Jogos de Versalhes
2 Caçadora
Notas iniciais
Éramos cinco Caçadoras correndo pelos esgotos de Versalhes. à procura do monstro grego mais famoso de todos: A Hidra. Nossas botas faziam barulho enquanto corríamos em direções diferentes, esperando encontrar a serpente ou ela nos encontrar. Eu trazia o arco com uma flecha já preparada para este momento, e tinha minhas facas de caça penduradas no cinto. Não sei por quanto tempo corri, mas finalmente parei. Havia um som além das botas das Caçadoras, algum ser estava rastejando. Virei-me para trás, na direção do som, e vi o monstro que eu procurava.
Nós dois estávamos em um túnel, e a escuridão seria quase total, não fosse o meu arco e as flechas refletindo a pouca luz que havia. A Hidra era uma enorme serpente, com presas do tamanho de uma criança de seis anos. O pescoço era tão largo que ocupava quase todo o túnel. Eu só via uma cabeça próxima, mas as outras seis deviam estar vindo me cercar pelos outros túneis.Soltei a corda do arco e deixei a flecha atingir o olho da fera, fazendo-a rosnar.
O lado bom é que era que o monstro estava parcialmente cego. O lado ruim é que ele ficou totalmente raivoso e cuspiu ácido em mim.
Desviei e não sofri grandes danos, apenas minhas roupas ficaram queimadas. Aproveitei os momentos de cegueira da Hidra que eu tinha para tentar atirar outra flecha. Flexionei a corda do arco e recuei, pronta para atirar a flecha, mas tropecei na beira de um buraco que o ácido fizera no chão. Minha perna ficou presa dentro dele. O monstro se aproximava, com a boca gotejando mais ácido, tentando me enxergar. Vi que não haviam chances de voltar para cima, então tentei fazer o contrário: cravei meu par de facas de caça com força no chão a minha volta.
O ácido ajudou nessa parte, pois ele queimou a estrutura do túnel, e então eu caí. Simples assim: Caí em algum lugar mais abaixo deixando a Hidra lá em cima, no túnel. Caí por uns cinco metros, e ganhei alguns ferimentos na perna. Ótimo, teria que lutar contra a Hidra sem poder andar. Olhei ao redor de mim: eu caíra em uma espécie de corredor, com paredes e chão metálicos. O túnel acima, do qual eu caíra, estava começando a ruir. Tentei me levantar antes que eu fosse esmagada pelos destroços, mas não consegui.
– Quer ajuda, Keyla? — perguntou alguém atrás de mim
Virei meu rosto na direção da voz. Era um homem alto, usando aqueles ternos caríssimos italianos. Uma placa dourada em seu peito trazia escrito o que provavelmente era seu nome: Lucca de Vito. Usava óculos escuros e tinha uma cicatriz percorrendo do lado esquerdo de seu óculos até a altura do queixo. Estendia uma mão a mim com um sorriso um tanto sarcástico. Em sua outra mão, segurava um cetro de platina encimado por um diamante lapidado.
Como uma Caçadora de Ártemis, eu deveria dizer "Afaste-se de mim! Não preciso da ajuda de ninguém, muito menos de um homem!", mas se eu dissesse isso, ele me deixaria para trás e eu morreria esmagada pelos destroços. Dei minha mão a ele, e ele me ajudou a me levantar. Quando, apoiada em seu ombro, eu estava em pé, eu via o túnel tremendo, indo cair em segundos.
– Temos que correr — disse Lucca
Ele teve que me arrastar até o fim do corredor, e minha perna queimava de dor. O ferimento era enorme, mas depois eu cuidaria dele. Primeiro tinha que voltar aos esgotos e combater a Hidra.
– Nem pense nisso — disse ele — Você tem que ser curada. E além do mais... tenho outro propósito para você, Keyla.
– Como sabe meu nome? — perguntei
– Ah, são alguns truques... — disse ele — ...de um filho de Hécate.
Olhei para o semideus e me afastei um passo. Agora eu me lembrava dele... Lucca de Vito, filho de Hécate. As Caçadoras já haviam me falado dele antes. Um semideus italiano que sequestrava outros semideuses por motivos desconhecidos. A própria Ártemis fizera questão de executá-lo quando ele capturou uma de suas Caçadoras. Mas se ele foi morto... como teria voltado à vida? Será que Ártemis o mataria novamente? Quando será que ela sentiria minha falta? Afastei-me dele mais um passo, mas ele me puxou e, por causa do maldito ferimento, o semideus que deveria estar morto conseguiu me segurar.
– Não faça isso — advertiu ele — Você perderia toda a diversão!
Ele me soltou e eu caí no chão, totalmente indefesa. Tentei inutilmente me levantar, mas, antes disso, ele apontou o cetro na minha direção. Apaguei imediatamente.
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