Jornada Para Erebor

27 Boas coisas chegam a quem espera


Notas iniciais
Anna tem certeza que a hora se aproxima

Depois dos acontecimentos, era previsível que Anna conseguisse dormir pouco aquela noite. Agora era a hora de agir. Na verdade, ela planejava apenas tentar acelerar os fatos do livro, não interferir em coisa alguma, apenas facilitar as coisas. Ela se lembrava de que Thorin tinha sido capturado antes e mantido separado dos demais, que Bilbo usara o anel para circular entre eles e eles tinham fugido pela saída das dispensas, usando barris vazios rio abaixo. Pelo pouco que ela vira, aquela era realmente a melhor maneira de fugir, e ela pretendia apenas dar um empurrãozinho.

Mas para isso, o primeiro passo era encontrar Bilbo. Isso não seria fácil dali para frente. A expectativa de Anna era que Thranduil e seus homens a observassem como águias. Ela não tinha certeza de que o rei élfico tinha se convencido de que ela lhe era fiel (o que não era totalmente mentira). Mas o maior medo de Anna era que Thranduil tentasse pressioná-la para obter a informação que queria do rei de Erebor. Aliás, de um determinado ponto de vista, ele já tinha feito isso — sem sucesso.

Naquela noite, Anna tentou dormir, mas o sono era leve e lhe escapava. Deixou aberta a porta do seu quarto. Talvez aquilo atraísse Bilbo.

O plano dela incluía sair dos domínios de Thranduil da mesma maneira que os anões, em barris, e nada revelar a Eldrin até o último minuto. Anna quebrara a cabeça tentando imaginar uma maneira de escapar com os outros sem envolver o amigo elfo, mas ela não encontrara saída. Anna não gostava da ideia de envolvê-lo nisso, mas gostava menos ainda da ideia de que, no frigir dos ovos, Eldrin fosse traí-los.

No dia seguinte, Anna alegou que a indisposição tinha voltado e preferiu não sair da cama. O curador do rei veio vê-la novamente, e receitou repouso e caldos nutritivos. Eldrin estava a seu lado o tempo todo, e leu poesia para acalmar os nervos. Anna terminou contando o que Thranduil tinha feito. O elfo franziu o cenho.

— Não foi muito nobre da parte do rei — comentou ele. — Até o momento, Sua Majestade nada tinha feito para dar motivo ao comentário de Lindir. Agora, porém, sou obrigado a concordar com a opinião de meu compatriota: o rei Thranduil pode não estar agindo no seu melhor interesse.

Anna sorriu:

— Você é muito diplomático, Eldrin. Por isso eu me pergunto se realmente você vai defender meus interesses mesmo que eles contrariem os interesses do rei.

Eldrin fez uma pausa de alguns segundos antes de dizer, de maneira muito sincera:

— Eu… me sentiria desconfortável se tivesse que machucar algum de meus irmãos elfos. Mas jamais trairia você, Anna.

Ela sorriu, deitada.

— Obrigada, meu amigo. Você tem sido uma fonte de conforto e alento para mim. E farei de tudo para que você não tenha que entrar em confronto com seus irmãos de Mirkwood. Mas não duvide de uma coisa: vou soltar os anões presos.

Eldrin a olhou e viu a determinação nos olhos dela.

— Lindir não exagerou. Você ama o anão.

Anna enrubesceu, entristecendo-se:

— Sim, é verdade.

— Mentiu para o rei Thranduil? — A ideia claramente deixava Eldrin escandalizado.

— Não menti. Ele insinuou que Thorin era meu amante e eu apenas garanti ao rei que ele jamais tinha feito qualquer avanço indesejado. Não foi nada indesejado, posso garantir.

Eldrin lembrou:

— Lindir disse que esse anão a seduziu e a abandonou em Rivendell.

— Admito a parte de ter sido abandonada. Mas já expliquei a Lindir que nunca fui iludida em nada do que aconteceu. Foi minha decisão.

— Arrepende-se dessa decisão, tendo em vista o desenrolar dos fatos?

— Não — garantiu Anna, com sinceridade. — Era meu desejo e eu o obtive. Talvez os fatos não tenham se desenrolado como eu gostaria, mas não foi por minha culpa. Por isso, não tenho arrependimentos. E não me arrependo de ter dado uma falsa impressão a Thranduil. Na verdade, não foi tão falsa assim. Eu amo Thorin Oakenshield, mas também estou furiosa com ele. O tapa que dei foi merecido. E sincero.

Eldrin se admirou:

— Fez um jogo de palavras. Insinuou uma coisa pensando em outra.

Ela deu de ombros.

— Sei que é uma desculpa fraca, mas prefiro pensar assim a ter que admitir que eu menti para o rei de Mirkwood. Francamente, Eldrin, não gosto de me sentir manipulada. Talvez seja isso que me atraia nos anões. Eles são francos, diretos, mesmo ao ponto de serem grosseiros. Prefiro mil vezes isso a esquemas sutis de enganar os outros. Mas se for preciso enganar, eu farei isso mesmo. E se isso o deixar desconfortável, Eldrin, pode falar agora mesmo. Não pensarei mal de você, nem deixarei de considerá-lo meu amigo. Respeitarei sua decisão, como espero que respeite a minha.

— Fique sossegada, Anna. Eu a ajudarei. É minha obrigação. — Ele deixou a tigela de sopa intocada numa mesinha. — Talvez deseje descansar um pouco antes do entardecer. Quem sabe possa acordar com fome?

— Sim, quem sabe? Obrigada, meu amigo.

Eldrin ergueu-se e ia fechando a porta, mas lembrou que Anna preferia a porta aberta. Deixou-a encostada, mas em seguida o príncipe Legolas entrou.

— Espero não estar incomodando.

Anna sentou-se na cama.

— Alteza, quanta gentileza. Quer sentar-se?

O elfo louro sorriu:

— Na verdade, vim apenas vê-la a pedido de meu pai. Ele ficou preocupado de ter lhe causado excessos à saúde com a noite de ontem.

— Foi uma atitude muito gentil de seu pai — garantiu Anna. — Gostei muito da festa e posso garantir que me diverti imensamente com as apresentações. Meus parabéns aos artistas. Contudo, aquela visita aos calabouços realmente me abalou um pouco, não posso negar.

Legolas parecia constrangido.

— Tentei avisar meu pai que você poderia ficar perturbada com o gesto. Mas o rei pode ser um tanto... voluntarioso.

— Não precisa se constranger, Alteza — garantiu Anna, sem perder o sorriso. — Creio que o rei Thranduil falou de nossas diferenças no final da noite. Mas no final das contas, seu pai ainda me atendeu outro pedido, e foi gentil comigo, como sempre. Não, príncipe Legolas, posso garantir que meu abalo de hoje não se deve ao comportamento de seu pai. Transmita meus agradecimentos a ele. Tem sido um anfitrião mais do que atencioso e sempre preocupado com meu bem-estar.

Legolas retribuiu o sorriso.

— Fico contente, e acho que meu pai também ficará alegre em saber que o tem em tão alta estima. Agora vou deixá-la descansar. Prefere que eu deixe a porta aberta?

— Sim, por favor. A claridade do corredor deixa o quarto com uma luz muito formosa.

Legolas fez uma reverência respeitosa (a que Anna respondeu com um gesto de cabeça) e deixou o quarto. Anna afundou-se na cama, fechando os olhos e suspirando, finalmente entregando-se à tristeza e angústia.

Ela tentava ativamente não pensar em Thorin. Não pensar em como estava abatido, pálido e de olhos apagados. Era uma visão que lhe cortara o coração, mas ela não podia se entregar àquela tristeza. Não, ela queria parar de pensar naquilo, pois não queria se entregar à raiva de não poder ajudar Thorin.

Por estar deitada praticamente o dia todo, naquela noite Anna mais uma vez teve dificuldade de dormir. Após o jantar de caldos nutritivos e a visita de Eldrin, que se recolheu cedo, Anna se viu totalmente sem sono. Levantou-se e foi até o corredor vazio, apreciar um grande vitral de uma faia magnífica. A luz que ele trazia ao corredor de tochas pequenas era mesmo lindíssima.

Apesar da pouca luz, Anna achou que tivesse visto um movimento nas sombras. Mas não vira nada, então ficou alerta.

Será que isso poderia significar o que ela achava que significava?

Com o coração acelerado, ela entrou no quarto e deixou a porta escancarada, sentando-se na cama. Olhou-a fixamente, e a porta então se fechou lentamente.

Aquilo só podia significar uma coisa: Anna estava certa. Seu coração se acelerou.

Anna cochichou para o quarto aparentemente vazio:

— Bilbo? É você?

Então o hobbit, que estava invisível graças ao Um Anel, apareceu, admirado:

— Como você faz isso? Vim com o maior cuidado para não assustá-la. Se fosse eu, teria desmaiado de susto!

Anna pulou da cama e correu a abraçá-lo:

— Estou tão feliz em ver você, Bilbo Baggins...!

Eles se abraçaram, Anna ficou tão emocionada que derramou umas poucas lágrimas. Bilbo indagou:

— Está chorando, Anni Bolger?

Anna se riu quando ele usou o nome falso.

— Nossa, como eu senti falta de vocês!...

— Eu não fazia ideia que estava aqui — cochichou ele. — Foi um susto vê-la nas masmorras, e ainda por cima com o rei elfo!

— Estão todos bem? — indagou Anna, aflita. — Onde eles estão?

— Presos numa outra ala, bem afastada de Thorin. Ficaram felizes por saber que Thorin está bem, mesmo preso.

— Foram todos bem tratados?

Bilbo olhou para Anna como se ela tivesse ganhado uma cabeça a mais.

— Você me ouviu falar que estão presos? Como acha que estão?

— Eu ouvi, mas nada posso fazer quanto a isso. Pelo menos por enquanto.

Bilbo quis saber:

— Como não se assustou quando eu entrei? Parecia até que já sabia que eu estava aqui.

Anna lembrou:

— Bilbo, esqueceu-se de onde eu venho? Ou das coisas que sei? Eu estava esperando me encontrar com você. — O hobbit arregalou os olhos, com uma expressão de compreensão, a Anna continuou: — Não importa, só precisa lembrar que eu conheço os fatos. Diga-me apenas: já descobriu como soltar os anões?

— O quê?! — Bilbo se escandalizou. — Eu mal estou conseguindo me esconder! Preciso roubar comida, dormir pouco... Venho tentando chegar até você, mas aquele elfo não a deixa em paz!...

Bilbo estava com fome. Anna se lembrou e deu a ele o caldo que Eldrin deixara.

— Coma isso. É o que tenho, pena que está frio. — Bilbo se atirou no caldo, esfomeado. — Agora ouça com atenção, Bilbo: você é o único que pode soltar nossos amigos. Vai ter que libertar a companhia.

— Eu?! Mas você tem mais liberdade de and-

Ela interrompeu:

— Estou aqui por um favor de Mestre Elrond, e sou vigiada para minha proteção. Acho que já desconfiam de mim, então não posso me envolver. Eldrin, o elfo que você viu antes, é de Rivendell e vai nos ajudar.

— Por que ele nos ajudaria? Confia nele?

— Salvei a vida dele contra as aranhas gigantes. Ele já me disse que trairia Thranduil. Bilbo, meu amigo, só você pode soltá-los. Se não souber como, eu posso lhe dizer.

— Como pode ser isso?

— Por favor, só me escute: você precisa localizar as adegas e verificar o nível dos barris de vinho. Com sorte, lá verá 13 barris vazios. É neles que vocês escaparão, pois os barris são jogados no rio-

— O quê? — A ideia aterrorizava Bilbo.

— Shh! — pediu Anna. — Fale baixo. Não há outro jeito. Os barris vão pelo rio até um barqueiro os conduzir até a Cidade do Lago. O pior de tudo vai ser o timing.

— Como assim?

Anna explicou:

— O melhor seria fazer isso durante uma das festas de Thranduil. Ele sempre dá essas festas regadas a muito vinho fino, de um lugar especial. Não beba esse vinho jamais! Esse é o vinho de Dorwinion, e ele traz sonhos profundos e prazerosos. Você poderá ser descoberto se tomar esse vinho. Mas deve ficar de olho no chefe dos guardas: ele gosta de tomar esse vinho e então adormece. Aí você poderá pegar as chaves, soltar a companhia e levar todos até a adega. Só então conte o plano. Vá pondo todos em barris, ponha palha para acolchoar e solte-os no rio. Deixe o penúltimo para você e o último para mim. Precisa apenas me avisar quando vocês vão. Irei assim que puder.

— Você não vem conosco?

— Vou encontrar vocês na Cidade do Lago, se tudo correr bem.

— Não pode! — disse ele, alarmado. — Anna, sem você, Thorin vai se recusar a ir.

Anna cochichou:

— Precisa convencê-lo, Bilbo! Thorin precisa saber que Thranduil não pode desconfiar que ajudei vocês. Se o rei desconfiar, acho que ele me prende numa cela. Por isso eu sou um risco a vocês. Thranduil pretende me usar para pressionar Thorin e eu quero vocês longe daqui antes de chegar a esse ponto. Por isso é que planejo sair daqui depois de vocês e encontrá-los longe daqui.

— Mas e esse elfo, Eldrin?

— Ele vem comigo. Sem ele, não conseguirei sair daqui.

— Tem certeza? Já pensou no que vai acontecer quando você aparecer com seu amigo elfo na frente de 13 anões?

Anna deu de ombros:

— Vou lidar com isso quando chegar a hora. Vamos tratar um problema por vez.

Dava para ver que Bilbo não gostava nem um pouco daquele plano.

— Hobbits e água não se dão bem: todo o Shire sabe disso — resmungou, contrariado. — Não gosto disso!

— Bilbo — disse Anna, pegando as mãos dele com carinho —, acredite: não é uma solução que me agrade também. Estou tentando encontrar uma alternativa há dias, sem sucesso. Meu tio, esse não é apenas o melhor jeito: é também o único jeito.

O hobbit ainda tinha a cara amarrada, mas finalmente deu de ombros.

— Oh, danação. Eu deveria ter prestado atenção ao velho ditado: nunca se aventure para o leste. Agora só me resta aguentar as consequências.

Anna abraçou-o, contente:

— Oh, meu querido Bilbo. Estou tão feliz em vê-lo. Sinceramente, mal posso esperar para deixar esse lugar, ver sol e céu azul.

— E quanto a Gandalf?

— O combinado era que ele encontraria vocês na Cidade do Lago e pediria que me trouxessem de Mirkwood. Mas tenho certeza de que Thranduil vai transformar minha vida em um inferno depois que descobrir que vocês sumiram. Por isso é que não vou ficar por aqui para ver isso, e para escapar, vou precisar de Eldrin.

— Thorin disse que você parecia colaborar com o rei — comentou Bilbo. — Mas ele notou que era só aparência. Muito esperta.

— E nossos amigos? — indagou Anna, sem esconder a angústia. — Como estão?

— Mais animados depois que eu disse ter visto você. — Ele chegou ainda mais perto para perguntar, com ar de conspiração: — É verdade que você bateu em Thorin? Na frente de Thranduil?

Anna espantou-se.

— Sim, é verdade. Mas como sabe disso?

— Thorin me disse. Parecia espantado.

— Não sei por que o espanto — disse Anna, ácida. — Depois do que ele fez, eu não devia nem falar com ele!

— Você ainda está brava com ele — notou Bilbo. — Mas ainda assim pediu clemência a Thranduil. Você o ama, não é?

— Sim — Anna fechou os olhos. — Mas eu continuo brava com ele!

— Devo três moedas a Bofur. Ele foi o único que apostou que você bateria nele.

— Vocês fizeram apostas?

Bilbo deu de ombros.

— Todos ficaram muito bravos com Thorin quando souberam que você não sabia que tinha sido deixada em Rivendell. Ori e Bofur foram os mais revoltados, mas eu queria voltar a Rivendell. Olha, o clima ficou tão ruim que até Dwalin disse que me ajudaria a voltar. Kíli e Fíli achavam que Thorin não merecia você e disseram que seria bem-feito se você não o quisesse mais. Se você rejeitasse Thorin, disseram os dois, eles apoiariam você.

— Não deviam questionar a decisão de seu rei — disse Anna. — Mas eu agradeço. Senti tanta falta de todos vocês que fiquei doente.

— Você também fez falta.

— Bilbo, é melhor não arriscar vir aqui de novo — disse Anna. — Todos os nossos planos irão por água abaixo se você for descoberto.

— Já não sei nem mais viver sem esse anel! — lamentou-se ele. — Mas foi muito bom tê-lo achado.

— Força, meu amigo. Espero que em breve não precise mais usá-lo. — disse Anna. — Quer dormir um pouco? Está seguro aqui.

— É melhor não arriscar — disse ele. — Agora, à noite, tenho mais chances de andar sem ser detectado.

— Concordo — disse Anna. — Mas sentirei saudades, Bilbo. Todas essas semanas longe de vocês... Foi duro.

Eles se abraçaram. Bilbo prometeu:

— Ei: não fique triste. Nós nos veremos na Cidade do Lago.

— Sim — Anna não conseguiu evitar que algumas lágrimas escapassem. — Mas não se arrisque: se não puder me avisar sobre a fuga, saiba que eu vou saber e fugirei na primeira chance.

— Está bem — disse o hobbit. — Cuide-se.

— Tome cuidado, meu amigo.

Bilbo colocou o anel e sumiu. Anna abriu a porta, de olho no corredor vazio. Ela nem viu, mas sabia que o hobbit estava se esgueirando pelas sombras.

E o coração dela não tinha conseguido desacelerar.

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As aulas de espada dos dias que se seguiram foram interessantes. Anna se dedicou bastante, mas tinha que fingir atos desastrados e falta de reflexo, pois muitos elfos da guarda do rei vinham observar os exercícios — e não escondiam o desprezo pela pequena desengonçada. Anna os ouvia, cochichando entre si em Sindarin, divertindo-se às custas dela. "Riam," pensou ela. "Posso não ser grande coisa, mas sou mais do que pensam."

Eldrin ralhou com eles quando percebeu o que acontecia e desculpou-se com Anna. Ela não deu importância.

Quatro noites depois da visita de Bilbo, o mordomo Galion avisou a senhora sobre um outro jantar especial do rei, quase um banquete.

Os olhos de Anna brilharam ao saber disso. Claro que Galion nem desconfiava o porquê de tanta excitação.

— Eldrin — disse Anna —, acho que esse jantar vai ser muito especial.

— Mesmo?

— Ouvi falar de um vinho especial, vindo de um lugar muito específico... Não me lembro do nome.

— Acho que se refere ao vinho de Dorwinion. Sua Majestade favorece muito esse vinho.

— Esse mesmo! — exclamou Anna. — Se não me engano, ele mencionou propriedades restaurativas.

— É um vinho que favorece o sono profundo e os sonhos prazerosos.

Anna olhou em volta, viu que estavam sozinhos e recomendou:

— Apenas finja beber esse vinho esta noite. Deixe suas coisas prontas: de madrugada, escaparemos.

Eldrin arregalou os olhos.

— Como...?

— Quanto menos souber, melhor. Vou bater na porta do seu quarto muito tarde, fique pronto. Se quiser mudar de ideia, esta é a hora.

— Vou até o fim.

Anna sorriu.

— Então é melhor me preparar para o espetáculo.