Jomal

12 Capítulo 26


A noticia de que Rachel havia se recusado a Finn se espalhou mais rápido que areia no vento. Os dias que se seguiram passaram de modo lento, tortuoso, e não havia um dia em que ela não chorasse por ele. Ela não o via. Quase ninguém, exceto o conselho em si, o via. Era caótico.

Kristen: Sinceramente, nem sei o que dizer. Não esperava. – Rachel, que ia servir o chá na torre, parou atrás da porta, quieta. Santana observou a porta brevemente, mas não disse nada.

Quinn: Puck me disse que ele está abalado. Calado, sempre quieto. Só aparece quando é necessário. Eu nem imagino como deve ser. E olhe que sou mulher. – Comentou.

Kristen: O fato é: Rachel o rejeitou e agora o nome dele virou motivo de piadas para todo o reino, e para todos os reinos dos quais ele rejeitou as princesas. – Assinalou.

Santana: Eu o vi. – Comentou, parada a sombra da janela – Está pálido, abatido, cheio de olheiras. A voz não tem vida. Enfim. – Rachel não aguentou mais ouvir; Entrou no quarto.

Rachel: Com licença, senhoras. – Disse, mas as outras continuaram conversando.

Kristen: Se pudesse fazer algo para ajudá-lo, faria. Estou com pena. – Admitiu.

Santana: Se eu tivesse um coração, ele estaria em pedaços. – Observou, olhando algo pela janela. Isso dispersou a atenção de Rachel.

Rachel: Desculpe. – Todas a olharam – Perdão. Mas “Se eu tivesse um coração”? – Indagou, confusa.

Santana: Eu só possuía um, e o entreguei a Sam. – Se resumiu. Rachel franziu o cenho mas não disse nada.

A verdade é que Rachel também não estava nada bem. Não havia cor em seu rosto, nem em seus olhos. Estava quase morta. Saber do sofrimento de Finn não melhorara em nada. Naquele dia, quando anoiteceu, ela se pôs em prantos, como sempre era. Não conseguia sustentar essa situação, era impossível! Ela olhou em volta e cada pedaço do pequeno quarto trazia lembranças dele. Então ela saiu. Desceu pelo gramado, sem ter um destino, os soluços oscilando seu peito. Até que se bateu com alguém.

Will: Rachel. – Disse, penalizado, e a abraçou. Ela afundou a cabeça no peito dele, que precisou segurá-la para que não caísse, tão desesperado era seu choro – Tanto que eu te avisei. – Lamentou.

Rachel: Eu o amo, Will. – Disse, a voz cortada, abafada – Meu Deus, eu o amo.

Will: Talvez... – Disse, tentando encontrar algo de consolo – Talvez quando a guerra acabar.

Rachel soluçou. A guerra demoraria. Já demorara anos, talvez demorasse mais. Alguém precisava por fim nisso. Will reparou quando, subitamente, o choro dela se acalmou. Ela se afastou dele, o rosto inundado em lagrimas, os olhos vermelhos, e começou a se afastar.

Will: O que há? – Perguntou, confuso.

Rachel: Alguém precisa acabar com a guerra. Se Jesse morrer, a guerra acaba. – Um soluço perdido escapou dela, que se afastava – Se alguém o matar, a guerra termina. – Will a olhava, confuso – Eu vou matá-lo. – Concluiu.

Will: Matar? Tu vais matar Jesse? – Perguntou, incrédulo – Rachel, onde está indo?

Rachel: Me oferecerei como bandeira de paz. – Disse, pensando alto – Ele quer me possuir, antes de me matar. Quando o tiver em meus braços o matarei. – Disse, olhando o chão – O matarei e voltarei para voltar para Finn, para lhe contar minha verdade, e se ele ainda me quiser, com a ajuda de Deus, serei feliz. Eu o matarei por Finn. – Concluiu, dando as costas.

Rachel disparou correndo, mas logo foi detida. Will a agarrou pelo braço, e logo ela se sacudiu, tentando se soltar, lutando violentamente.

Will: Rachel... Mulher, está louca? Tu vai matar Jesse? Agora? – Perguntou, debochado – Para começar, como vai matá-lo?

Rachel: Atravessarei uma adaga em seu coração. – Respondeu, prontamente, ainda lutando pra se soltar.

Will: Ah, ótimo. Como pretende passar da fronteira? – Insistiu.

Rachel: Do mesmo modo como entrei. – Rebateu – Will, só vou pedir uma vez: Me solte. – Disse, parando de se debater e encarando ele. A resolução estava pronta no olhar dela.

Will: É uma missão suicida, se fosse tão fácil o próprio Finn teria feito! Tente raciocinar! – Apelou.

Rachel: Jesse não quer levar Finn para cama, quer levar a mim. Essa é minha vantagem. É meu ultimo aviso: Tire as mãos de mim. – Disse, séria.

Will: Eu não vou permitir, é loucura, Rachel! – Disse, segurando os dois braços dela.

Rachel: SOCORRO! – Gritou, sua voz ecoando pela grama, entrando os corredores do castelo. Will arregalou os olhos – ME LARGUE! ALGUÉM ME AJUDE, SOCORRO!

Will: O que está fazendo? – Perguntou, confuso.

Rachel: SOCORRO! – Insistiu, se debatendo. Logo dois guardas apareceram.

Guarda: O que há aqui? – Perguntou, olhando a cena.

Rachel: Ele está tentando me agarrar a força. – Disse, virando os olhos lacrimosos para o guarda. Todos sabiam quem era Rachel: Era a mulher que havia rejeitado o rei. Se algo acontecesse a ela a fúria de Finn podia ser cruel.

Guarda: Solte a moça! – Ordenou, se aproximando.

Will: Mas... Rachel! – Exclamou, exasperado.

Rachel: Tirem ele de perto de mim. – Disse, com a expressão assustada. Resultou que os dois guardas apanhando Will, um por cada braço, e arrastando-o. Rachel se abraçou, fingindo-se de machucada.

Guarda: Você está bem? – Rachel assentiu.

Rachel: Estou. Apenas... Tirem ele de perto de mim. – Pediu, com a voz quebrada.

Os guardas assentiram e rebocaram Will dali. Ele observou Rachel o tempo todo, enquanto caminhava, em um pedido mudo de que ela não fizesse aquilo. Ela, por sua vez, apenas disse um: “Me perdoe.”, mudo, e deu as costas, sumindo rapidamente por uma das portas do castelo. Ninguém a deteria.

Will gritou por horas. Esbravejou, apanhou, gritou mais ainda. Exigia ver Finn. Gritou até não poder gritar mais, então continuou gritando.

Guarda: Senhores, licença. – Pediu. Sam, Damon, Puck e Finn olharam. O guarda explicou a situação rapidamente.

Damon: Bata nele. – Ordenou, sem entender.

Guarda: Já o fiz, senhor. Ele continua gritando. Parece estar possuído. – Disse, quieto.

Puck: Dê-lhe uma pancada, faça-o desmaiar. – Disse, franzindo o cenho.

Guarda: Já fizemos, senhor. E ele acorda já aos gritos novamente. – Respondeu.

Sam: Quebre-lhe os dentes. – Propôs.

Finn: Não, tudo bem. – Disse, quieto. Até a voz de Finn mudara, estava mais morta. – Eu vou ver o que é. Com licença. – E ele se levantou, saindo.

Caminhando pelo corredor Finn se perguntou brevemente o que esse homem teria de tão importante para fazer tal escândalo. Mas nem a curiosidade mais ele conseguia manter, todos os sentimentos eram muito passageiros.

Guarda: É ele, senhor. – Apontou para Will, que estava amarrado na cadeira. Will ergueu o rosto, inchado, com o nariz partido, e cuspiu um tantinho de sangue que estava em sua boca.

Will: Finn! – Disse, aliviado. Finn ergueu as sobrancelhas – Digo, alteza. O senhor tem que impedi-la. Ela está indo para a morte. – Agora que conseguira falar com Finn, Will tecnicamente entrara em pânico. Já se passara tempo demais.

Finn: Quem está indo para a morte? – Perguntou, franzindo o cenho.

Will: Rachel. – As feições de Finn repentinamente estavam alertas – Ela está indo atrás de Jesse. Quer apunhalá-lo, matá-lo, para acabar com a guerra, voltar e poder casar-se com o senhor. – Ele respirou fundo – Diz que vai matá-lo em seu nome. – Finn era a incredulidade viva – Se Jesse pôr as mãos nela, sabendo que o senhor a ama, vai matá-la.

Mas Finn já havia saído batido dali. Rachel era louca! Ele partiu direto para a sala onde ficavam as armas. Se Rachel disse que ia matar Jesse em seu nome, precisaria se armar ali. Dito e feito, em um faqueiro, onde costumavam haver 48 adagas, haviam 47 e um bilhete. Will entrou logo atrás e viu Finn lendo o bilhete. Era curto, apressado, e estava amassado.

Dizia apenas poucas frases: "Vou matá-lo, Will. Vou matá-lo em nome de Finn. Isso tudo acaba hoje. Se eu não voltar... Conte a verdade a Finn e diga que eu o amei mais que a minha vida. Rachel." Bastou para Finn sair correndo de novo. Por favor, que não seja tarde...

Enquanto isso, na floresta... Rachel passara da fronteira alegando estar levando lenha. Ninguém nem ligou. Ao se afastar ela soltou o cavalo da carroça, montando-o, e saiu a galope. Não sabia ao certo quanto tempo cavalgara, mas não podia mais ver o topo da torre do castelo de Finn, então devia estar longe. Mas estava escuro. Não havia lua e as arvores eram altas. Ela parou o cavalo, com medo de tombar com uma arvore, e tentou enxergar uma trilha no escuro. Foi então que uma voz cortante chegou até ela, fazendo-a estremecer, e assustando o cavalo.

XXXX: Procurando por alguém, Rachel? – Perguntou a voz, malevolamente divertida e debochada.

Rachel: O que está fazendo aqui? Como me alcançou? – Perguntou, gelada.

Finn: Eu conheço meu reino como a palma da minha mão. E você provavelmente estava correndo em voltas no escuro há um bom tempo. – Disse, a voz se aproximando – Você perdeu o juízo?! – Perguntou, em um silvo.

Rachel: Me deixe ir. – Pediu, olhando o escuro – Me deixe acabar com isso, Finn.

Finn: Desça daí. – A mão dele agarrou o pulso dela, trazendo-a ao chão – Primeiro não, eu não vou deixar. Segundo sou eu que vou matá-lo, não tu. Terceiro, vamos sair daqui.

Rachel: Porque está me arrastando? – Perguntou, indignada. Rachel sentiu a mão dele apanhando a adaga em seu decote, desarmando-a.

Finn: Porque isso aqui é terra de ninguém, carinho. Porque eu não estou enxergando direito e porque podem nos atacar. Brigarei com você assim que pisarmos no castelo. – Rachel sentiu-se ser erguida pela cintura, e estava em cima do cavalo.

Rachel: O cavalo...

Finn: Ele nos seguirá. – Disse, e ela sentiu ele montando no cavalo a sua frente – Não caia. – Advertiu.

Então o cavalo saiu a galope. Rachel viu seu plano, sua resolução, tudo caindo por água abaixo. Finn, por fim, sentiu ela se abraçando ao peito dele, o rosto de afundando em suas costas, mas não disse nada. Passaram pela fronteira direto, só parando ao pisar no castelo. Finn ordenou que Rachel não mexesse um músculo de onde estava (Uma das salas de reunião), enquanto ele ia avisar a Will e aos outros que estava tudo bem. Foi nesses poucos minutos que a resolução veio a Rachel: Ela encararia a morte. Tendo tido ele em seus braços novamente, sentido sua pele, sua pulsação, seu perfume, ela soube que a vida não teria sentido longe dele. Finn voltou em breve, já pronto para brigar com ela.

Finn: Eu nem sei por onde começar. – Disse, parado a porta. Uma vez na claridade ela podia ver a incredulidade no olhar dele. – Você está louca? Iria tentar furar a fronteira dele, invadir o castelo, matá-lo e voltar apenas com uma adaga na mão? O que passa na sua cabeça? Aliás, porque acha que conseguiria?

Rachel: Porque eles iriam me deixar passar pela fronteira. – Disse, quieta. Sua voz não tinha emoção, não tinha nada. – Eu caminharia pelas ruas e entraria no castelo com facilidade. – Continuou. Finn a observava, confusa – O mataria pois ele me quer em sua cama.

Finn: Que diabo está dizendo? – Perguntou, confuso – Ele tentou assediá-la no baile? – Perguntou, o ódio subindo a boca.

Rachel: Não. Ele tentou me assediar antes de eu vir para cá. – Continuou, com aquele tom de voz estranho, sem emoção – Aliás, este foi o motivo por eu ter vindo.

Finn: Eu não estou entendendo. – Observou, totalmente perdido.

Rachel: Minha família sempre foi muito unida. – Disse, o olhar perdido – Éramos eu, meu pai e minha mãe. Nós nos amávamos e sempre vivemos em paz. – Finn continuou confuso, cada vez mais. A família dela não havia posto ela para fora? – Meus pais me amavam mais que tudo no mundo. Quando a guerra estourou eu era uma menina ainda. – Continuou – Porém com o passar do tempo eu cresci, virei uma mulher... – Ela olhou o próprio corpo – E isso chamou a atenção de Jesse. Atraiu os olhos dele para mim.

Finn: Você tem noção de que o que está dizendo não faz o menor sentido? – Perguntou, lentamente. Rachel sorriu de leve, sem alegria.

Rachel: Durante muito tempo ele me assediou. Me queria como sua amasia. Eu sempre me neguei. Sonhava me casar pura, e me entregar apenas para o homem que eu amasse. – Continuou – Meu pai me defendeu com unhas e dentes. Minha mãe tinha medo. Até que um dia a paciência de Jesse acabou. Ele decidiu que me levaria embora a força, me possuiria e mataria em seguida. Então eu fugi. Vim para cá. – Finn estava calado. Seus ouvidos não queriam ouvir aquilo – Era o único lugar onde ele não me alcançaria: Em teu castelo, pois tu o mataria se conseguisse pôr os olhos nele. Ele não se atreveria a vir até aqui, a passar a fronteira... Mas eu tive. Eu passei. Aqui estou.

Houve um silencio pesado na sala. Finn a encarava, o verde dos olhos conturbados pela verdade. Quando ele falou, sua voz era irreconhecível.

Finn: Mentiu para mim todo este tempo? – Perguntou, em um silvo furioso. Não, não era fúria, era ódio. E estava acabado para Rachel.

Rachel: Na verdade eu não menti em quase nada. Eu só não te disse de onde tinha vindo. – Observou – Jurei para mim mesma que começaria uma vida nova aqui, livre, então conheci você. – Ela sorriu – No dia em que você me viu chorando... Quando meu pai morreu... Jesse o matou. Procurou por mim por todo o reino, não encontrou, então confrontou meu pai que passou a verdade na cara dele. – Ela riu de leve – Agora veja só, eu estou me entregando a morte só por amor a você. Como isso é absurdo! – Disse, quieta.

Finn: Eu-eu nem acredito nisso. Eu te dei o mundo, eu te confiei minha filha, eu te amei e você mentiu para mim! – Disse, incrédulo, tremulo. Ele ofegava de ódio. – Estava aqui a mando dele, para me fazer mal!

Rachel: Isso não. Isso nunca. – Disse, observando-o. Finn passou a mão no rosto, ainda ofegando – Finn, se eu pretendesse lhe fazer algum mal, teria feito a inicio. Perdi a conta de quantas vezes o tive adormecido, indefeso, em meus braços. Estive sozinha com Suri inúmeras vezes. Eu os amo, não lhes faria mal.

Finn: Eu não conheço você. – Murmurou, os olhos duros encarando-a – GUARDAS! – Rugiu, tremulo, abrindo a porta.

Rachel: Finn. – Sussurrou, derrotada, fechando os olhos.

Ela nem viu. Só sentiu duas mãos se fecharem em volta de seus braços. Não abriu os olhos, não queria ver o olhar dele daquele jeito sob si. Só queria se lembrar do olhar dele ao dizer que a amava.

Puck: Finn, que alvoroço é esse? O que está fazendo? – Perguntou, olhando a cena. Damon entrou atrás – Você não pode prendê-la por tentar terminar a guerra, seja racional.

Finn: Ela é a espiã. – Acusou, trêmulo.

Epa.