?

– Acho que estou te poupando um pouco. Hoje vai ser seu aniversário pra todas as pessoas da face da terra depois do que fizemos.

– É por uma boa causa, estão todos muito chateados ultimamente, eles estavam precisando se distrair.

– Não podia ter esperado até seu verdadeiro aniversário.

Eu suspirei. Quando chegamos a praça de alimentação ela estava lotada e eu não conseguia reconhecer ninguém.

– Lá – Raymond apontou uma porção de pessoas do outro lado, bufando de forma derrotada – Deus do céu, eu não conheço nem metade daquelas pessoas, e isso é tudo culpa sua.

– O antissocial aqui é você, não eu, e agradeceria se sorrisse e parece de praguejar, é aniversário da sua melhor e única amiga hoje.

Ele revirou os olhos quando começamos a andar por entre as mesas. Quando finalmente chegamos a recepção foi calorosa – bem calorosa – eu precisei cumprimentar todos enquanto dava a volta na mesa gigantesca que eles haviam montado, e se eu olhasse para Ray o único olhar que eu receberia era de “ Eu te avisei ”, eu tentei evitar pensar nisso quando me sentei, tentando ignorar também as sacolas penduradas nas cadeiras, ou no chão entre as pernas.

Presentes.

Ok, aquilo tinha fugido um pouco do meu controle.

O abraço de Lena foi apertado, e foi engraçado quando alguns tiveram que se apresentar antes de desejar ‘felicidades’.

– Uau – Eu me sentei depois de um longo suspiro, me sentindo meio constrangida – Vocês são rápidos.

Todo mundo me parecia feliz, e até ai estava tudo bem.

– Rápida era a Cris olhando vitrine a procura de alguma coisa – Kaike resmungou alguma da outra ponta recebendo um tapa no braço da garota em resposta.

– Muito bem — Lena estava energética – Você prefere abrir os presentes agora ou depois?

Dei de ombros.

– Isso quer dizer agora – Ela deslizou o embrulho roxo sobre a mesa sorridente.

Eu coloquei as mãos para abrir

– Espera – Ela ficou de pé, enquanto dava a volta.

– Você não vai fazer isso – Logan resmungou, mas não deu tempo. Ela puxou o embrulho de volta pra ela.

– Olha, eu fiquei em duvida porque eu não sabia qual você poderia gostar, então eu comprei os três.

– Que humilde – Brandon riu – “Eu comprei os três”

– Cala a boca Brandon – Ela voltou a olhar pra mim – Então se você não gostar você finge que gostou, e se não servir, não me diga que trocou.

– O presente tem que agradar ela e não você Helen – Raymond cruzou os braços ao meu lado.

– Você cale a boca também – Ela voltou a me entregar sorrindo.

– Ok – Eu peguei meio receosa e ela permaneceu parada ao meu lado enquanto eu rasgava – São gorros? – Eu não conseguia parar de sorrir, era tudo muito bom, e tudo muito engraçado ao mesmo tempo, ou talvez a animação de Lena fosse contagiante.

– Sim – Ela deu um pulo – Eu fiquei entre o cinza, o branco e o vermelho, então eu comprei os três. Sabe como é, parece que é moda agora.

– Obrigada.

Ela se sentou mais aliviada.

– Quem é o próximo? – Ela fixou o olhar em Logan.

– Tá bom — Ele suspirou fazendo a sacola deslizar sobre a mesa – O texto da Lena, por favor, aplique a mim também.

– Nossa onde foi parar o cavalheirismo? – Josh ironizou recebendo apenas um gesto obseno como resposta.

– Que linda – Michelle suspirou de forma apaixonada quando eu tirei a gargantilha prateada da caixa, com a inicial do meu nome.

– Pra dar joias pra uma garota você tem que por Logan – Israel bateu as mãos na mesa de forma humorada, ele não parecia normal hoje.

– Com certeza – Brandon fez o mesmo sorrindo – Coloca!

Eu fechei os olhos suspirando quando houve um aparente coro pra que Logan o fizesse. Ele se levantou contrariado recebendo uma serie de comemorações em resposta.

– Vocês vão me pagar caro por isso.

Raymond bufou quando puxou a cadeira para se afastar da minha. O sorriso de Israel pelo nervosismo de Logan era doentio. Eu levantei o cabelo, as mãos dele estavam geladas.

– Feliz aniversário Gê — Ele sussurrou antes de beijar o topo da minha cabeça. A salva de palmas que ele recebeu me fez sorrir.

– Um vale presente como prometido – Keira deslizou o cartão pela mesa.

– Eu não sou a pessoa mais confiável pra se dar presente – Jell pegou a vez – Por isso vou entender se me odiar.

– Ah meu Deus – Cass passou a mão no rosto sorrindo – O que você aprontou dessa vez?

Ele deslizou a caixa sobre a mesa. E eu desfiz o laço abrindo-a devagar, eu cobri os olhos com uma das mãos, Jell e Merak riram.

– O que tem ai? – Raymond aproximou o rosto curioso.

– Uma camisola

– Bah! – Israel bufou frustrado – Você estragou minha entrada – Ele empurrou a caixa sorrindo, ainda – O meu tinha que ser o primeiro presente constrangedor.

– Como se só você tivesse pensado nisso – Mek tirou o braço apoiado na cadeira atrás de Cass – Somos todos homens aqui, não é como se fosse simples comprar presente pra mulheres.

– Ah qual é – Onix ralhou – Um livro de auto ajuda já estaria ótimo, vocês gostam de provocar, é completamente diferente.

– Antes que você abra o dele fique com o meu – Cris deu a volta parando ao meu lado – Eu tenho sexto sentido pra essas coisas.

– O que é? – Franzi o cenho

– Suco de maracujá – Ela sorriu divertida – Para o caso deles te estressarem.

*-*

POV Israel Davis Callen

Do meu ponto de vista, as coisas deram certo. Genevieve riu muito com todos os presentes que ganhou depois disso e todo mundo comprou algum tipo de lanche, houve o dilema sobre qual filme assistir até que finalmente entraram em acordo – mais especificamente porque a escolha final ficou sob as mãos de Genevieve e ninguém poderia discordar – e o dia passou bem rápido.

– Você estava bem animado hoje – Lena acompanhou o meu passo enquanto os grupos se dividiam em pedaços passando pelas vitrines – Eu posso saber por que? – Ela me parecia mais calma.

– Eu não tenho certeza – Enfiei as mãos nos bolsos do casaco – Não sei se posso contar.

– Tem haver com a Laura não é?

Eu concordei e a escutei suspirar.

– Vocês estão tão bem assim?

Aquilo me fez rir.

– Não estamos nada bem.

Ela franziu o cenho.

– Não vai deixar de ser meu amigo se virar amigo dela vai?

Eu neguei e ela pareceu mais aliviada.

– Por que acha isso?

Ela deu de ombros desviando o olhar.

– Uma sensação ruim.

– Não fique pensando nessas coisas – Eu voltei a olhar pra frente – Você ainda tem um baile pra supervisionar.

Ela riu.

– Keira convenceu a diretora a nos dar mais uma semana,ela está planejando a decoração.

– Eu deveria me sentir mal por ela estar fazendo iss sozinha?

– Sim

Eu soltei um riso abafado.

– Você me parece estar lidando bem com tudo que aconteceu.

Ela encolheu os ombros.

– Se você resolve ocupar a mente com outra coisa completamente fica um pouco mais fácil.

Notas finais
JURO que a parte do book rosa da Laura não tem nada a ver com a novela! Eu não sei, porque não assisto novela, mas parece que está passando/ou já passou uma novela chamada verdades secretas na Globo e que esse é um dos temas principais da novela. EU NEM FAZIA IDEIA, JÁ TINHA ESCRITO ESSA PARTE quando fui consultar um amigo e ele me perguntou se eu me inspirei na novela, eu fiquei tipo, "o quê? novela? como assim?" até ele me falar. Eu fiquei tentada a resolver criar outra história pra Laura, mas ai eu teria que refazer todos os planos que eu já tinha sobre ela e os outros personagens. Bom, eu ainda estou escrevendo o próximo então não sei quando exatamente eu posto - minhas aulas segunda que vem, por isso vou tentar ser rapida - qualquer errinho me avisem please :3 Esperam que tenham gostado tanto quanto eu gostei.