Jomal

39 Capítulo Final


A praça estava lotada. Soldados abriram espaço quando as carruagens reais chegaram. Finn e Rachel chegaram por último.

Rachel: Eles precisam mesmo estar aqui? – Perguntou, apontando para Chord e Rosalie, ambos de branco, usando coroas de prata, singelas.

Finn: É o regulamento. Não me agrada também. Mas eles não vão ver muito. – Disse, acariciando o rosto do filho. — Me preocupo mais com Suri. — Disse, desgostoso.

A carruagem de Finn parou. Ele apanhou a muleta improvisada, e a custo desceu da carruagem. Suri já estava lá. Rachel desceu atrás. Usava um vestido preto e prata, a coroa presa no alto de seu cabelo, e ele lhe ofereceu a mão enquanto uma criada colocava Chord e Rosalie no berço. Sam, Puck e Damon vieram, e Rachel teve que se afastar. Olhou aflita Finn mancar a frente, apoiado na muleta, os outros três o flanqueando. Quando chegou até a pira, largou a muleta improvisada em um canto, o que fez Rachel gemer. Fazia frio. Ela gostaria de ter mantido Finn na cama, aquecido, aquele dia. A perna dele estava impossivelmente inflamada. Mas nem pareceu quando ele subiu os 4 degraus altos, chegando a altura em que o corpo estava depositado, e puxou sua espada do peito de Jesse, o sangue seco causando uma sensação nauseante. Parecia ter ficado mais viscoso, como cola. Ele se virou, estendendo a própria espada, mostrando-a a todos os expectadores. Sam, Puck e Damon assistiam solenemente. Um soldado entregou uma tocha a Finn, que se afastou um passo, acendendo as chamas. Logo não se via o corpo. Ele se virou novamente, erguendo a tocha, e dessa vez houveram gritos e aplausos em saudação. Aquilo significava que, depois de anos, a maldita guerra acabara.

Santana: Quieta. – Disse, segurando Rachel, que ia ajudar Finn, quando ele apanhou a muleta de novo.

Rachel: Por quê? – Perguntou, exasperada.

Santana: Porque ele precisa fazer isso sozinho. Ele é o rei. – Disse, serena, a enorme coroa de diamantes contrastando com seu cabelo e vestido.

Rachel não gostou, mas pode entender. Sem dizer nada os reis voltaram para as carruagens, dando as costas ao fogo arrasador. As pessoas ficariam ali, comemorando o dia inteiro, mas não eles. Por fim Finn se aproximou, e Rachel sorriu pra ele. Ele beijou a testa dela, abraçando-a, enquanto a carruagem chegara.

Meses depois...

A guerra fora contida. As fronteiras foram derrubadas. Os dois reinos se uniram, famílias estavam juntas novamente. Will casara com sua noiva. A paz podia ser sentida no ar. Não haviam mais tantos soldados armados, não havia dor, apenas paz, e era perfeito. A barriga de Kristen se destacava mais que a de Quinn, mas as duas estavam redondamente grávidas.

Houve uma chuva de flechas na hora em que todos desceram. Estavam indo embora. Não havia mais necessidade de apoio. Todos se despediram em um clima de nostalgia, e com muitas promessas de visitas breves.

Rachel: Ah, Sant. – Disse, abraçando a outra. Já tinha passado minutos abraçada a Kristen e Quinn. Santana estava fria, como sempre, mas sorria. – Sentirei sua falta.

Santana: Você pode ir nos conhecer, duquesa. – Brincou – Também sentirei sua falta. – Ela viu o olhar de Rachel – E sim, eu tenho certeza, eu não posso ter filhos. Não, não estou nem um pouco arrasada com isso, nem Sam. Desista. – Rachel riu. – Prometa levar a pequena para me ver, ou ela não se lembrará de mim.

Rachel: Eu levarei. – Disse, e suspirou, vendo o clima de despedida em volta – Ah, eu gostaria que vocês ficassem.

Santana: Eu tenho uma casa também. Um castelo magnífico. Quando você for nos visitar, — Insistiu – Verá. – Sam a chamou. A carruagem esperava. – Eu preciso ir. Não direi adeus. – Assinalou.

Rachel: Não é um adeus. – Disse, apertando as mãos da outra – Faça boa viagem. – Santana agradeceu.

Santana: Obrigado. Até mais, pequena Rose. – Disse, dando tchauzinho pra menina. Rosalie, toda fofa, retribuiu.

Santana desceu as escadarias, tranquila em seu vestido negro, mas no final Rachel não aguentou.

Rachel: Sant! – Chamou, correndo até a outra. Santana olhou, sem entender – Só... Por favor, só me diga uma coisa. – Santana esperou – Como você consegue sair de dia? – Perguntou, exasperada, e Santana gargalhou. Sam sorriu com o som, esperando na carruagem.

Santana: Bom, eu não me lembro do sol ter saído desde que eu cheguei aqui. Curioso, não é? – Perguntou, piscando pra Rachel.

Rachel: O sol... Você... – Ela não conseguiu terminar. Santana riu de novo.

Santana: O sol não. Não dou pra tanto. – Disse, com uma careta – Mas as nuvens... A neve... São fenômenos curiosos, não são? – Perguntou, divertida – Até mas, Rachel. – Disse, dando as costas.

Rachel subiu as escadarias novamente, indo até o marido, que esperava. As carruagens saíram. Finn a abraçou pelo ombro, beijando-lhe o rosto, e os dois observaram em silencio os amigos partirem. Tudo tinha seu lado negativo. O lado negativo do fim da guerra era ter de deixá-los partir.

Suri já havia sido colocada na cama. Chord e Rosalie dormiam. Chord pronunciara sua primeira tentativa hoje, um “mamá” engraçado, olhando pra Rachel. A algazarra depois disso durou horas. Rosalie não entendeu porque, mas adorou. Cresciam fortes, felizes, seguros, mais armados a cada dia. Suri ficou com Rose até tarde, brincando com as bonecas. Bom, Suri brincava, e Rosalie ficava sentada, os olhinhos observadores, olhando. Ria com freqüência. Eram bebês felizes. Agora ambos dormiam, seguros, tranquilos. Finn sorria, sentado na cama. A vida fora doce com ele, pensou, enquanto observava. Rachel dançava. Na opinião dele, nunca estivera tão fascinante. Era a primeira vez que ela dançava pra ele depois do fim da guerra, e isso já fazia vários meses, quase um ano. Parecia que a alegria que agora emanava nela a deixara mais sexy ainda, se era possível. Os olhos de chocolate não deixavam os dele, e ela ofegava pelo movimento. Ela sorriu pra ele e rebolou dando a volta, inclinando a cabeça pra trás. As moedinhas de sua saia iam e vinham, frenéticas. Ela abriu os braços, jogando a cabeça pra um lado, os cabelos ricocheteando no ar, rebolando devagar, então subitamente se virou pra ele, subindo na cama. Finn sorriu, batendo palmas. Ela se ajoelhou em frente a ele, deixando a cabeça cair pra trás, a barriga reta oscilando, e ele só sabia sorrir. Ela ergueu o rosto, e aproximou o busto dele, se balançando, deixando os seios na altura do marido. Sabia que ele adorava quando ela dançava pra ele.

Finn: Sabe... Se alguém um dia soubesse do teu dom. – Começou, mas parou quando ela deixou os cachos passarem pelo rosto dele, aspirando o perfume – Tu ficarias conhecida na eternidade como a rainha que enfeitiçava com o corpo. – Rachel riu – Não que eu pretenda dividir isso com alguém, é claro. – Dispensou.

Rachel: Dividir? – Perguntou, atrevida. Ela, que estava ajoelhada, deixou o corpo cair pra trás, deitando as costas na cama, os lábios entreabertos, os cabelos em um redemoinho a sua volta, e oscilou o ventre em direção a ele, logo recolhendo-o de volta. Finn deixou a mão pairar no ventre dela, caindo pesadamente ali. Rachel parou de se mover, ofegando, olhando pra cima.

Finn: Ninguém nunca vai saber. É só meu. – Disse, possessivo. Ele passou pra cima dela, que riu, desdobrando as pernas de debaixo dele. – Tu te sai atrevida demais. Me lembro bem de como eras quando chegou aqui. – Rachel franziu o cenho, ainda ofegando – “Mais alguma coisa, alteza?” – Repetiu, e Rachel arregalou os olhos.

Rachel: Posso ajudar, alteza? – Repetiu, o tom inocente tingindo seus olhos. Finn ergueu as sobrancelhas – Sim, senhor. Com licença, majestade. – Ela fez bico, empurrando-o de cima de si, mas ele a puxou de novo, fazendo-a cair. Ela ria gostosamente enquanto ele a mordia. Finn tinha o peito nu, e usava uma calça preta.

Finn: Descarada. – Acusou, segurando o rosto dela, afundando os beijos em seu pescoço. Rachel tremeu sentindo a língua dele na pele sensível, suspirando.

Rachel: Se lembra da primeira vez em que estive aqui? – Perguntou, em tom baixo, enlaçando as mãos nos cabelos dele.

Finn: Estava com medo de mim. – Lembrou, descendo a boca pelo decote dos seios dela – Apavorada. Pensava que eu ia te matar.

Rachel: Nunca imaginei que pudesse chegar a ser tão feliz. – Disse, e ele ergueu o rosto para encará-la. Os olhos de ambos estavam dilatados – Sou tão feliz que parece não caber em mim. Se alguém me dissesse que terminaria aqui, como tua mulher, eu riria. O que tu, rei, ia ver em mim? – Perguntou, mordendo o queixo dele em seguida.

Finn: O que eu, homem, podia não querer em ti? – Sussurrou os lábios dele.

Rachel: No final das contas, você me matou. – Finn ergueu os olhos, encarando-a – Me mata. Todas as noites. As vezes durante o dia. – Um sorriso delicioso se abriu no rosto dele – Nas minhas provas de roupa. Durante o meu banho. Até quando estou dormindo. O tempo inteiro. – Disse, atrevida, com um biquinho.

Finn: Quem vê até acredita que tu gostas de morrer. – Murmurou, mordiscando os lábios dela e puxando-os, repetidamente.

Rachel: E eu gosto. Cada dia mais. – Disse, libertina. As mãos dele apanharam os quadris dela, puxando-a direito para debaixo de si.

Finn: Então permita-me, — Começou, descendo a boca pelo rosto dela, até que pairou perto de seu ouvido – Pois bem agora eu me ponho louco de vontade de fazê-la morrer. – Rachel suspirou de antecipação. Então veio um sussurro. – Eu amo você. – Ele ergueu o rosto, vendo-a sorrir pra ele, e ela disse um “eu te amo”, sem emitir som nenhum. Ele sorriu, se abaixando, tomando os lábios dela em um beijo apaixonado. Nem o primeiro nem o ultimo, apenas mais um dos infinitos que eles ainda trocariam.

E exatamente como em um conto de fadas, eles viveram felizes para sempre.

FIM

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!