Jogos da Virtualidade

16 A Flecha de Joana.


Notas iniciais
Ei selecionados! (posso chamá-los assim? *-*) Este capítulo vai, por início, confundir a cabeça de vocês, ou não. Ele se revela aos poucos :D

Os Jogos da Virtualidade sempre foram um mistério. Algo sem solução. Ninguém sabia ao certo o porquê dele acontecer. Ninguém sabe quem realmente o criou. Se realmente um computador o tivesse criado, por que jogar crianças numa arena? Acredite, ele teria opções muito melhores que essa.

Joana não sabe exatamente o que está fazendo. Ela está andando de um lado para o outro desde que paramos por este riacho. Ela deve estar um pouco assustada ainda, depois do que aconteceu. Não esperava aquilo de Raul, na verdade, talvez eu esperasse sim. Ponhamo-nos a caminhar. Daqui a pouco o dia escurecerá novamente.

Floresta adentro, Luzia está com o tradutor em seu punho, uma espécie de relógio de dois botões: ligar e desligar, que depois de o conseguirmos, descobri que na verdade seu nome era Lucía mas decidi continuar a chamando de Luzia, por força do hábito. Mohinder e Jennifer nos estão um do lado do outro, conversando entre si. Joana não responde ninguém desde o que aconteceu há de manhã, está calada, como se tivesse desaprendido a falar. Nenhuma das tentativas de comunicação de Luzia deu certo.

As mortes que eu causei me causam dores e desesperos internos. Por fora normal, por dentro a maldição dos assassinatos me consomem. Eu não sei o que realmente me causa mais preocupação: o fato de que todos nós estamos presos por aqui, o fato de que provavelmente todos morramos aqui, ou que só eu e Joana podemos sair daqui juntos.

~~~

Há algumas horas, de manhã, quando Luzia me acordou desesperada para ver o que apareceu na entrada da caverna. Ainda me pergunto o que ela estava fazendo acordada. Não é à toa que sua cara de desespero me fez levantar o mais rápido possível. No fim da caverna tinha uma lista, nomes e nomes. No total eram 37. O nome Raul Juliano estava na lista. À frente dos nomes um singelo game over pairava. Precisava achar Joana, à qualquer custo.

Foi no caminho, ainda estava escuro, que encontramos Mohinder e Jennifer. Mohinder carregava um objeto em seu punho, era o tradutor, o mesmo que se encontra com Luzia agora. Daí me toquei que Kêntrikou não voltou atrás na ideia dos três instrumentos, ele só escolheu para quem dar, eu não fui um destes escolhidos. Depois dos dois entrarem num acordo, ou sei lá o que, eles decidiram continuar conosco.

Foi no caminho que três garotos se lançaram contra nós. Mohinder foi rápido o bastante para deter o primeiro. Uma faca igual a que matou o garoto que perseguia Luzia, atravessou o pescoço desse outro, fazendo com que sangue jorrasse não só simplesmente chão, mas em Jennifer, que estava perto do mesmo. O terceiro fugiu, talvez ficou mais assustado do que eu com o sangue do garoto jorrando de seu pescoço, como uma cachoeira, só que mais vermelho, lógico.

O fato é que, nós não fomos os únicos a serem atacados pelos três garotos, agora reduzidos a um só, ao caminhar que continuamos, lá estava ela, desorientada, assustada com algo. Raul estava lá, perto, encostado em uma árvore, sem sinal de vida algum. Havia sangue em seu peito. Havia uma flecha na mão de Joana. A flecha também tinha sangue. Joana matou Raul, ela o matou. Mesmo Joana tendo seu jeito, ela não é qualquer uma, ela não mataria alguém sem motivo. Raul com certeza tentou atacá-la e ela se defendeu. Talvez ele estivesse do lado dos três garotos e fosse tudo um plano dos quatro. Não gostava de Raul. Tinha motivos para isso, ou não. Com as minhas conclusões, tenho mais motivos para odiá-lo ainda mais, talvez sua morte não me surta efeito.

Luzia quem a convenceu a levantar. Eu realmente não saberia o que dizer para ela, e mesmo que tentasse algo, falaria coisas que ela não gostaria de ouvir. Seu rosto de culpa me afeta, eu sei o que é, eu sei porque é. Sei exatamente, porque mesmo não querendo carregarei a culpa dos assassinatos que cometi neste jogo até a minha morte, mesmo que ela seja aqui.

~~~

–Precisamos encontrar comida. -Mohinder sugestiona. Mesmo o tradutor estando longe no braço de Luiza eu posso o compreender. O tradutor funciona para qualquer um que esteja a três metros dele. -Tudo que tínhamos já usamos, precisamos, de um jeito ou de outro arranjar comida e logo! Em poucos minutos escurecerá.

–Eu posso cuidar disso, aprendi a montar armadilhas simples com meu pai, ele me ensinou um pouco do que sabia para que se eu fosse selecionada pudesse ao menos ter uma chance. -Jennifer opina. -Nunca acreditei que eu pudesse ser selecionada, e hoje estou aqui. Deveria tê-lo ouvido mais.

–Mesmo com as armadilhas, só poderíamos conseguir algo amanhã de manhã. -Não posso deixar de falar. -E desde que estou nessa floresta não vi nem se quer um roedor. Na verdade, desde que o jogo começou.

–Quer dizer que vamos dormir de estômagos vazios? -Luzia fala indignada. -E mais? Onde vamos dormir?! -Não soa brava, soa preocupada.

–Estamos ferrados. -Mohinder se joga numa pedra próxima. Aos poucos todos também se sentam.

Ninguém está falando nada, todos estão quietos. Por um minuto ouço uma voz, mas todos estão quietos. Não veio de ninguém de perto, deve ser de alguém que está chegando.

–Vocês ouviram alguma coisa? -Pergunto.

–Não. -Todos respondem, exceto Joana.

"Marcael!", A voz chama por mim, não qualquer voz, é fácil reconhecer a voz metálica e sem tons definidos de Odin. Ela está falando comigo, ela está na sala onde estou. Onde realmente estou. "O... dourado!". Ela quer me avisar de algo. Me levanto e tento me mover, para ver se com meu movimento algo melhore, como um sinal de celular. O dia está começando a escurecer.

–O que você está fazendo? -Luzia pergunta.

–Espere. -Digo rapidamente.

"Marcael! O cartão dourado!". O cartão! O cartão que veio na bolsa de Luzia. Ele deve nos ajudar.

–Luzia, pega aquele cartão dourado. -Ela se vira para procurá-lo em sua bolsa. -Mais depressa!

–Toma. -Ela me dá o cartão.

Eu espero que Shisuodin continue a falar mas nada acontece. É então que inscrições começam a aparecer, é como mágica. Letras aparecem no cartão. Uma a uma, formando a palavra Bônus.

–Olhem! -Eu mostro o lado do cartão com a inscrição para Mohinder, e entrego em sua mão. Parece que o cartão se traduz automaticamente para a língua de quem o segura. -O que pode significar?

Mohinder passa-o para Jennifer. Que questiona, enquanto passa para Luzia.

–Isso já estava aqui antes?

–Não.

Luzia abre um sorriso, como uma criança que acaba de ganhar um doce.

–Está vindo mais palavras. -Ela vira o cartão rapidamente, dá para ver as letras se "elevando", volta-o para si mesma e começa a lê-lo. -Voe junto com seu bônus. -Ela abre uma cara de profunda dúvida. -O que isso quer dizer? Nós ganhamos um avião ou algo parecido?

–Não. É uma expressão. Seja o que for que ganhamos. -Paro, aponto para o céu e continuo. -Está acima de nossas cabeças.

Todos olham para o céu, tentando entender o enigma.

Notas finais
Primeiramente, me desculpe pela demora. Em segundo plano vou me explicar: Concurso para Cdc's na Pérolas do Nyah, quem o organizou? Eu. Também tem o fato de que meu PC pegou um vírus legal de Nárnia. Outro que, creio que vocês sabem, as provas do fim de ano acabam com você. Enfim, COMENTEM! RECOMENDEM! FAVORITEM!