Notas iniciais
ÓÓÓ por favor não me esganem! Eu sei que eu demorei, mas é que eu coloquei aparelho e a dor que ele me causa me tira as ideias. Espero que gostem deste capítulo.

Quando toda aquela baboseira de cerimônia finalmente acabou, os outros selecionados foram para junto de seus auxiliares. Eu não precisei ir até perto d'As Shisus, elas o fizeram antes mesmo que eu pudesse.

A falta de expressões faciais em seus rostos me deixa confuso, eu não sei se elas estão felizes por eu ter sido escolhido o líder do Grupo Onça, ou se estão bravas por eu ter desafiado Kêntrikou. Então, não me acanho e pergunto, antes que elas mudem de assunto.

–Vocês estão bravas? -Pergunto.

–Se nós estamos bravas? -Shisudva me responde com outra pergunta.

–Sim, estão? -Reafirmo.

–Mas é claro que estamos! -Shisuodin aumenta o tom de sua voz metálica.

–Você estava com essa cabeça aonde? Queria morrer?!

–Você não pode insultar Kêntrikou! -Shisudva briga comigo.

–E por que não? Ele nos trouxe para cá! Para nós morrermos! -Eu paro e continuo. -Não sei o porquê de vocês o admirarem tanto assim.

–Sem ele nós não existiríamos Marcael. -Shisuodin diz. -Muito menos você.

–Como assim eu?!

–É o destino Marcael, estava escrito! Você viria de um jeito ou outro.-Shisudva fala.

–Não existe destino, existe o azar. Isso sim existe. -Eu paro e continuo a desabafar. -Existe a fome! A dor! A solidão! Existe a perda.

–Nós sabemos disso. -Elas dizem juntas.

–Não! Vocês não sabem! -Eu espero um pouco e sento numa poltrona. -Vocês são meros computadores. Vocês não têm sentimento. Não podem sofrer.

–Talvez agora não Marcael. -Shisuodin diz.

–O que você quer dizer com isso? -Eu pergunto.

–Esqueça. Vamos logo. -Shisudva dá a ordem.

–Está bem. -Mesmo não querendo eu as sigo, afinal, não sei para onde ir. E ficar sozinha é última coisa que quero agora. -Vamos.

Nós saímos da grande sala e vamos para o corredor. Uma visão rara, o corredor está com movimento, as pessoas que saíram das salas precisam ser guiadas, e creio que o corredor é o único modo disto.

Enquanto estamos andando pelo imenso e sem fim corredor cromado da Virtualidade X, eu pergunto lanço uma pergunta:

–E agora? -Falo por impulso.

–E agora o quê? -Shisuodin me questiona.

–Agora que Kêntrikou me escolheu como líder, o que eu faço? -Paro um pouco, retomo o folego e continuo. -Quais são as minhas obrigações?

–Basicamente, você terá que liderá-los. Isso que um líder faz. -Shisudva me responde.

–Isso é óbvio Shisudva. Um líder tem que liderar algo. -Shisuodin corrige a outra "quase gêmea" a ela.

É a primeira vez que as vejo conversando entre si. Sempre que falavam comigo, somente mencionavam o nome uma da outra. Só me respondiam ou perguntavam coisas. Se não fosse o fato de eu estar numa dimensão paralela e das máquinas, eu diria que elas estão mais humanas.

–Você como líder, Marcael, deve uni-los. -Shisudva diz.

–Como assim? -Eu pergunto.

–Eles estarão temendo e irão desconfiar de qualquer um. Você deverá fazer com que esse medo deles não se torne uma ameaça. Você deverá fazer com que eles tenham confiança. -Shisuodin diz. -Chegamos.

Shisudva dá os comandos na porta e ela se abre como sempre, num X. Eu entro e elas vão logo atrás de mim, com a porta se fechando atrás de suas costas.

Ao entrar eu paro num canto qualquer e fico olhando para elas, sem saber o que dizer, como sempre, a esperar uma ordem delas. Elas estão me encarando, e pelo visto podem ficar ali o dia inteiro, quem sabe uma eternidade.

–Você lembra quais são suas qualidades? -Shisudva quebra o silêncio.

–Bem, acho que são teimosia, esperança e... -Me esqueço da terceira qualidade.

–Mentiroso.... -Shisuodin me lembra.

–Isso foi irônico? -Eu pergunto.

–Não. -Shisuodin diz.

Shisudva se aproxima de mim e começa a falar:

–Os jogos começarão em breve e você deverá estar preparado.

–Onde eles vão acontecer? -Pergunto.

–Ninguém sabe, somente Kêntrikou. -Shisuodin me responde.

–Esse nome me irrita. -Eu digo sem medo.

–Não diga isso. -Shisudva me adverte. -É para o seu bem.

–Foi impulso. -Falo com sarcasmo.

–Não minta. -Shisuodin briga comigo.

–Voltando ao assunto anterior, o que vocês querem dizer com que eu devo estar preparado? Eu vou treinar? -Pergunto.

–Não. -Shisudva diz com firmeza e calma. -Você deverá conhecer bem os seus aliados.

–Ou seja. -Shisuodin se intromete. -Os integrantes de seu grupo.

–Mas, eu nem mesmo sei falar a língua deles! -Exclamo.

–Não é problema. -Shisudva fala.

–Como assim? Eu não sou nenhum tradutor ambulante não! -Eu brigo.

–Os grupos não são a única coisa nova nesses jogos. -Shisuodin começa a falar. -Os participantes podem escolher dentre três equipamentos, um somente, para levar à arena.

–E quais são esses equipamentos? -Pergunto.

–Uma bússola especial, uma lanterna com funções altamente tecnológicas e... -Shisudva é interrompida por Odin.

–...Um tradutor. -Ela anda um pouco. -E você irá escolhê-lo, como também fará alguns de seu grupo escolher.

–Como? Eles fazem as escolhas por si mesmos! Vão simplesmente me ignorar. -Eu pergunto exclamadamente.

–Por isso você deve semear confiança nesse grupo. Um grupo onde os participantes não se confiam, é um grupo morto. -Shisudva explica de modo calmo.

–E suas qualidades podem te ajudar nisso. -Shisuodin fala.

–Basta você ter esperança em si mesmo. -shisudva começa.

–Ter um pouco de teimosia e insistência... -Shisuodin aconselha.

–...E mentir nesse caso não lhe fará mal. -Shisudva termina, e aconselha. -Mas, controle-se! Mentira demais não dará bons resultados.

–Minha vida foi uma mentira, eu sei muito bem o que uma mentira faz com uma pessoa. -Eu respondo com desânimo, e me acanho com a tristeza que recobre o meu coração -Sabe, eu gostaria tanto de poder voltar, e poder valorizar mais a quem me amava. Responder as conversas de Carolina, passar mais tempo com minha mãe. Aproveitar o resto da minha vida.

–Você poderá fazer tudo isso Marcael. -Shisuodin fala. -Basta você se esforçar por aqueles que ama, e vencer os Jogos da Virtualidade. Só assim você poderá voltar para sua casa e aproveitar aqueles que te amam.

–Temo que eu não consiga. -Digo.

–Basta tentar Marcael. Se uma coisa eu aprendi, é que sempre há segundas opções. -Shisudva me consola.

–O que você quer dizer com "eu aprendi". Você é um sistema, ganha suas funções somente.

–Mudemos de assunto. -Shisuodin barra o assunto como se estivessem escondendo algo.

–Pegue sua pílula e vá dormir. -Shisudva fala.

–Mas tão cedo?! -Exclamo.

–Aqui o tempo passa rápido Marcael. -Shisuodin me explica.

Elas se retiram e eu fico na solidão. Vou até a mesa, aperto o botão, espero a pílula subir e a mastigo sem vontade. Logo depois vou para cama, e fico lá, olhando para o teto e pensando em tudo que me aconteceu até agora. Desde a morte de meu irmão, até eu ser um selecionado para os Jogos da Virtualidade.

Notas finais
Favoritem, Comentem, Recomende a fic. Isso me incentiva muito!