Jomal

17 Capítulo 31


Sam: Sant, não é assim. – Disse, divertido, e ela se jogou de costas na cama. A mobília do maior dos quartos de hospedes da mansão fora toda trocada, capricho de Santana. Era tudo maior, mais luxuoso. Ela parecia indignada. Fizera queixa e Sam não se alterara.

Santana: É possível que você não tenha ouvido o que eu falei? – Perguntou, olhando o teto. Ouviu o riso dele e suspirou, fechando os olhos.

Sam: Eu ouvi, meu coração, mas não posso simplesmente mandar prender ou matar uma criada porque você não foi com a cara dela. – Explicou, coçando a sobrancelha, enquanto terminava de se aprontar para dormir. Havia um papel em cima da cômoda, em frente a ele.

Santana: Na verdade, você pode. – Disse, parando de se remexer na cama.

Sam: Eu acostumei você mal demais. — Disse, mas não era uma repreensão — É, eu posso. – Disse, rolando os olhos.

Santana: E então...?

Sam: Não estamos em casa, minha vida. – Disse, ela ouviu a voz dele perto, o que a fez abrir os olhos.

Santana: Há algo de errado com aquela mulher, Sam. Confie em mim. – Disse, encarando-o. Sam apanhou um dos pés dela na cama, afastando a seda escura da camisola, e apertando-o, massageando-o.

Sam: Só porque ela estava espiando? – Perguntou, massageando os pés dela com as duas mãos. Ela suspirou, sentindo a massagem – Se for assim tu também estavas.

Santana: Eu não estava espiando! – Se defendeu, indignada, e ele riu – Eu fui buscar meu livro, a porta estava aberta!

Sam: É claro que sim, não se exalte. – Ele beijou um pé dela.

Santana: Prefiro fazer do que olhar. – Disse, atrevida, e ele sorriu, mordendo o pé dela. Ela se sentou, ele ficando entre suas pernas na cama alta, e o abraçou pela cintura – Mate-a, Sam. – Pediu, encarando-o.

Sam: Sant... – Ele suspirou. Ela mordeu sua barriga por sobre a camisa, o que o fez sorrir.

Santana: Mate-a enquanto é tempo, enquanto ela não causou danos maiores. – Induziu, puxando-o pela camisa.

Sam: Está tentando me distrair? – Perguntou, encarando-a, ainda sorrindo. Ela sorriu de canto, puxando-o para a cama, passando para cima dele.

Santana: Não, estou me distraindo. – Corrigiu, passando uma perna de cada lado de seu corpo, se inclinando sobre ele. – Mate-a. – Insistiu, e sentiu a boca dele afastando a alça de sua camisola, tragando o perfume dela antes de beijar-lhe a pele.

Sam: Não. Santana: Vai simplesmente ignorar o que estou alertando? – Perguntou, a voz calma demais para não ser preocupante.

Sam: É claro que não. Colocarei meus melhores homens para vigiá-la. Um passo suspeito, e eu dou a morte dela de presente a você. – Ela sorriu consigo mesma, e ele franziu o cenho, apertando os quadris dela ao sentir a força dos dentes dela em uma mordida na dobra de seu pescoço, próximo a jugular – Satisfeita?

Santana: Ainda não. – Respondeu, subindo a boca até alcançar a dele, beijando-o sedentamente. Verdade, ela não estava satisfeita. Estava acostumada a ser atendida de primeira ordem. Mas aquilo bastava. Se Nina desse qualquer passo em falso, Sam a atenderia. Santana trataria para ser esse passo em falso.

Quando Rachel e Finn despertaram, faltava pouco para amanhecer. Ela acordou primeiro, e ficou ninando-o, acariciando-lhe o cabelo. O sono de Finn era tão profundo, tão acumulado, que ele demorou quase duas horas mais para despertar. Primeiro suspirou, voltando a realidade, depois ela sorriu quando ele a abraçou mais forte, esquecendo-se das costelas dela.

Finn: Que horas são? – Perguntou, rouco, ainda de olhos fechados.

Rachel: Não faço idéia. – Respondeu, tocando a pele dos olhos dele. As olheiras dele quase haviam sumido completamente. Ele abriu os olhos ao toque dela – Acho que é tarde. Ou cedo. – Ela franziu o cenho e ele sorriu, olhando-a – A chuva não me permite pensar. Mas passou tempo.

Finn pensou por um instante e ergueu o rosto, tentando focalizar o relógio de cabeceira no escuro. Por fim ele suspirou.

Finn: Vai amanhecer. – Respondeu, se abraçando a ela novamente – Como é possível? – Rachel riu da exasperação dele – Como ninguém veio nos chamar?

Rachel: Eu tenho a breve impressão de ter ouvido alguém chamando Jesus de doce, e algo sobre alguém pegando fogo enquanto dormia. – Os dois ficaram em silencio por um instante, e riram juntos – Certo, era sonho.

Finn: Você está bem?

Rachel: Maravilhosamente. – Ele deu uma fungada no ombro dela – Escute. Acha que posso ir ver Suri hoje? Não quero que teu prazo termine. – Lembrou.

Finn: Vai ser ótimo olhá-la sem receber um ultimato em troca. – Respondeu, aliviado, e Rachel riu. Finn ergueu o rosto, os lábios encontrando os dela no escuro, beijando-a repetidas vezes, docemente. Ela tocou o rosto dele saudosamente, aceitando seus beijos, até que notou que ele sorria. Ela beijou o nariz dele, o que o fez rir – Deus, eu estou com fome. – Observou ela riu alto com a exasperação dele.

Rachel: Não vai haver nada na cozinha agora. – Avisou – Só se você me permitir descer. — Propôs.

Finn: Não. Não pretendia mesmo ir. Não vou sair daqui por tão pouco. – Disse, voltando a deitar a cabeça no colo dela, que voltou a lhe acariciar o cabelo. Os dois ficaram em silencio por minutos.

Rachel: Porque você não dorme mais um pouco? — Perguntou, mimando-o.

Finn: Você está com sono? – Perguntou, brincando com um cacho do cabelo dela, que tinha próximo ao rosto.

Rachel: Tu o tens por nós dois. – Brincou, e ele sorriu – Durma, eu estou aqui.

Finn: Qualquer coisa... – Interrompido.

Rachel: Eu olho para você. – Respondeu em um sussurro no ouvido dele, e ele não disse nada. Nada mais foi dito. Finn dormiu alguns minutos depois, e Rachel em seguida. O dia seria longo, mas só aquilo bastava para enfrentar talvez uma guerra inteira.

Suri acordou com um toque suave em seu rosto. A menina suspirou, despertando. Ainda de olhos fechados, não viu quem a despertava.

Finn: Quer ver? – Perguntou, e Rachel sorriu. Suri não ouviu.

Suri: 04 dias. – Murmurou para si própria, então encheu o peito de ar – PAPAAAAAAAAAAAAAAAI! – Chamou, e Finn ergueu a sobrancelha. Do ultimo mês para cá era isso: Ela nem abria os olhos, e já estava gritando por ele, para lhe entregar outro ultimato. Um dia ele experimentou ignorar os gritos; o resultado foi que a menina terminou sem voz por dois dias, com a garganta inflamada.

Finn: Eu estou bem aqui, Suri. – Disse, ainda com a sobrancelha erguida. Tinha os braços nas costas.

Suri: Faltam quatro dia, ai meu Deus. – Rachel sorriu – RACH! – A menina deu impulso nos braços, pulando no pescoço de Rachel, que riu. Finn se sobressaltou, com um alerta de “as costelas!” nos lábios, mas Rachel já estava enchendo Suri de beijos – Você voltou. – Disse, radiante de felicidade.

Rachel: Teu pai não disse que eu voltaria? – Perguntou, acariciando o cabelo da menina.

Finn: Eu creio que comentei. – Disse, fingindo-se de pensativo – Uma vez... Duas... Três... Quatro... O ultimo mês inteiro. – Disse, cruzando os braços.

Suri: Eu pensei que... Onde você estava? – Ralhou, cruzando os braços.

Rachel: Precisei viajar. – Rebateu, na mesma hora.

Suri: Onde estão os remédios? – Perguntou, esperta.

Rachel: Não os consegui ainda. Por isso viajarei novamente. Breve. – Respondeu, tocando o nariz da pequena.

Finn: Na verdade não vai, não. – Negou, tranqüilo.

Rachel: Irei, porque a maioria vence. – Disse, debochada, sem olhá-lo.

Suri: Do que estão falando? – Perguntou, confusa. Rachel negou com a cabeça – O que houve com seu braço? – Finn observou, quieto.

Rachel: Despenquei de uma escada e dei de nariz no chão. – Disse, mostrando o pulso. Suri riu.

Finn: Suri! – Ralhou.

Suri: Perdão. – Disse, prendendo o riso – Eu sempre te digo para não andar tão depressa. Falei pra você. –Rachel deu de ombros – Vai ficar assim para sempre? – Perguntou, pegando o gesso.

Rachel: Não, só algumas semanas. – Disse, tranqüilizando-a – O fato é que viajarei em breve. E não importa o quanto eu demore para voltar, mesmo que eu não volte...

Finn: Rachel. – Rosnou.

Rachel: Mesmo que não volte. – Continuou – Não pode parar de comer e ralhar com todo mundo. Promete? – Suri assentiu.

Suri: Mas eu não estou doente nem nada, não preciso de remédios. – Contrapôs, desgostosa.

Rachel: Na devida hora saberá.

Finn: Vou deixá-las a sós, estou me vendo desnecessário aqui. – As duas riram – Não toquem fogo no castelo, vai demorar para construir outro. – Pediu, enquanto saia. Mas sorria.

Rachel passou toda a manhã com Suri. Lhe deu o café da manhã, lhe aprontou, brincaram, riram. A manhã passou em um segundo. Quando deu meio-dia, Rachel saiu, indo buscar o almoço de Suri. Fazia aquele dia. Chovia bastante. A menina ficou sentada, satisfeita.

Finn: Rachel, eu... – Ele parou na porta do quarto – Onde está Rachel?

Suri: Foi buscar meu almoço. – Respondeu, simples. Finn respondeu e deu as costas. – Papai! – Chamou, e ele se virou.

Finn: Sim?

Suri: Feche a porta. – Finn fechou, desconfiado – Escute. – Finn esperou – Eu não... Não o odeio. – Disse, quietinha. Finn se aproximou da cama.

Finn: Não?

Suri: Não, claro que não. Eu o amo. – Finn sorriu de canto – Eu só estava brava porque pensei que o senhor não queria mais dividir Rachel comigo. – Explicou.

Finn: Dividir? – Perguntou, confuso.

Suri: É. Pensei que quisesse prender ela só para você. Não é justo, convenha. – Finn ergueu a sobrancelha, suspenso – Papai, não sou boba. Já vi o modo como ela te olha, e o sorriso bobo que o senhor tem quando a observa. – Finn ergueu as sobrancelhas – Já os vi até se beijando uma vez. – Finn engasgou, quase hiperventilando.

Finn: Como?!

Suri: Vocês pensavam que eu estava dormindo, e eu não estava. Achei bonitinho, se quer saber. – Disse, tranquila – Por isso pensei que tinha ficado com ela só para si. Mas nunca o odiei. – Finn ainda se recuperava – Tudo bem se quiser ficar com ela. – Acrescentou.

Finn: Tudo? – Perguntou, meio incrédulo. Se a mãe dele fosse viva, ele provavelmente teria saído gritando por ela. Suri assentiu.

Suri: Me perdoe por ter sido grossa. – Pediu, acanhada. Ele sorriu.

Finn: Está tudo bem agora.- Disse, apanhando a menina no colo, e a beijando.

Rachel: Suri, eu não encontrei o... Perdão. – Disse, mas Finn assentiu para que entrasse. Suri estava abraçada em seu peito – Interrompo?

Finn: Não. Suri só estava me contando de como desfrutou da imagem de nós dois nos beijando, enquanto ela inconvenientemente fingia dormir. – Disse, debochado. Rachel arregalou os olhos, quase derrubando a bandeja, mas Suri ria, sapeca.

Suri: Está tudo bem. – Disse, olhando Rachel. Finn ria do choque na cara de Rachel.

Rachel: Ande, saia daqui. – Ralhou, fazendo ele sair. — Me deixe aprontá-la.- Disse, tomando Suri no braço. Quando Rachel pôs Suri sentada em seu lugar, as pernas da menina, moles, ficaram em um ângulo estranho, largado. Rachel encarou Finn enquanto arrumava as pernas da menina no lugar. E não podia ter havido mensagem mais clara: Era ela quem teria de resolver aquilo.

Rachel ficou com Finn e Suri até a menina terminar de comer. Por fim os dois saíram. Ela pretendia ir apanhar roupas limpas, já estava cansada de só usar camisola, e ele ia encontrar os outros. Foi quando entraram na sala. A conversa estava acesa.

Damon: Pela noticia que corre, Jesse vai se casar. – Anunciou. Todos viraram a cara para olhá-lo.

Puck: Como é? – Perguntou, pego de surpresa.

Quinn: Com quem? – Perguntou, confusa.

Santana: Boa pergunta. Quem quis aquele demônio da encruzilhada? – Perguntou, abraçando Sam pelas costas. Ele estava sentado em uma cadeira e ela o abraçou pelos ombros, beijando-lhe o rosto. Puck riu.

Damon: Belinda. – Respondeu, satisfeito. Um instante de silencio reinou.

Kristen: Perdão? – Perguntou, incrédula.

Sam: É impressão minha ou ele parece partir da idéia de que pode me confrontar? – Perguntou, divertido, e Santana riu gostosamente, beijando-lhe outra vez.

Damon: Era uma vez uma princesa chamada Belinda. Ela foi escolhida em um baile, e iria se casar, e ter lindos filhos. – Começou.

Santana: Tenho a breve impressão de conhecer essa história. – Disse, e Sam a puxou pela cintura, fazendo-a fazer a volta e sentar-se em seu colo, beijando-lhe o queixo.

Damon: As vésperas do casamento o noivo dela viajou a negócios. Quando voltou, a abandonou, pois havia encontrado outra mulher, uma mulher com a pele em um estranho e medonho tom de cinza. – Debochou, e Santana e Sam riram – Ela foi abandonada com seu vestido de noiva pronto, todos os planos, tudo. Virou motivo de piada durante anos, e nunca mais conseguiu um noivo.

Puck: Agora estamos em guerra. Ela conseguiu um noivo, finalmente. Minha intuição me diz que ela sabe que o noivo dela batalha tecnicamente contra o homem que a abandonou. – Intitulou, mas Sam fez pouco caso – Aposto que o pai dela cederá seu apoio a Jesse na hora em que o aro da aliança passar em seu dedo.

Kristen: Mais apoio contra nós. – Resumiu.

Sam: Estou tremendo da raiz do cabelo até o dedo do pé. – Debochou – Eu não entro em uma guerra para perder. O que me incomoda nisso tudo é que quanto mais apoio ele tiver, mais gente vai morrer no final. Inocentes. Minha armada não vai parar até conseguir a vitória, homens morrerão, famílias vão se desfazer, vidas vão acabar. É isso o que me incomoda. – Ele deu um beijinho no ombro de Santana.

Quinn: Para quando é o maldito casamento? – Perguntou.

Puck: Para breve, é claro. O que nos leva de volta ao ponto de que um entre nós pretende perfurar a fronteira. E que deve ser logo.

Rachel: Assim que for possível. – Respondeu, e Finn rosnou.

Sam: Assim que tu retornares declararei guerra. – Anunciou, e todos o olharam – Minha frente de batalha tomará a iniciativa: Atacará. Assim acabamos com essa palhaçada.

Rachel: Eu posso partir quando...

Finn: Rachel. – Interrompeu – Meu anjo. Porque você não volta para a cama? – Perguntou, com um sorriso forçado. – Tome. – Ele tirou a chave da torre do bolso – Já a encontro. – Rachel ia protestar – Vá. – Ordenou, e Rachel revirou os olhos, saindo.

Sam: Retardar não vai resolver. – Disse, mas Finn já sabia disso.

Finn ficou ali mais meia hora. Depois foi para a torre, procurá-la. Estava trancada. Estranho. Ele bateu na porta, chamou e nada. Voltou pela escadaria, estranhando. Até que se deparou com algo no chão. A chave. Alguns degraus a baixo havia um pedaço de tecido. Ele o apanhou. Era um pedaço do vestido de Rachel, rasgado a força. Era um pedaço da bainha, o que induzia que se rasgara enquanto ela fora arrastada.