Jogos de Versalhes
1 O Perdido
Notas iniciais
Irônico desaparecer enquanto procura por pessoas desaparecidas, não é? Mas foi exatamente isso o que aconteceu comigo.
Resumindo o que aconteceu comigo até agora, eu fui enviado em uma missão para procurar semideuses que sumiram do mapa sem motivo aparente. Não tínhamos nenhuma pista além da profecia de Rachel, o Oráculo do acampamento. Lembro-me de suas palavras entoadas com a voz espectral do Espírito de Delfos.
Na Cidade Luz, sua jornada começarás
Em um jogo de azar, sua vida apostarás
Dos cinco semideuses, a profecia um cumprirá
E com o fim de uma vida, o martírio findará
Discutimos avidamente a profecia na fogueira do Acampamento por horas, mas a única conclusão a qual chegamos foi o significado do primeiro verso da misteriosa profecia: que eu devia começar minha busca em Paris. Quíron conseguiu me enviar até a capital francesa em um avião razoavelmente confortável no mesmo dia, provavelmente manipulando a mente de alguns ingênuos mortais.
Então, retomando a narrativa, eu estava andando nas ruas da cidade, esperando que eu pudesse ver algo de útil.
Finalmente, depois de horas de busca, encontrei um parque onde sátiros conversavam. Eram dois deles, e não pareciam ter mais que treze anos, apesar de viverem sozinhos no parque. Logo que entrei no parque, eles correram na minha direção, animados.
– Ei, cara, quem é você? — um deles perguntou, em inglês, o que me surpreendeu um pouco
– Meu nome é Erik. — respondi — Estou procurando...
– Eu sou Drake e esse aqui é Carl — interrompeu o outro
– De onde você veio? — perguntou Carl
– Acampamento Meio-Sangue. — respondi — Vim pra cá em uma mi...
– Somos de lá também — interrompeu Drake novamente — Somos... como Grover nos chama mesmo?
– Protetores do mundo selvagem — lembrou Carl — Estamos aqui para tentar preservar este parque. E você? O que faz aqui?
– Vim em uma missão — finalmente pude dizer — estou à procura de campistas desaparecidos.
– Ahn... — disse Drake — Um cara falou algo parecido esses dias... Como era o nome dele mesmo, Carl?
– Lucca de Vito — respondeu o outro sátiro — ele usou a passagem do nosso parque.
– Que passagem? — perguntei, sério
– É uma que fica ali — disse Drake, apontando uma caverna a uns cinco metros dali.
Agradeci os dois e corri para esta caverna. A entrada era ampla, e nada via-se além de escuridão. Entrei na gruta e tateei às cegas as paredes do lugar. Logo, vi algo azul e pequeno brilhar ao meu lado: Era uma letra grega delta gravada na parede da caverna. a letra brilhou por mais alguns segundos, e então as rochas da caverna se moveram, afastando-se ao máximo possível do ponto onde a inscrição brilhara, revelando uma passagem. Então era aquela a passagem que Lucca usara...
Entrei nela e a escuridão diminuiu um pouco. Provavelmente havia uma luz no fim do túnel, literalmente, mas muito à frente. Parecia ser um enorme complexo de corredores, onde as chances de se encontrar o exato caminho que alguém fez é praticamente impossível. A não ser que esse alguém queira ser encontrado.
Olhei para a luva que estava em minha mão. Estava escuro e eu mal podia vê-la, mas eu nunca a tirava, portanto sabia exatamente como ela era. Uma luva de couro negra, feita com a pele de um dragão. Fora dada a mim por meu pai, Hefesto, no dia da minha reclamação. Se transformava e mudava de tamanho de acordo com meu crescimento, e me acompanhava desde os doze anos(eu sei, fui reclamado um pouco antes do normal). Ergui minhas mãos, e invoquei o poder das luvas, o motivo pelo qual eu a recebera de meu pai. Em um único segundo, as luvas entraram em chamas, iluminando o caminho: os corredores eram feitos de metal negro com um pouco de ferrugem em certos pontos, e pregos pareciam sustentar o lugar. Realmente, o lugar era tão complexo quanto eu pensara, talvez até mais. Seria impossível encontrar alguém ali. Eu voltara à estaca zero. Virei-me, pronto para retornar às ruas parisienses, mas algo me impediu.
Seria mais apropriado dizer alguém. Alguém que eu estava procurando há alguns segundos. Alguém que mudaria minha vida, seja isso para o bem ou para o mal(você entenderá isso melhor mais tarde).
Era um homem alto, e poderia ser confundido com um executivo mortal, não fosse o fato de ele estar eu um labirinto mágico guardado por sátiros. Usava um terno negro italiano com um colarinho vermelho-sangue, com uma pequena placa dourada, onde lia-se "Lucca de Vito". Usava óculos escuros, e tinha uma cicatriz que cortava-lhe a face do lado esquerdo de seu olho até a altura do queixo. Contrastando com sua aparência mortal, ele segurava um cetro de platina, encimado por um diamante. O cetro irradiava uma incrível aura de medo e terror, como se minha vida estivesse em jogo.
– Olá, semideus — disse ele, com uma voz forte — Seja bem-vindo aos Jeux de Versailles!
– Você é Lucca de Vito? — perguntei, tentando parecer tranquilo, apesar de esta extremamente nervoso
– Você não leu a placa? — perguntou ele, inclinando a cabeça, sarcástico
– O que você quer? — perguntei, quase correndo em pânico~
– Você verá, semideus — disse ele — Você verá...
Ele apontou o cetro em minha direção e, antes que eu pudesse reagir, apaguei.
Notas finais
Deixem preview por favor ;)
Fale com o autor