Fazem uns seis meses que Lara havia chegado na cidade, uma típica garota da cidade, descolada, bonita, aspirante a líder de torcida, já era popular na escola e ainda flertava com o capitão do time de rugby. Não pude conter minha ansiedade, estava para ter um daqueles ataques que a pessoa entra em choque ou até mesmo tem convulsões. Hesitei por alguns segundos em ligar para Lara, mas não tinha muitas alternativas. Ao primeiro toque ela atendeu.

– Alô Gustavo!?

A voz dela era doce e calma, escuta-la me acalmou um pouco, mas não o suficiente.

– EU...

Por mais que tentasse minha voz não saia, começaram então lagrimas a escorrer pelo meu rosto, eu iria entrar em crise, até que ela disse:

– Gustavo vamos nos encontrar agora.

Novamente tentei falar algo, mas ela foi mais rápida

– Agora! No campo atrás da escola, estarei lá te esperando

Enxuguei minhas lagrimas, vesti meu casaco, guardei o celular no bolso e fui às pressas buscar minha bicicleta na garagem, minha mãe já tinha saído para fazer compras, mas não chegou a me avisar, talvez achasse que eu precisava de um tempo, já que meu melhor amigo tinha desaparecido, não queria pensar muito sobre isso, subi na minha bicicleta e corri rumo ao ponto de encontro.

Ao chegar no local, avistei Lara, ela usava um moletom do time de Rugby da escola e mascava um chiclete, na verdade ela sempre mascava chicletes, ela dizia que isso a ajudava a acalmar. Desci da bicicleta e corri em sua direção, a abracei fortemente e com um tom meio desesperado comecei.

– Lara você viu o que aconteceu ontem !?

– Fica calmo!

Ela disse colocando as mãos sobre meus ombros e olhando fixamente nos meus olhos

–Como posso ficar calmo!?

Gritei com raiva, tirando as mãos dela de mim e olhando ao redor

– Você precisa entender.

Ainda falava com um tom calmo, ela não parecia entender a gravidade do problema

–Entender? Você só pode...

Nesse momento tinha avistado Rodrigo, o capitão do time de rugby, e mais dois amigos, Thiago e D2, chegando.

–... de brincadeira

Terminei a frase observando os três vindo em nossa direção.

– O que eles fazem aqui?

Perguntei a Lara

– Eu os chamei aqui, você precisa de ajuda.

Rodrigo se aproximou rindo de alguma piadinha que seus amigos fizeram, abraçou a Lara e a beijou na testa. Rodrigo era marrento, se sentia dono do mundo, aonde ia levava sempre seus vira-latas juntos, eu não o odiava, talvez tivesse um pouco de inveja da forma que ele era autoritário e sempre se dava bem com as meninas, de qualquer forma ele foi o causador de todo o problema.

– Fala aí gata, o que ta rolando?

Disse ele ainda abraçando Lara.

– Nada de mais, é que estou tentando ajudar o Gustavo com o que rolou ontem.

Ela falou com tanta naturalidade que por um momento me senti uma criança de 5 anos que teve seu pirulito roubado.

– Eu posso dar uma forcinha.

Disse ele largando-a e vindo em minha direção.

– Qual é o problema mesmo rapaz?

Ele parou em minha frente e me encarou.

– Nós precisamos avisar alguém o que aconteceu ontem

Falei desviando meu olhar para baixo.

– Então a mocinha quer falar que matou o próprio amigo?

Ele estufou peito e deu uma risada sarcástica

– Eu Eu não fiz nada!

Gaguejei na hora de responder.

– Se liga garoto

Rodrigo me empurrou em direção ao chão, seus amigos também se aproximaram

– Você vai ficar quietinho, escutou!

Ele estava com um semblante sério e agressivo

– Vocês dois procuraram isso, então aguente a consequência.

Rodrigo se referia a mim e a Thomas.

Lara puxou Rodrigo e disse alguma coisaque não consegui escutar, D2 me ajudou a levantar e disse para me cuidar, D2 era um cara legal, ele não jogava rugby, mas auxiliava o time, sempre cheio de técnicas e teorias, infelizmente era um bichinho do Rodrigo.

– Vamos embora!

Rodrigo deu a ordem a seu bando

– Espero que estejamos entendidos!

Virando o olhar para mim.

Então pegou na cintura de Lara e seguiu andando com seus guarda costas, Lara ainda me olhou demonstrando pena, mas logo virou e se debruçou em Rodrigo e eu fiquei parado observando os ir embora.

Eu estava acabado, pensei em fugir, em me matar, em tudo que achava possível para sair daquela situação, mas não tinha coragem de fazer nada, eu realmente estava agindo como um rato. Caminhei um pouco pelo gramado até encontrar um cartão de visita, o peguei e pude ler que era de um detetive particular ou algo do tipo, foi quando tive a ideia de parar de encontrar saídas e achar uma solução. “Vou encontrar o Thomas” gritei em minha mente.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.