Jornada Para Erebor
9 Não totalmente verdade
Notas iniciais
O dia seguinte começou antes do sol sair, com as tarefas mais inusitadas do mundo, na visão de Anna: ordenhar a vaca (Bilbo fez isso), recolher ovos no galinheiro (ela conseguiu fazer), cozinhar o desjejum para todos na estalagem, incluindo os donos. Só depois os dois hobbits puderam fazer o desjejum, mesmo com o almoço já começado.
Dona Edna achou muito estranho que o rapaz não soubesse matar sequer uma galinha, ou fosse fraco demais para cortar lenha, sendo tão jovem.
— Mas precisa começar a fazer esses músculos crescerem, rapazinho — disse ela. — Só dando algo para eles fazerem é que eles vão se desenvolver. Aí você fará sucesso entre as donzelas.
Anna enrubesceu, e Bilbo interveio:
— Anni ainda tem muito tempo antes de pensar em donzelas.
— Não sei não, Sr. Baggins. Ele é um rapaz muito bonito e muito educado. Certamente uma delas logo vai se engraçar com ele. — Anna já estava vermelha de tanta vergonha. A mulher continuou: — Posso ver que o assunto já começa a mexer com o mocinho. Ah, Mestre Baggins, antes que o senhor perceba, seu rapazinho já vai estar enrabichado com uma moça e os pequeninos estarão em sua volta, com as bênçãos de todos os deuses!
Bilbo sorriu:
— É muito gentil, dona Edna, mas Anni primeiro precisa crescer um pouco mais.
— Primeiro precisa se livrar dessa vergonha, rapaz. Mas não se preocupe. Convivendo com um grupo de anões, certamente ele vai se livrar da vergonha rapidamente. — Ela se riu gostosamente. — É um bando alegre e indisciplinado, esses anões.
Anna achou melhor nada responder e continuou descascando batatas. Os demais legumes também ficaram com ela.
Felizmente Anna não era vegetariana, ou estaria em apuros, já que carne era a base da comida por ali, e a gordura era animal – um festival de colesterol. Mas ela notou que Bilbo também a encarava às vezes, estranhando algumas atitudes. Anna se sentia mal por não poder ajudar muito, mas era tudo muito inusitado e distante de tudo o que ela conhecia.
Ela se sentia mesmo como um peixe fora d’água, mas não estava em posição de reclamar.
Anna viu coisas que nem em museus existiam: ferramentas e utensílios que sua avó jamais usou. Os animais eram assados inteiros, só depois cortados. Os pratos eram servidos já prontos. A comida era enrolada em grandes folhas para não esfriar, e eventualmente essas folhas pegavam fogo. Por isso pratos e panelas eram de barro: primeiro porque era barato e elas podiam ser feitas em casa mesmo; depois porque se fossem de ferro esquentavam demais e podiam pegar fogo. O risco de incêndio era constante.
Mas uma coisa ela acertou: fez batatas fritas. As prosaicas batatas fritas, desconhecidas no lugar, foram um imenso sucesso. Dona Edna foi elogiada, os hobbits também. Aliviada, Anna se sentiu finalmente contribuindo com a companhia. Ela temia que todo o trabalho recaísse sobre Bilbo devido à sua total inépcia com aquela época e lugar.
Foi nesse momento que ela teve a certeza de que sua decisão era a mais acertada. Agora era só acertar com Gandalf a melhor ocasião para colocá-la em prática.
Felizmente, a melhor ocasião foi naquele mesmo dia, após o almoço estar concluído e as sobras distribuídas entre a criação. Anna tinha ido até o chiqueiro (que era um elogio para o criadouro de porcos), vendo seu precioso tênis se encharcar de lama, quando a cozinha foi invadida pelo mago.
— Ah, Dona Edna. Meus cumprimentos pela soberba refeição.
Ela sorriu:
— Sr. Gandalf, bem-vindo! Gostou do almoço?
— Excelente, excelente. Então seus colaboradores estão se mostrando a contento?
— Muito bons — respondeu ela. — Soube que foram sua indicação. Eu agradeço, Sr. Gandalf. Bons ajudantes são raros hoje em dia.
— Não quero atrapalhar o andamento das suas responsabilidades, madame, mas preciso saber se posso pegar emprestado nossos hobbits por algumas horas. O líder de nossa companhia gostaria de falar com eles.
Dona Edna sorriu:
— Não há problema algum. O jantar já está adiantado, mas gostaria que chegassem aqui de banho tomado e roupa trocada para servir os clientes. Está bem assim?
Os dois assentiram, e Anna indagou:
— Quer que eu guarde os pratos primeiro, Dona Edna?
— Não, Anni, pode ir com seu tio. Vocês trabalharam bem, merecem umas horas de descanso.
— Obrigado, madame.
Ela se maravilhou:
— Como você é educadinho! Agora vão, antes que eu mude de ideia.
Anna secou as mãos e seguiu Gandalf, acompanhada por Bilbo. O mago reparou:
— Dona Edna parece ter se afeiçoado muito a vocês. E a sua comida, Bilbo.
— Ela é uma boa mulher — disse ele, dando de ombros. — Gostou muito de Anni.
— É uma boa circunstância. Vamos por aqui. Achamos melhor marcar uma reunião longe de ouvidos curiosos.
Foram encontrar Thorin debaixo de uma árvore frondosa, na tarde quente de início de verão. Ele saudou os dois hobbits.
— Vocês parecem ter causado boa impressão. Fui contra vocês estarem trabalhando, especialmente você. — Encarou Anna seriamente, depois Gandalf, como se o assunto ainda não estivesse totalmente encerrado entre eles. — Mas Gandalf me convenceu que era a melhor solução. Parece que tudo saiu ainda melhor do que esperávamos.
Gandalf relatou:
— A maioria dos outros também encontrou posições de ferreiros e fabricantes de brinquedos e joias.
— Poderemos sair antes do que calculamos e retomar o nosso destino. — Thorin se virou para Anna. — Gandalf me disse que tinha algo a me dizer.
Anna abaixou a cabeça e deu de ombros.
— Só queria pedir desculpas pelo que eu disse na outra noite. Foi inapropriado, mas não tive intenção de ofender nem de me intrometer em assuntos que não me dizem respeito. — Thorin ia dizer algo, mas ela interrompeu. — Dito isso, acho mais importante que vocês saibam a meu respeito. Finalmente consegui entender onde estou, embora ainda não saiba como vim parar aqui.
Bilbo quis saber:
— Então já sabe de onde veio?
— Na verdade, Bilbo, o mais correto seria dizer de quando eu vim. O lugar de onde venho é, na visão de vocês, o futuro.
Thorin e Bilbo franziram o cenho e Gandalf ergueu uma sobrancelha.
— Futuro? — Bilbo repetiu. — Não entendo.
Anna deslanchou a explicação que conseguiu elaborar depois de dois dias: uma maneira de falar a verdade, ou ao menos parte dela.
— Vou repetir devagar, porque eu mesma demorei a entender. Esse lugar aqui, do meu ponto de vista, é o passado. Para mim, isso tudo já aconteceu. Por isso eu achava tudo tão familiar. Eu já li sobre isso: eu conheço a história de vocês, eu sei para onde estão indo e o que pretendem fazer.
Aquilo deixou Thorin em alerta, como Anna previa. Bilbo ficou alarmado e Gandalf, cada vez mais interessado. Anna continuou:
— Entendo que pretendam manter sua missão em sigilo e podem contar com minha ajuda. Aliás, tenho certeza de que estou aqui para ajudar vocês a cumprirem sua missão. Ainda não sei como, mas sei que é isso que preciso fazer.
Houve um minuto de silêncio. Thorin comentou:
— Isso é extraordinário.
Anna suspirou:
— Eu sei que é difícil de acreditar, mas podem confiar em mim. Vocês salvaram minha vida, e sou muito grata. — Diretamente para Thorin, ela garantiu: — Não tenho nenhum interesse no seu tesouro em Erebor, mas lá está a chave para eu poder voltar para o lugar de onde vim. Entendem? Meu único interesse é que vocês recuperem seu lar. Eu também perdi meu lar. Se eu ajudar vocês com seu lar, talvez eu também possa recuperar o meu, de alguma maneira.
Thorin a encarava intensamente, os olhos azuis pareciam capturá-la, como que tentando decifrar as reais intenções de Anna. Ela já esperava algo assim, mas ainda assim era perturbador.
— Isso — disse ele, enigmático — é surpreendente.
— Realmente — concordou Gandalf —, acho que é a informação mais extraordinária que me lembro de ouvir em muito tempo.
— Eu sei que é difícil de acreditar, mas posso dar nomes, fatos. Nunca fui muito boa com datas, e estou tentando me lembrar de algumas. Já faz muito tempo que li os livros de... — Anna hesitou — história.
Os três continuaram a encará-la. Bilbo indagou:
— Então fale sobre o futuro. Como ele é?
Anna o encarou:
— O meu tempo é muito diferente do seu. Não tenho muita certeza de que vocês gostariam de lá. Muito, muito diferente mesmo.
Gandalf filosofou, pegando o cachimbo:
— Deve ser um conforto saber como tudo vai acontecer.
Anna olhou para o chão, tristemente.
— Só que tudo o que eu sei pode ter mudado. A minha chegada aqui pode ter alterado para sempre o desenrolar dos eventos.
Bilbo não entendeu.
— O que quer dizer? Agora você não sabe mais o futuro? Não entendo.
Ela tentou explicar:
— Viagens para o passado têm esse problema. O futuro está sempre em movimento. Se eu fizer algo para interferir na ordem das coisas, posso mudar o futuro para algo que eu não conheço. Eu vi episódios de Dr. Who suficientes para saber como isso é verdade.
Thorin reclamou:
— Você fala por enigmas. E que doutor é esse?
Anna deu um sorriso amarelo.
— Esqueça o doutor. Deixe-me dar um exemplo que talvez faça mais sentido. Acompanhe meu raciocínio: se alguém do futuro chegasse até seu pai, avisasse sobre o ataque de Smaug a Erebor, vocês tomariam precauções e reforçariam as defesas, não?
— Mas... Como sabe sobre Smaug?
Ela continuou, ignorando a pergunta dele:
— E mais: se essa pessoa dissesse a vocês como matar o dragão, vocês não matariam Smaug para salvar Erebor e todos os que pereceram no ataque? Vocês chamariam outros anões, outros aliados, não é mesmo?
— Claro.
— Chamariam humanos e elfos também, talvez?
O rosto de Thorin se transformou numa máscara de desprezo e repulsa.
— Os elfos não fariam nada! Eles não fizeram!
Anna ressaltou:
— Talvez, com tantos exércitos envolvidos, os elfos se sentissem mais inclinados a ajudar. E vocês talvez ainda fossem amigos. E se eles tivessem ajudado, talvez vocês ainda tivessem seu lar.
A expressão de Thorin mudou para uma de tanta saudade que Anna se emocionou antes de continuar.
— Vocês não teriam sido obrigados a fugir de Erebor, a cidade de Valle não teria sido destruída. Seu povo não teria ido para Ered Luin, e você, Thorin, não teria sido forçado a procurar trabalho nem obrigado a fazer coisas que jamais imaginou.
Agora Thorin estava de cabeça baixa. Anna prosseguiu, em voz suave:
— Então, por causa de uma pessoa do futuro, você jamais teria tido necessidade ou oportunidade de ir a Bree, onde se encontrou com Gandalf, com quem você combinou de formar uma expedição para retomar Erebor. Por causa de uma pessoa que falou do futuro, você jamais teria contratado os serviços de um ladrão do Shire, um hobbit chamado Bilbo Baggins, de Bag End. Você jamais teria conhecido Bilbo, talvez nunca sequer tivesse saído de Erebor ou lutado em tantas guerras. Bilbo poderia não ter oportunidade de sair do Shire, e aí... bem, vocês entenderam o que eu quero dizer, não?
Se os três já olhavam Anna com as expressões mais espantadas antes, naquele momento eles estavam absolutamente embasbacados com as palavras dela. Ela continuou:
— Por isso, peço que me perdoem se eu não falar do futuro. Se eu fizer isso, ele pode mudar. Não necessariamente para melhor.
Gandalf perdera o ar divertido, adquirindo um semblante sério.
— Eu entendo. Mas pode nos perdoar por sermos curiosos?
Anna riu-se da sinceridade dele.
— Eu entendo. E também estaria curiosa, se fosse vocês.
Bilbo estava espantado.
— Como... Como sabe sobre Bag End?
— Está nos livros, querido Bilbo. Incluindo seus parentes Tûk. Depois me conte a história de como o seu tataravô Bullroarer Tûk derrotou o rei goblin.
Gandalf soltou uma risada alta, Bilbo se espantou, e Thorin continuava a olhá-la, rosto retraído. Anna sentiu que as memórias de Erebor haviam sacudido o príncipe. O anão quis saber:
— E pode-se perguntar em que pode ajudar nossa companhia a reconquistar a montanha?
Resposta mais sincera Anna não podia dar:
— Sua pergunta é excelente, Sr. Thorin. Juro que gostaria de saber a resposta. No momento, eu não sei.
Gandalf comentou:
— Seu relato certamente deixou toda essa viagem bem mais interessante. Mas no momento há coisas práticas a resolver. Kíli e Fíli acharam um meio de trocar os entalhes de metal que fazem por roupas para o nosso hobbit mais novo. Anni, vá falar com eles depois para experimentar as peças com a costureira.
Anna empalideceu.
— Experimentar roupas? Não posso fazer isso...!
Thorin quis saber, impaciente:
— E por que não, em nome de Durin?
— A costureira vai saber que sou mulher assim que começar a medir as roupas. Elas apalpam para medir e, er, bem — ela apontou a região dos seios —, posso não ter muito aqui, mas certamente ela vai perceber.
Todos ficaram constrangidos. O mais ruborizado de todos era Bilbo, que comentou, sem jeito:
— Ah, hum, bem, quanto a isso, er, na verdade, acho que já está, quer dizer, não que eu esteja olhando, mas, bem...
Anna entendeu e se apavorou:
— Oh, não. Dá para ver? — Num impulso, Anna se encolheu, procurando esconder os seios. — Ai, vou ter que disfarçar de algum jeito. Talvez se eu enrolar faixas...
— Tenho certeza que há meios para conseguirmos nosso intento — disse Gandalf. — Bilbo, meu rapaz, posso sugerir então que você faça a prova das roupas?
— Mas Anni é muito menor do que eu. As roupas vão ficar largas. Olhe, já estão largas nela!
Gandalf ressaltou:
— O que é inteiramente desejável, pois roupas muito justas poderiam ser mais reveladoras do que seria prudente, não concorda?
Bilbo teve que concordar e saiu rumo à tal costureira. Thorin também saiu em seguida: ele se dirigiu ao ferreiro, onde disse ter trabalho a fazer. A circunstância de ficar a sós com Gandalf era o que Anna queria. Ela precisava falar com ele longe dos outros.
O mago deu uma baforada no cachimbo e a encarou, de cima a baixo.
— Você representa um enigma dos mais curiosos, jovem hobbit.
Anna disse:
— Pode relaxar, Gandalf. Eu sei que seu verdadeiro objetivo em ajudar Thorin Oakenshield é expulsar o dragão de Erebor. E você tem razão.
De novo, Gandalf a encarou atentamente.
— O que pode me dizer a esse respeito?
— Posso dizer muito sobre seu presente, e um pouco sobre seu passado. Acho seus temores de que o antigo mal possa renascer são bem fundados. Prevenir seu crescimento é muito sábio.
— Então sabe o que está em jogo? Conhece com o que estamos lidando?
— Sim, o Senhor do Mal, Sauron. Não sei como, mas sinto que posso ajudar nos esforços contra ele. Para isso, porém, necessito de sua ajuda, Gandalf.
— Em quê?
— Pensei que pudesse me dizer mais a meu respeito: sabe como vim parar aqui, ou o que devo fazer? Não faço ideia de nenhuma dessas coisas — ou de como poderei voltar para a minha casa.
O mago apenas encarou Anna, sem revelar nada no rosto. A moça se exasperou:
— Não dê uma de Thorin comigo! Eu não sou o inimigo.
Pesadamente, ele disse:
— Não, posso ver que não é. Mas vejo também que há coisas que não sabe.
— Claro que há! Há muitas coisas que não sei! Estou lhe pedindo que me diga, Istari. Como saio daqui?
Ele arregalou os olhos e começou a perguntar:
— Como você... — Um olhar reprovador de Anna o deteve, e ele teve a decência de parecer vexado. — Oh, bem.
Angustiada, Anna explicou:
— Não é só isso. Sinto que estou mudando. Nomes e fatos estão ficando muito claros na minha cabeça, claros demais. Nunca tive todo esse conhecimento. E eu também ganhei um corpo novo. Eu era humana, mais ou menos do seu tamanho. Também era mais velha, agora pareço uma adolescente ou um homúnculo, sei lá! E todas essas informações estão simplesmente aparecendo para mim! Essa história nunca foi meu forte, mas a cada dia lembro um fato novo, um nome, um mapa... As coisas simplesmente surgem na minha cabeça! É desconcertante.
Gandalf comentou:
— Vejo uma aura Valar em você agora. Quando a encontrei, você tinha energia orc, depois de seu encontro com Azog... e o toque semelhante ao de Melkor.
Anna empalideceu e sussurrou, aterrorizada:
— O senhor de Sauron...! Ele foi o que corrompeu Sauron, não foi?
Gandalf concordou, pesadamente:
— Por isso você desmaiou ao beber a água de Gil-Estel, a Estrela da Manhã. Foi demais para a energia negra. É uma água de cura, que livrou você da influência dele. Aí pude ver a aura Valar que está em você. Você foi enviada, posso ver.
— Não conheço essa água. Mas toda vez que ouço falar em água me faz lembrar Lothlórien.
Ele sorriu:
— O frasco contém águas de Lórien com o reflexo de uma das mais brilhantes estrelas de Valinor: a Estrela da Esperança. Foi me dado pela Senhora de Lórien em pessoa.
Anna estava maravilhada e arrepiada:
— Lady Galadriel...!
Gandalf deu um risinho:
— Eu tinha esperança que você a conhecesse.
Ainda impactada, Anna ignorou a ironia e quis saber, séria:
— Gandalf, acha que foi Sauron quem me trouxe aqui?
O mago olhou em volta, como se considerasse a pergunta — e a resposta.
— Se ele fez isso, agora não tem mais nenhum tipo de influência sobre você.
— Não deixe isso acontecer, por favor. Não me deixe ser um instrumento de Sauron.
— Mas eu já disse que você não-
Ela o interrompeu, angustiada:
— Não me deixe ser usada por ele. Prometa-me que vai impedir a qualquer custo. Mesmo que tenha que me matar.
Gandalf a encarou, e Anna teve medo que ele se negasse a fazer o que ela lhe pedia. Ela mesma achava que estava louca com esse pedido, mas ele fazia todo o sentido da Terra Média.
Quando Gandalf finalmente respondeu, Anna se aliviou.
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