Johnny Blade

15 Momentânea desordem


Notas iniciais
VOLTEEEI ~coro de aleluia~ pois é povo, eu andava sem internet porque me mudei, e depois que consegui internet continuei sem computador. Mas me perdoem pela demora e espero que gostem.

O dia amanhecia ensolarado e fresco, o sol radiante surgindo no horizonte parecia praticamente uma benção, já que como todos sabiam, na velha Detroit quase nunca se via o sol. A chuva e as nuvens cinzentas quase sempre encobriam os raios de sol, e como consequência, a alegria de Erick.

Porém, Detroit assistiu seu triunfo e sua queda. O viu vagar bêbado e solitário, mas o viu criar seu eu mais forte: Johnny Blade. Também o viu sentir-se feliz, vivo, como quando estava com Hilary. Agora ele abandonava a cidade que quase chegou a amar, em um dia ensolarado como os que deixavam seu belo cabelo avermelhado e o faziam sorrir por poder ir à praia ou simplesmente sentir o calor do sol em sua pele, mas dessa vez ele apenas se sentia desesperado.

Uma musica country deprimente soava baixinho em seu radio, a letra falava sobre perder quem se ama e se sentir perdido. Erick lembrou-se de há muito tempo atrás estar na varanda tentando concertar a casa de boneca de madeira de Penny enquanto Paul estava sentado ouvindo musica country deprimente. Ele disse a Paul que aquelas músicas eram pra gente com “dor-de-cotovelo”, e Paul apenas o encarou e disse que essas letras um dia se encaixariam na vida dele, e ele gargalhou afirmando que, se um dia aquelas músicas definissem sua vida, ele estaria na pior das piores.

Agora Erick ria amargamente consigo, pois a letra da musica se encaixava muito bem no momento que estava passando, e talvez aquela tenha sido a coisa mais inteligente que o babaca do Paul tenha dito.

Hilary suspirou no banco do passageiro e Erick lembrou-se de sua presença. Ela estivera tão calada o trajeto todo que ele nem se deu conta que ela realmente estava ali. Encarou seu belo rosto e notou que suas feições eram de total confusão, e ele entendia isso. Ela o tinha visto matar um homem e agora saiu com ele da cidade praticamente a força. Pôs sua mão na dela, tentando lhe transmitir segurança, pois palavras não transmitiriam o que aquele simples gesto poderia.

Ela sorriu. Aquele lindo sorriso que fazia com que Erick perdesse suas inseguranças, seus temores, tudo... Era como o sol, seu sorriso o aquecia e o fazia sentir-se seguro, como o sol... Porém, seus olhos transmitiam o temor que antes se estampava em todo o seu rosto.

– Erick, eu não acredito que estamos fazendo isso, eu... Eu nem sei o motivo para estarmos fazendo isso, não tem razão para eu ter aceitado vir, eu...

– Ele ia te matar também.

– Você o matou...

– Mas eu sei que tem mais de onde ele veio.

Os dois se calaram, não querendo discutir, pois ambos silenciosamente sabiam que mesmo se não houvesse nenhum assassino e eles não precisassem sair de Detroit, eles preferiam ficar juntos fora dela a sozinhos nela. Ambos apreciavam ficar juntos, só não admitiam, embora nem precisasse.

– Erick, você sequer sabe para onde estamos indo e onde vamos ficar?

– Vamos para Louisville, o tio Bill tinha uma casa lá, sei onde esconde a chave...

– O Bill tinha uma casa na capital de Kentucky e morava em Detroit em um apartamentozinho minúsculo??

– É. Bill já foi casado há muito tempo, compraram a casa juntos. Ela morreu e, bem, ele não quis mais voltar lá. Estive na casa quando era criança, mas sei o endereço.

– Hm... Deve estar meio empoeirada!

Erick não pode evitar rir. Esta é Hilary, a mulher que viaja horas dentro de um carro com seu amigo que assassinou um cara mas sua maior preocupação é a poeira do lugar.

– É, deve estar.

A conversa foi momentaneamente encerrada quando o som de um baixo em uma musica iluminou os olhos de Erick. Obvio que ele reconheceu a música: era Are You Gonna Be My Girl, do Jet. Ele simplesmente amava a musica, e não demorou muito para que ele aumentasse o volume e cantasse a letra inteira com um sorrisão no rosto, provocando o riso em Hilary, que abriu a janela para acender um cigarro. O forte vento que soprava fazia seus cabelos esvoaçarem.

Porém a momentânea euforia que os consumia deu lugar, como sempre acontecia a eles, a uma momentânea desordem, quando o senhor velho e sem camisa, em seu cadillac vermelho ao lado do carro deles, buzinou e disse que uma “mocinha” como Hilary não devia estar fumando e sozinha com um carinha. Erick riu, prevendo uma daquelas explosões que surgia nela. Ela apenas mostrou o dedo médio ao velho, e ao que ele respondeu “no meu tempo mulher ficava em casa cozinhando e não bancando a rebeldezinha” foi o fogo que faltava para acender o curto pavio de Hilary.

– AGORA PORQUE SOU MULHER NÃO POSSO FAZER NADA? EU POSSO FAZER TUDO QUE VOCÊ PODE, INCLUSIVE...

Para o choque ( e deleite) dos dois, Hilary tirou a blusa, para comprovar sua tese de que poderia fazer qualquer coisa, inclusive ficar sem camisa, que ele fizesse.

– Você é louca, ainda vai nos meter em uma prisão...

E, com isso, Erick fechou as janelas e acelerou, enquanto uma Hilary risonha botava de volta sua camisa, com sua expressão de vitória.

– Eu preferia sem...

– Você sempre prefere.

Os dois riram genuinamente felizes. O resto da viajem foi monótono, silencioso, até Hilary pegar no sono, por não ter dormido durante a madrugada em que viajaram. E, quando chegaram a seu destino, o radiante sol estava se pondo, tão majestoso como surgiu. Erick estacionou em frente a grande e majestosa casa, por onde os raios de sol desapareciam por trás. Saiu do carro, aspirou o ar puro e se despediu do sol, indo acordar uma sonolenta, porém empolgada, Hilary.

Eles entraram na casa como se fosse um casal em lua de mel: os dois sorridentes e ele a carregando porta adentro no colo. A casa era imensa, o chão de porcelanato branquíssimo, as paredes de cor creme e as cortinas de um azul bebê transmitiam paz e tranquilidade ao ambiente. Os sofás eram grandes e estofados, de frente a uma televisão enorme e, como era de se esperar de Bill, uma imensa estante com discos, que Erick ficou surpreso por ele não ter levado.

Mas eles não admiraram a casa por muito tempo, tão pouco foram dormir para se recuperar da noite não dormida. Em poucos minutos estavam os dois no andar de cima, no grande quarto, agarrados na cama redonda e macia. Estavam do jeito que mais gostavam, unidos em um só, em silencio se não fosse pelos gemidos involuntários que saiam por seus lábios. Estavam suados e exaustos, mas não paravam. Ela amava sentir-se preenchida por aquele que amava, mesmo que não se tocasse disso. Ele amava sentir que a tinha só para ele, que estavam em um mundo onde eram sós.

Porém, logo o prazer deu lugar à exaustão, e os dois se entregaram ao sono. Naquela noite Erick, apesar do sono e exaustão, sentia sua mente fervilhar com tudo que não havia pensado: e a banda? E seus avós? E se o assassino já estivesse aqui? Por que o querem tanto? E, além de tudo, mais uma questão se formava em sua mente: Eu amo Hilary?

Era como tudo quando estava com ela, uma hora a paz sempre dava lugar a uma momentânea desordem.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.