Notas iniciais
Há coisas que não respeitam sequer a ira de reis

Difícil acreditar que aquilo estivesse acontecendo. Antes tão inflamado de fúria, Thorin sentiu-se anestesiado e exausto. Seu amor pela pequena o fazia sentir-se como se estivesse num pesadelo mais terrível do que a Batalha de Azanulbizar. Um sentimento ruim formava-se no seu estômago, como aquele que sentira ao ver Frerin tombar, ou a cabeça de seu avô rolar após o golpe de Azog.

Balin o devolveu à realidade:

— Meu rei, quem devo chamar ao Conselho?

Thorin suspirou:

— Ouvirei você, Dwalin, Óin e Glóin. Apenas a Linhagem de Durin.

Fíli protestou:

— Kíli e eu também somos da linhagem! Queremos participar!

Thorin negou:

— São jovens demais.

Kíli pediu quase em tom de súplica:

— Deixe-nos ao menos assistir!

O Rei Sob a Montanha os encarou, com o sentimento dividido por seus sobrinhos. Tão jovens, tão ansiosos...

— Uma condição — impôs o rei. — Terão que ficar absolutamente quietos. Se produzirem um som sequer, podem fazer companhia a Ori na vigia.

Ambos assentiram, e os demais foram dispensados enquanto o pequeno comitê se formava para a deliberação.

Reuniram-se no antigo gabinete de Thrór, e deram ordens de não serem interrompidos e alimentarem a prisioneira. O clima era tenso.

Thorin ainda tinha dificuldade de acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo. Afinal, se alguém lhe dissesse que sua pequena o trairia, Thorin o chamaria de louco ou mal-intencionado. Infelizmente, porém, a perfídia se concretizara e cabia a ele abrir os trabalhos do julgamento. Após um profundo suspiro, ele ergueu a voz e disse:

— Todos vocês sabem as acusações que ela enfrenta. Alguém precisa ser esclarecido?

Óin quis saber:

— Mais alguma acusação além de traição?

Dwalin indagou, azedo:

— E essa não é suficiente?

Óin assentiu gravemente. Thorin prosseguiu:

— As acusações são traição e complô com o inimigo. Vamos discutir, deliberar se é culpada e determinar a pena de acordo com nossas leis. De acordo?

Todos assentiram, murmurando. Thorin notou as expressões incrédulas de Fíli e Kíli. Os filhos de sua irmã tinham mesmo se afeiçoado a Anna, talvez tanto quanto ele. Thorin indagou:

— Alguém fala pela acusada?

Glóin observou:

— Pode-se dizer que ela mesma apresentou sua defesa. E, ao fazer isso, ela pode ter se livrado da pena de morte.

Um palavrório (a maior parte em Khuzdul) se ergueu, e Glóin teve dificuldade em retomar a palavra:

— Ouçam! Ouçam! Ela se referiu ao contrato de compromisso. Mas não quis prejudicar Thorin, ou poderia ter alegado quebra de contrato.

Dwalin perguntou:

— Como assim, quebra de contrato? Ninguém quebrou contrato nenhum!

Balin assentiu:

— Glóin tem razão. Thorin a agarrou e a sacudiu. O contrato diz que o Rei não deve tocar a Consorte num momento de fúria.

— Precisamente! — concordou Glóin.

Dwalin recordou-se:

— Se o Rei estiver doente, como ela alega, então não pode ser responsabilizado por seus atos.

Glóin completou:

— Mas se o Rei se declarar mesmo doente, então todos os atos da Consorte estão de acordo com a lei e de acordo com o contrato, incluindo as negociações com enviados estrangeiros na ausência do Rei. Fica provada a sua inocência da acusação de traição.

— Mas não estou doente...! — protestou Thorin.

Balin suspirou:

— Nesse caso, o Rei está em violação do contrato de casamento por agredir a Consorte. Ela tem direito a pedir reparações.

Óin acrescentou:

— E com agravantes, devido ao estado de gravidez da Consorte.

Thorin parecia perplexo, entre frustrado e surpreso. Dwalin exclamou, frustrado:

— Essa danadinha! Acham que ela planejou isso tudo?

Balin sacudiu a cabeça:

— Se ela tivesse planejado, teria pedido reparações para poupar sua vida. Ela não fez isso. Ela só citou o contrato para justificar seus atos. Não pediu reparações — ou clemência.

Glóin observou:

— Ela não agiu como alguém que planejava traição.

Fíli e Kíli a tudo observavam, loucos para intervir. Já o teriam feito, se o olhar de Thorin não fosse tão repreensivo.

Balin acrescentou:

— Se ela quisesse trair nossa conquista, teria aproveitado outras ocasiões.

Glóin lembrou:

— Quantas vezes ela salvou nossas vidas? E arriscou a dela para nos salvar, também.

— Posso atestar isso — contribuiu Óin. — Nunca vi uma pequena tão frágil se arriscar tanto.

Balin observou:

— Ela não pensava estar cometendo traição. Para ela, na cabeça dela, ela fazia o que precisava para salvar a vida do Rei. Uma coisa ela pensou certo: nenhum de nós desobedeceria a uma ordem de Thorin, jamais.

— Ela foi leal!... — deixou escapar Fíli, mas recebeu um olhar tão severo de Thorin que rapidamente se encolheu, como se isso o fizesse desaparecer.

Thorin encarou Fíli, mas seu pensamento estava longe. Os demais continuavam a discutir, mas Thorin não estava em condições de acompanhá-lo. Seus sentimentos eram contraditórios. Ele se sentia perdido.

Em toda sua vida, Thorin sempre carregara o peso da responsabilidade por tudo: seu povo, seu reino, sua família. Todos o procuravam com dúvidas, e Thorin sempre teve certezas a distribuir. Desta vez, a dúvida era dele e ele estava perdido, sem nenhuma certeza.

Mais do que tudo, Thorin estava assustado. Quando Anna revelara ser do futuro, poucas horas antes, Thorin ouviu tudo, mas como se fosse uma história antiga, que alguém lhe contara há muitos anos e ele esquecera. Mas ele não se lembrava totalmente dela. Então ele sabia que a pequena não lhe mentira.

E se ela não mentira sobre isso, estaria ela também falando a verdade sobre sua doença? Uma moléstia da mente, trazida pelo ouro?

Dizia o ditado: "Onde cresce a moléstia, coisas ruins se instalarão." Thorin vira tudo isso se tornar verdade com seu avô Thrór, de quem tinha as mais afetuosas memórias da infância.

Antes de Smaug.

Os demais debatiam o futuro de Anna. Thorin tivera ganas de matá-la com as próprias mãos. Disso ele se lembrava com clareza.

Lembrou-se também de ter visto a Arkenstone nas mãos de Gandalf. Era mesmo uma bela gema, uma que admirara desde criança, vendo-a incrustrada no trono de Thrór.

E só isso. Uma bela pedra. Beleza sem vida retirada do coração da montanha.

As palavras de Anna se repetiram em sua cabeça: "Você troca a mim e a nosso filho por um pedaço de rocha".

Anna, miúda, era a mesma que enfrentara um warg três vezes maior que ela. Era a mesma que salvara toda a companhia de três trolls com mera astúcia. Era a mesma que convencera um dragão (um dragão, por Mahal!) a enfrentar Smaug para salvar todos eles. Era a mesma que os ajudara a escapar dos celas do rei élfico, arriscando a ira dele para ajudar a retomar Erebor.

Sem mencionar que ela carregava seu filho no ventre.

Thorin lembrou-se do sorriso de Anna e de seus olhos cor de mel, o rosto suave que se iluminava ao olhar para ele. Ele se lembrou do jeito adorável dela quando se ruborizava toda vez que ele a elogiava. Thorin se recordou de como sofreu ao ver as lágrimas dela, em todas as vezes que ele a tinha magoado (e tinham sido muitas, lembrou-se, com culpa). Todas as vezes Anna o perdoara. Ela mostrara sua raiva (o tapa na cela de Thranduil tinha sido um recado inequívoco) e gritara com ele em inúmeras ocasiões. Ela não se intimidava em mostrar a Thorin seu desprazer.

Seu sangue ferveu ao lembrar os momentos de paixão, o modo delicado com que as mãos de Anna mapearam seu corpo musculoso, tão diferente do dela, franzino e pequeno. O rosto dela quando ele a beijava, a expressão dela quando Thorin a fazia arder em desejo, os gritinhos que ela dava quando ele...

Thorin teve que interromper aqueles pensamentos tão inapropriados. A culpa era devastadora. Como ele fizera tudo aquilo com ela?

Em vez de assustado, Thorin passou a ficar horrorizado.

"Pensei que nosso amor e nosso filho pudessem ser suficientes para evitar que o mal do ouro se instalasse em seu coração."

As palavras de Anna o fizeram sentir um misto de culpa, vergonha e nojo de si mesmo. Naquele momento, ele se lembrou de Gandalf: "Não lhe dei a chave e o mapa para se apegar ao passado!" E era o que Thorin tinha feito desde sempre. Desde que se conhecera por gente, Thorin pensava no passado, olhava para trás: pensava em retomar Erebor, em reaver o tesouro, em reviver as glórias. As palavras começavam com "re", sempre remetendo para trás, para o passado.

Thorin se esquecera de olhar para frente, de encarar o futuro. Anna lembrara a ele que havia um futuro adiante, a esperança do novo e da construção, não da reconstrução.

Nesse momento, Thorin se deu conta da profundidade da transformação que Anna lhe trouxera. A pequena tinha o poder de virar sua vida pelo avesso. Deu-lhe esperança de um amor, algo que não imaginara mais ser capaz de sentir. Desse amor surgira um filho, um sonho que ele sequer pensara em acalentar. Um futuro a construir.

E em troca de tudo que Anna lhe dera, Thorin lhe dava acusações de traição e ameaças de morte.

O que ele tinha feito?

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Tamanha era a exaustão de Anna que ela até estava grata pela ordem de Thorin proibindo que Bofur falasse com ela. Anna estava cansada de argumentar e explicar. Se Thorin não confiava mais nela e a queria morta, que fosse. Podia ser até melhor do que viver sabendo que seu grande amor não lhe tinha outro sentimento que não ódio e desprezo.

Naquele momento, Anna duvidou de tudo que fizera até então. Ela fizera tanto esforço, mas no fim todos os acontecimentos do livro prevaleceram. Parecia que todos seus esforços tinham sido em vão. Será que tudo estava predestinado a acontecer? Será que só naquele momento ela se convencia que não podia mudar a história e salvar Thorin?

Pensamentos muito sombrios dominavam sua mente. A cela, úmida e fria, em nada contribuía para melhorar seus ânimos. Ela se deitou no chão gelado, encolhida, de costas para a porta, procurando algum pensamento bom para se agarrar.

Resolveu cantar uma antiga cantiga de roda, para se lembrar de sua infância (não tinha muitas recordações dessa época). Em voz baixa, sua voz soava como um eco reverberando nas paredes de pedra.

"Se essa rua

Se essa rua fosse minha

Eu mandava

Eu mandava ladrilhar

Com pedrinhas

Com pedrinhas de brilhante

Para o meu

Para o meu amor passar

Nessa rua

Nessa rua tem um bosque

Que se chama

Que se chama solidão

Dentro dele

Dentro dele mora um anjo

Que roubou

Que roubou meu coração

Se eu roubei

Se eu roubei teu coração

Tu roubaste

Tu roubaste o meu também

Se eu roubei

Se eu roubei teu coração

Foi porque

Foi porque te quero bem"

Os últimos versos tinham sido murmurados, de tanto que Anna chorava. Não tinha como negar que ela jamais cantaria aquilo para seu filho, que seu coração fora roubado por um anjo a quem ela queria bem...

Sem saída, sentindo-se derrotada, Anna chorou amargamente. Pareceu que chorou durante dias, talvez fossem horas ou quem sabe só minutos. Anna não sabia mais o que fazer além de verter lágrimas e deprimir-se.

Ainda que estivesse emocionalmente exaurida, Anna não conseguia dormir. Mas seu choro eventualmente diminuiu, reduzindo-se a lamúrias e ela podia até estar caindo em um estranho estado de semiconsciência, chamando o nome de Thorin. Depois ficou quieta, e tudo parecia ser irreal.

Depois de algum tempo, Anna ouviu barulhos do lado de fora da cela. O barulho a fez voltar à realidade. Ela ouviu Bofur dizer, em Khuzdul:

— [O que é isso?]

Anna ouviu uns grunhidos e calculou que Bifur tivesse vindo. Bofur respondeu:

— [Não sei se ela vai comer, mas foi uma boa ideia de Bombur, de qualquer jeito.]

Novos grunhidos. Bofur suspirou:

— [Ah, pobrezinha. Chorou até secar as lágrimas. Ficou tão cansada que dormiu. Chamou por Thorin também.]

Então houve uma pausa, e Bofur ficou nervoso:

— [Não, primo. Thorin ordenou para não falar com ela.]

Mais grunhidos e Bofur disse:

— [Bonito gesto. Vou deixar junto da refeição. Obrigado, primo.]

Anna ouviu o barulho de passos se afastando. A grande porta de pedra foi aberta ruidosamente e Anna sentou-se no chão, olhando para ele. Com um ar constrangido, Bofur deixou no chão uma tigela, dizendo:

— Bombur mandou isso. — Tirou algo pequeno do bolso. — E Bifur mandou isso.

Do lado da tigela, Bofur depositou algo pequeno e fechou a porta. Anna se arrastou até lá e pegou o diminuto objeto na mão: era uma escultura, uma pequena miniatura de uma flor feita em madeira. Era um entalhe de um lírio, uma peça delicada e tão intrincada que podia ser usada como um dos adereços de cabelo que os anões tanto gostavam.

— Uma flor? — Anna deixou escapar em voz alta.

Bofur abaixou a voz, como se estivesse agindo de maneira clandestina.

— É um lírio, uma flor que significa majestade. — Ele fez uma breve pausa e completou, mais baixo: — Bifur a chama de rainha e isso quer dizer que você continua a ser a rainha para ele. E para mim também.

Anna ficou tão emocionada que as lágrimas voltaram e ela ficou sem palavras para agradecer o gesto tão delicado.

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— Meu Rei?

Nada.

— Meu Rei?

Balin teve que repetir a pergunta mais duas vezes antes de Thorin dar sinal de que tinha ouvido.

— Sim, Balin?

— O Conselho aguarda sua deliberação, Thorin. Já amanheceu e precisamos anunciar o destino da prisioneira.

Thorin arregalou os olhos. Já era dia? A reunião começara à tarde. A noite inteira se passara sem que ele percebesse?

Thorin não teve dúvida de que fizera mesmo reflexões profundas.

Ele indagou a Balin:

— O Conselho já tem uma decisão?

— Sim, mas é um empate. Precisamos de seu voto para desempatar.

Thorin assentiu, olhando para baixo, sentindo todo o peso de seus 197 anos. Contra-indagou:

— Antes de pronunciar meu voto, quero fazer uma pergunta ao Conselho. Entre os que votaram pela condenação, quantos tomaram essa decisão para não contrariar seu rei?

Eles se entreolharam, confusos. Thorin incentivou:

— Não haverá represálias, fiquem sossegados. Apenas respondam.

Um clima de constrangimento se manteve. Após alguns segundos, Dwalin e Óin ergueram um braço de maneira hesitante. Thorin não esboçou reação, perguntando sem demonstrar emoção:

— Na verdade, então, todos pensam que Anna é inocente. É isso?

Os quatro assentiram, mas estavam nervosos, temendo compartilhar o destino da humana, se Thorin se irritasse.

Thorin virou-se casualmente para os filhos de sua irmã:

— Fíli? Kíli?

Cabisbaixo, Fíli assentiu. Kíli respondeu, em tom de súplica:

— Também achamos que ela é inocente, Thorin.

— Entendo — comentou o rei, calmamente. Voltou-se novamente para seus assessores. — Vocês estão dispostos a condenar uma mulher que consideram inocente para não desagradar seu rei.

Eles pareciam confusos, mas Balin indagou:

— Meu Rei?

Thorin observou:

— Sua lealdade é admirável, digna da Linhagem de Durin. Mas até para lealdade há limites. Vocês teriam cometido uma grande injustiça. Anna estava certa em achar que eu estava doente. — Os outros se espantaram e se entreolharam nervosamente. — Sim, eu estava. Agora posso ver isso claramente. Havia uma nuvem, um véu sobre minha cabeça, que me impedia de pensar. Eu a tratei muito mal, e tudo teria ficado ainda pior se a condenasse à morte. Vocês não teriam me impedido de cometer grandes injustiças, como ficou provado. Agora é meu dever corrigir isso.

Kíli soltou uma exclamação de felicidade, e Fíli abriu um largo e raro sorriso. Dwalin parecia totalmente confuso, Óin apertava o aparelho no ouvido, Glóin sorria apenas com os olhos, e Balin tocou o braço de Thorin, num gesto de orgulho.

— Então, Thorin — indagou Balin, sorrindo. — Quais são suas ordens?

Os olhos de Thorin estavam angustiados quando ele disse:

— Vá buscá-la, Balin. Traga de volta a mãe de meu filho e minha joia mais preciosa, o tesouro de todos os meus tesouros. E queira Mahal que desta vez eu não a tenha perdido para sempre.

A alegria explodiu entre os descendentes de Durin. Kíli e Fíli se abraçaram e Óin comemorou ruidosamente, Dwalin suspirou, aliviado. Mas antes mesmo que Balin se erguesse da mesa, a porta abriu-se em par, e Ori entrou, ofegante e esbaforido:

— Venham rápido! Há luta no vale! Dáin chegou com seus homens, e os humanos e elfos preparavam-se para impedir que eles cheguem à montanha. Mas agora há orcs e goblins atacando também!

Foi como se acendesse um rastilho de pólvora. Todos se puseram em prontidão. Thorin ordenou:

— Peguem as armas, reúnam todos e corram para muralha. Menos você, Ori.

Enquanto todos entravam em ação, o jovem anão estacou de súbito, decepcionado por ter sido excluído. Thorin encarou-o com severidade e disse:

— Você tem uma missão ainda mais importante. Vá às masmorras e chame Bofur para a batalha. Você continua sendo o Guardião da Consorte e deve protegê-la, se por acaso algum inimigo conseguir entrar na montanha. Guarde-a com sua vida, se preciso. Mantenha-a na cela quanto tempo for necessário para garantir sua segurança.

Dwalin concordou:

— Boa ideia. É melhor mantê-la na cela. A pequena tem mania de enfrentar wargs e essas coisas. E ela não escuta ninguém!

Thorin pôs as duas mãos nos ombros de Ori e garantiu, em tom confiante:

— Não confio em mais ninguém para esta tarefa, Ori. Só você me deixa tranquilo para proteger a mãe de meu filho. Sei que não vai me decepcionar.

Ori se inflou todo de orgulho e curvou-se:

— Fico honrado, meu senhor.

— Pode ir. Rápido! — E enquanto Ori se virava e corria a cumprir sua missão, Thorin se dirigiu aos parentes da Linhagem de Durin, conclamando: — Baruk Khazâd! Khazâd aimenû! Du bekâr!

Com gritos de guerra, os anões de Erebor correram para a batalha.

Palavras em Khuzdul

Baruk Khazâd! = martelo dos anões

Khazâd aimenû! = os anões cairão sobre vocês

Du bekâr! = às armas!