Jomal

13 Capítulo 27


Rachel: Não! Não, isso não! – Ela abriu os olhos, erguendo o rosto – Menti, sim, mas menti para salvar minha vida! Uma vez aqui não sai do castelo sozinha! Não sou a espiã, e nem faço idéia de quem seja, Finn, eu ajudei vocês! – Lembrou, incrédula.

Finn: Matem-na. – Ordenou, virando o rosto. Não queria ver.

Ouvir a ordem fez Rachel se calar. Puck não se impôs. Rachel sentiu uma mão subir por sua nuca: Iriam quebrar seu pescoço. Pelo menos seria rápido, pensou. Um instante antes...

Sam: Vocês são burros? – Perguntou, aparecendo parado na porta. Todos o olharam. – Se essa mulher é a espiã vocês vão matá-la antes de tirar dela tudo o que ela sabe? Ninguém pensa aqui? – Perguntou, cansado.

Finn: Eu a quero morta. – Rosnou, raivoso.

Damon: Sam tem razão. – Assinalou.

Puck: Prendam-na. Precisamos dela viva por enquanto. – Ordenou, e a mão deixou os cabelos de Rachel, libertando sua nuca. Então ela foi levada.

Rachel não sabia quanto tempo havia se passado. Podiam ser dias, horas, minutos... Ela perdeu a noção do tempo a partir de um ponto. Só havia dor. Estava presa, amarrada, e cada pedaço do seu corpo estava doendo. Pela temperatura fria, úmida, ela tinha certeza de que haviam levado ela para as masmorras. Estava em pé, amarrada em uma pilastra de concreto pelos braços, cintura perna. Não conseguia enxergar. Já haviam batido tanto nela, mas tanto, que ela se perguntava como não havia morrido ainda. Sentia dor, sede, fome, cansaço, seus braços doíam, seu corpo gritava para ser desamarrado dali. Havia sangue em seu rosto, em seus braços, seu vestido, que já começava a ceder. Ela contava o tempo por respirações. Respirava pela boca, pois o sangue seco obstruíra seu nariz. Então eles voltavam e faziam perguntas. Ela não sabia responder, então apanhava novamente. Eles achavam que sob dor ela diria a verdade. O inferno é que ela não sabia a verdade, ela não era a espiã. Os momentos de paz eram quando havia silencio. Ela ficava quieta, de olhos fechados, analisando cada aspecto da dor. Suri, por outro lado, estava revoltada.

Suri: Papai... – Disse, com um sorriso angelical. Angelical demais – Eu NÃO vou comer, eu NÃO vou brincar, eu NÃO vou tomar banho, eu NÃO vou tomar meus remédios, — Finn revirou os olhos – Eu NÃO vou fazer NADA até Rachel voltar. E é minha palavra final. – Disse, tranqüila. A menina trancava a boca sempre que tentavam lhe dar de comer, ou os remédios, ou qualquer coisa. Mordera e arranhara uma criada que tentara lhe dar banho. Passava o tempo de braços cruzados, olhando pra cima.

Finn: Pois tu não fará mais nada nunca então, ela não vai voltar. – Disse, sem paciência, se levantando.

Suri: Eu te odeio. – Murmurou, olhando o pai com desprezo. Finn olhou a menina, incrédulo. Era a primeira vez que ela dizia isso.

Finn: Como?

Suri: O odeio. – Repetiu, erguendo o rosto para ele – Apenas uma pessoa no mundo gostou de mim de verdade, sem me tratar com pena ou por obrigação, apenas uma pessoa me amou de verdade, mesmo eu sendo a aberração que sou, e o senhor a toma de mim. Eu o odeio. – Disse, a voz carregada de magoa.

Finn: Suri, Rachel não foi a única pessoa que a amou, não diga tolices. – Pediu, passando a mão no cabelo. Sabia lidar com tudo, mas sua filha dizendo que o odiava era algo fora de seu alcance.

Suri: É mesmo? Quem mais? Mamãe? Tu? Pelo amor de Deus. – Ela virou o rosto.

Finn: Suri, não fale assim de tua mãe. – Ordenou, severo.

Suri: Rachel me amava. Gostava de ficar comigo, de brincar comigo, mesmo do jeito que eu sou. Queria me ver feliz, não por eu ser tua filha, mas porque gostava de mim. – Continuou – Ela gostava de ti também.

Finn: Era mentira. – Alegou, respirando fundo.

Suri: Não era não. Ela nunca me disse, mas eu sempre vi o modo como ela ficava quando o senhor se aproximava. Ela corava, ficava sem jeito, as vezes sorria, os olhos brilhavam. – Finn não queria ouvir – A perguntei se ela queria ficar com o senhor e ser minha mãe, mas ela disse que não podia, pois minha mãe havia morrido. Mas ela queria ser minha amiga. E gostava do senhor. Todos que eu vejo te olharem tem medo, ou respeito, mas te olhava e gostava do que via. Não do rei, mas da pessoa. Eu sou uma criança e entendo isso, e tu que é rei não? – Não perca a paciência, Dulce morreu por ela... – O que fez com ela, papai?

Finn: Não vou discutir. – Encerrou, dando as costas.

Suri: Eu tampouco. – Disse, se afundando nos travesseiros novamente. Finn saiu, batendo a porta, e nada foi dito.

Enquanto isso, nas masmorras... Rachel havia apanhado novamente. Uma voz que ela não conhecia fazia perguntas, e como ela não sabia responder, apanhava. Por fim a deixaram. Rachel sentia um misto de dor e enjôo. Por ter os olhos fechados, doloridos, não viu Finn observando, de longe, os braços cruzados, o rosto duro. O rosto dela oscilou para frente, uma lagrima caindo pela pele machucada, cansada. Ela não sabia o que era pior: A dor ou o enjoo. A dor era pior, mas ela vomitou. Não viu, mas era sangue. Só o soube pelo gosto. Outra convulsão veio, e ela pôs uma nova quantidade para fora, o sangue caindo pelo queixo, direto pro chão, sujando-lhe o vestido. Na terceira convulsão uma mão fria tocou seu rosto, erguendo-o sutilmente.

Damon: Respire. – Instruiu. Rachel virou o rosto. Não conseguia, o nariz estava entupido, a única via que tinha era a boca, que estava cheia de sangue. – Ande, respire. – Instruiu. Curioso, ele próprio parecia não respirar perto do sangue. Rachel sentiu a outra mão fazendo meio que uma manobra em seu nariz, apertando-o, e o ar desceu pelo nariz. Ardeu, mas ela respirou fundo. Tossiu, cuspindo mais sangue.

Finn não disse nada ao ver o rosto dela todo lastimado, todo partido, machucado, ao ver Damon socorrendo-a para que não morresse engasgada com o próprio sangue. Seu rosto só se tornou mais duro, como se ele próprio estivesse sentindo dor. Algo dentro de Finn queria gritar contra aquilo, queria se rebelar, queria impedir aquilo. Aquele sentimento lutava fortemente para vir a tona, para tirar Rachel dali. Mas ele não permitia.

Rachel: Obrigado. – Disse, ofegando, rouca. Havia cabelo seco grudado em seu rosto.

Damon: Em nome de Deus, prefere morrer ao dizer o que sabe? – Perguntou, incrédulo.

Rachel: A questão é que não sei nada. – Falar custava. Os pulmões dela pareciam fora do lugar.

Damon: Se não abrir a boca morrerá, tu o sabes. – Disse, observando a figura lastimada a sua frente. Ele podia sentir o coração dela lutado, batendo descompassadamente, de modo rápido demais, as vezes falhando.

Rachel: Não demorará. – Disse, quieta. Ela parecia ver isso com esperança.

Damon se afastou, saindo. Finn se aproximou, em silencio. De perto, vendo os danos mais claramente, ele subitamente se lembrou do riso dela, dela rindo pra ele... Dizendo que o amava. Lembrou dos olhos azuis, de sua inocência e malicia. Ela não o viu. Abrir os olhos doía, e suas pálpebras estavam inchadas. Mas ela sentiu o cheiro. Aspirou o ar como quem saboreia, então subitamente soluçou em seu choro. Podia senti-lo. Finn viu as lágrimas descendo pelo rosto dela, e ela respirou fundo, se controlando. Não disse nada. Ele tampouco. Apenas a olhou. Ninguém viu, mas seu olhar se inundou ao vê-la daquele jeito. Estava doendo nele. A ultima vez em que Finn chorara fora após o funeral de Dulce. Rachel não viu, ela apenas sentia a presença. Ele ergueu a mão, quase levando-a ao cabelo dela, grudado pelo sangue seco. Quase a tocou. Uma lagrima caiu por seu rosto e ele recolheu a mão, se afastando, secando o rosto. O sentimento era forte o suficiente para ser sentido sem o físico. Respirou fundo. Seu pai lhe dissera que ele nunca, jamais poderia ser fraco, não importa a circunstancia. Outra lágrima caiu por seu rosto, mas ele a secou, recuando. Ele não podia ser fraco nem agora. Mesmo que cada fibra do seu corpo gritasse para que ele acabasse com isso.

Ela percebeu a presença dele se afastando, e com esforço, ergueu o rosto. Sua nuca doía. Queria poder enxergar, queria poder vê-lo, mas ninguém veria Finn chorar novamente. Ele tinha de ser forte. Quanta força era necessária para conseguir deter o amor preso, e deixar que as coisas aconteçam como devem ser? Finn deu as costas. Precisava sair dali, precisava ser rei. E ele deu as costas, saindo das masmorras. Encontrou Damon parado no corredor, acompanhado de Puck.

Damon: Deem água a ela. – Ordenou, e um guarda entrou na masmorra. Não davam água a ela há 3 dias.

Puck: Nada ainda? – Perguntou, e Damon negou. Finn seguia quieto. Todos ouviram Rachel engasgar e tossir ao receber água. Finn continuou impassível.

Damon: O coração dela não vai aguentar muito tempo. Resolvam se vão deixá-la morrer ou não. – Disse, olhando de Finn para Puck. Finn pensou no coração de Rachel perdendo a batalha, no corpo dela frio, imóvel... Tão imóvel quanto Dulce, porém machucada. Não o suportou e saiu dali, dando as costas. Não conseguiria administrar.

Era madrugada. Chovia forte. Finn desceu as escadarias desembestado. Não dormia há três dias, sua cabeça não parava de doer. Estava frio, soava. Entrou nas masmorras no mesmo ímpeto. Estremeceu. Rachel pendia para frente, a cabeça baixa. Por um instante Finn entrou em pânico, mas se ela tivesse morrido teriam avisado. Ele avançou até ela, decidido. Um guarda se opôs. Finn apenas o olhou, fazendo-o sair. O segurança saiu da masmorra. Ele apanhou os braços dela, que ergueu o rosto.

Rachel: Finn? – Perguntou, rouca, sentindo os braços dele puxando os nós.

Finn: Shhh. – Pediu, e se abaixou, soltando os pés dela. Em seguida a cintura, logo os braços. Ele a carregou e Rachel gritou de dor ao sentir as pernas se dobrarem. Logo não as sentia. Ele puxou uma cadeira com o pé, pondo-a sentada com cuidado, e apanhou seu rosto entre as mãos – Pode me ver? – Perguntou, quase desesperado. Rachel fez um esforço hercúleo para abrir os olhos. Conseguiu abrir um mínimo e assentiu.

Rachel: Você não ia me matar? – Perguntou, vendo ele rasgando seu vestido, soltando as amarras, deixando o peito dela livre pra respirar.

Finn: Eu ainda vou. Eu acho. Não me faça perguntas agora, eu estou confuso. – Rachel ficou quieta – Onde dói?

Rachel: Onde não dói? – Perguntou, irônica consigo mesma. – Estou feliz que tenha vindo.

Finn: Me deixe te ajudar. – Disse, rasgando um pedaço da própria camisa. Ele apanhou um vaso com água que havia ali, molhando o pano. Limpou o nariz dela sutilmente, removendo o sangue seco. Rachel respirou fundo.

Rachel: Se está aqui é porque ainda me ama. – Disse, meio lesa pela dor.

Finn: Você mentiu para mim. Não há perdão para isso. – Respondeu, molhando a área dos olhos dela.

Rachel: Mesmo eu tendo mentido, você voltou. Vai me matar no final, mas se importa. – Disse, e parecia satisfeita.

Finn: Isso tranquiliza você? – Perguntou, incrédulo.

Rachel: Menti para você, mas não sou a espiã. Veja, estou morrendo sem nem reclamar. – Finn molhou o pano de novo, levando aos olhos dela – Me tranqüiliza, porque mesmo eu morrendo, você se importou.

Nessa hora Sam, Damon e Puck entraram na masmorra, acompanhados pelos guardas. Finn não respondeu Rachel.

Sam: Finn, o que está fazendo? – Perguntou, observando a cena.

Finn: A partir de agora ninguém, eu repito, NINGUÉM, tem autorização para bater nela, nem atá-la. Ela não vai fugir. Deixem-na presa aqui. – Disse, limpando os olhos de Rachel. Ela olhava ele agora, pelos olhos entreabertos – Se eu descobrir que alguém encostou o dedo nela, eu juro por Deus, nosso senhor, a pessoa morre.

Puck: E vamos fazer o que com ela? Ela não fala, não há modo. – Ressaltou.

Rachel: É porque eu não sei de nada. – Disse, remotamente.

Santana: Você sabe o que vamos fazer com ela. – Disse, aparecendo atrás dos outros. Damon a encarou, e ela assentiu – Deixe que Rachel fique em paz esta noite. Amanhã tiraremos a verdade dela. – Disse, quieta. Puck aquiesceu, e Finn se perguntou se perdera alguma coisa.

Rachel: Eu estou com sede. – Murmurou, quieta. Os outros saíram, dando as costas. Apenas Santana ficou.

Finn rasgou outro pedaço da camisa, molhando-o em água fresca e limpa. Ouvira os engasgos dela; fazê-la beber não funcionaria. Molhou o pano e levou até os lábios dela, que aceitou grata, sugando a água. Ela bebeu um bom bocado, então não conseguiu mais.

Finn: Você provavelmente vai morrer amanhã. – Disse, largando a água. – Não sei o que eles vão fazer, mas no final não terá utilidade.

Rachel: Eu sei. Ainda assim você se importou. – Ela não viu nada, só quando ele a carregou novamente, pondo-a em cima de algo. Era feno coberto. Ele a deitou, e ela suspirou.

Finn: Eu ter vindo não significa nada, Rachel. Não deixei machucarem você por consideração a memória de tudo o que vivemos. – Ressaltou – Mas não se equivoque. Eu não confio em ti, eu não vou protegê-la quando chegar a hora. Eu estou com ódio de você. – Murmurou, quieto.

Rachel queria responder, mas seu cansaço era tão grande que ela desmaiou em seu sono. Machucada, magoada... Morrendo. Finn não sabia o que sentia. Ele apenas tirou o resto da camisa, cobrindo o colo dela, e saiu dali. Vamos esperar para ver o que Puck, Santana e Damon tinham a fazer.

Finn não pregou os olhos. Era o inferno, novamente. Em um instante ele pensou ter a plena felicidade: Venceria a guerra, e depois seria livre para ser feliz com Rachel. Mais feliz do que jamais fora. Então lhe puxaram o tapete, ele teria de matar Rachel, Suri se negava a comer e dizia o odiar. Era caótico. Rachel, por sua vez, pensou que sua única noite pelo menos passaria dormindo. Com sorte seus sonhos seriam lembranças, lembranças dos dias felizes que tiveram ali. Mas o “interrogador”, Rachel não sabia seu nome, voltou de madrugada, e tornou a fazer as perguntas. Ela não soube responder, e apanhou novamente. Uma vez deitada ele lhe dava pontapés na região do ventre, lhe esbofeteava, esmurrava-lhe o rosto, puxava-lhe o cabelo. Ela não tinha força pra mais nada.

XXXX: Meu filho está no maldito campo de batalha e esta guerra não termina porque você não abre a boca. – Rosnou, trazendo o rosto dela pelos cabelos.

Rachel: Eu juro em nome de Deus, eu não sei. – Disse, rouca. A cabeça dela foi arremessada com força de volta ao chão, se batendo brutalmente na parede. Sangue fresco brotou da raiz do cabelo dela, descendo pela parede. Rachel sentiu a visão escurecendo. Estava morrendo? Ela não conseguia respirar direito. Finn, eu te amo. Não conseguia se mover, o sangue desceu pelo seu rosto...

Finn: Não poderá alegar que eu não avisei. Aliás, não poderá alegar nada. – Disse, a voz cortando o silencio. Rachel quase não ouvia, mas ouviu um barulho de osso quebrando, depois de um baque no chão. Era o osso de uma coluna, na região da nuca. Finn quebrou o pescoço do homem, que bateu no chão, morto. – Ei. – Disse, se ajoelhando. Rachel estava mais lá que cá.

Rachel: Não sou... Não sou a espiã. Eu juro. Não sei... – A voz dela falhou – Não sei de nada.

Finn: Shhh, não fale.

Rachel: Estou morrendo. – Disse, puxando ar. As vezes fugia a cabeça dela com quem ela estava falando, ou o que, mas então lembrava – Não consigo segurar muito... Muito mais. – A voz dela era baixa – Posso pedir algo?

Finn: Rachel... – Suspirou.

Rachel: Fique comigo. – Pediu, ainda assim – Está tão frio. Eu estou com medo. Não me... Não me deixe sozinha aqui. Por favor.

Finn a olhou, os olhos se inundando de novo. Não estava fazendo tanto frio, nada mais que o normal. Ela sentiu ele se sentando ao lado dela, pondo sua cabeça em seu colo, e quase sorriu. Sorriria se lembrasse como era. Finn tocou o pescoço dela, ensanguentado, e suspirou. Estava febril. Ele apanhou a capa que trouxera pra ela (O que o fez descer da torre a inicio), e a cobriu.

Rachel: Obrigada. – Disse, suspirando novamente.

Finn: Posso pedir algo? – Novamente ele estava chorando e ninguém via. Dessa vez ele não secou o rosto. Rachel assentiu uma vez só. – Não morra. – A voz dele falhou no final, mas ela não notou.

Rachel: Vou tentar, porque você pediu. – Ela respirou fundo – Se eu não conseguir... Me perdoe.

E ela dormiu. No primeiro impacto ele entrou em pânico, achando que ela não tinha resistido, mas ela suspirou. A noite foi tortuosa. Ele não fechou os olhos nem um segundo. A noite pareceu se arrastar, cada vez mais lentamente... Ele queria que ela acordasse. Tê-la mole daquele jeito não lhe trazia um bom sentimento. Ele só soube que amanheceu quando houve movimento do lado de fora. Logo entraram Puck, Damon, Santana e Sam, que não se aproximou. Ambos observaram a cena.

Sam: Sabia que estaria aqui. – Disse, se encostando na porta.

Finn: O que vão fazer com ela? – Perguntou, meio que na defensiva.

Santana: Nós só queremos a verdade, Finn. A vida dela não me tem valor, fique tranquilo. – Disse, quieta. Ela passou pelo cadáver do guarda, olhando. – Ela está quase morta. – Concluiu, olhando Rachel – Dará tempo? – Santana usava um vestido grafite, e luvas que iam até o cotovelo.

Puck: Dará. – Ele se aproximou. Finn o encarou, os olhos sendo duas pedras – Eu só vou colocá-la na cadeira.

Finn se moveu, e Puck se afastou. Finn carregou Rachel, levando-a até a cadeira. Rachel acordou com o movimento. Ela gemeu quando ele a sentou, suspirando.

Rachel: Eu consegui. – Disse, parecendo satisfeita, olhando para Finn. Ele assentiu uma vez, sorrindo de canto. Puck puxou uma cadeira, sentando-se em frente a Rachel e curvando-se para ela. Santana se aproximou, tirando uma das luvas. Rachel sentiu um toque frio em seu pescoço, como o sopro de um congelador, e olhou, mas era uma mão cinzenta. Ela olhou para Finn. Estava assustada.

Finn: O que estão fazendo? – Perguntou, confuso. Santana tocava Rachel, Puck observava seu rosto e Damon esperava, um pouco afastado, de braços cruzados, olhando o chão, como se ouvisse uma história.

Sam: Apenas observe. – Instruiu. Rachel olhava Finn, assustada.

Puck: Olhe para mim. – Disse, trazendo o rosto dela para si. A falta de resistência denunciava a fraqueza dela. Rachel franziu o cenho. Havia algo estranho nos olhos de Puck – Você vai continuar me encarando, e vai me dizer a verdade. – Rachel assentiu. Finn olhou para Sam, incrédulo, mas esse apenas dispensou com a cabeça. – Como é o meu nome?

Rachel: Puck. – Respondeu, encarando-o. O que era aquilo nos olhos dele?

Puck: Qual é o teu nome? – Continuou.

Rachel: Rachel Berry. – A voz dela ainda era rouca, mas ela encarava Puck, e respondia fluidamente.

Puck: Você veio aqui com o objetivo de passar informações a Jesse?

Rachel: Não. – Respondeu, encarando-o – Eu fugi para cá. – Damon continuava olhando o chão, e Santana parecia alheia.

Puck: Porque fugiu? – Insistiu.

Rachel: Se eu não fugisse ele iria me prender, me violentar e me matar. – Respondeu.

Puck: E porque veio justamente para cá?

Rachel: Era o único lugar no mundo onde ele não teria coragem de vir atrás de mim. – Finn queria perguntar que diabo era aquilo, mas não intercedeu.

Puck: Você nos entregou em Willow Creek? – Perguntou, sério. Ainda a encarava.

Rachel: Não. Eu não fiz nada naquele dia.

Puck: O que você chama de nada?

Rachel: Eu não queria que Finn fosse, mas ele foi. Eu estava com medo, nervosa. Quebrei o retrato de Dulce María, no quarto dele, pois se não fosse por ela, ele não iria. – Finn ergueu a sobrancelha – Depois limpei tudo e escondi o retrato quebrado. Por ultimo fui rezar, pedindo que ele voltasse. – Relatou.

Puck: Rachel, você é a espiã de Jesse? – Repetiu.

Rachel: Não. – Negou, convicta – Nunca disse nada a ele sobre o que vi e ouvi aqui. Eu nunca sai do castelo desde que cheguei. – Santana tirou a mão do pescoço de Rachel, calçando a luva de novo.

Santana: Não é ela. – Informou, passando pro lado do marido.

Puck: Você sabe que vai morrer. — Continuou.

Rachel: Eu estou morrendo. – Respondeu, calma.

Puck: É sua ultima chance. – Alertou.

Rachel: Eu amo tanto Finn que estou abdicando minha vida em silencio, por ele. Eu não o prejudicaria. Eu até tentei matar Jesse, só para que a guerra acabasse. Não sou a espiã, não sei quem é. – Puck a encarou em silencio, por um instante.

Puck: Porque eu deveria acreditar em você?

Rachel: Porque eu posso curar a menina. – Respondeu, calma. Um silêncio profundo se abateu ali. Finn franziu o cenho, olhando-a. Ninguém soube o que dizer.

Puck: O que quer dizer com isso? – Perguntou, calando o protesto de Finn.

Rachel: Há uma planta. Uma flor, para ser mais especifica. É o que foi servido a Dulce, antes de sua morte. Pode devolver as pernas da menina. – Respondeu, quieta. Os olhos de Puck pareciam dilatados.

Puck: Aquilo matou Dulce. – Impôs.

Rachel: O parto matou Dulce. A erva que ela tomou apenas a faria dormir profundamente, por um longo tempo. O bebê morreria, era o que Jesse queria, que Finn não tivesse um herdeiro. – Explicou – Dulce entraria em um estado catatônico, quase morta, e o bebê morreria por falta de oxigênio. Mas ela acordaria. O que matou Dulce foi o corte que fizeram nela, para salvar o bebê. – Finn parecia enjoado, atordoado, seu rosto contraído em dor. – Jesse sempre disse a todos que Suri havia morrido com Dulce. Só soube que a menina sobrevivera quando cheguei aqui.

Puck: E então?

Rachel: O que foi servido a Dulce foi um chá, fraco, apenas com o extrato da flor. Era o que a faria dormir. Mas acredito que tirando o sumo do caule e o ministrando direito remova o dano que fez a Suri.

Finn: Eu matei Dulce María. – Gemeu, nauseado, transtornado.

Sam: Finn, se acalme. – Alertou, vendo o estado do outro.

Finn: Eu a matei mandando o médico lhe abrir a barriga para retirar Suri. Ela... Ela me pediu. Eu achei que já estivesse morta, mas ela estava viva o tempo todo, sentiu tudo. Meu Deus. – Ele pôs as mãos nos cabelos, completamente fora de si – Eu a matei.

Puck: Onde eu posso encontrar essa flor? – Continuou, determinado.

Rachel: No jardim do castelo de Jesse. Apenas lá. Ele as cultiva como em um deboche pelo que fez. É uma flor simples, muito bonita, de pétalas brancas. É importante que se arranque da raiz. – Comentou, distraída – O jardim dele é coberto delas, porque foram graças a ela que ele conseguiu começar a guerra.

Puck: O que devo fazer ao ter a flor? – Rachel não notou que contando a verdade estava se tornando dispensável.

Rachel: Despreze as pétalas. Se ela tomar as pétalas pode morrer. Extraia o sumo, como um xarope, e o administre. Ela começará a sentir os impulsos. Não é certo, mas acredito fielmente nisto. – Disse, quieta.

Sam: Você vai arriscar nisso? – Perguntou, olhando Finn. Mas este ainda estava muito aturdido. Eu matei Dulce María, eu matei Dulce María, eu matei Dulce María...

Puck: Tem certeza de que isso não vai envenenar a menina? – Perguntou, os olhos fixados nela.

Rachel: Envenená-la nunca. – Disse, convicta – Apenas se livre das pétalas.

Puck: Tudo o que você me disse é verdade, Rachel? – Perguntou, os olhos mais intensos que nunca.

Rachel: É toda a verdade que eu conheço.