Jovens - Interativa
10 Capítulo 10 -
Notas iniciais
Jovens — Interativa / Capítulo 10 —
*-*
POV Keira Tanaka Lee
Com toda e absoluta certeza a parte de português no curso de Direito era a pior parte. Ter que ficar memorizando todas aquelas conjunções e definições simplesmente acabavam com o meu dia e meu animo.
Então quando o sábado finalmente chegou, foi um alivio dormir até um pouco mais tarde. Se não fosse pela batida insistente na sala, eu não teria levantado antes do almoço. E é claro que eu já sai de meu quarto xingando, Logan se encolheu enquanto eu gritava para ele jogar a maldita bola em outro lugar.
Eu não estava nem ai se Dae me olhava completamente surpreso, Helena revirava os olhos na cozinha como se fosse algo comum,e seja lá mais quem estivesse ali presente. Eu só queria deitar e dormir até a segunda feira de manhã.
O quanto antes eles saíssem para fazer qualquer coisa, melhor para mim.
*-*
POV Michelle Parker
Não que eu não gostasse de futebol. Eu não tinha nada contra, assim como não tinha nada a favor. Nunca tive um real interesse pelo futebol, por isso, quando me sentei na arquibancada de frente para o campo — mantendo uma certa distância — enquanto um time não sei da onde treinava, eu consegui me concentrar bem enquanto fazia algumas composições para as aulas de segunda.
Tinha algumas outras garotas, alguns degraus abaixo de mim, totalmente em focar a atenção dos garotos que jogavam nelas. Eu revirei os olhos, tanta coisa importante pra fazer. Onix e Lydia haviam ido a casa de Onix para passar o dia por lá, então, tecnicamente, eu estava sozinha por enquanto.
Foi só quando senti minha barriga reclamar por comida pela milésima vez que eu ergui o rosto para olhar a volta foi que percebi que passara mais tempo ali do que imaginara.
Estivera tão focada em encaixar as notas que nem me dera conta de que já estava sozinha. Os 'jogadores' haviam se dispersados com suas 'lideres' e eu ficara para trás.
Suspirando, amontei a infinidade de folhas, as colocando em meio aos cadernos de maneira relaxada e enfiando de qualquer jeito dentro da bolsa. Colocando apenas uma alça, eu desci de forma apressada, até notar um reboliço fora do comum em meio ao patio.
Curiosa, eu me aproximei, ignorando os protestos da minha barriga, quando minha boca encheu d'água com o cheiro do pão de queijo do outro lado da rua. O fato era que, o grupo de calouros que participara do jogo de boliche outro dia fizera uma roda com umas duas ou três pessoas a mais que eu não conhecia e estava acontecendo um jogo de verdade ou desafio.
Só o pensamento me fez subir um frio na espinha, dificilmente havia coisas boas que não fossem constrangedoras em jogos como aqueles. Minha barriga protestou outra vez, mas eu estava tentada a ficar.
A garota que tivera a ideia louca de tirar a roupa girou a garrafa de plastico vazia, todos os olhos em volta atentos. Tive uma sensação estranha, me arrependendo de ter aberto caminho para ver melhor o que estava acontecendo.
Caiu em um rapaz que simplesmente não conseguia parar de sorrir. Prontamente dizendo Desafio, ela sorriu de forma maligna, os olhos passando de forma lenta e curiosa na multidão em volta, como se procurasse uma vitima. ela passou por fim, mas tão rápido que a minha alegria surgiu ela se desfez quando ela voltou a olhar para mim.
Eu ajeitei a mochila no ombro, com o cenho franzido, em uma batalha interna, sobre sair dali naquele exato momento ou não. Com as conversas a minha volta, eu não entendi ao certo o que ela disse, mas quando ele se virou para mim, seus olhos pareceram faiscar em alegria.
Ele se levantou, e eu confusa recuei um passo. Aquilo não estava cheirando a boa coisa. Mas antes que eu me virasse louca para sair dali e tirar os olhares curiosos no meu rosto, ele colocou um dos braços em volta do meu ombro.
Eu gelei. Simplesmente gelei.
– Isso é facil! — Eu podia sentir o tom de brincadeira em sua voz, mas não fui capaz de me mover, ou tão pouco reagir. Eu virei o rosto pra ele, certamente eu estava tão vermelha quanto um tomate, e quando abri a boca para perguntar — surpreendentemente eu consegui fazer isso, ou pelo menos tentei — o que ele raios iria fazer já era tarde demais.
Antes que eu pudesse saber o que ele iria fazer, ele uniu seus lábios aos meus. Houve alguns gritos, de algum lugar, que eu já não sabia aonde. Eu não sabia o que estava acontecendo. Eu não sabia o que estava/estavamos/ ele estava fazendo. Eu podia sentir a doçura por parte dele, nada forçado, nada desesperado, nada obrigatório.
Sem que eu notasse a mão que estava em me ombro estava em minha cintura, em um toque gentil, com certeza, como se ele previsse que eu poderia desabar a qualquer segundo. Quando seu rosto se afastou do meu, nem parecia que havia acontecido alguma coisa, o sorriso brincalhão parecia grudado a sua face assim como o brilho nos olhos.
Eu levei a palma da mão a boca, completamente desesperada, eu não tinha ideia do que fazer, como fazer, pra onde ir, que lado era a saída? Ele olhou para a garota geniosa, me puxando para um abraço de lado ele murmurou algo que eu não consegui captar.
Eu mantinha a mão sobre a boca, eu ainda podia escutar alguns gritos e exclamações contentes, a garota sentada no chão agora estava com os braços cruzados, o olhar da esperteza fixo no meu rosto, como se ela soubesse de tudo que se passava na minha cabeça.
O meu primeiro beijo havia sido roubado.
*-*
POV Israel Davis Callen
Mesmo sendo sábado, eu não tinha condições de ficar no apartamento escutando o papo das garotas. Eu estava ansioso — sem saber muito bem o porquê — mas sabia que queria beber.
A tentação era enorme, eu chegava a pensar que um gole ou dois apenas não faria diferença desde que não passasse disso, mas eu sempre me repreendia, não estava a fim de levar outro sermão por parte de Helena.
Mesmo tendo passado da hora do almoço, e eu tendo almoçado, eu comia qualquer coisa que me surgisse, a fim de esquecer as memorias sa sensação do álcool me descendo a garganta.
Eu bufei, murmurei, e xinguei mentalmente Helena. Eu me sentia em uma prisão proibido de ver o sol, quando tudo o que eu precisava era de um pouco de luz. Enjoado de dar voltas na universidade, e tentando evitar qualquer lugar que vendesse álcool — que parecia haver para todos os lados — me veio a ideia de passar no apartamento de Helena, mas a ideia de Logan estar lá para me importunar fazia eu descartar a ideia toda.
Eu não tinha nenhum lugar para ir. Essa hora não haveria ninguém no AP de Dorian e Brandon estaria ocupado se entretendo com alguma garota. Enjoado, e sentindo a exaustão em minhas pernas pela caminhada sem fim, eu me sentei em uma mesa do lado de fora de uma sorveteria. Pedindo apenas uma agua — que eu não beberia — para não fazer desfeita a moça, só em restava observar as pessoas andando na calçada.
Vi alguns rostos familiares, mas nenhum realmente importante com quem eu pudesse conversar. Uma sensação de melancolia me atingiu. Droga. Eu precisava beber.
*-*
POV Genevieve Cotterill
Estava escurecendo de forma rápida. Eu passara a tarde fazendo algumas lições, mas no momento eu estava deitada na minha cama com os fones de ouvidos explodindo de tão altos em meus ouvidos.
Helena entrou no quarto, tão sorridente que parecia prestes a se casar. Ela acenou, apontando para as orelhas eu suspirei enquanto me sentava, parava a música no celular e tirava os fones. Erguendo as sobrancelhas enquanto ela se sentava na cama da frente, uma alegria quase contagiante,
– Tem um grupo de alunos lá na Sammy que as vezes faz uns jogos diferentes no decorrer do ano.
Eu maneei a cabeça para o lado como se perguntasse "E?" Ela entendeu perfeitamente e seu sorriso pareceu se alargar, se é que era possível.
– Eles não ligam para modinhas, então eles convidam que eles querem e eles vão fazer futebol de sabão!
Eu cruzei as pernas, ainda sem fazer nenhum comentário.
– E adivinha quem foi convidada? — Eu podia tocar nas insinuações em sua voz.
– Você? — Eu ergui uma sobrancelha, um sorriso me escapando enquanto ela se jogava ao meu lado, o papel que eu nem notara em sua mão se abrindo.
– Também! — Exclamou, a coisa mais maioral do seculo — E adivinha quem também foi?
Eu franzi o cenho.
– Eu? — Peguei o papel caído entre nós duas.
Ela gargalhou alto, abrindo os braços para o alto.
– Eles só me convidaram uma vez, essa é a segunda! Logan está possesso por não poder ir, mas eu não estou nem ai!
E lá estava, o meu nome, e o dela. O quê?
– Você vai não vai? — Interrompeu meus pensamentos, a esperança em seus olhos era de uma garota a ganhar a primeira boneca. Me senti sufocada. — Você tem que ir, futebol de sabão é muito legal, muito bom, é sensacional, você vai gostar.
Eu olhei para o papel e em seguida para ela.
– Porque não... — Me escapou e ela gritou alto. Eu tapei o ouvido dolorido.
– Ficou louca?
– Você vai gostar! — Se levanto empolgada — Eu tenho tudo em mente, você vai ver.
Bateu a porta do quarto ao sair. Surpresa, eu me deitei com cautela, preparada caso ela voltasse do nada, colocando os fones um pouco mais baixos, meu olhar fixo na porta.
Futebol de sabão?
*-*
POV Raymond Goddard Steel
A minha cabeça estava doendo quando Gê me ligou tarde da madrugada com perguntas confusas sobre futebol, sabão, e não sei mais o quê. Eu não fazia ideia do que ela estava falando, estava com tanto sono, que apenas concordava conforme ela falava sem parar.
No fim, eu tinha que providenciar urgentemente um convite para um evento de uma turminha qualquer que ela ia. E eu nem sei porquê. Mas quando eu finalmente desliguei o telefone, foi um alivio jogar a cabeça sobre o travesseiro e ficar no escuro sem som algum
*-*
POV Jellal Thor Killer
– Por que você me parece tão animada irmãzinha?
– Me admiro como a mente do Merak consegue ser extremamente lenta as vezes.
Franzi o cenho, e aparentemente isso era algo bom do ponto de vista dela.
– A que se refere? — Arqueei uma sobrancelha. Quando Cris dava para ter ideias mirabolantes era praticamente impossível mante-la sob rédea curta.
– A última vez que caiu eu contra ele no jogo hoje de tarde.
Eu repassei o jogo mentalmente, e senti um arrepio me percorrer o corpo, depois do inesperado beijo dado por Merak Maximilliam em Michelle Parker a garota ficara tão desnorteada que cheguei a acreditar que ela desmaiaria ali mesmo.
Não foi surpresa que ela não esperava nada daquilo, ela deixara bem claro, mas ainda assim, não via nenhuma vantagem que aquilo pudesse arrecatar para Cris.
– O que eu perdi? Não aconteceu nada demais — Dei de ombros.
Cris riu, com Cass e Merak entrando no apartamento com as sacolas com comida ela se levantou de forma alegre, passando o dedo por minha nuca enquanto dava a volta no sofá, ela parou atrás de mim, as mãos apoiadas em meu ombro, o cabelo lhe escorrendo por um dos lados do rosto.
– Foi o primeiro beijo dela — Sussurrou.
Ótimo. Perfeito. Pelo fato de ter uma irmã mais nova, eu sabia o quanto essas coisas eram importantes pras garotas. Minha irmã havia enlouquecido de vez. Eu virei rosto em sua direção, com a intenção de olhar em seus olhos e ter certeza que ela não estava mentindo pra mim, balançando a cabeça me afirmativo, eu soube que ela estava certa.
Kaike saíra de seu quarto, ignorando o olhar de furia que ganhou de Cris se encaminhou a cozinha a fim de ajudar com as sacolas, o cheiro da comida havia impregnado o lugar.
Merak cometera a burrada, e pelo visto eu teria que limpar a barra dele. Afundei o rosto por entre as mãos, tinha que bolar um plano de pedir desculpas a garota sem que ela me vaiasse e mandasse eu dizer a Merak a permanecer, pelo menos, a dez mil metros de distância dela.
*-*
POV Cassandra Alexa Materazzi
O domingo estava uma completa loucura. Completa loucura. Jell havia saído logo pela manhã com a desculpa de "assuntos para resolver" e sua pressa foi tão grande que não houve tempo para nenhum de nós fazer perguntas, o que provavelmente era o que ele queria.
Cris e Kaike discutiram feio durante o café da manhã, e ela saíra pisando duro esbravejando que não precisava de segurança, e eu preferi não perguntar o que raios ela queria dizer para Kaike. Este, que esperou uns vinte minutos antes de sair, Kaike as vezes era tão reservado que não se dava ao trabalho de explicações, então eu não fazia ideia de onde ele poderia estar.
Restando somente a mim e Merak, nos ficamos calados por um tempo, sem saber o que fizer ou o que fazer. Até que ele teve a 'extraordinária ideia' — ele mesmo considerava a ideia incrível — de querer fazer uma festa. Não só uma festa, uma festa na piscina.
Não sei de onde Merak tirava tanta energia para planejar essas coisas, ele estava certo de que isso resolveria as coisas entre todos, e olhando o calendário, marcamos para dali a duas semanas.
Ele contava tudo o que poderia ter, e eu com dificuldade tentava acompanhar e anotar tudo. Aquilo não seria nada fácil, e eu não sei muito bem o porque de ter concordado em ajuda-lo. Merak estava tão contente com a própria ideia, que fez daquilo o tema do dia, me arrastando para cima e para baixo enquanto ele pensava em cada vez mais coisas.
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