Jomal
31 Capítulo 45
Finn: Todos irão buscar. – Finn tinha o rosto branco feito gesso, as expressões fechadas, o rosto sem vida. O dia morria, o céu nublado, dando a tudo um tom de cinza – Todos, sem exceções. – Anunciou. Havia gente ao perder de vista na frente do castelo, murmurando, atordoados. Tanto soldados quanto civis. A rainha sumira, a princesa também.
Puck: Finn, não podemos colocar mulheres e crianças no meio disso. – Lembrou. Finn nem sequer virou o rosto.
Finn: Todos se dividirão. – Os olhos de Finn, em geral, eram esmeralda. Agora pareciam mais escuros, contrastando com a pele, e ele estava branco. Se algo acontecesse a ela, a Suri... Ele não gostava nem de pensar – Crianças não, elas não me tem utilidade. Mas todos, homens e mulheres, vão procurar sua rainha. As mulheres se retém perante a fronteira, eu não me responsabilizo pela mulher que a ultrapassar. – Ele respirou fundo – Os homens, se não a encontrarem, invadam a fronteira dele.
Damon: E a objeção? – Perguntou, pensativo. Rachel raptada definitivamente não era algo que eles precisavam agora. Ele não ousaria dizer, mas a essa hora já deveria estar morta. Sumira desde antes do almoço, e já ia anoitecer. Ninguém viu, ninguém ouviu falar.
Finn: Matem todos que cruzarem o caminho. – Ordenou – Eu sou rei. São meus súditos. Me devem obediência e respeito. Essa é a minha ordem, e ela vai ser cumprida. Encontrem a minha mulher. – Disse, por fim. Não havia como contestar.
Puck: Escute. Não precisamos envolver civis nisso, mandaremos soldados, deixe as mulheres em casa com as crianças. – Intercedeu, logo interrompido.
Finn: Eu não vou perdê-la, Puck. Eu não posso. – Disse, se resumindo. A palavra dele era lei. Então ouve um alvoroço na multidão. Finn, que estava de costas, nem se virou. Coitado do que ousasse tentar se amotinar agora.
Rachel: Finn! – Gritou, as pessoa abrindo espaço para ela passar.
Finn se virou em um rompante. Puck suspirou, agradecendo a Deus. Rachel vinha na direção de Finn, em lágrimas, o vestido luxuoso, branco leitoso, formando uma cauda atrás dela. Ela dera seu manto para Suri; fazia frio. Atrás dos dois havia um homem, parecia apavorado.
Finn: Rachel! – Exclamou, descendo a escadaria em um rompante. Ela se lançou no ombro dele, soluçando em seu choro, e ele a acolheu – O que houve? – Ela não conseguiu responder – Shhh. Já acabou. – Ninou – Suri? – Perguntou, preocupado com a filha, que estava parada num canto, enrolada no manto de Rachel.
Suri: Estou bem. Só com dor nos dentes. – Finn franziu o cenho – Longa história.
Finn: O que houve? Você está bem? – Perguntou, apanhando o rosto dela nas mãos. Rachel assentiu, respirando fundo.
Rachel: Jesse mandou me sequestrar. Ordenou que cravassem uma espada na... Na minha barriga, e me largassem morta, para que tu encontrasse o corpo. – Descreveu. Os olhos de Finn se arregalaram em descrença. Puck rosnou. Damon observava, indignado – Eu estava caminhando no jardim, com Suri, e levei uma pancada na cabeça. Acordei em uma cabana, no meio do nada.
Finn: Este homem a encontrou? – Perguntou, apontando com a cabeça para Matt.
Rachel: Não. – Ela respirou fundo – Ele foi quem me raptou.
Finn: Matem-o. – Ordenou, imediatamente. Matt abaixou a cabeça, esperando. Os guardas se moveram, se aproximando dele.
Suri e Rachel: NÃO! – Exclamaram, ao mesmo tempo. Rachel tentou se pôr na frente, mas Finn a manteve. Suri conseguiu escapar, abraçando Matt. Os soldados ficaram sem saber o que fazer.
Suri: Vai lá agora, bonitão, me mate pra alcançar ele. – Disse, raivosa. Puck ergueu as sobrancelhas, achando graça.
Finn: Rachel, o que está fazendo? – Perguntou, atordoado. Ele entregou ela cuidadosamente aos guardas, que a mantiveram presa pelos braço.
Rachel: Ele salvou minha vida! Devia ter me matado, mas me poupou! – Disse, exasperada – Finn, estou implorando, não o mate! – Suri continuava agarrada a Matt, o peito estufado como em uma afronta, se pondo entre ele e os soldados. Esse, coitado, estava branco, gelado, tremia. Só conseguia pensar em Caroline, sozinha. Quando ela soubesse de sua morte...
Finn: Ele a raptou! – Rosnou, raivoso. Rachel se debateu, mas estava presta – Matem-o! – Repetiu a ordem.
Suri: Passe por cima de mim! – Desafiou, impetuosa.
Finn: SURI! – Rugiu.
Suri: Vão ter que me matar. – Desafiou o pai. Houve um instante de silencio.
Finn: Tirem ela daí. – Ordenou, incrédulo.
Suri: Me dê as mãos. Não solte por nada. – Ordenou, enlaçando os dedos com os de Matt. Ele apertou a mão dela. Era errado usar uma criança como escudo, mas não podia morrer agora. Então o que ninguém esperava aconteceu: Ela gritou – EU CONTINUO ESPERANDO POR AQUELE QUE VAI TER CORAGEM DE PASSAR POR CIMA DE UMA ORDEM MINHA!
Puck: Meu Deus. – Disse, abismado.
Santana: O que é isso? – Perguntou, descendo a escadaria.
Sam: Nada. Volte para dentro. – Disse, tranqüilo.
Rachel: Sant! Sant, me ajude! – Implorou, desesperada. Santana adoraria ajudar, mas Sam quebraria seu pescoço se ela interferisse.
Santana: O que há aqui?! – Perguntou, se irritando – Puck? – Perguntou, vendo que Sam não responderia. Puck a chamou com o dedo. Ela segurou o vestido, descendo até onde ele estava, e ele começou a explicar.
Um dos soldados tentou soltar a mão de Suri. A menina desceu a boca no braço desarmado do soldado, mordendo-o com toda a força que encontrou. O sangue desceu, pingando no chão. O soldado recuou, atordoado. Não podia se defender, ela era a princesa.
Finn: Suri, eu estou perdendo a paciência. – Avisou.
Suri: Eu já perdi a minha faz tempo. – Rebateu. Rachel ainda tentava se soltar.
Rachel: Finn, ele poderia ter me matado, e não fez nada! Me trouxe de volta, sem nenhum arranhão, e me devolveu para você. Seja racional.
Finn: Uma boa ação não é capaz de redimir um crime. – Descartou.
Santana: Mas parece ser capaz de condenar. – Comentou, amparada em Puck. O caos estava armado.
Rachel: Você não sabe porque ele teve se fazer isso. Finn, por favor. – Pediu, se debatendo.
Finn: Tampouco me importa. MATEM-O, AGORA! – Rugiu.
Foi difícil. Os soldados avançaram. Suri olhou em volta. Santana encarou a menina, urgente, e alertou sem som: “O pescoço!”. Suri pulou no colo de Matt, como se fosse abraçá-lo, mas envolveu o pescoço dele com os braços, protegendo-o. Ninguém podia ferir a princesa. Ela já estava toda suja de sangue, e cada mão que tentava pegá-la levava outra mordida. Matt estava quieto, trêmulo. Rachel se debatia com toda a força que tinha. Era, resumidamente, o caos.
Rachel: O QUE ACONTECEU COM NÃO JULGAR ANTES DE CONHECER?! – Gritou, pra se fazer ser ouvida, e Finn a encarou. – Por favor.
Finn parou por um instante, observando a esposa. Ele respirou fundo, e olhou o alvoroço que eram Suri e os soldados, tudo para proteger o maldito homem. Por fim suspirou.
Finn: Soltem-no. – Disse, de cara fechada. Os soldados se dispersaram – Ele será julgado.
Suri: Eu tenho sua palavra? – Perguntou, descendo do colo de Matt, o queixo inundado de sangue, que descia manchando seu vestido. Santana sorriu de canto, observando. – Perante todo o reino. – Ela elevou a voz para que todos ouvisse. O silencio era opressor – Meu pai, eu tenho sua palavra de que não matará esse homem antes que ele tenha um julgamento justo?
Finn: Tem minha palavra. – Disse, e todos ouviram. Rachel suspirou, duas lágrimas caíram por seu rosto – Prendam-no. – Ordenou, então olhou a esposa – Soltem-a.
Rachel tropicou, mas não foi pros braços do marido. Ela desceu até o ponto onde Matt estava sendo algemado.
Matt: Obrigado, alteza. – Agradeceu, sincero.
Rachel: Você poupou minha vida. – Agradeceu. – Finn só está com raiva. Não tema, nada lhe acontecerá. – Matt a encarou – Ele não vai matá-lo, e como prova de minha gratidão conseguirei asilo para tu e para Caroline, a salvo, aqui no reino. – Matt soluçou, caindo no choro, então se ajoelhou. Estava algemado, as mãos nas costas – Shhh. Ficará tudo bem. Eu prometo.
Matt: Obrigado. Muito obrigado. – Então ele abaixou o rosto e beijou os pés dela. Finn observou a cena, quieto.
Rachel: AGORA EU QUERO QUE TODOS ME OUÇAM CLARAMENTE. – Disse, o rosto repentinamente duro – ESSE HOMEM NÃO DEVE SER TORTURADO SOB NENHUMA HIPÓTESE. ESSA É A MINHA ORDEM: ELE AGUARDARÁ JULGAMENTO NAS MASMORRAS, E NINGUÉM O MACHUCARÁ. A PESSOA QUE ME DESOBEDECER IRÁ PARA A FORCA POR MINHA ORDEM. – Encerrou. Os súditos se curvaram em reverencia.
Puck: O poder da realeza está começando a dominar o sangue dela. – Comentou com Santana, que assentiu, divertida.
Rachel: Se levante. – Disse, e Matt se levantou – Ficará tudo bem. Tu tens minha gratidão.
Finn: Levem-no. – Ordenou. Matt foi levado – Suri. – A menina o encarou. – Você está de castigo até que o sol fique negro. Não vai sair do quarto, não vai ver ninguém. – Disse, os olhos parados na filha – Suma da minha vista. – Suri passou por ele, muito digna, subindo as escadarias. – E tu. – Ele se virou para Rachel – Ficará deitada, em repouso, daqui até que o bebê nasça. Fui claro? – Rachel assentiu. – Suma daqui.
Rachel: Não me mande sumir. – Ela o abraçou, beijando-lhe o queixo – Vou precisar de ajuda, pra tomar banho, me alimentar... E eu não quero ficar só. Venha comigo. – Pediu, acariciando o rosto dele, enquanto o encarava.
Finn: Voltem todos para suas casas. O problema foi resolvido. – Ordenou.
Damon: Graças a Deus, nosso senhor. – Suspirou.
Finn: Porque eu não consigo te dizer não? – Perguntou, o rosto fechado, mas acariciando a maçã do rosto dela. – Vamos, venha para dentro.
Tudo resolvido. Por enquanto.
Dias depois... O conselho se reuniu para o julgamento de Matt. Finn estava irredutível; sua raiva passara, mas o susto ainda o assombrava, e ele queria a morte do rapaz. Damon preferia procurar saber antes de agir. Sam não via necessidade de matar, e Puck não estava dando à mínima. No momento em que iam começar a discutir...
Sam: Podemos resolver isso logo? – Perguntou, olhando a mesa – Ainda temos que fazer a ronda, e eu quero voltar antes que essa chuva caia, e antes do anoitecer. – Disse, quieto.
Rachel: Perdoem o atraso. – Disse, entrando na sala. Usava um vestido azul água, segurando o tecido das pernas.
Finn: Como você desceu as escadarias? – Perguntou, exasperado.
Santana: Bom dia. – Respondeu, se mostrando atrás de Rachel.
Finn: O que está fazendo aqui, Rachel? – Perguntou, se virando.
Rachel: Eu sou a testemunha. Eu vivi o fato que vai ser julgado, logo, eu tenho que estar aqui. – Puck puxou uma cadeira pra ela, que se sentou com cuidado. – Obrigada, Puck. – Ele assentiu com a sobrancelha. Rachel suspirou. Não se sentia bem desde a madrugada, não dormira nada.
Sam: Muito bem. Diga o que tem a dizer, Rachel. – Disse, se virando.
Rachel: Matt me raptou, sim. – Finn fez uma careta debochada – Mas não teve coragem de me matar.
Finn: Se não ia ter coragem de matá-la, porque a levou? – Insistiu.
Rachel: Porque estava preso! – Ela respirou fundo – Jesse matou toda sua família, os pais, a irmã, todos, e ele estava preso. Só conseguiu sair porque recebeu a ordem de me matar. – Contou. Rachel estava meio tonta. – Tem uma esposa, Caroline, que está em uma cabana no mato, grávida, foi a única que ele conseguiu salvar. Finn, por favor. – Finn a observava, impassível – Estou rogando por ele. Se o matar, a esposa dele morrerá de inanição, junto com o bebê, esperando por seu retorno. É crueldade demais, principalmente por quem poupou minha vida e a de Suri.
Puck: Não vai dizer nada? – Perguntou, achando graça do silencio de Santana. Esta tinha uma aparente preocupação no rosto, uma angustia, e olhava a barriga de Rachel fixamente.
Santana: Eu não estava lá. – Respondeu, distante.
Rachel: Estou implorando. Não o matem. – Pediu, respirando fundo – Peço que dêem asilo a ele e a esposa. – Sam ergueu a sobrancelha. Ai já era demais – Eu coloco minha mão no fogo de que ele não criará problema. Ele é jovem, só quer ter o filho dele em paz. Por favor.
Puck: Deliberemos. – Disse, parecendo entediado.
Finn: Conhecem meu voto. – Disse, quieto.
Damon: Ele não lhe fez mal algum? – Rachel negou – Então não há necessidade de matar o homem.
Puck: De acordo. – Disse, tranquilo – Sam?
Sam: Deixem-no em paz. – Rachel suspirou, agradecendo com o olhar.
Rachel não tinha boas lembranças das masmorras. Na ultima vez em que estivera ali, passara pelos piores dias se sua vida. Ao abrirem a porta ela entrou na frente. Matt estava sentado no monte de feno onde ela passara sua ultima noite ali, ainda algemado com as mãos nas costas. Ele ergueu o rosto, assustado, quando todos entraram. Rachel se aproximou, e ele se levantou, tropeçando. Estava ficando fraco.
Rachel: Matt, onde está Caroline? – Perguntou, olhando-o. Finn observava a distancia.
Matt: Não sei explicar, alteza. Só sei chegar lá. – Ele respirou fundo, ansioso – A senhora conseguiu perdão para ela? – Rachel sorriu – Podem me algemar mais, me amarrar, eu os levo até ela, não vou tentar fugir, eu prometo. – Os olhos do rapaz se encheram d‟água. Iria morrer, mas pelo menos Caroline seria acolhida.
Rachel: Shhh. Nós vamos lá, buscá-la, mas tu não vais algemado. Está livre, Matt. – Disse, com um sorriso. Matt olhou dela pra Finn, ofegando pela surpresa, meio assustado. Deus, era quase um adolescente!
Matt: O... O que queres dizer com livre?
Rachel: Quero dizer que vamos acolhê-los, a tu e a tua esposa, em segurança. Imagino que não tenham nada. – Disse, pensativa. Finn observava a esposa – Bom, de imediato os traremos para o castelo. Quantos meses Caroline tem?
Matt: Quatro, majestade. – Respondeu, tremulo.
Rachel: Então meus vestidos antigos lhe servirão. Ficarão um pouco folgados, provavelmente, meu bebê é grande, mas podemos ajustar. A ti, providenciaremos vestes. Ficarão no castelo e trabalharás aqui até que possa construir tua própria casa. É um presente, como forma de nossa gratidão. – Disse, sorrindo.
Matt não teve reação por um instante, então se ajoelhou perante a ela, chorando. No sobressalto Rachel abraçou a barriga e Finn avançou um passo, mas não era nada. Ele tentou beijar-lhe os pés novamente, em forma de agradecimento, mas ela não deixou.
Rachel: Não faça isso. Eu é que lhe sou grata. – Ele a encarou, os olhos mareados – Agora se levante. Precisa se alimentar, e precisa ir buscar tua Caroline.
Matt: Obrigado, alteza. Muito obrigado. – Ele, ainda ajoelhado, beijou as mãos dela.
Finn: Soltem-no. – Ordenou, e um guarda foi até Matt, livrando-o das algemas – Meus soldados o acompanharão até onde tua esposa está. Se tentar fugir, ou coisa do tipo, eles tem ordens para matá-lo na hora. Me fiz claro?
Matt: Completamente, vossa majestade. – Disse, se levantando.
Finn: E tu. – Rachel o olhou – Venha. Não devias ter saído do quarto. – Disse, oferecendo a mão a ela. – Eu já estou saindo. Não vou me demorar. – Rachel assentiu – Venha, vou lhe levar para o quarto. – Ele a apanhou no colo e ela não reclamou.
Não se sentia bem. Não o diria, senão ele não iria. Era só um mal estar. Ele a deixou deitada, e foi. Ela se acomodou, fechando os olhos, e tentou descansar por meia hora. O desconforto não passava.
Santana: Viemos fazer companhia. – Disse, entrando no quarto – Está tudo bem?
Rachel: Na verdade, não. – Admitiu. Santana aguçou o olhar – Só um mal estar, logo vai... Ai! – Gemeu, se encolhendo, a mão alcançando a barriga.
Kristen: Perdi alguma coisa? – Perguntou, confusa.
Rachel: Eu acho que estou sangrando. – Disse, se sentando. – Chamem a minha mãe! – Disse, assustada, então Santana havia sumido. Instantes depois apareceu com Shelby. – Mamãe! – Exclamou, assustada. A mãe dela se aproximou, apanhando sua mão – Mamãe, está doendo! – Choramingou – Eu estou sangrando. – A mãe de Rachel tocou o ventre dela, abaixo do umbigo, tateando com os dedos, como se medisse algo. Então franziu o cenho.
Shelby: Não é sangue, bebê. – Disse, confusa – Sua bolsa estourou. – Avisou.
Isso seria normal se ela não estivesse perto de entrar no sétimo mês. Seu bebê nasceria prematuro. Shh... Nada bom.
O problema foi que Finn, turrão, resolveu acompanhar Matt até a floresta. Por falta do que fazer, todos foram junto, logo ninguém achou ele pra dar a noticia. No castelo haviam três parteiras e dois médicos. Rachel estava assustada. As contrações iam e vinham. Ela sempre soube que haveria a dor, havia se preparado psicologicamente pra ela, era natural, mas não agora! Era muito cedo! Todos se preparavam para o parto, as rainhas saíram pra não encher o ambiente, todas angustiadas. Mas a pior era Santana. Essa estava indócil. Andava de um lado pro outro, passava a mão nos cabelos, parecia angustiada.
Quinn: Você está me deixando mais aflita do que eu já estou. – Avisou, vendo Santana.
Santana: Está errado... Está errado... Onde está Damon?! – Disse, angustiada.
Kristen: Já mandamos buscar Finn. Estamos aguardando. No que Damon pode ajudar? – Santana a encarou, franzindo o cenho.
Santana: Isso é assunto entre você e ele. – Dispensou, voltando a andar em círculos.
Levou horas. Rachel não fazia ideia de onde diabos Finn estava. Era cômico que o reino todo soubesse que o príncipe ia nascer, menos o rei. Estava nervosa, com medo, com dor. Depois de tudo, Deus não podia permitir que nada acontecesse com seu bebê. A livraram de seu vestido, tornando a estar de camisola. Haviam toalhas brancas, limpas, e água morna, sempre sendo trocada, esperando pelo bebê. Então, quando as contrações pareciam não ceder, Shelby, que estava com as parteiras, veio pro lado de Rachel.
Shelby: Bebê, me dê sua mão. – Disse, se sentando ao lado de Rachel. Rachel deu a mão a mãe. Já soava, tremula. – Agora eu preciso que você seja forte.
Rachel: Isso dói. – Ofegou, o cenho franzido.
Shelby: Vai acabar. – Prometeu – Preste atenção. Agora concentre toda a sua força, tudo o que você puder, e faça força pra baixo. – Rachel gemeu. Temera esse momento. – Ajude o seu bebê a nascer. – Rachel assentiu e respirou fundo.
Ela gritou no momento em que fez força. A dor era simplesmente horrível, parecia não haver espaço dentro dela, ela não conseguia respirar, e ainda assim ela tinha que continuar. Fechou os olhos, lembrou de Finn despertando o bebê hoje pela manhã, assim que acordou. Lembrou-se dele chamando-o de “grandão”. Então respirou fundo outra vez, apertando a mão da mãe, e voltou a fazer força pra baixo, mais que antes, sufocando o grito, até ter que parar, aos ofegos – Não conseguia fazer força ao mesmo tempo. Pelo visto seria isso, não parecia ter como piorar. Enquanto isso, longe dali.
Caroline: Você pode me explicar o que é isso? – Perguntou, em um murmúrio, sendo trazida de cavalo com Matt. Ele sorria.
Matt: Há tempo. – Disse, tranqüilo, caminhando a frente do cavalo dela, levando-o pela cela. Ela segurava a barriga, sentada de lado. Reparou que ele parecia bem, tinha vestes novas e não parecia ter medo, então ficou quieta, apesar da histeria interior.
Puck: E graças ao azedume de Finn eu ganhei uma inesquecível viagem até um buraco no meio do mato. Não vejo como agradecer. – Disse, debochado. Finn continuava de bico.
Sam: Horas da minha vida que eu nunca mais vou ter de volta. – Comentou, quando eles atravessaram a copa das arvores, se aproximando da fronteira. Damon franziu o cenho.
Puck: Vai ter bolo aqui hoje? – Perguntou, ainda debochado, vendo o alvoroço em que o reino parecia estar.
Damon: Santana. – Disse, olhando o chão. Sam o encarou.
Sam: Porque a está acusando? – Defendeu, incrédulo. Não era possível que Santana houvesse armado aquilo tudo. As pessoas corriam pelas ruas, alvoroçadas, em direção ao castelo.
Damon: Não. – Desprezou – Ela está me chamando. Está apavorada. – Ele reergueu o os olhos, vendo três rostos incrédulos o encarando. – Se me derem licença... – Ele açoitou o cavalo, passando pela fronteira e sumindo rapidamente em direção ao castelo.
Finn: Você não acha meio estranho? Eles dois? – Perguntou, virando o rosto pra Sam, que ergueu a sobrancelha – Quero dizer, tem essa loucura toda, e você deixa ela viajar sozinha com ele.
Sam: No começo achava. Mas ele conhecia ela antes de mim, já era assim quando eu a conheci, inclusive as viagens. Fui uma vez pra ver como era, mas fiquei entediado. – Finn e Puck olhavam – Pelo que eu sei se conhecem a anos... Desde crianças, cresceram juntos, ou coisa assim. – Ele deu de ombros – Me parece inofensivo. Não posso proibi-la de ter um amigo.
Puck: Se você diz... – Eles haviam chegado a fronteira – Ei. – Um dos soldados se virou, então todos se curvaram em reverencia – Eu perdi alguma coisa? – Perguntou, apontando a desordem.
Soldado: A rainha entrou em trabalho de parto, senhor. – Informou, satisfeito. Finn arregalou os olhos.
Finn: Entrou no trabalho de quem?! – Perguntou, ficando branco como cal.
Soldado: Já fazem horas agora, senhor. – Confirmou – Já deve estar para nascer. Todos estão esperando em frente ao castelo.
Puck: Eu acho que me perdi com os cálculos... Ela não está com 7 meses? – Perguntou, meio incrédulo.
Finn: Vão ser 7 semana que vem. – Murmurou – Que inferno aconteceu aqui na minha ausência?
Soldado: Nada, senhor. Tudo estava tranqüilo. Pouco depois que o senhor saiu, os criados vieram procurá-lo, para avisar. Alguns entraram nas arvores, mas não conseguiram mais achá-lo. Voltaram com medo de se baterem, desarmados, com algum dos homens de Jesse. – Informou.
Finn nem respondeu. O cavalo relinchou e ele havia saído a galope. Damon dissera que Santana estava apavorada. O que podia ter acontecido?! Enquanto isso, no castelo... Rachel gritou, mais alto que das ultimas vezes, e caiu de costas nos travesseiros, ofegando. Um choro de bebê chegou aos seus ouvidos e ela sorriu, duas lágrimas caindo pelo canto dos olhos. Santana olhou pra cima, ouvindo o som, mas seu rosto ficou ainda mais assustado, se é que podia.
Shelby: É um menino. – Avisou, e Rachel riu de leve, abrindo os olhos. Um dos médicos segurava o bebê, todo ensangüentado, e ele chorava, as mãozinhas em punhos, parecendo indignado.
Finn mal havia passado os portões, aos ofegos, quando os sinos soaram. Não era a guerra dessa vez, só badalaram o sino três vezes. Ele parou, sem reação, olhando a torre.
Puck: Meus parabéns, papai. – Disse, assim que conseguiu alcançá-lo. Sam também tinha um sorriso satisfeito no rosto. Todos aguardaram, o silencio parecendo opressor. O sino soou novamente... Duas vezes. Todos gritaram em comemoração.
Finn: É um menino. – Disse, meio abobado – Meu filho. – Ele não tinha reação nem de descer do cavalo – Meu filho nasceu. – Murmurou, um sorriso enorme nascendo no rosto, os olhos cheios d‟água.
Nada mais que ele dissesse pôde ser ouvido, pois todo o reino ali presente gritou junto: “Vida longa ao príncipe!”, repetidas vezes. Damon alcançou Santana já sem entender, dentro do castelo.
Santana: Onde você estava?! – Rosnou.
Damon: No meio do mato, por capricho de Finn. Mas vê, não havia motivo pra se preocupar. – Disse, sorrindo. Ele olhou Quinn e Kristen abraçadas, saltitando na sala ao lado – É hora de comemorar.
Santana: Não seja estúpido! – Rosnou – Tente escutar! – Disse, mais branca que o normal. Damon deixou a cabeça cair pro lado, escutando... Escutando... Então franziu o cenho, confuso. Em geral um parto real tinha um acompanhante, dois médicos e três parteiras.
Damon: Santana... Quantas pessoas tem naquela torre? – Perguntou, mas ela negou com o rosto, calada.
Na torre... O bebê já havia sido limpo, e já iam entregar ele a Rachel... Mas ela estava inquieta. Até que arfou, agarrando o travesseiro, os olhos em choque. A dor havia voltado, forte, impiedosa.
Rachel: Mamãe... – Exclamou, assustada, olhando a barriga. O relevo diminuíra... Mas não chegou a sumir. Ela olhou o bebê, e pelo que podia ver ele era de tamanho normal, até pequenininho assim por dizer. Não era “grandão”. Só se... – Mamãe! – Shelby, que observava os médicos com o bebê, se voltou pra ela. Mas antes que perguntasse o que, uma das parteiras, a que estava fazendo a remoção da placenta, avisou o que era.
Parteira: Ela entrou em contrações novamente. – Um dos médicos olhou – Há outra criança. – Anunciou. O rosto de ninguém ali foi de comemoração. Nada, nada bom.
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