Jomal

30 Capítulo 44


Dias depois...

Finn: Tem certeza que não quer que eu vá com você? – Perguntou, desgostoso, atrás dela.

Rachel usava um vestido claro, de um branco leitoso. O vestido dela era diferente, só haviam duas camadas de pano, uma seda mais grossa e mais solta, que começavam da caída dos seios. Ele veio por trás dela, tocando seus cabelos delicadamente, e prendeu a coroa dela ali.

Rachel: Tenho. São só umas poucas compras. Eu estou bem. – Garantiu, vendo ele ajeitar a coroa. Há muito tempo não a usava. – Ninguém vai me fazer nada. Santana está comigo.

Finn: Me preocupo com o bebê. Ei, grandão. – Disse, se ajoelhando em frente a ela, dando-lhe um beijinho na barriga – Seus pés estão bem? – Perguntou, atencioso.

Rachel: Bem melhor. – Tranquilizou – Não vou me demorar. Não agüento mais ficar aqui sem fazer nada tampouco. Estou ficando aborrecida. – Ele sorriu – Posso levar Suri? – Finn a encarou – Quero dizer, ela não tem muita experiência fora do castelo, um passeio normal seria bom. – Explicou. Finn sorriu.

Finn: Não precisa me pedir permissão. Ela é sua filha agora, também. – Disse, dando-lhe um selinho – Ela vai adorar. – Observou. Rachel assentiu – Eu estive pensando.

Rachel: Sobre...?

Finn: Sobre o bebê. Eu acho que é um menino. – Ela sorriu, e ele a abraçou de novo, dando-lhe um beijinho na barriga.

Rachel: Por quê?

Finn: Porque ele é maior do que Suri era. – Ela acariciou o cabelo dele, que deu um beijinho em seu braço – Certo, eu não cheguei a ver ela na barriga sem o vestido por cima, mas ele é maior. Então é um menino. – Concluiu.

Rachel: Você quer um menino? – Perguntou, e ele se ajeitou sobre os joelhos, encostando o ouvido na barriga dela. Os dois ficaram em silencio por um instante, como se ele fosse conseguir ouvir o filho.

Finn: Eu quero esse bebê. Não importa o que ele seja. – Respondeu, quieto, ainda com o ouvido na barriga dela. Houveram batidinhas na porta, avisando que as outras estavam prontas – Me prometa que não vai se esforçar. Não vai se cansar, não vai tomar sol, não vai ficar muito em pé. E que se sentir qualquer coisa, o que quer que seja, mandará me chamarem.

Rachel: Só se você me prometer que não ficará se preocupando com isso. – Ele sorriu, dando outro beijinho na barriga dela – Tenho a impressão de que você dá mais beijos a esse bebê que a mim. Não é justo. – Reclamou. Finn riu da manha dela. Ele se levantou, se sentando ao lado dela e apanhou seu rosto entre as mãos.

Finn: Boba. – Ele selou os lábios com os dela – Boba. – Outra vez – Boba, boba, boba. – Mais três selinhos. No final do ultimo selinho ele se demorou, os lábios sentindo os dela, e Rachel suspirou, satisfeita, quando os lábios dele tomaram espaço entre os seus, a língua dele provando a boca dela, indo de encontro a sua, acariciando-a. Ela tocou o rosto dele sutilmente, correspondendo, e logo os dois se beijavam apaixonadamente. Terminou como começou, de modo lento, carinhoso. – Melhor?

Rachel: Consideravelmente. – Respondeu, sorrindo.

Os dois saíram do quarto instantes depois. Ele a apanhou no colo com cuidado antes de descer as escadas. Ele nunca deixava ela descer ou subir sozinha, receava que ela tropeçasse no vestido, ou sentisse uma tontura (o que acontecia com freqüência), então a carregava. Ela não reclamava pela dor nas pernas e na coluna, eram muitos degraus, e os degraus eram altos. Quando chegaram no térreo ele pôs ela no chão com o mesmo cuidado. Os dois caminharam uns instantes, até que se encontraram com os outros.

Rachel: Onde está Quinn? – Perguntou, dando falta. Se arrependeu na hora. Kristen desfiou um rosário de queixas, sobre dezenas de coisas. Agora o problema era o tamanho das roupinhas. O bebê não parava de crescer, e Quinn, estava querendo mandar refazer tudo, só que em tamanho maior. Finn franziu o cenho, mas Rachel dispensou com a cabeça.

Puck: Quinn está se aprontando. — Respondeu, entrando no corredor — Sabe, eu acho que devemos chamar um médico. — Disse, cruzando os braços. Todos o olharam. — Não adianta mais negar.

Rachel: Negar o que? — Perguntou, confusa.

Puck: Você está com vermes. — Respondeu, erguendo as sobrancelhas de modo debochado, e Rachel revirou os olhos, abraçando a barriga.

Kristen parecia ter levado uma bolacha. Damon sorriu da exasperação da esposa, se afastando, mas uma mão pálida, branca, segurou seu braço. Ele ergueu o rosto e viu Santana, sempre de preto, os diamantes da coroa brilhando sobre os cabelos, e o rosto com uma expressão perturbadora. Era preocupação, frustração, receio. Ela olhava a barriga de Rachel, que tentava acalmar Kristen.

Damon: O que há? – Perguntou, em tom baixo, voltando pra perto dela.

Santana: Há algo de estranho com esse bebê. – Disse, ainda olhando a barriga de Rachel. Damon olhou, inclinando a cabeça pro lado, mas não encontrou o ponto.

Damon: Estranho? – Repetiu, tentando entender.

Santana: É. – Disse, ainda concentrada – Eu não sei o que é. Algo anormal, diferente. – Ela ergueu os olhos negros para encará-lo. Havia preocupação ali. – Algo errado. – Concluiu.

Suri, surpreendentemente, se engajou no enxoval do irmão, o que fez Rachel e Santana colocarem ela na carruagem que saiu na frente, com Kristen e Quinn. Santana parecia distante, pensativa.

Rachel: Está tudo bem? – Perguntou, estranhando. Santana a encarou e assentiu. Ambas esperavam a carruagem parar na frente do castelo.

Finn: Ei. – Disse, descendo a escadaria. Ele tinha o manto dela nas mãos. Enquanto o de Santana (que já o vestia) era negro, o de Rachel era da cor do vestido. Finn passou o manto em volta do ombro dela, abotoando-o. – Tome cuidado. – Advertiu mais uma vez, quando a carruagem parou. Finn ajudou ela a subir na carruagem. Santana entrou sozinha. Ele fechou a porta e passou a frente, pra falar com o cocheiro. Sua voz era ameaçadora – Dê um único tombo ou sacudida nessa carruagem, e eu vou mandá-lo a forca. – Avisou – E não corra.

Cocheiro: Sim, alteza. – Confirmou e Finn se afastou.

Puck: Sabe... Você precisa parar com isso. – Disse, enquanto Finn observava a carruagem se afastar.

Finn: Me deixe em paz. – Murmurou, saindo dali.

Uma vez na carruagem, ao se afastarem do castelo... Rachel estava muito bem, muito obrigada, mas Santana parecia observá-la. Então, não se contendo, e como quem não quer nada, questionou.

Santana: Como... Como está se sentindo? – Rachel ergueu a sobrancelha.

Rachel: De todas as pessoas que eu pensei que Finn fosse pôr para me vigiar, você foi uma das ultimas que eu imaginei. – Respondeu, achando graça.

Santana: Não. – Corrigiu – Não digo apenas agora. Na gravidez, em um sentido geral. – Rachel abaixou a cabeça, olhando a barriga, e a abraçou, inconscientemente.

Rachel: Ah. Bom, meu bebê é grandão. – Disse, lembrando de como Finn chamava o filho – Fora isso é tudo normal. Eu tenho sono, enjôo com tudo, as vezes desmaio. Minha coluna dói, meus pés incham com facilidade, meus seios estão doloridos pelo leite... Nada demais. Por quê? – Perguntou, insinuando – Por um acaso...

Santana: Não. Não vai crescer uma melancia na minha barriga tão cedo, acredite. – Rachel riu, divertida – Curiosidade, apenas. – Ela parou por um instante – Você não sente nenhuma dor... Dor na cabeça, ou no peito, nada assim?

Rachel: Não. – Disse, confusa – Eu deveria?

Santana: É claro que não. – Disse, sorrindo de canto.

Santana voltou a ficar pensativa, e Rachel resolveu não interromper. A carruagem real tinha seis cavalos presos nela, todos pretos. A viagem não demorou muito; elas só iam a uma loja, pra variar um pouco. Quando a carruagem parou houve um pequeno alvoroço. Rachel tentou abrir a porta, mas alguém segurou.

Cocheiro: Só um instante, alteza. – Pediu, a voz vindo do lado de fora.

Rachel: O que há? – Perguntou, estranhando.

Santana: A noticia de que estamos vindo pra cá deve ter vazado. – Disse, tranquila – Sem contar que Quinn, Kristen e Suri já devem ter passado. Não é nada demais.

E foi verdade. Alguns instantes depois o cocheiro abriu a porta. Soldados haviam dado as mãos, fazendo uma corrente, como um corredor largo, afastando os súditos. A imprensa também estava ali. Santana saiu da carruagem elegantemente, ajeitando a capa nos ombros, mas Rachel teve dificuldade. Tinha medo de tomar um esbarrão, qualquer coisa que machucasse o bebê. Finn teria concordado.

Santana: Ajude-a. – Ordenou, e o cocheiro deu a mão a Rachel, que agradeceu, descendo lentamente da carruagem.

Rachel: Estou retardando-a, não é? – Perguntou, sem jeito. Santana sorriu.

Santana: Retardando? Quem? – Brincou, e Rachel sorriu – Vamos, está frio aqui. – Disse, quando a carruagem saiu. Rachel assentiu e elas caminharam um passo, mas o alvoroço se fez mais alto. Todos queriam ver a barriga de Rachel, ninguém havia visto a gestação dela ainda. Haviam fotos, e as pessoas se espremiam. Rachel parou por um instante para acenar delicadamente para todos, o que causou uma onda de gritos, e Santana sorriu, sem acenar para ninguém, mas sendo simpática. Por fim elas entraram na loja, e a segurança barrou a entrada.

Mais tarde, naquele dia, fotos de Rachel e Santana juntas, assim como as que foram tiradas de Suri, Quinn e Kristen anteriormente, estariam circulando nos folhetins, em destaque, mesmo sendo preto e branco. E longe dali, alguém se daria ao trabalho de ler a noticia. Jesse observou o sorriso radiante de Suri, de mãos dadas com Kristen e Quinn, a pequena coroa nos cabelos, mas sua atenção foi chamada para outra coisa.

FLASHBACK

Rachel lavava roupas. Ela, a mãe, e várias outras mulheres, na beira do rio. Usava os vestidos que as mulheres usavam para lavar roupas, sem espartilho, só uma camada de um tecido fino, que facilitava com o calor. Ele se deleitou vendo os seios fartos decalcados no vestido fino, as coxas delineadas expostas (Rachel estava agachada, logo suas pernas estavam de fora), os cabelos presos de qualquer jeito em um coque. Era uma das mulheres mais lindas que já havia posto os olhos, Deus havia sido generoso com seu corpo. Enquanto ele observava ela conversava com a mãe, então algo a fez rir, um riso gostoso, sincero. O que ela tinha de bonita tinha de inocente. Jesse riu consigo mesmo, negando com a cabeça, então parou de perder tempo observando e voltou pro castelo, já pensando em outra coisa.

FIM DE FLASHBACK

Jesse: Aberração. – Condenou, olhando o ventre dela, antigamente rígido, agora enorme. O folhetim dizia que ela estava chegando aos 6 meses, mas a barriga dela já tinha o tamanho de 9. Ele largou o folhetim, com nojo, passando a mão no cabelo – Onde aquele desgraçado está? – Rosnou. “Aquele desgraçado” estava lá como fora mandado. Nas redondezas do castelo de Finn, esperando o momento certo. Chegaria em poucas horas.

Aconteceu horas depois. Rachel chegou das compras e foi descansar (ordens de Finn). Só que não tinha sono, então ficou sentada na cama, encostada nas almofadas, pensando. Quando chegara ali estava fugindo, marcada para morrer. Agora as pessoas gritavam por ela, se aglomeravam só para vê-la, nem que fosse por um instante. Era um mundo confuso. Foi em seus devaneios que Suri entrou no quarto, quietinha.

Suri: Não queria te acordar. – Disse, com um embrulho na mão.

Rachel: Não estou com sono, teu pai que me prendeu aqui. – Brincou, e Suri sorriu. Finn vinha tendo graça ultimamente – O que é isso?

Suri: Uma boneca. – Disse, olhando o embrulho – É minha. Nem é nova, mas é a minha preferida.

Rachel: E porque tu a embrulhaste? – Perguntou, observando.

Suri: Porque eu quero dar ela. Pro bebê. – Rachel ergueu as sobrancelhas – Quero dizer, eu gosto muito dela, então o bebê também deve gostar. – Rachel sorriu.

Rachel: Deixe isso. Vem aqui. – Disse, estendendo o braço. Suri fechou a porta, largando a boneca nos pés da cama e foi até Rachel, se sentando ao lado dela. Rachel a abraçou pelo ombro, beijando-lhe o cabelo – Não precisa se desfazer das coisas que gosta. – Disse, ajeitando o cabelo da menina.

Suri: Mas é meu irmão, não é? – Perguntou, observando a barriga de Rachel.

Rachel: Exatamente. São irmãos, vão poder brincar juntos. Tenho certeza de que teu pai vai encher esse castelo de coisas mesmo. – Suri riu, parecendo apoiar a iniciativa do pai.

Suri: Bom, ele me deixa comprar tudo o que eu sugiro. – Rachel revirou os olhos. Suri olhou a barriga dela, intrigada – Está tão grande. Não dói?

Rachel: Você é a segunda pessoa que me pergunta isso hoje. – Disse, afagando-lhe os cabelos. – Não, não dói. Só é... Pesado. As vezes ele chuta. – Comentou. Suri pareceu indignada.

Suri: Ele te chuta? – Rachel assentiu – Mas por quê?

Rachel: Porque ele está crescendo, e não tem muito espaço. Os chutes não doem, ele é pequenininho, eu só me assusto. – Suri pareceu pensar – Bom, um dia eu estava abraçada com teu pai, o bebê chutou, e ele sentiu. Perdeu a voz por 3 horas, coitado. – Comentou, pensativa. Suri riu gostosamente. – Ei, me dê sua mão. – Disse, pegando a mãozinha da menina.

Finn havia subido pra ver Rachel, e forçá-la a comer algo. Parou ao ouvir a voz da esposa. Ele entreabriu a porta, observando, e viu Suri dar a mão a Rachel, que a levou até sua barriga. Parecia procurar um ponto, querer mostrar algo. Suri ficou calada por um instante, então seu rostinho se iluminou, como se tivesse sido sacudida.

Suri: Ele me cutucou! – Disse, exasperada, e Rachel riu.

Rachel: Ele te chutou. – Corrigiu.

Suri: Ei, faz de novo! – Pediu ao irmão, olhando a barriga dela. Rachel sorriu. Mais uma pra lista dos que falavam com o bebê. Finn sorria, parado na porta. Não quis interromper. Estava quieto, aquele sorriso bobo no rosto. Havia um nó em sua garganta, como se ele pudesse ter uma crise de choro ou explodir de emoção, de felicidade, talvez. Viu Suri se frustrar por não receber outro „cutucão‟, então saiu dali, para não ser pego e interromper o momento.

Rachel: Acho que ele dormiu. Não vai te chutar mais. – Disse, vendo a frustração da menina.

Suri: Vamos lá, papai disse que não se deve ter preguiça. – Ralhou, e Rachel riu. O chute não veio. – Ai, desisto.

Rachel: Não fique chateada. Ele é pequeno, cansa ele cada chute desses. Depois que ele nascer, poderá brincar com ele o quanto quiser. – Prometeu.

Suri: Você não se cansa de ficar aqui o tempo todo? – Perguntou, parecendo aborrecida.

Rachel: Completamente. – Afirmou, e Suri riu – Vamos dar um passeio? – A menina assentiu, pulando pra fora da cama. Rachel desceu da cama com cuidado, apanhando seu manto. – É segredo. – Avisou. Elas desceram da torre em silencio, indo pros fundos, pro jardim. Caminhavam lentamente, sentindo o ar frio.

Rachel: Sabe que não precisa sentir ciúmes, não sabe? Do bebê? – Suri a olhou – Ninguém vai tomar teu lugar.

Suri: Sei disso. Só quero que ele nasça logo, já demorou demais. – Disse, aborrecida – Eu não posso comprar brinquedos se não sei se é menino ou menina. – Reclamou.

Rachel: Ele tem seu tempo. – Disse, acariciando a barriga – Compre todos os brinquedos que quiser. Depois, se não servir, damos utilidade. Rachel não chegou a ouvir a resposta de Suri. Algo atingiu sua cabeça e ela apagou antes de bater no chão.

Rachel acordou não sabia onde, nem quanto tempo depois. Era uma cabana de madeira, suja, empoeirada. Ouvia a voz de Suri gritando com alguém. Havia algo afiado contra sua barriga. Ela respirou fundo, os olhos se arregalando ao perceber que era uma espada. Estava sentada em um banco de madeira, seus braços estavam amarrados. Um homem alto, louro, forte, apontava a espada contra a barriga dela. Ela entrou em pânico.

Rachel: Não... – Ela tomou ar – Não, não, não, não, não, não, não, não, não, eu imploro! – Cuspiu as palavras, desesperada – Não faça isso, por favor.

XXXX: Eu tenho que fazer. – Rosnou, a espada ainda em posição. Ele tomou impulso com a espada, a lâmina afiada prestes a rasgar a barriga dela.

Rachel e Suri: NÃO! – Ele se retardou, e Rachel arfou.

Rachel: Não, por favor. – Ela estava quase chorando – Foi Jesse, não foi? – O homem a encarou. Seus olhos eram absurdamente azuis. – Escute. Ele quer a mim. Me dê tempo.

XXXX: Tempo? – Perguntou, os olhos confusos.

Rachel: É, tempo. – Disse, tentando pensar – Alguns dias. Até eu ter o meu bebê. – Uma lágrima caiu dos olhos dela. Queria que ele tirasse aquela espada dali. – Eu... Eu posso forçar. – Ela franziu o cenho.

XXXX: Forçar? – Perguntou, incrédulo.

Rachel: É, forçar. Ele só tem 6 meses, mas se eu tentar forçar o parto, talvez funcione. Deixe o meu bebê nascer, entregue-o a Suri e deixe que ela volte para Finn. – Ela respirou fundo – Mate a mim, e leve a Jesse. Só me dê alguns dias. – Disse, a voz fraca.

O homem parou por um instante, suspenso. Suri tentava roer as cordas, tentava se soltar, se debatia. Por fim ele suspirou, largando a espada, que caiu no chão, e deu as costas a ela. Rachel suspirou. Ele colocou as mãos nos olhos, e parecia ofegar.

Rachel: Você não quer fazer isso. – Percebeu, vendo-o. Agora, longe do pânico inicial, ela percebia que ele era jovem. Devia ter uns 18 anos, 20 no máximo. Ele grunhiu abafado. Estava chorando? – Tudo bem. Como é seu nome?

Matt: Matt, sua alteza. Matt Donovan. – Disse, se virando. Jovem demais.

Rachel: Porque está aqui, Matt? Seja qual for o trato que fez, Jesse não o honrará. – Disse, tentando pacificar. Suri continuava tentando roer as cordas.

Matt: Eu não fiz nenhum trato. – Ele respirou fundo, se acalmando – Jesse matou toda a minha família. Meus pais, meus irmãos, meus sobrinhos. Ele quis Vicki. Era minha irmã. Ela soube de ti, de que tinhas fugido e ele não desistira, então não relutou, se entregou a ele. Mas o desgraçado a matou em seguida. – Grunhiu. – Só me sobrou Caroline. Minha esposa.

Rachel: Ele a tem? – Perguntou, com dó.

Matt: Não. Está escondida, perto daqui. Está grávida, também. – Ele sorriu de canto – Jesse prendeu a mim, mas eu consegui escondê-la antes de ser preso. – Ele respirou fundo – Me deu ordem para que eu a capturasse, e transpassasse sua barriga com a espada. Queria que eu deixasse o corpo aqui, ainda com a espada, para que Finn encontrasse. Mas eu não consigo. – Ele rosnou consigo novamente.

Rachel: Onde exatamente... É aqui? – Perguntou, olhando em volta. Não havia nada na cabana, só uma lareira apagada, e muita poeira.

Matt: A floresta após a fronteira. – Informou.

Rachel: Por que não se senta? – Perguntou. Tudo que ela podia fazer era acalmá-lo. Matt observou, então puxou uma cadeira e se sentou. – Me conte sobre Caroline.

Matt: Bom, Caroline é branquinha, tem os cabelos loiros, pouco abaixo dos ombros, lisos... Isso a irrita, pois ela gostaria de tê-los cacheados. – Ele sorriu – Ela é ciumenta, insegura, indecisa, mas é a mulher mais linda que eu já vi. – Rachel sorriu – Ela é romântica, é ótima dona de casa, meio meticulosa, muito carinhosa. Eu costumava levar um lírio para ela toda noite, quando voltava pra casa. É a flor que ela mais gosta. – Ele respirou fundo – Isso, é claro, antes de eu ter que escondê-la no mato. – Disse, desgostoso.

Rachel: Você é feliz. – Observou.

Matt: Eu era. Nossa casa não era muito grande, era o suficiente para mim e para ela, e ela estava sempre feliz, sempre sorridente. – Ele riu de leve – Teve um ataque para conseguir me contar que estava grávida, e depois começou a chorar.

Rachel: Matt. – Ela tentou se inclinar pra ele, mas as cordas a mantiveram — Matt, você sabe quem eu sou. – Ele assentiu – Sabe quem ela é. – Apontou com a cabeça para Suri, que lutava com as cordas – E sabe que se nós fizer algo, Finn irá até o inferno atrás de ti, e o matará da forma mais dolorosa que encontrar.

Matt: O que eu devo fazer?!

Rachel: Me liberte. Venha comigo para o castelo. – Matt riu consigo mesmo, em deboche, se levantando – Escute! Eu vou rogar perante a Finn, ele vai acolhê-lo, a tu e a Caroline.

Matt: Ele vai me matar. – Disse, debochado.

Rachel: Não vai. Finn não é assim. Suri, pare de morder isso. – Ordenou. A menina a olhou, surpresa, com um pedaço de corda preso na boca – Ele me escutará. Não permitirei que o machuque. Me leve de volta para casa. É sua única esperança. – Ponderou.

Matt: Por que está sendo gentil comigo? – Perguntou, estranhando.

Rachel: Porque você não precisa estragar sua vida assim. Você é jovem. Tem uma vida pela frente. Se me matar, Finn não vai demorar a encontrá-lo. Acredite em mim, você não quer enfrentar a fúria dele. – Explicou. – Me leve pra casa, Matt. – Insistiu. Matt encarou Rachel, confuso. E se ela estivesse mentindo?