Jogos de Versalhes

4 O Dragão de De Vito


Notas iniciais
Espero que gostem ^^ por favor, deixem preview e leiam as notas finais lá embaixo ^^

Acordei sobressaltado deitado sobre uma maca de hospital. Havia uma máscara transparente de inalação amarrada com braçadeiras na minha face, e um gás aparentemente sonífero vinha através dela. Sentei-me na maca e olhei a paisagem em volta.

Haviam cerca de cinquenta macas iguais à minha, e sobre cada uma delas havia um jovem desacordado com máscaras como a minha. Sob cada maca havia uma caixa branca, da qual vinham sons estranhos e aparentemente ofídicos. Alguns jovens usavam as camisetas roxas do Acampamento Júpiter, enquanto outros usavam camisetas laranjas que eu não conhecia. Reconheci também uma Caçadora de Diana com o arco e a aljava nas costas. Tateei minhas costas para ver se meu arco de tensão ainda estava lá. Ele estava.

Era o presente de reclamação de meu pai, Apolo. Era um arco de tensão, similar a uma balista, que lançava flechas a uma distância de até vinte metros. Com ele, podia atingir inimigos de longe, ou atravessar com a flecha inimigos mais próximos. Viera com uma aljava com algumas flechas de Ouro Imperial. Peguei no arsenal do acampamento algumas flechas de metal comum, e então comecei meu treino para arqueiro. Tudo maravilhoso, até eu ser sequestrado. Agora, eu estava em um lugar desconhecido e teria de usar o que aprendera com o arco para sobreviver.

Continuei olhando em volta.

As macas estavam todas em uma espécie de depósito, com caixas metálicas espalhadas pelo local. O depósito era enorme, mas o mais impressioante era o dragão.

Isso mesmo. Tinha um dragão lá. Era feito de bronze, e era da medida exata para passar pelo depósito arrastando tudo e todos. Ele não tinha asas, mas tinha tubos perto da boca, então provavelmente cuspia chamas. Haviam rubis esféricos no lugar dos olhos, e sobre suas costas havia um trono dourado, o que era estranho, já que ninguém seria idiota o bastante para sentar em um dragão autômato.

Então comecei a ver de onde vinha o gás de nossas máscaras. Elas eram ligadas a uma máquina que enviava o gás.Ao lado da máquina, estava um homem familiar. Era Lucca de Vito, o ser estúpido que me sequestrara. Ainda estava com seu cetro idiota nas mãos. Ele não percebera que eu despertara.

Então eu não fora o único sequestrado. A visão daquele homem me tirou do sério. Levantei-me da maca, arranquei a força a máscara e comecei a mirar uma flecha nele com o arco de tensão.

- Acalme-se Howard — disse ele — Não se precipite.

- Cale a boca! — gritei, soltando a flecha

Ele jogou-se para a esquerda, mas a flecha não era para ele. Ela atingiu o alvo que eu queria: a máquina de gás. Ao parar de receber o sonífero, os semideuses acordaram sobressaltados. No começo, alguns fizeram força para respirar, mas a maioria arrancou as máscaras logo que pôde. Olhei para Lucca ameaçadoramente. Eu sabia que por trás daquele par de óculos escuros havia um olhar raivoso, e eu adoraria atravessar aqueles olhos com uma flecha. Ele ergueu o cetro e disse:

- Imaginei que algo do tipo aconteceria, Howard. Na verdade, isso está exatamente em meus planos. Sua coragem será devidamente... — ele pausou à procura da palavra certa — recompensada.

O cetro de platina brilhou com um estranho tom de azul, e todas as caixas que estavam sob as macas explodiram. Só então pude ver o que provocara o ruído ofídico dentro delas: Eram basiliscos.

Para os que não sabem, eu explico o que é um basilisco.

Uma serpente pequena com um tom estranho de verde-limão. Antes de sua cabeça há barbatanas pontiagudas e brancas similares a uma coroa. Eles geralmente cospem chamas e são quase tão venenosos quanto uma Hidra.

Logo que os basiliscos irromperam debaixo das macas, comecei a mirar em cada uma delas com o arco e atirar. Elas arqueavam-se e soltavam chamas, mas os semideuses conseguiam defender-se, principalmente comigo matando a maioria. As restantes recuaram para os cantos do depósito, atrás de caixas de madeira e metal.

Após destruir as serpentes, todos os semideuses, inclusive eu, olharam para Lucca: agora ele estava sobre o dragão. Agora eu sabia que alguém era idiota o bastante para subir em um dragão autômato. Mas talvez não tenha sido uma decisão tão idiota;

Os olhos de rubi do dragão iluminaram-se. O longo pescoço se ergueu e ele olhou para nós. Uma mistura de vibração metálica com rosnado saiu de sua boca de cinco metros, e então todos nós agimos em uníssono: corremos como nunca na vida. Lucca dava gargalhadas doentias enquanto nós tentávamos salvar nossas vidas. O dragão começou a correr em nossa direção, derrubando caixas metálicas que estavam suspensas por correntes no teto, quase matando alguns de nós. Mas o pior ainda não viera.

O dragão abaixou o pescoço, e chamas saíram de sua garganta, matando cinco semideuses mais atrasados na corrida. Seus corpos caíram inertes no chão; mas, apesar do corpo do dragão rangendo, o fogo crepitando e Lucca gargalhando, eu ouvia seus gemidos desesperados. Infelizmente, eu sabia que para eles era tarde demais.

O dragão cuspiu outra coluna de chamas, mas ninguém foi incinerado dessa vez. O dragão incendiou o lugar continuamente, e agora quem não corresse morreria. Vi uma semideusa quase sendo engolida pelas chamas, gritando por ajuda. Olhei para as caixas de ferro e imediatamente formulei um plano. Não a protegeria até o fim, mas a daria tempo para correr.

Atirei uma flecha em uma coluna de caixas empilhadas e atirei uma flecha. Se o arco não fosse um arco de tensão, não chegaria nem de perto ao efeito planejado. A coluna caiu, derrubando outras, com várias caixas caindo atrás da semideusa, formando uma barreira contra o fogo. Ela se jogou logo na frente da barreira, e o fogo não a matou. Por ora.

Mais sete semideuses caíram inertes e começaram a ser consumidos pelas chamas. Eram muitos mortos para um só dia.

Meu plano da barreira inspirou uma Caçadora de Diana, que salvou a si própria e a um garoto. Seu desespero era visível, pois para uma Caçadora ajudar um homem... Era muito raro. Sua habilidade com o arco era maior, e, portanto, sem um arco de tensão ela fez uma barreira permanente, que duraria por um bom tempo nas chamas, protegendo-os.

Após eu e os outros sobreviventes corrermos muito, finalmente vimos uma porta no fim do depósito. Eram comportas grandes, mas o dragão não passaria por elas com certeza.

Ou será que passaria? Será que ele simplesmente arrombaria a parede com a cabeça e nos queimaria até a morte? Eu não queria descobrir. Mirei instintivamente uma flecha em seu olho direito, e então atirei. O rubi explodiu com a força da flecha, e o do outro olho apagou, perdeu o brilho. Logo, nós corremos para as comportas.

- Venham! — gritei, já abrindo-as

Antes que a maioria pudesse chegar, o autômato explodiu em descargas elétricas, eletrocutando a maioria dos presentes. Após isso, o dragão caiu.

Olhei ao redor para avaliar a situação. Provavelmente a caçadora e o semideus morreram no incêndio ou eletrocutados. A maioria dos restantes estavam desacordados pela eletricidade do dragão, com queimaduras de terceiro grau por todo o corpo.

Olhei para o lado. Ali estava a semideusa que eu salvara. Deuses, ela era linda. Tinha olhos azuis incríveis, pele clara um pouco queimada pelas chamas do autômato e cabelos castanho-escuros com algumas cinzas.

-Ahn... oi — falei — Meu nome é Howard

- Oi — respondeu ela, ainda observando os feridos — eu sou Helen. Você é... um semideus?

- Sim. — respondi — meu pai é Apolo.

- Um filho de Apolo... — repetiu ela — sou filha de Vênus. Acho que devemos cuidar desses feridos. Seu pai é deus da cura também, não é?

- Sim, sim — falei — Acho que posso ajudar.

Nós dois andamos até os feridos e tentamos ajudar como podíamos. Eu sempre guardava esparadrapo, ambrosia e néctar na minha aljava, junto às flechas, para emergências. Tive que economizar, pois não pensara em uma emergência tão grande. Improvisei curativos e rezei para Apolo para que eles melhorassem, pelo menos um pouco. Dois deles estavam irremediavelmente mortos. Não havia mais nada o que fazer com eles. Dezesseis mortos em um dia. Dezoito feridos. E dois semideuses bem. Me perguntei se o dia seguinte seria tão terrível quanto este.

Notas finais
Como vocês viram, este capítulo foi o primeiro que não foi usado para apresentar um personagem. Aqui, apesar de apresentar Helen e Howard, o foco do capítulo foi o destino dos sequestrados, incluindo Hank, Keyla e Eike. O destino deles, mais detalhadamente, será contado em capítulos posteriores. Acreditem, há muito mais por vir. Continuem acompanhando a fic, prometo que não irão se arrepender ^^