Journey Into Trickery
12 Somewhere Only We Know - Parte Dois
Notas iniciais
Beijos saudosos e boa leitura!
Miranda refletia, furiosa, tentando entender como chegara aonde chegara, enquanto seguia Loki, subindo pelaz raízes de Yggdrasil.
Miranda crescera como uma adolescente perturbada e conflituosa, adotada por uma família que não a queria, apenas a juntara para si como um objeto, uma tentativa de fazer a paz econômica entre os poderosos nomes da fabricação de armas ucraniana e norteamericanos, durante uma época de certa fragilidade financeira. Passavam a imagem de pais solícitos e presentes, cobrindo-a com tudo que o dinheiro pudesse pagar de melhor, mas, entre quatro paredes, sempre foram negligentes e ausentes. Provedores, mas não pais. Miranda jamais escutara sequer um “eu te amo” daqueles que lhe diziam seus genitores, tendo sido adotada desde bebê.
Com o passar do tempo, envolvera-se com crimes, drogas, e todo o tipo de más influências dentro do folclore do adolescente desencaminhado. Não seguiu por um caminho sem volta apenas pela influência de Jimmy, seu único parente adotivo que a amava, e que tanto se esforçou para que ela pudesse extrair algo de bom de sua vida de aparências. E fora ele, justamente ele, quem perdera daquela maneira tão banal, sem que pudesse fazer nada para impedir, e sendo indiretamente responsável.
Miranda sabia que seu pai adotivo era estelionatário, fraudulento, corrupto e um dos braços chefes de uma empresa importantíssima dos EUA responsável pela produção e exportação de todo o tipo de material bélico possível. Sabia que o dinheiro que lhe pagava viagens, escola, faculdade e todo o tipo de sustento básico em geral era o mesmo enviado para financiar guerras em países subdesenvolvidos, e aquilo sempre a torturou por dentro. Desde muito pequena, especialmente pela fria rejeição que sofria, Miranda sonhava em ser independente de sua família, e das pessoas em geral.
Acabou por tornar-se uma mulher carente e insegura, incapaz de assumir compromissos em quaisquer esferas de sua vida, saindo de um trabalho para o outro, abandonando projetos, tendo também certo fascínio inegável pelo submundo e por agir fora das regras. Sabia que era assim que o mundo funcionava, e que dificilmente as coisas seriam mudadas. E era por esse, além de outros motivos, que acreditava em ideais anarquistas, duvidando de que o ser humano fosse capaz de algo que não seus próprios desejos egoístas, com raras exceções.
Ao mesmo tempo, foi forçada a sofrer amarguras quando muito jovem, situações que crianças geralmente não costumam ter de enfrentar, e, por isso, desenvolveu capacidades incomuns a muitas pessoas de sua idade. Teve diversos homens, porém jamais um relacionamento sério. Tinha a sabedoria das ruas, e a esperteza de quem conquistou alguns poucos objetivos com as próprias pernas, mas também tinha a maturidade emocional de uma adolescente, e a negação e sublimação lhe eram os melhores subterfúgios para tudo que lhe pudesse trazer qualquer tipo de angústia.
E como se não bastasse tudo isso, conhecera, há um mês, um deus nórdico que lhe tirara o equilíbrio, por diversas vezes. Um homem frio e quente, cruel e sensível, astuto e até mesmo ingênuo, como ela, a respeito de alguns aspectos da vida. E, com ele, conheceu literalmente outros mundos, estando, naquele momento, presa a uma realidade totalmente desconhecida, dependente das palavras dúbias e ações inconclusivas de Loki Laufeyson, o deus da trapaça.
“Deusa do sexo”... Aquilo era enervante. Miranda sentia-se dividida entre o totalmente perplexo sentimento advindo da falta de dificuldade de Loki de dizer-lhe tamanha provocação, depois de tudo o que passaram, e o completamente enfurecida pelo significado de suas palavras. Era impressionante. Sabia que se tratava do deus da trapaça, e que era este seu “companheiro” de agora – ou coisa que o valha – mas aquilo estava, de fato, começando a sair de seus limites, que eram visivelmente um tanto elásticos.
Fora de uma terra de contos de fadas, mística e etérea, como Ljusalfheim, ao mundo subterrânea da morte, em Helheim, passando por perigos inimagináveis e incalculáveis, capazes de fazer o mais valente guerreiro nórdico tremer dos pés a cabeça. Mas ela sabia que havia algo que a motivava, que a fazia colocar um pé na frente do outro, às cegas, e seguir, contrária a razão e o bom senso, o deus reconhecido por todos como o mestre da mentira. Se pudesse calcular os riscos, provavelmente tomava decisões suicidas uma atrás da outra. Mas algo em sua intuição a impelia a continuar. Poderia ser a sensibilidade e percepção maiores que o sopro de Hela lhe conferira, aumentando todas as suas habilidades possíveis, ou algo a mais, diferente, similar ao que sentia quando estava com Jimmy, mas ao mesmo tempo totalmente contrário àquilo...
“– Freya... É a deusa do sexo.”
Filho da puta. Miranda inspirou e rangeu os dentes com a lembrança vívida do que ele lhe falara minutos atrás, e continuou a escalada que fazia pelas raízes de Yggdrasil, seguindo Loki. Sentia-se estúpida, submissa e idiota por tudo o que fervilhava dentro de si, como um corpo febril e delirante, mas também sinceramente percebia não ter outra escolha. Se ficasse para trás, depois de todo o jogo que armaram, poderia ser muito mais perigoso do que acompanhá-lo, que conhecia aquelas terras, todos aqueles Nove Reinos, seus líderes e seus interesses.
Isso não vai ficar assim. Não dessa vez. A raiva que sentia naquele momento era tanta, que Miranda adivinhava que estava a um passo de cometer uma loucura, que provavelmente resultaria em uma burrice sem tamanho. Mas, ao mesmo tempo, sabia que ele merecia. Não aguentava mais seguir sua liderança como um cordeirinho adestrado, aquilo não era ela. Aos poucos, sabia estar ganhando mais força, conhecendo melhor a si mesma, suas capacidades, e até onde ia o limite dos poderes lhes concedidos por Leah. No momento em que Miranda tivesse os conhecimentos necessários, ela poderia ser uma ameaça até para Loki.
E ela sabia, sabia sem que ele lhe tivesse dito, ou até mesmo demonstrado. Sabia ainda que ele magistralmente conseguisse esconder muito bem. Miranda estava certa de que ele não estava sendo honesto com ela, e provavelmente jamais seria. Sabia que ele a estava usando, embora, depois daquele juramento, aquilo tenha abalado suas estruturas. Miranda estava a um ponto de desistir e voltar para Midgard, quando Loki praticamente lhe declarou toda a estima que sentia por ela. Porém, após esse gesto, continuou agindo friamente, e ainda mais distante, tratando-a as vezes como se fosse um mero objeto, como ela estivera tão acostumada a fazer com os homens que passaram por sua vida, mas falhava miseravelmente em reproduzi-lo com o maldito deus da trapaça.
Ao mesmo tempo que aquilo a machucava, ela não se sentia surpresa. Não esperaria coisa diferente, quando nem ela mesma conseguia ser honesta consigo, quanto mais para outra pessoa. E, mais uma vez, constatava, de maneira melancólica, o quanto eram parecidos...
A jovem moça sentiu sua mão escorregar perigosamente quando tocou uma superfície mais plana, pouco íngreme, indicando que o caminho de subida havia finalmente acabado. Tateou até encontrar segurança, e firmou-se para cima, sentindo seus músculos rígidos pelo esforço, porém sem aparentar cansaço. Ainda se surpreendia com a resistência que Hela havia lhe dado, por meio do gesto de sua aprendiz.
Loki caminhava mais a sua frente, seguindo aquela espécie agora familiar de túnel que sabia se conectar entre Yggdrasil e um de seus Nove Reinos espalhados por suas raízes. Miranda piscou os olhos, levemente abobalhada, encarando-o de costas, a bainha de suas vestes medievais esvoaçando com leveza, as quais Miranda transformara a partir da capa discreta e marrom escura de viagem que ele usara anteriormente. Seus olhos subiram de seus pés que caminhavam firmes e silenciosos, subindo por suas pernas, suas costas, e seus cabelos negros agora um pouco mais compridos desde que se conheceram. Vendo-o assim, dando-lhe as costas, fez-lhe sentir um forte aperto no coração, e uma sensação horrível de imobilização. Como se subitamente uma força invisível imputasse-lhe um peso enorme no peito, impedindo-a de se mover. A simbologia daquele gesto, para o infortúnio de Miranda, lhe atingia profundamente.
Ela engoliu em seco e comprimiu um suspiro, e continuou seguindo. Abaixou o rosto para encarar seus pés, e depois levantou-o, fechando os olhos e forçando um sorriso, para em um pinote apressar o passo e dar um forte tapa na nuca de Loki, que voltou seus olhos verdes indignados na direção da mulher. Faria o papel, até que pudesse parar de fazê-lo. Seria a perfeita sonsa, até alcançar o momento que desejava.
– O que pensa que está fazendo? – O deus da trapaça sibilou, irritadiço, e Miranda apenas deu-lhe seu clássico sorriso debochado e continuou silenciosa, assobiando para fingir descontração.
Miranda deixou escapar um discreto sorriso triste, e reparou que o gesto não passou despercebido aos olhos de Loki, que brilharam por um segundo em uma expressão de preocupação.
Ela sorriu naturalmente, sem planejar, e sentiu seu peito ser invadido por uma gostosa lufada de calor, como uma brisa morna de verão.
Estou tentando, Loki. Tentando até o final.
***
Enquanto caminharam, Miranda insistira em fazer perguntas incessantes a Loki para poder mantê-lo ocupado em respondê-las, mesmo que a contragosto, enquanto formulava um melhor momento para poder, finalmente, parar e ter um tempo para colocar a cabeça no lugar. E essa merda que eu tenha acima do meu peito.
Guardava metade de sua atenção para fazer seus típicos gestos de deboche e provocação, para que o deus não desconfiasse de suas reais intenções, e ouvia as novas informações que ele lhe promovia, chegando à conclusão de que não poderia ter escolhido melhor momento para finalmente tomar alguma atitude.
– ...Os vanires são deuses da fertilidade e da prosperidade, enquanto os aesires são deuses bélicos. – Loki disse, levemente desinteressado, respondendo a uma das perguntas de Miranda.
– Deuses bélicos? – A jovem moça disse, mais para si mesma do que para ele. Mas que bela coincidência. Miranda pensou, ironicamente.
– Apesar da tolice pacifista, os vanires são dotados de um conhecimento profundo das artes mágicas, de modo que sabem também sobre o futuro. – Loki falou quase desdenhando. Futuro? Pera, aqui também rola adivinhação? Miranda sentiu seu coração acelerar, preocupada.
– Freya chegou a ensinar para alguns aesires a magia da adivinhação. É um tanto complicada. Para ela, flui naturalmente, considerando que é um de seus dons específicos. Freya pode adivinhar acontecimentos futuros quase com precisão exata, mas algumas vezes suas vidências erram. Não é um dom que Hela detenha, mas sim que tenha aprendido posteriormente. – Loki olhou significativamente para Miranda, seus olhos verdes fuzilando-a, como se perguntasse silenciosamente se ela havia entendido o que ele insinuara.
– Espera... Quer dizer que você acha que eu... Minha alma... Meu corpo... Meu ser, sei lá como se diz, não recebeu apenas o toque de Hela quando eu nasci? – Miranda piscou os grandes olhos cor de mel algumas vezes, enquanto franzia suas sobrancelhas, tentando raciocinar por toda aquela lógica etérea.
– Eu ainda não faço ideia de onde vêm algumas habilidades suas. – Loki disse, enquanto se aproximava imperceptivelmente, como se, encarando-a mais, pudesse entender melhor tais mistérios. – Antes da intervenção da aprendiz de Hela, você já tinha certas... Peculiaridades. – Algo no tom insinuante com o qual Loki dissera aquilo, além de sua evidente curiosidade, fez Miranda sentir uma pontada de desejo espalhar-se pelo seu baixo ventre. Ela engoliu em seco, sem entender porque aquilo, com ele, sempre acabava por deixar-lhe um tanto tímida. Aproximou-se mais, semicerrando os olhos, e viu as íris verdes do deus da trapaça escurecerem, enquanto seus lábios aproximavam-se por instinto, mutuamente, em um movimento já natural para ambos.
Quando quase se tocaram, Loki pareceu despertar de algum tipo de sonho, e levou a mão esquerda ao rosto, virando-se de lado displicentemente e continuando a andar, como se nada houvesse acontecido.
Apesar de frustrada pelo desejo não realizado, Miranda sentiu-se um tanto triunfante. Isso pode ser qualquer coisa, menos indiferença. Sabia que aquele gesto não fora calculado, e, se Loki a estava evitando, ao mesmo tempo que queria mantê-la perto de si, arriscando a própria pele em juramentos inquebráveis, havia algo ali ainda por ser explicado. Ela poderia estar se tornando apenas mais uma vítima da sua teia de mentiras, mas, talvez, quem sabe...
– Mesmo com alguns conhecimentos deveras notáveis, os vanires eram também praticantes da endogamia, chegando a extremos como relações incestuosas, algo reconhecido desde sempre pelos aesir como uma aberração. – Loki continuou seu discurso sobre os habitantes de Vanaheim como se nada houvesse acontecido.
Miranda comprou a atuação. – Tipo os Targaryen, família de doidos. É foda, a pessoa cai nessa nojeira de incesto e aí dá nisso, filhos malucos, com mania de grandeza, que acham que são até deuses do sexo. – A jovem moça fez a provocação carregada de veneno, e Loki soltou uma risada sem som, sorrindo enviesado.
– Não apenas os vanires têm mania de grandeza, talvez venha a descobrir isso. – Loki disso debochado.
– Sem dúvidas, também os aesires e até outros povos... Até mesmo alguns gigantes de gelo não tão altos assim. – Miranda rebateu a insinuação ferina a respeito de Freya feita por Loki com um sorriso inocente no rosto, equiparando-se a ele em termos de descaramento.
Loki voltou o rosto para ela lentamente, como um predador que se prepara para dar o bote.
– A megalomania não é exclusividade dos deuses. Até mesmo seres inferiores são capazes de tolamente considerar-se relevantes e esquecer-se de sua própria insignificância. – O deus parecia uma víbora cravando os dentes em sua presa, liberando todo o seu fel.
Ignorando a pontada de dor interna que sentiu, Miranda usou de sua velocidade agora ainda mais surpreendente, movendo seus braços para conjurar um campo de força tão amplo que chegou a isolar também o som em volta dela. Em segundos, atirou Loki metros atrás de si, como se não pesasse mais que uma pluma, caindo com estrondo de costas no chão terroso do túnel para Vanaheim.
– E mesmo os deuses se esquecem de que até as peças mais humildes podem ter vontade própria. – Miranda debochou do discurso ferino de Loki, e, dessa vez, foi ela a virar-lhe as costas e seguir para Vanaheim.
Após caminhar por algum tempo, voltou-se para trás e viu Loki se levantando, devagar. Esperava raiva, irritação e até mesmo desprezo na expressão que veria em seu rosto, mas foi surpreendida.
Loki sorrira-lhe, como se estivesse verdadeiramente satisfeito e divertido. Encarava Miranda com certo brilho nos olhos, como se sentisse orgulho por algo. Talvez estivesse só esperando alguma manifestação de poder de minha parte.
– Eu proponho um acordo de paz. Ao menos até a próxima situação de perigo. – o deus da trapaça debochou, levantando as mãos em um gesto de rendição.
– Eu aceito. – Miranda sorriu, por algum motivo lhe parecia muito fácil não nutrir rancor por ele, o que era um tanto perigoso. – Mas devo lhe avisar que situações de perigo são comuns quando se está viajando ao lado de uma mulher. No mínimo sete vezes ao mês.
Loki riu discretamente, e finalmente seguiram viagem sem mais interrupções.
***
O túnel até a entrada de Vanaheim não era muito extenso, e Miranda calculou terem alcançado as fronteiras de tal Reino no decorrer de três horas de caminhada. Assim que saíram da passagem estreita, a mulher olhou para trás e deixou seu queixo cair levemente.
A entrada de Vanaheim, aquele túnel escondido em meio as mais altas raízes de Yggdrasil, levava a uma saída magnífica, nas raízes de uma montanha imponente e repleta de árvores e densa flora, que parecia se estender da esquerda para a direita até as raízes do horizonte, como uma lindíssima muralha natural.
Virou-se para frente, pensando em comentar sobre a exuberância daquela paisagem com Loki, quando se sentiu ainda mais atônita e encantada.
Abaixo de um céu azul, vibrante e límpido como de um dia de verão apesar de estarem em meados de novembro, campos verdejantes espalhavam-se até onde a vista alcançava, divididos entre pastos e pequenos lagos de azul cerúleo. A grama era verde clara, banhada pelo sol morno e agradável, abençoando também as pétalas de todas as cores que deitavam-se e desabrochavam em júbilo por um mar de flores campestres. Havia uma pequena estradinha de terra cortando aquela terra próspera e pastoril, da qual fluía prosperidade e fertilidade por cada um dos seres e detalhes que ali se apresentavam.
– Eu... Retiro tudo o que eu disse sobre Ljusalfheim. Aquele lugar acaba de ser humilhado em todos os pontos. Isso daqui, isso daqui é que é o Condado! – Miranda sorriu largamente, e nem sequer parou para esperar a reação do deus ao seu lado.
Correu pela estradinha, largando seus sapatos pelo caminho, sentindo descalça a terra, para depois avançar por sobre a grama, correndo o mais rápido que podia, rindo abertamente enquanto o fazia.
– Eu me sinto uma princesa da Disney! – Miranda gritou, enquanto abria os braços para abraçar a si mesma toda aquela paisagem magnífica, pulando e girando com alegria.
Correu uma última vez, soltando risadinhas infantis, até alcançar um daqueles lagos que vira à distância. Tocou as próprias vestimentas, sentindo que a capa já surrada de viagem que utilizara por tantos dias não serviria mais ali. Imaginou-se em um vestido branco, suave, aberto e decotado, como de uma princesa de contos de fadas, enquanto sorria languidamente. Manteve-se tocando suas vestes, e, em segundos, transformou-as no que imaginara.
Em seguida, levantou a bainha da saia do vestido, e levou os pés até a água do pequeno lago. Sentiu alguns peixes afastarem-se à aproximação de seus pés, e riu gostosamente, jogando seus cabelos para trás, e, finalmente, olhando para Loki.
O deus continuava parado no mesmo ponto em que estivera, parecendo encarar Miranda há muito tempo. Ela abaixou seus olhos, sentindo-se corar pela intensidade de seu olhar verde, como se perscrutasse seu íntimo. Ao desviar o olhar, terminou vendo seu próprio reflexo na superfície do lago. Quase não se reconheceu, não com aquela expressão de afeição estampada em sua face.
Alguns segundos depois, sentiu conhecidos longos dedos tocarem seu queixo, forçando-o a levantar-se na direção de quem o puxava delicadamente, porém com firmeza. Miranda não pôde evitar sorrir, novamente, sentindo-se tola além das esperanças.
– Pare de me irritar. – Loki sussurrou, os lábios entreabertos, seus lindos verdes olhos passeando pelo rosto e corpo de Miranda, e voltando-se sérios para mergulhar nos grandes olhos cor de mel dela. Passou, em seguida, os dedos pelo rosto de Miranda, puxando-a para mais perto, pela cintura, com a sua outra mão, até que seus corpos se tocaram, seus rostos a centímetros de distância. A intensidade da admiração contida nos olhos do deus era inegável, como se ela fosse algo precioso, a se cuidar, a se zelar por, deixando Miranda quase sem reação. Ela podia ler seus pensamentos, quase imaginando sua voz dizendo o que deixara implícito: “pare de me irritar, será difícil brigar com você se estiver tão bela assim”.
– Pare de me dar motivos para te irritar. – Miranda debochou, usando da expressão que sabia abalar o deus da trapaça, semicerrando seus olhos languidamente, e sorrindo-lhe seu sorriso mais sensual. Loki respirou fundo, e a beijou com afã. Enquanto suas bocas se entrelaçavam, Miranda-se se sentiu mais desejada e ainda mais bela do que toda a paisagem idílica de Vanaheim.
***
A tarde já caía quando finalmente alcançaram uma aldeia camponesa das terras do Repouso dos Vanires, a qual o deus da trapaça lhe explicou ser povoada por habitantes simples, sem poderes, similares aos midgardianos, exceto pela longevidade. Miranda reparou em algumas casas simples, feitas com pedras cinza-claras e de telhados de palhas presas firmementes umas as outras, estendendo-se por uma colina na qual havia uma extensa horta e alguns animais pastando. Parecia uma espécie de comunidade, pacífica e agrícola.
– Não tem amishs por aqui, tem? – Miranda perguntou, levantando a sobrancelha. – Não quero ter que ficar batendo manteiga e apanhar de cabo de vassoura porque estou usando decote.
Loki ignorou o comentário da mulher, que deve ter lhe parecido sem sentido, e ia começar a dar-lhe instruções. Miranda fingiu escutar obedientemente, quando viu uma figura feminina, gorda, baixa e aparentando certa idade, de cabelos grisalhos compridos caindo-lhe as costas, sair por uma das casas. Apesar da aparência longeva, a mulher de idade parecia forte e disposta. Sem que o deus sequer pudesse imaginar suas pretensões, ela saiu correndo, deixando Loki para trás, sem reação.
– OLÁ! – Miranda gritou, sabendo que teria de ser rápida. – OLÁ, SENHORA! BOA TARDE! – A moça gritava, sinalizando como uma desvairada à distância, aproximando-se rápido cada vez mais. Aos poucos foi reparando nos traços da idosa, que a encarava sem compreender, porém aparentemente inofensiva.
– Boa tarde... – A camponesa respondeu, carregando um balde cheio de água em uma de suas mãos.
– Posso ajudá-la, senhora? – Estando agora mais perto, Miranda usou de todo seu charme para apresentar boa vontade para com a idosa.
– Bem, estou acostumada, mas seus braços jovens seriam bem-vindos, devo admitir. – A velhinha sorriu simpática. Por Odin, será que todos aqui têm sotaque inglês? O que será que eu devo presumir disso?!
– Será um prazer. – Miranda tirou com educação o balde das mãos da idosa, que a guiou até o estábulo, onde haviam cavalos e outros animais para alimentar e dar de beber. Enquanto caminhavam, a jovem moça olhou para trás, em direção a Loki, que a fuzilava com o olhar, e sorriu-lhe provocativamente.
– Está de passagem, minha jovem? – A idosa puxou conversa, e Miranda rapidamente formulou alguma razão para estar ali que não a verdadeira.
– Sim. Eu e meu noivo – ao dizer tais palavras, Miranda sentiu-se corar, apesar de ter plena ciência de que não passava de uma invenção dela mesma – somos servos em Folkvang, cuido dos jardins de Freya junto a outras ninfas, enquanto meu noivo é músico, toca lira e outros instrumentos em seus banquetes.
– Se me permite perguntar, querida, onde está ele? Procurando algum lugar para passar a noite? Se precisarem de hospedagem, há um segundo andar em minha casa no qual posso hospedá-los, arranjarei leito e comida em agradecimento a sua ajuda. – A velhinha sorriu alegremente e Miranda sentiu seu coração comprimir com tanta doçura. Nem só de malucos e filhos da puta se fazem esses Nove Reinos.
– Era exatamente isso o que ele estava fazendo. – Miranda disse quase debochadamente, mas a idosa nem pareceu ter percebido, por sorte. São tão fofos que são imunes ao sarcasmo. – Agradeço muito. Se precisar de mais ajuda, posso auxiliá-la em pagamento.
– Não há o que pagar, querida. Moro sozinha com meu marido, será bom termos companhia. – Ela sorriu enquanto Miranda terminava de despejar a água do balde para o último animal do estábulo. – Minha jovem. Acho que você é uma ninfa da primavera. – A idosa disse, sorrindo-lhe misteriosamente.
– Como? – Miranda não entendeu, e sorriu-lhe em resposta, com polidez.
– Estamos em meados de novembro, e, curiosamente, esta manhã tive uma farta colheita. Sei que sabe que o inverno não alcança as nossas terras da maneira como o faz em outros Reinos, mas tamanha boa sorte é algo... Raro. – A idosa continuou a sorrir da mesma maneira. – E olhe para baixo, querida.
Miranda seguiu o que foi pedido, e observou, em meio a terra não coberta totalmente por palha, um trevo de quatro folhas abrir-se aos seus pés.
A jovem sorriu, enquanto a idosa a encarava com certa doçura. Miranda sentiu suas mãos serem tocadas com delicadeza pela senhora, e sentiu o calor de suas mãos ser passado para ela, como se, por aquele gesto, a idosa a estivesse embalando, como a uma criança.
– Meu nome é Boann, querida. E o seu? – Ela parecia realmente interessada, como se aquilo pudesse definir algo a acontecer.
– Miranda. Chamo-me Miranda. – Por alguma razão, ela sabia que aquela senhora era confiável.
O dia se seguiu sem maiores dificuldades, e, após uma breve discussão com Loki, o deus da trapaça por fim aceitou, a contragosto, necessidade de descanso e comida por parte de Miranda, depois que ela o ameaçou dizendo que reagiria histericamente. Haviam passado por poucas e boas sem haver nenhum repouso decente nesse ínterim, e ela aproveitaria ao máximo aquele contato maternal com a velhinha calorosa que conheceram.
Ajudaram a idosa em seus afazeres campestres, colhendo algumas frutas do pomar, alimentando os animais e outras tarefas, enquanto Miranda se divertia vendo a idosa, ingenuamente ou não, agindo de maneira amável com Loki, que evidentemente se constrangia e se desagradava. A jovem moça, porém, não deixou de pensar que, se a camponesa soubesse quem realmente eram, teria se ressentido amargamente.
De noite, jantaram junto da idosa e de seu marido, um senhor que aparentava idade semelhante, conversador e também acolhedor. Serviram-se de várias frutas, queijo, vinhos e cerveja, além de carne de frango, servida direto no osso, para o deleite de Miranda, que quase salivava de tanta fome. Loki mantinha-se polido e silencioso, e Miranda sabia que teria de ouvir muitas reclamações em pouco tempo, por isso aproveitava a companhia de seus anfitriões ao máximo.
Como sempre, Loki era um prodígio em mentir, atuando em seu papel como se realmente fosse a pessoa que dizia ser. Miranda ainda não havia se acostumado com aquilo, considerando o quanto poderia ser perigoso até para si mesma. O casal de idosos, entretanto, parecia encantado. Em pouco tempo, passaram a dar mais atenção a Loki, durante a refeição, por mais que ele fosse o que menos falasse.
Quando todos se deram por satisfeitos, o camponês idoso chamou Loki para que o acompanhasse para uma última cerveja a sós, na varanda na frente da casa, enquanto Miranda conversava com Boann, que lhe mostrava os aposentos na parte superior.
Ao subirem as escadas simples de madeira, Miranda agradecia, educada, por toda a gentileza dos dois, enquanto Boann mantinha-se silenciosa. Ao abrir-lhe a porta do quarto de hóspedes, Miranda viu uma pequena estatueta de um material de pedra branca, que não reconhecera, em formato de uma simpática vaca branca, acima de uma cômoda simplória. As paredes do quarto eram azuis como os lagos cerúleos que se dispunham perto dos pastos de Vanaheim. Ao despedir-se da senhora e agradecer-lhe, Boann deu-lhe um sorriso triste, e seus olhos também das mesmas cores dos lagos brilharam com doce melancolia.
– Vocês são almas quebradas. Porém boas almas, e feridas. Como um lago de grandes profundezas, na superfície, parecem escuros. Mas, para quem ousar banhar-se em suas águas, podem descobrir tesouros inimagináveis, aparentemente perdidos para quem não mergulhar fundo. – Miranda sentiu um arrepio ao ouvir tais palavras, mas não por medo, apenas por assombro. Como não percebera antes? Havia algo de diferente naquela senhora, não apenas sua aparência disposta, mas agora ela sentia...
...Havia também magia.
A velhinha novamente segurou suas mãos sem que a jovem mulher pudesse perceber seus gestos, e olhou fundo nos olhos, dentro de seus olhos cor de mel.
– Enquanto estiverem juntos, haverá esperança. Lembre-se disso. – Com a mesma rapidez com que segurou suas mãos, a idosa as soltou, e desceu as escadas, deixando Miranda sozinha a refletir.
Piscando os olhos em assombro, Miranda tentou entender as palavras daquela mulher. Como percebera tanto? Será que era também uma deusa? Mas Loki não teria conhecimento dela, se assim o fosse? Ou seria alguma outra magia, como a de Hela?
Sentiu-se subitamente culpada por pensar que os planos de Loki, talvez, pudessem vir a afetar aquela doce idosa, tão misteriosa como a metáfora que fizera, com os olhos cor de água. “Enquanto estiverem juntos, haverá esperança.” Lembrou-se, tão subitamente quanto.
Só posso concluir que tantas viagens estão me deixando literalmente ‘viajada’.
***
Acordou, deitada com a roupa que ela mesma transformara, uma camisola de seda negra, transparente e sensual, sem usar roupas íntimas, com a voz de Loki sibilante em seus ouvidos, e suas mãos fechadas firmes em seus punhos.
– Você tem ideia da burrice que acabou de fazer?! – O deus da trapaça mal controlava sua irada, quase rosnando para ela.
– É verdade, nem adiantou me produzir toda, se você chegou de TPM. Provavelmente vai dizer que está com dor de cabeça.
Loki fechou as mãos com mais força em torno dos punhos de Miranda, imobilizando-a ainda mais.
– Tem ideia de que é apenas uma questão de tempo até que os boatos de um casal de servos viajantes de Freya cheguem até ela? Não conseguiu entender quando eu disse-lhe claramente que ela tinha habilidades clarividentes? – Miranda sentiu um calafrio de medo, apesar de saber que Loki estava sem seus poderes, tamanha a frieza e a raiva controlada evidente em cada uma de suas palavras.
– Por que haveriam de chegar? Podemos ir embora amanhã, e ninguém saberá de nada. Além disso, não sei porque a Boann contaria alguma coisa. – Miranda tentou parecer displicente e sorrir debochada para Loki, mas, quando disse sua última frase, a expressão irada no rosto do deus foi substituída por uma de leve confusão.
– Boann? Como disse? – Ele pareceu atônito, por instantes.
– Sim, Boann, é o nome da velhinha fofinha e mística.
– Boann... – Loki deu uma leve risada, enquanto virou o rosto em direção a pequena estatueta da vaca branca, e também reparou na tonalidade azul das paredes. – Boann... É claro. Como não percebi antes. – Ele soltou os punhos de Miranda e sentou na beirada da cama de casal, passando uma das mãos em seus cabelos negros. Em seguida, voltou seu rosto para ela, uma expressão debochada e esnobe no rosto.
– Sua ignorância valeu ouro hoje, pequena. – Loki debochou, e Miranda franziu as sobrancelhas, irritada pela provocação.
– O que quer dizer? Vai-me dizer que jogava bocha nos finais de semana com ela, agora? Não me diga que você transo... – Loki interrompeu o fluxo de besteiras, com um gesto ríspido com as mãos, como se abanasse as palavras de Miranda para longe.
– É claro que não. – Sua expressão voltou à típica irritação arrogante de sempre. – Preciso lhe explicar tudo, não é mesmo? – Loki debochou, enquanto Miranda deu-lhe um chute de leve por baixo dos lençóis, enquanto ele riu de leve. Ela sentiu seu coração palpitar, a risada legítima de Loki sempre a deixava sem defesas. Parecia-se sempre com o garotinho esperto e encantador, o Loki do passado, que já encontrara em seus sonhos.
– Boann é uma entidade gentil e imparcial. Na sua cultura midgardiana, é erroneamente chamada de deusa, mas não o é, apenas detém certo nível de magia. Sua magia faz-se pela familiaridade que tem com a água, e também traz a fertilidade. É por isso que tem aquela pequena estatueta nesta cômoda. – Loki apontou. – O animal sagrado de Boann é este.
– Uma vaca branca para uma deusa da água? Inusitado. – Miranda debochou, se fazendo de sonsa propositadamente. Loki lhe deu um sorriso enviesado, como se lhe dissesse que não cairia na sua provocação.
– De qualquer forma... Acabou por nos ajudar, e muito. Boann não sai de seus territórios, e não se envolve nos conflitos entre os deuses. Se agora mora aqui, o que aconteceu neste dia não será sabido por ninguém mais do que ela e o marido. – Loki soltou um suspiro satisfeito, e deitou-se ao lado de Miranda, encarando-a sugestivamente. Agora, relaxado, parecia uma pessoa completamente diferente.
Miranda reparou em seu olhar passando de irritadiço para desejoso, daquela forma que a deixava tímida e excitada, ao mesmo tempo, sabendo o quanto ele a desejava. Em seguida, ele levou seus dedos compridos aos ombros da jovem moça, massageando-os levemente, para em seguida deixá-los descer pelo seu braço nu, causando arrepios em sua pele, levando-o a sorrir, satisfeito com o efeito que causava.
O deus deitou sua mão acima da barriga da jovem moça, sentindo o tecido da camisola, para em seguida entrar por baixo do tecido transparente, acariciando a superfície de sua barriga, subindo até um dos seus seios e apertando-o em concha. Miranda gemeu, também satisfeita, e não resistiu a provocá-lo.
– Então isso significa que não terá greve de sexo hoje?
– Significa que você está aprendendo a usar muito bem seus poderes para que eu desperdiçasse seu esforço. – Loki respondeu, sugestivo, e puxou-a para si, beijando-a com desejo, ambos entrelaçados, deitados de lado na cama. Miranda passou uma de suas pernas na cintura de Loki, puxando-o para si, enquanto ele puxava seus cabelos com força para trás, beijando todo seu pescoço, como se pudesse sugar-lhe a carne. Ela sentia o mesmo efeito entorpecente e maravilhoso de todas as vezes em que estava em seus braços, sendo conduzida pelo seu próprio desejo irrefreável e animalesco de ser dele, toda dele, do jeito que ele quisesse. Miranda sempre pensara apenas em si mesma quanto as suas necessidades sexuais, mas ela sentia-se ainda mais sexualmente atiçada ao saber que despertava tamanho desejo em Loki, como se pudesse sentir o prazer que ela mesma fornecia a ele. Era diferente de ser submissa ou dominadora, era como se conseguissem ser... Um só, naqueles instantes de perfeição.
Em segundos, o deus retirava, devagar, sorvendo cada momento, a camisola que ela usava, levantando seu queixo para olhar detalhadamente todo o corpo desnudo de Miranda. Ela podia sentir-se corar, e ainda não se acostumara com a ideia de que ele a deixava tímida, quando o desejava mais do que tudo.
Loki puxou-a pela cintura, enquanto ele mesmo ajeitava-se, sentando apoiado contra a cabeceira da cama, puxando a mulher para cima de seu colo. Miranda ansiava por aquilo, como se não houvesse nada no mundo além dela e dele, e o calor de seus corpos. Ela retirou suas vestes, roupas simples medievais de tons verde e preto, as quais havia conjurado anteriormente, e deleitou-se com a visão do corpo literalmente divino que tinha junto ao seu. A pele alva, os músculos definidos na medida certa, os ombros largos e aquele rosto, com seus olhos verdes que viam todas as profundezas de seu ser, ah, ele era a sua perdição. E também a sua salvação.
Quando não mais havia o impedimento de vestimentas, Loki a enganchou contra si, apertando-a em seus fortes braços, suas peles se tocando, quentes como se estivessem em brasas. Miranda sentia-o dentro de si, gemendo deliciada, sorrindo de puro prazer. Seus movimentos ritmados, cada vez mais rápidos, sinuosos, seguindo o compasso de seu coração, e de seu quadril, todo o seu corpo, toda a sua alma, desejo, mente, essência, todos unidos sentindo a mesma sensação de plenitude, o afã, a urgência e a paz de estar nos braços de Loki, e não havia nada mais que ela desejasse além daquilo.
Abraçando-a firmemente, ela ouviu Loki quase rugir em meio aos seus seios quando atingiu o ápice do prazer, sua semente espalhando-se dentro dela, enquanto, em seguida, ela mesma revirava os olhos, abraçando-o pelo pescoço, puxando sua cabeça com força contra seus seios, suspirando languidamente. Em seguida, enquanto seus corações retornavam aos batimentos cardíacos regulares, Miranda puxou com delicadeza o rosto de Loki, que a encarava alguns centímetros abaixo dela, já que encontrava-se em seu colo, enquanto ele ainda permanecia dentro dela.
Perdeu-se uma última vez nos mais belos olhos verdes que haviam, antes de fazer o que já tinha planejado.
Miranda beijou-o com afinco por um longo tempo, sentindo-se quase cansada quando o soltou enfim, e, em seguida, abaixou-se até seu pescoço. Sussurrou, próxima as suas orelhas:
– Me desculpe.
Miranda fechou seus lábios em volta da pele do pescoço do deus que a abraçava, e sugou-a, mentalizando o que desejava e pensando mentalmente nos comandos necessários, sabendo que poderia retirar a energia do deus por tal gesto. Loki tentou desvencilhar-se, mas, com o sopro de Hela a favorecendo, o encanto de Miranda fez efeito rapidamente. O corpo do deus caiu para trás, desfalecendo pela cabeceira.
Miranda ajeitou-o na cama, cobrindo-o com afeto, enquanto beijava-lhe nos lábios uma última vez, e, após vestir-se, pulou pela janela aberta.
Já longe da casa de Boann, Miranda voltou-se para trás, olhando para a janela do quarto onde deixara o deus que a encantara com o mais doce feitiço de todos.
– Sinto muito, mas preciso descobrir algumas coisas sozinha. Preciso encontrar-me com Freya.
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