John e o Detetive Michael
1 John e o Detetive Michael
Algemado, sentado naquela cadeira de ferro, John seguia o interrogador com os olhos. O detetive, Michael, andava impaciente, com as mãos no rosto, pela sala do interrogatório.
Michael sentou-se à mesa prateada com algumas manchas de ferrugem.
- Então John — Disse ele — Crimes e mais crimes.
John olhou bem fundo nos olhos de Michael, que continuou.
- Jessica Lockwood, vinte e sete anos — Colocou uma foto em cima da mesa. Uma moça bonita, loira, jovem — Encontrada sem o coração. Morta por você!
John sorriu, sem desviar o olhar.
- Temos também o caso de Josef Cash — Disse Michael, revelando outra foto, de um homem. Alto, magro, pele muito clara — Teve sua cabeça cortada. Brutalmente degolado, por você novamente! — Gritou o detetive, batendo as mãos na mesa.
John acenou com a cabeça, sem falar nada.
- E Tracy Vega?! Jogada numa banheira, amarrada, desfigurada! — Uma terceira foto foi colocada na mesa. Mostrava uma senhora — O que me diz dela?! — Michael colocou mais uma foto, Do corpo da senhora, desfigurado, deteriorado, após o crime. Parecia ter sido banhado em ácido — Isso é um comportamento normal?! Todos esses assassinatos orquestrados por você! Você não tem sentimentos, é um homem frio, sem escrúpulos — A quinta foto, agora presente na mesa, era de John. Ele não sorria na foto. Pelo contrário, demonstrava uma seriedade aterradora.
Assim que o Detetive terminou a frase, John gargalhou.
- É engraçado como os fatos são distorcidos para contra o acusado...
- Isso não muda o fato que você matou três pessoas! — Interrompeu Michael, nervoso.
John, ainda algemado, empurrou a primeira foto, de Jessica, para perto de Michael
- Eu a cacei. Todas as pessoas que tinham algo contra ela desapareceram. Isso não é coincidência.
Então, empurrou a segunda foto, de Josef, também para perto de Michael, logo acima da primeira.
- Ele causou problemas.Era viciado em prostitutas. Matou sete.
A terceira foto e a quarta foto foram colocadas aos lados da foto de Josef.
- Não podia ter filhos. Tentou por muito tempo. Ela tinha raiva disso. No seu quintal, foram encontrados ossos de quatro crianças.
A última foto, de John, foi colocada acima de todas, no topo. A disposição das cartas formava uma cruz. Michael se afastou da mesa, assustado.
- Eu sabia — Prosseguiu John — que se eu não agisse, isso não iria parar. Era preciso alguém que pudesse ver entre a verdade e a ficção. E separá-las, como devem ser. Destruindo esses seres malditos. Removendo o coração. Decapitando. Banhando em água benta. Esses métodos funcionam. Eles não podem existir sozinhos, precisam de proteção para sobreviver. Alguém para fazer vista grossa.
John colocou as mãos para baixo da mesa. A expressão no rosto de Michael agora expressava pura raiva.
- Você está confuso, John — O Detetive disse -, com medo.
- Um homem confuso não teria planejado esses assassinatos por três meses. Um homem confuso não teria entrado nessa sala meia hora atrás — John levantou as mãos novamente, segurando uma estaca de madeira — Um homem confuso não teria uma estaca nas mãos.
O Detetive havia sido tomado pelo ódio. Seus olhos ficaram vermelhas, suas orelhas pontudas, o rosto enrugou, as presas se projetaram. John ainda segurava a estaca, firme, convicto. O vampiro avançou sobre John e a lâmpada que os iluminava, balançando, se apagou.
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