Johnny Blade
3 Dias de sol
Erick acordou horas mais tarde, com o sol forte batendo no rosto. O carro estava parado e sua mãe não estava ali. Abriu a janela e mal acreditou naquela vista, não sabia que em Hamilton havia uma praia tão linda e ensolarada, apesar de o ambiente lhe parecer vagamente familiar.
Clarisse voltou com um pacote de balas e um sorriso enorme. Entregou ao filho um par de óculos escuros e este a encarou, confuso.
– Sabe onde estamos?
– Hmm... Hamilton, não é?
– Não, estamos na Flórida... Achei que se fosse para irmos embora de novo, que fosse pra cá. Eu sei o quanto você sentiu quando teve de...
Ela foi interrompida por um abraço de Erick, não pode evitar a surpresa, pois não recebia qualquer demonstração de afeto do filho desde o dia em que saíram da Flórida, por este ter se tornado tão recluso.
– Eu te amo Lucky...
– Eu também mãe.
– Vamos ficar morando com sua avó por uns tempinhos, até eu achar um emprego.
– Tudo bem, a vó Emm é legal.
–Claro que é.
Ela volta a dirigir e Penny, com os olhinhos bem abertos, observa tudo a sua volta, fascinada. A pequena praticamente cresceu naquela cidade quase sempre nublada, não conseguia deixar de se encantar com a vista e o sol radiante.
A chegada na casa da avó não foi nada do que ele esperava. Não teve apertos de bochecha e "como você cresceu, já está um homem crescido!", pelo contrário, agiram como se eles tivessem saído para comprar pão há 2 minutos e retornado. Mas era melhor assim. Emmily, a avó de Erick e Penny era uma senhora um tanto rigorosa em relação ao comportamento de crianças em sua casa, mas ao ver suas caras de exaustos, nem reclamou quando Penny se atirou no sofá sem tirar os sapatos.
O avô deles, Richard, era um homem muito calmo, amava pescar e ia todos os fins de semana, sem falta. Neste não foi diferente, mas prometeu que traria muitos peixes para comer com sua filha e netos. Erick estava se sentindo muito feliz em estar ali, exceto pelo fato de ter que ir pra escola já no dia seguinte. Pô, nem um descanso?
Jantaram todos os tipos de peixes existentes ou, se não todos, grande parte deles, e ele foi pro seu quarto se lamentar de ter que acordar cedo no outro dia. Mas o sofrimento foi esquecido quando, em cima da cama, ele viu uma guitarra... A SUA guitarra, mas não aquela que o Jerry tinha... Sim, era a mesma marca, mesma forma, só mudava a cor, mas de qualquer forma era muito melhor, pois aquela era sua! "Presente de boas vindas!" gritou a avó da sala. Ele mal podia esperar para tocar nela... Mas amanhã, hoje ele estava quase morrendo de tão exausto.
Atirou-se na cama e, sem demora, apagou.
Teve um sono sem sonhos, o que era bom, já que geralmente tinha pesadelos com a morte do pai. Acordou no outro dia... 6:30 da manhã depois de horas de viajem, quem aguenta? Estaria chegando ao meio do ano em uma nova escola, nova cidade... Mas se sentia confiante: Aquela cidade era SUA cidade.
Quando foi tomar café sentou-se a mesa e observou Penny a sua frente, sentada com uma postura tão correta enquanto comia suas panquecas que parecia uma mini rainha. Lembrava muito as fotos que vira de sua mãe quando era mais nova, com o nariz levemente empinado, as pernas cruzadas e a coluna ereta, parecendo que estava em um trono ao invés de uma cadeira simples de madeira.
– A mãe saiu?
– Sim, foi procurar emprego... Ela estava entusiasmada, disse que na Flórida talvez conseguisse o cargo que tinha no mesmo jornal que trabalhava antigamente!
– Isso é bem legal...
Encarou a irmã enquanto servia-se de cereais. Surpreendeu-se com tudo o que perdera enquanto estava preso em seu mundinho, sua irmã já tinha treze anos, era praticamente uma adolescente. Era linda, inteligente... Seu pai sentiria muito orgulho de ver a menina que aquela pequena criança se tornou.
– O que foi? – Perguntou a pequena com curiosidade.
– Nosso pai sentiria orgulho de você...
Ela sorriu. Sentiu-se feliz por ter a feito sorrir, já que a tempos sequer trocava uma palavra com sua irmã. Mas, ao mesmo tempo, sentiu um aperto no peito ao lembrar-se do pai e a pensar “de mim ele não sentiria orgulho”. Fechou-se em seu mundinho de novo e partiu para a escola, deixando metade do prato com o cereal cheio e uma irmã confusa por seu comportamento mudar tão depressa.
Ele não gostava de fugir dos outros, mas fazia isso há tanto tempo que nem se lembrava mais como era encarar seus medos. A escola era perto de sua casa, então não pode divagar tanto sobre si mesmo: já estava chegando.
Chegou à escola e olhou a sua volta... Era similar a sua antiga escola, mas viam-se mais pessoas bronzeadas e com jeito de surfistas, esportistas, etc. “Ótimo!” Pensou “minhas chances de me encaixar aqui já eram!”
Marchou com a cabeça baixa e sem empolgação pela entrada da escola, recebendo olhares curiosos, alguns apenas surpresos por um louco ter entrado no meio do ano, e outros pareciam mais de... Admiração? Desejo? Cobiça? Não sabia. Nunca recebera olhares assim ou nunca notara. Por mais belo que fosse Erick nunca entenderia a forma como algumas garotas o encaravam.
– Olá, muito prazer! – Uma garota de cabelos loiros, quase brancos, surgiu em sua frente, fazendo-o recuar. – Desculpe, me chamo Rachel, e você parece novo... Se quiser te ajudo a achar sua sala.
Surpreendeu-se com a boa vontade da garota, mas não sabia se poderia confiar nela. Porém, ao olhar em seus olhos tom de amêndoa, pensou “Sim... Não me incomodaria nem um pouco se me acompanhasse!”, mas tudo que fez foi assentir fazendo Rachel sorrir de forma encantadora. Não sabia o que tinha de especial, mas esta garota desconhecida o fazia sentir... Diferente. Mais do que já se sentia
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