Jomal
5 Capítulo 19
Rachel: Me beije. – Arfou, sentindo seu corpo quase que convulsionar. Ele atendeu, muito satisfeito, buscando os lábios dela.
Alguns instantes depois o gemido dela foi parar na boca dele, e Finn sentiu ela se suavizar debaixo de si. A buscou por mais alguns minutos e foi sua vez, vindo-se com o nome dela nos lábios. Os dois ficaram quietos por alguns minutos, ele largado em cima dela e ela acariciando os cabelos dele ternamente, enquanto ouvia a chuva caindo, batendo na janela fechada. Finn sentiu a mão dela procurar delicadamente o curativo em suas costas, tocando-o superficialmente, mas o curativo estava seco e limpo; Sem danos. Ele saiu de cima dela trazendo os dois para debaixo do edredom depois de se livrar das calças, e a trouxe pro seu peito, abraçando-a. Rachel o abraçou ternamente, deixando sua cabeça repousar em seu ombro, aspirando teu perfume.
Finn: Eu não mereço você. – Disse, com os lábios no cabelo dela, acariciando seu ombro.
Rachel: Merece em tudo o que tem. – Disse, dando-lhe um beijinho no pescoço, deixando o nariz amparado na maxilar dele – Nada se aproxima do que você me dá.
Finn abaixou o rosto, encarando-a. Rachel se sentia bem quando ele a olhava assim. Ele tirou o cabelo dela do rosto, acariciando-lhe a pele.
Finn: Eu estou amando você. – Disse, e viu um sorriso de canto nascer no rosto dela.
Rachel: Eu sempre te amei. – Respondeu, retribuindo seu olhar. Ele beijou o nariz dela, que riu, e a apertou em seu abraço.
E enquanto se mantivesse assim estaria tudo bem.
—--*
Dias depois...
Rachel acordou. Não estava chovendo, o que era raro. Ela se sentou, tirando o cabelo do rosto, e olhou a camisola amarrotada... Mas inteira. O que era mais raro ainda. Olhou pro lado e viu Finn dormindo pesadamente, sem camisa, coberto de qualquer jeito. Se desvencilhar dele fora quase uma luta corporal, mas ela conseguiu, pondo seu travesseiro nos braços dele em seu lugar. O dia claro parecia um pressagio, um aviso, uma constatação... O medo violento que ela sentia, sua angustia e seu receio não evitariam o mal que estava por vir. Talvez esses fossem seus últimos dias com Finn.
Ela não desperdiçaria isso sendo fraca; agora isso não resolveria nada. Ela trancaria seu medo em um compartimento escondido, onde ele não pudesse atrapalhar. Foi pensando nisso que ela se levantou, se banhou e se arrumou. Saiu do banheiro e estava se penteando quando a voz de Finn a reprovou.
Finn: Porque tens essa maldita mania de me deixar sozinho na cama? – Ele sinceramente odiava isso.
Rachel: Porque tu ficas lindo dormindo. – Disse, sorrindo, passando a escova nas pontas do cabelo – Eu não vou acordá-lo, e preciso trabalhar. Logo tu dormes e eu vou.
Finn: Vou rasgar esses travesseiros, então quero ver o que tu vais por em teu lugar. – Disse, debochado, e ela riu. Ele gostou do som do riso dela – Venha aqui. – Chamou, estendendo a mão.
Rachel: Finn. – Reprovou, sem se mover. – Sempre que tu acordas me atrasa.
Finn: Agora. – Ordenou, insolente, e ela suspirou, se aproximando. Se sentou na cama, olhando-o, e ele se sentou atrás dela, deixando-a entre suas pernas, apanhando a escova de sua mão. – Passarei o dia fora hoje. – Disse, passando a escova cuidadosamente no cabelo dela. Ele observou, curioso, um cacho se esticar e voltar ao lugar sob seu toque.
Rachel: Devo me preocupar com sua saída? – Perguntou, virando o rosto.
Finn: Não. – Disse, se divertindo com os cachos dela – Só vou com Puck resolver algo na cidade. Devo voltar ao entardecer.
Rachel: Estarei aqui. – Disse, aninhando as costas no peito dele, que deixou a escova de lado, abraçando-a.
Finn: É claro que estará. – Disse, beijando-lhe a orelha de modo mordido, fazendo-a sorrir, se encolhendo. Ele trouxe o rosto dela para si, beijando-a de modo apaixonado, doce.
E ela se atrasou. Quando ele saiu, seguido por um Puck impaciente e cheio de piadas, o sol já estava alto.
Rachel: Bom dia. – Disse, entrando na cozinha. Nina tomava café. Rachel preparou a bandeja de Suri um pouco mais apressada, pelo horário, mas quando ia sair não perdeu a oportunidade de passara mão descaradamente no copo de Nina, derrubando-o e ensopando a outra de suco de laranja. Nina gritou, se levantando, mas já era tarde.
Nina: VOCÊ NUNCA VAI PARAR COM ISSO?! – Gritou, possessa.
Rachel: Não. – Disse, forçadamente pensativa – É divertido. – Completou, apanhando a bandeja e saindo dali, sem dar atenção.
Rachel passou o dia tranquilamente. Como Finn não estava ela dedicou todo o seu dia a Suri; a menina adorou ter a babá inteiramente de volta.
Desde o episodio em Willow Creek, Rachel dividia seu tempo entre pai e filha, alternando entre os dois. Na ausência de um ela podia ficar com a outra. Finn se demorou o dia todo fora, até mais. Pretendia voltar ao anoitecer, mas já era tarde quando conseguiu entrar no castelo. Puck nem o deu boa noite; A convivência forçada não era boa amiga, foi pro seu quarto. Finn subiu até o andar do quarto de Suri, a capa que usava sobre os ombros revoando em seus calcanhares, e abriu a porta do quarto da menina cuidadosamente. Ela já dormia um sono tranqüilo. Ele foi até ela, ajeitando seu cobertor e lhe beijando a testa. Em seguida saiu atrás de Rachel. Não via a hora de poder tê-la em seus braços outra vez, pra poder esquecer o dia cansativo que tivera. Mas ela não estava em seu quarto. Ele foi no antigo quarto dela, mas também estava vazio.
Finn: Que diabo...? – Perguntou, frustrado. Onde ela estava?
Foi parado no corredor, tentando pensar, que ele terminou escutando.
Era música. Baixa, mas perceptível. Ele ergueu levemente as sobrancelhas. Quando raramente fazia tempo bom, como hoje, os empregados tinham permissão para acender uma fogueira nos fundos do castelo, onde, em geral, bebiam, conversavam... E tocavam musica. Ele não imaginaria Rachel lá... Mas ele não fazia idéia de onde ela podia estar. Assim caminhou até o lado de fora, descendo pelo gramado seguindo a musica. Estavam na copa das arvores, da floresta que cercava tanto o castelo quanto o rio. Ele parou ainda distante, observando. É, ela estava lá.
Se eu fosse jovem, eu fugiria desta cidade.
Eu enterraria meus sonhos debaixo da terra ♫
Não era nada do que ele esperava, mas Rachel sempre o surpreendia mesmo. Lá estava ela, dentre os outros criados. A fogueira ardia pro ar, e os homens cantavam, sentados em volta do fogo, um deles com um pequeno violão. Haviam algumas mulheres também, mas Rachel era a única de pé... E a única vestida daquele jeito. Que diabo era aquilo? Ele observou cuidadosamente a roupa dela: Uma blusa de botões, amarrada abaixo da costela, deixando a barriga definida livre a vista de quem quisesse e uma saia, branca como a blusa, solta, que rodopiava no ar quando ela girava. E ela girava. Estava dançando. Finn nunca vira nada mais intrigante, mais viciante... Nada mais seu. Ela dançava em volta fogo, se balançando conforme a musica. Ele, ainda mortificado, viu ela segurando a saia, o que deixava os tornozelos livres. Ela dava pequenos passos demoradamente, os pés descalços tocando delicadamente a grama, girava e dançava ao redor do fogo e sob os comandos da musica. Os cabelos estavam soltos, os cachos que ele amansara há algumas horas estavam balançando junto com a dona, de modo livre, até selvagem. Ela olhava o fogo enquanto dançava, como se algo nas chamas a prendesse. Logo, não o viu.
Assim como eu, nós bebemos pra morrer, e nós bebemos esta noite ♫
Finn desgrudou os olhos com esforço da imagem dançante dela para observar os que estavam ao redor. As mulheres olhavam Rachel com certo despeito no rosto, até inveja, talvez. Entre os homens, sua grande maioria, alguns conversavam, alheios, outros olhando-a, e os que cantavam, olhavam ela.
Havia cobiça no olhar de muitos, desejo, gana. Finn ficou mordido. Não se tinha mais respeito, era isso?!
Longe de casa, elephant gun Nós vamos derrubá-los, um por um ♫
Mas Rachel não via. Ela olhava o fogo, apenas a ele. Alheia a cobiça, a inveja... Alheia a própria perfeição. Rachel olhava o fogo e esgotava seu corpo, tentando se libertar da angustia que sentia por dentro. Parecia estar funcionando. Então, sem se anunciar, como o vento, ela sentiu uma sensação familiar. Sensação de presença, mais forte até que a própria sensação de estar sendo observada. Em um dos rodopios ela o viu, parado, longe dali, oculto pela falta de luz e pela capa negra que usava. Rachel perdeu o passo um instante, desarmada pela aparição dele; com sorte ninguém viu. Ele viu o olhar dela sob si e sorriu, batendo palmas conforme a musica, em um elogio silencioso a dança dela. Ela sorriu de volta, voltando a se mover, mas agora o encarava, discretamente; estava dançando para ele. Ele a observou, fascinado, o olhar aprovando o que via. E ela dançou ainda com mais gosto, porque agora tinha pra quem dançar. Durou por mais um bom tempo. Quando as chamas morreram, tempos depois, Rachel se preocupou por alguém vêlo na volta pro castelo... Mas ele havia sumido, tão subitamente como aparecera.
Nós vamos derrubá-lo, ele não foi encontrado, não está por aí ♫
Todos foram embora. As chamas, antes imperiosas, agora eram só cinzas e carvão. Rachel olhou a grama, esgotada, e respirou fundo, sentindo o perfume da noite. Caminhou em silencio até o celeiro. Estava alerta demais para ir se retirar, o sangue ainda corria rapidamente por suas veias. Ao chegar lá, o celeiro estava vazio e escuro. Ela passou pelos estábulos, indo pra trás do feno, onde sabia haver uma bica, de onde os criados tiravam água para os cavalos. Ela apanhou da água, lavando o rosto soado e molhando a nuca, afastando o calor. O frio em si estava voltando, o céu nublado lá fora denunciava isso. Ela secou o rosto na manga da blusa, caminhando de volta. Alguns cavalos dormiam, outros a observavam.
Rachel: Ei, garotão. – Disse, passando a mão na crina do cavalo de Finn, que se destacava por ser o de maior porte e melhor cuidado. O cavalo, orgulhoso, não se derreteu pelo carinho, mas era claro que estava gostando. Ela sorria quando uma voz a apanhou, vindo bem detrás dela.
Finn: Você se expõe levianamente, perante a todos... Há explicação para isso? – Perguntou, tão perto que ela podia sentir o hálito dele em seu ouvido.
Rachel se arrepiou, involuntariamente, com a presença dele ali. Ela se virou e ele a observava, os olhos verdes com um tom diferente, mais intensos. Pela falta de resposta dela ele insistiu.
Finn: E então? – Insistiu, olhando-a.
Rachel: Creio que não tenho explicação para isso. – Disse, dando de ombros.
Finn: Todos os homens ali estavam olhando você. – Continuou, vendo ela se afastar – Que diabo de roupa é essa? – Rachel olhou pra baixo, vendo a roupa improvisada que usava.
Rachel: Estava calor. – Argumentou, e ele ergueu a sobrancelha.
Finn: Estava calor, é claro. – Repetiu, irônico – Então você se desnuda e sai dançando por ai. – Ele cruzou os braços. Ficava tão bonito quando estava emburrado!
Rachel: Não estava dançando por ai, estava dançando para você. – Corrigiu, e ele ficou quieto, observando-a se aproximar, abraçando-o de lado. – Devo interpretar isso como ciúmes, alteza? – Perguntou, antes de dar um beijinho no ombro dele, coberto pela capa. Finn levou um longo instante observando-a, até responder.
Finn: Não gostei do modo como te olhavam. – Disse, ainda mordido.
Rachel: Eles olham assim para qualquer uma. – Tranqüilizou, beijando-lhe novamente.
Finn: Minha mulher não é qualquer uma. – Impôs, imediatamente.
Rachel: Nenhum deles nem sonha que eu sou tua mulher. – Rebateu, e viu a frustração no rosto dele por não poder dizer nada. – Não seja ciumento. Olhar não machuca.
Finn: Deveria dar ordens para furar-lhe os olhos, um por um. – Disse, enfezado.
Rachel: Shhh, não diga isso. – Disse, tapando a boca dele com os dedos. Ele ergueu a sobrancelha – Eles nem se lembram mais.
Finn: Sonharão com isto essa noite. – Rebateu. Pelo tom de voz dele era claro que isso era uma ofensa grave.
Rachel: Não pode controlar os sonhos das pessoas, majestade. – Ela acariciou o rosto dele, sorrindo.
Finn: Me atraso poucas horas e vê o que tu me aprontas. – Rachel ergueu as sobrancelhas perante a acusação.
Rachel: Não aprontei nada. – Se defendeu, imediatamente.
Finn: Ah não? – Perguntou, erguendo as sobrancelhas – Nem na mais profunda de minhas brincadeiras pareceste tanto uma cigana como hoje. – Disse, a mão tocando o rosto dela possessivamente. Ela se deleitou com o carinho.
Rachel: Isso é ruim? – Perguntou, os olhos encarando-o.
Finn: De várias formas. É indecente. – Respondeu, se virando enquanto apanhava o rosto dela com a outra mão, se inclinando para beijá-la.
Não foi um beijo calmo, o que surpreendeu Rachel. Estavam tendo uma conversa civilizada e agora... Santo Deus!
Ele parecia estar tentando devorar sua boca. Ela arfou, se segurando nos braços dele para não tropeçar, deliciada com tudo aquilo. Durou por instantes até que ele mordeu seu lábio inferior, puxando-o.
Finn: Não se exponha assim para outra pessoa, não gostei do modo como me fez sentir. – Disse, secando as gotas de água no rosto dela com os lábios, em beijos chupados.
Rachel: Outra pessoa? – Perguntou, sorrindo, de olhos fechados. – Logo isso não o inclui.
Finn: Obviamente não. – Ela riu. – Não. – Protestou, sentindo ela afastando suas mãos, se libertando dele – Que está fazendo?
Rachel não respondeu. Ela deu um passo hesitante ao redor dele... E logo outro, e outro, e rodopiou. Os protestos dele calaram ao vê-la dançar novamente. O olhar de Rachel estava preso ao dele assim como estivera preso ao fogo, anteriormente.
Finn: Não vai resolver. – Disse, prendendo o sorriso. Ela sorriu, apanhando a mão dele. Finn seguiu ela, que sorria pra ele, até largá-lo sentado em um monte de feno, no fundo do estábulo – Ei!
Rachel já havia se afastado. Voltara a dançar, e a encará-lo. Ele sorriu, desamarrando a capa e se amparando no joelho para olhá-la. Durou minutos. Ele nunca vira nada mais encantador... Nada mais intrigante. Por fim Rachel riu, se afastando.
Finn: Porque parou? Que está fazendo? – Ela continuava a se afastar.
Rachel: Eu terminei. – Disse, obvia. Finn ergueu as sobrancelhas.
Finn: Como? – Perguntou, incrédulo.
Rachel: Até amanhã. – Ela soltou um beijinho pra ele e disparou correndo. Finn piscou duas vezes, atônito, e disparou atrás dela.
Rachel ria. Ele sorriu vendo o esforço dela de correr, e balançou o rosto negativamente, acelerando o passo. Quando ela ia alcançar a saída do celeiro um braço forte dele passou por sua cintura, erguendo-a do chão, e ela deu um gritinho, rindo. Finn sorria enquanto fechava a porta do celeiro, impedindo a fuga dela. Ela se debateu no ar enquanto ele a levava de volta pros fundos, segurando-a tranquilamente com apenas um braço.
Rachel: Eu tenho certeza de que há uma lei que me proteja contra isso. – Disse, ofegante pelo riso. Finn parou e ela virou o rosto pro lado, encarando-o em uma indagação.
Finn: Uma lei contra mim? Sério? – Perguntou, debochado. Rachel suspirou, derrotada, e ele voltou a andar, assim como ela voltou a se debater.
Rachel se agarrou a Finn quando ele tentou largá-la, e os dois riam naquela breve luta corporal. Por fim ele a jogou no feno e ela se rendeu, rindo gostosamente.
Finn: Parece um bezerro desmamado. – Comentou, sobre o ataque dela.
Rachel: Um bezerro. – Repetiu – Tudo bem, isso não foi galante, alteza. – Disse, se sentando. – Vamos pra dentro, está tarde. – Chamou, pegando uma mão dela. Finn ainda a observava com fascínio no olhar.
Finn: Não. – Ela o olhou, esperando – Tem uma coisa que eu tenho que fazer aqui, antes de irmos.
Rachel: Tudo bem. – Disse, alheia. Verdade seja dita, depois do dia cansativo e tudo mais, estava ficando com sono. Ela tocou a capa dele, que estava estendida debaixo dela, sentindo o veludo luxuoso sob seus dedos. Olhou para ele, que continuava ali, segurando sua mão e olhando-a, e franziu o cenho – O que está esperando? Vá. – Disse, confusa. Finn sorriu, divertido – Qual a graça? – Perguntou, se enfezando.
Finn: Nenhuma. – Disse, apertando a mão dela. Ele subiu no monte de feno, ajoelhando-se entre as pernas dela, e apanhou seu rosto, beijando-a novamente.
Rachel retribuiu, é claro. Não importa o que acontecesse, beijar Finn sempre seria uma das melhores sensações que ela provaria. O hálito dele, o gosto dos lábios, o contato das línguas... Ela só não entendia porque ele estava beijando-a, se tinha que fazer alguma coisa. Clique.
Rachel: Ei. – Disse, desviando a boca da dele com algum esforço. Finn levou os lábios pelo frontal do pescoço dela, chegando no colo. – Aqui? – Perguntou, receosa.
Finn: Tem coragem suficiente para dançar daquele modo em frente a todos, e lhe falta coragem para isto? – Ele sentiu a pele do rosto dela esquentando em rubor, e sorriu – Aqui, meu amor. – Disse, beijando-lhe o rosto. A bochecha dela estava quente como se tivessem lhe dado uma bofetada.
Ainda receosa ela olhou em volta. Pelo menos ele tinha fechado a porta. Ele incitou ela a se deitar, levando-a com seu próprio corpo. Rachel gostava disso. Desse modo como ele a comandava, a controlava. A fazia sentir segura, protegida... A excitava. Ele se deliciou na pele dela por instantes incansáveis, até que parou na blusa. Sem paciência, puxou as duas abas com tudo, rasgando-a, mas o nó o deteve.
Finn: Que diabo...? – Murmurou, erguendo o rosto para olhar o nó. Rachel riu. Finn desceu as mãos até o nó apertado, desfazendo-o quase com raiva. Por fim o colo dela se desnudou e ele aproveitou, abocanhando-lhe um dos seios, fazendo-a arfar, segurando-lhe os cabelos.
Parecia faminto, e ao mesmo tempo apressado. Rachel podia sentir os ardidos de onde as marcas apareceriam no dia seguinte, mas o tesão absurdo que a consumia não a deixava se importar. Ele desceu a boca, parando na barriga dela. Lhe abocanhou o umbigo, mordendo, e ela se encolheu, fazendo-o sorrir.
Passou a língua por toda a barriga dela, fazendo-a se arrepiar, e pelo umbigo, o que a fez se encolher novamente. Ele se deteve apanhando a saia dela, puxando-a e rasgando-a ao meio. Rachel apenas esperava, entregando o corpo pro desfrute dele, desfrutando de suas caricias. Ele apanhou a roupa debaixo dela, fazendo pouco caso, e a rasgou também. A madrugada estava fria, o vento rugia pelas telhas do estábulo, mas parecia não haver frio ali. Finn mordeu a lateral da coxa dela, ouvindo o riso surpreso em seguida. Não podia ver tecnicamente nada ali, estava tudo escuro, a única fonte de luz que tinha vinha das tochas do castelo, mas ele fechara a porta, bloqueando-a. Enquanto mordia a coxa dela um pensamento relampejou em sua cabeça. Ela nunca tivera nenhum homem (o irritava pensar na opção), logo... Rachel gemeu, surpresa, ao sentir, após uma ultima mordida dele, seus lábios encontrarem sua intimidade. Ela tinha algo pra dizer, ela não lembrava o que era... Meu Deus! A língua dele a buscava incansavelmente, como se estivesse a saborear algo que lutara muito pra conseguir... E ela estava encontrando dificuldade para respirar. Era estranho, era diferente... Era bom. Finn gostou de ouvir os gemidos que ela não conseguiu reprimir. Ele tinha uma mão na coxa dela, segurando-a, mantendo-a no lugar, enquanto sua boca a devorava.
Verdade seja dita, ouvira falar sobre isso em sua adolescência, em uma conversa entre amigos, em uma viagem que ganhara dos pais. Nunca tentara. A única mulher que tivera em sua cama fora Dulce, e ele nunca nem pensara nisso, não o tentaria, mas Rachel era diferente. Ele queria aquilo, queria o gosto dela, queria ouvi-la gemer seu nome. Durou minutos, até que ele sentiu a respiração dela se acelerar mais, o corpo ficando mais tenso, se contraindo em espasmos... E ele a deixou. Rachel não teve tempo de falar, ela não conseguia apanhar o ar. Foi um instante mínimo, apenas tempo suficiente para tirar o condenado cinto e se desviar da calça. Os corpos dos dois se encaixaram com suavidade, e ele buscou a boca dela antes de começar a se mover. Se um dia Rachel tivera perto de um colapso, fora aquele. Os dois se amaram com brutalidade, quase violência, um desejo desconhecido que não tinha explicação, mas parecia queimar.
Rachel: Ah. – Gemeu, cravando as unhas no ombro dele. Estava vindo outra vez, ela podia sentir...
Finn: Tudo bem. – A voz dele estava baixa, rouca – Deixe vir... – Pediu, mordendo-lhe os lábios.
E ela deixou. Com um gemido cansado, extasiado, ela deixou vir, sentindo o corpo todo ficar como suspenso, anestesiado, os sentidos meio como dopados. Em seu devaneio pôde ouvir o ultimo gemido dele antes que o corpo dele caísse sob o seu, derrotado, satisfeito. Finn ofegou por instantes, desfrutando daquela sensação maravilhosa, e em seguida se deitou ao lado dela, apanhando-a em seu braço. O silencio reinou por longos minutos, enquanto ele beijava o cabelo dela, acariciando-lhe as costas, e ela tentava voltar a pensar com coerência. Não eram mais rei e criada, homem e mulher, nem nada disso... Eram amantes, apaixonados, sem se importar. Só isso.
Finn: Tive ciúmes. – Admitiu, ainda acariciando-a, e ela ergueu o rosto do peito dele, encontrando seus olhos com dificuldade na escuridão do celeiro – Medo de que um daqueles que te olhavam te agradasse, por poder te dar a vida que eu não posso. Por poder te assumir, criar uma casa, uma família. Por poder te dar paz. – Concluiu, em voz baixa.
Rachel: Eu não preciso de paz. – Respondeu, se aninhando a ele – E tampouco tenha ciúmes. – Disse, acariciando o rosto dele. O coração de Finn batia descompassado – Ainda que houvessem mil como tu, ainda serias o primeiro. – Garantiu.
Finn apenas a encarou, sentindo algo violento dentro de si. Apenas um sentimento poderia roubar a paz de um homem daquele jeito.
Finn: Eu amo você. – Disse, e viu ela sorrir. Ele beijou o nariz dela, que o apertou em seu abraço, e foi só.
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