Jogo dos Deuses
1 Capítulo I ♟ O despertar do dragão.
Notas iniciais

Olhos cor violeta abriram-se em meio à escuridão.
− Que lugar é esse? − Questionou-se, levantando-se do chão inundado por uma água negra que se alastrava por todo o lugar.
Desorientada, sem lembranças do que ocorrera entre ela e Jon, a mãe dos dragões caminhava pela escuridão coberta pela névoa, tentando encontrar um lugar familiar em meio à negritude do lugar.
Mas ela não iria encontrar. Não sozinha.
− Essa escuridão é interminável... – Murmurou em um fio de voz, prosseguindo com um caminho sem fim que ela não saberia em que lugar iria dar. – Como é possível que exista um lugar assim?
Com dificuldade, sem perceber que seu peito ainda sangrava pela apunhalada que levou de quem mais confiava da maneira mais covarde possível, percorria pelo lugar destemidamente, atentando encontrar a luz no fim da escuridão.
− Você não sairá daqui. – A voz autoritária e imponente de um homem se pronunciou, fazendo parar de caminhar.
− E por qual razão eu não poderei sair? – A jovem questionou em alto e bom tom.
− Já não pertence ao reino dos vivos, mortal. – A resposta acertou-lhe como um punhal, fazendo-a se lembrar do que ocorrera em seu último encontro com Jon.
Sua cabeça começou a doer, fragmentos de memorias invadiam sua mente como milhões de punhais, enfraquecendo seu corpo ferido.
♟♟♟
"Eu podia ver a destruição causada por Drogon, o meu último dragão ainda existente. Se eu estava feliz com vidas inocentes terem sidos ceifadas por causa de Cersei. Não, eu não estava. A cena da destruição machucava-me como ninguém jamais me machucou, mas eu não iria ceder.
Em meio aos destroços, caos e desolação, meus olhos se iluminam aos avistarem Jon caminhando até mim com o semblante arrasado.
− Quando eu era menina, meu irmão disse que ele foi feito com mil espadas dos inimigos derrotados de Aegon. – Meus olhos carregados de angústia fixaram-se no Trono de ferro enquanto eu contava uma pequena lembrança de meu irmão Viseryes. – O que seriam mil espadas para uma menininha que não sabia contar até vinte? – O questionei sem esperar uma resposta. – Imaginei uma montanha de espadas alta demais para escalar. − Virei-me para Snow, abrindo um sorriso de nostalgia. – Tantos inimigos derrotados que só viam as solas dos pés de Aegon.
Enquanto eu falava de um passado distante que jamais retornaria, Jon caminha até mim, sério, ignorando por completo o que eu acabara de falar. – Vi os prisioneiros Lannisters serem executados nas ruas. – Ponderou por alguns segundos, mas logo voltou a se pronunciar. – Disseram que foram ordens suas.
Apesar de todos os meus esforços para que nada daquilo tivesse acontecido, o caos e a destruição afetaram inocentes, manchando assim a imagem de justiça que meu povo tinha sobre mim.
Mas eu não poderia ser mais complacente do que já fui. Não podia deixar que o povo de Cersei que estavam influenciados por sua manipulação mesquinha voltassem a me enfraquecer.
Suspirei, lamentando as mortes que poderiam ter sido evitadas, pondo-me a caminha em direção à Jon.
− Foi necessário. – Minha voz saíra fria como o mais duro e implacável inverno, fazendo com que a expressão do homem à minha frente se preenchesse com indignação.
− Necessário? − Questionou-me de volta, revoltado. – Você foi lá embaixo? Você viu? Crianças! Criancinhas queimadas! – Jon gritava em um visível tom de decepção.
Se eu havia visto? Sim, eu vi. Vi várias pessoas sendo queimadas vivas. Criancinhas desamparadas correndo sem rumo em busca de salvação. Eu vi pessoas que não tinham culpa de nada serem mortas por causa de sua rainha.
Eu vi mais do que eu queria ter visto.
− Eu ofereci paz à Cersei. −Meu tom era calmo, mas pesado pela dor. – Ela usou a inocência deles como uma arma contra mim. Ela achou que me pararia.
− E o Tyrion? − Indagou-me novamente, inconformado, fitando-me com descrença.
Cheguei mais perto dele, sem medo algum, respondendo sua pergunta. – Ele conspirou com meus inimigos contra mim pelas minhas costas. Como você tratou àqueles que fizeram o mesmo com você? – Retornei a pergunta para ele, tentando fazê-lo ver que não havia outra opção.
Com o semblante abalado pela tristeza, Jon em um tom entrecortado, aproxima-se mais de mim. – Perdoe-o. – Pediu com humildade.
Perdoar quem tramou contra mim pelas minhas costas? Não, isso eu não poderia fazer. Eu não queria fazer. Tyrion era perigoso, poderia tramar novamente contra mim assim que eu abaixasse a guarda. Não se pode confiar em alguém cujo sobrenome é Lannister.
Se eu o perdoasse agora, tudo que tive que fazer para chegar até o momento presente teria sido em vão.
− Não posso. – Murmurei, fitando-o com tristeza.
− Você pode. – Insistiu Jon, pegando em meu rosto com gentileza, fazendo-me encará-lo. – Seu coração é puro. Você pode perdoar a todos. Mostre a eles que erraram. Faça-os entender, mas não pela força. – Seus dedos acariciavam minhas bochechas em ternura. – Faça-os ver pelo amor e generosidade. – Seus olhos me fitavam com súplicas silenciosas. – Por favor, Dany.
Eu queria, mas não podia. Agora era hora de mudanças. Não podia me comover com sua bondade. Me doía decepcioná-lo, mas eu tinha que fazer o que era o certo em minha concepção. Tinha que seguir em frente sem me deixar abalar pelo que aconteceu no passado. Tinha que ser mais forte que meus inimigos para que um dia, quem sabe, o medo faça-os dar uma trégua às guerras.
− Não podemos nos esconder atrás de pequenas súplicas, Jon. – Murmurei, determinada, vendo-o perder o chão diante de mim. – O mundo do qual precisamos jamais poderia ser construído por homem leais ao mundo que temos.
Ele continuava a interceptar, mas não era possível obter o meu perdão para todos que feriram e desonraram o nome e a casa Targaryen. – Precisamos de um mundo com clemência. É com esse pequeno gesto que deve ser.
Por mais que minhas ações tivessem sido cruéis, eu fazia para que o mundo que tanto visualizamos em nossos sonhos logo se torne real. Eu não fazia apenas por mim, por meu nome e minha casa, mas por todos que acreditavam em mim e em minha liderança.
Eu sentia por Jon não poder compreender que tudo o que eu fiz foi por um mundo melhor. Mas eu ainda mantinha esperanças de que ele pudesse compreender os meus atos.
− E será desse jeito. – Afirmei com convicção, quebrando a pequena distância entre nós dois. – Não é fácil vislumbrar algo que nunca vimos antes, principalmente quando trata-se de um novo mundo. – Meus olhos o fitavam com tanta alegria. Alegria de poder concretizar algo que ambos quebremos. – Um mundo bom.
− Como você sabe? – Seus sentimentos colocaram em dúvida a minha visão de algo que será real, mas eu não o recriminava por isso. Na verdade, eu o compreendia. – Como sabe o mundo que tem em mente será bom para todos?
− Porque eu sei o que é bom. – Minha mão pousou em seu peito em um recurso final de amolecê-lo. E você também.
Com lágrimas nos olhos, Jon me fita com tristeza. Eu não sei, Dany.
− Sabe sim. – Insisti, levando as mãos que estavam sobre seu peito até seu rosto avermelhado pelo choro. – Você sempre soube.
− E as outras pessoas? – Seu tom era sôfrego. – Todos aqueles que acham que sabem o que é bom.
− Eles não terão escolha. – O abracei, tentando a todo custo abrir sua mente para o que verdadeiramente seria bom para todos. – Fique comigo. Construa um novo mundo ao meu lado. Essa é a nossa missão na terra. Tem sido assim desde o começo, Jon, não vê? Tem sido assim desde que você era um garotinho com fama de bastardo, e eu uma garotinha que não sabia contar até vinte. Vamos fazer isso juntos. Vamos construir um mundo em que todos possam viver sem serem oprimidos. Vamos quebrar a roda do destino juntos. – Nossos rostos estavam milímetros de distância um do outro, nossos olhos atentos a cada ação que fazíamos um ao outro.
− Você é a minha rainha. – Declarou, aproximando seu rosto do meu. – Agora e sempre.
Satisfeita com suas palavras, deixo que seus lábios se encontrem com os meus, iniciando um beijo repleto de urgência e paixão. Desfrutando do amor que Jon e eu compartilhávamos um com o outro, sento uma dor aguda em meu peito, fazendo-me me afastar do homem que me jurou lealdade absoluta.
Meus olhos encheram-se de lágrimas ao abaixar a cabeça até o meu peito, visualizando o punhal que ele utilizara para cravar em mim.
Eu havia sido traída pela pessoa que eu havia mais confiado e amado nesse mundo, claro, depois de Khal Drogo.
Eu dei meu amor e ele me deu a traição.
Caindo nos braços de Jon, eu agonizei até a escuridão me sugar para o nada."
♟♟♟
Os fragmentos de memórias acabaram, lembrando a mãe dos dragões o que havia acontecido entre ela e Snow.
− Por que, Jon? – Questionou Daenerys, deixando que uma lágrima solitária escapasse de seus olhos. – Por que me traiu?
− Porque você estava disposta a tudo e ele não. – Loki, que tinha sido morto por Thanos, se materializa diante da filha da tormenta. – Seu desejo de mudar o mundo era mais forte que o dele. – Continuou, aproximando-se da última Targaryen.
Daenerys via o belo homem de olhos verdes, cabelos negros como a noite, pele branca como a neve e vestimentas dignas de um lorde com estranheza, pois jamais vira alguém portar tamanha beleza e elegância. Mas, o mais importante de tudo; nunca vira alguém usar aquele tipo de poder em seu reino.
− Quem é você? – A jovem mulher questionou, mantendo seus belos olhos violetas atentos em cada movimento do homem à sua frente.
− Eu? – Rebateu a pergunta com outra, dando uma risada alta e debochada. – Eu sou Loki, o Deus da trapaça. Muito prazer, cara dama. – Pegou em uma das mãos de Dany com sutileza, beijando-a logo em seguida.
− Deus da trapaça...? – Murmurou em dúvida.
− Exato! – Afirmou, tomando uma pose mais descontraída.
− O que um Deus faz aqui, em meio à escuridão, sem esperança de encontrar a luz? – A jovem fitava-o com imponência.
− Eu vim até o limbo para fazer lhe fazer uma oferta. – Explicou, dando um paço à frente, ficando mais próximo de Daenerys.
− Limbo... – Murmurou para si mesma, entendendo o motivo de tanta escuridão ao seu redor.
− Sim, cara menina, o limbo, lugar onde somente pessoas que cometeram atos imperdoáveis pelos Deuses vão após a morte. – Sorriu ao ver o olhar de tristeza da Targaryen, tendo total certeza de que estava tocando na ferida certa.
− Entendo. – O tom era baixo, fraco, maculado com desesperança, mas Loki pôde ouvi-la muito bem. – Eu mereço estar aqui mesmo tendo feito tudo que estava ao meu alcance para transformar o mundo em que eu vivia com opressão se tornasse um lugar melhor, digno de ser vividos por aqueles que sobreviveram ao ataque de Drogon.
Quando o Deus trapaceiro estava quase obtendo o que desejava da garota dos dragões, ele é surpreendido pelas palavras dela, levando-o a questioná-la.
− Merece estar aqui? – Seu tom saíra em indignação, como se ele realmente se importasse com o que ela queria ou pensava, mas não se importava. – Acha mesmo que ser traída por que dizia amar você é justo?
Daenerys nada disse, apenas o fitou em confusão.
Ela sabia que Jon havia traído sua confiança e seu amor, mas ela também sabia que ele não teria feito o que fez se ela tivesse cedido as suas súplicas de perdoar todos. Jon, o seu Jon, jamais teria feito algo tão covarde se tivesse outro meio de fazê-la reconsiderar.
− Ele não tinha escolha! – Respondeu a rainha dos dragões, igualando a pode de superioridade que Loki mantinha. – Ele jamais teria me matado se tivesse sido mais complacente.
Perdendo o controle da situação, Loki usa sua ilusão para persuadir Daenerys como seu recurso final, mostrando para a garota tudo o que ela mais temia nesse mundo: Ter sido uma marionete nas mãos do Snow. Ygritte viva ao lado dele, feliz em seus braços, desfrutando do amor que um sentia pelo outro. Drogon morto por Bran. O nome Targaryen sendo esquecido através dos tempos. E, claro, Jon dizendo que nunca a amou de verdade para Ygritte.
Enquanto memórias falsas eram implantadas em Dany, Loki alimentava os ressentimentos da jovem com ódio e mais ódio, fazendo-a despertar as chamas do fogo celestial, fogo esse que somente os descendentes dos Celestes podiam despertar.
− CHEGA! −Gritou a filha da tormenta. – Então foi tudo uma mentira? Uma espécie de jogo em que eu era apenas um peão descartável? – Questionava a loira para o Deus, ainda não querendo acreditar no que Loki havia lhe mostrado.
− Sim, seu corpo sempre foi um peão nas mãos daqueles que sabiam jogar o jogo dos reis melhor do que você. – Explicou, abrindo um largo sorriso.
−Mas ele disse que me amava, que sempre estaria ao meu lado... – Lutando contra tudo o que Loki dizia e implantava em sua mente, a jovem dos olhos violetas continuava persistindo, acreditando em Jon.
Já irritado e impaciente com a garota, Loki se aprofunda ainda mais na dor dela, chegando no centro de sua verdadeira tormenta.
− Não tem muito amor próprio. – Sorriu, vendo sua frase tendo efeito sobre a garota. – Afinal, continua se agarrando a um amor que somente você sentiu. – Enquanto falava com Daenerys, Loki andava em círculos ao redor do corpo franzino dela. – Você não é nada. É tão estúpida e leal quanto um cão de guarda.
−Isso não é verdade! – Gritou a mãe dos dragões.
− Não? – Debochou o Deus da trapaça, vendo que suas ilusões estavam corroendo-a por dentro. – Você já teve escolhas próprias? Planos verdadeiramente seus? Casamentos que desejou realmente? Ambições verdadeiramente suas? Já parou alguma vez para pensar apenas em si mesma e em mais ninguém?
− Cale-se! – Ordenou ao Deus, deixando sua raiva ardente transparecer por seu tom de voz.
− Pense bem, Daenerys, todos aqueles que passaram por sua vida só sabiam comandar você, mandar em você.
− Eu já mandei se calar!
− Todos sabiam o que você realmente era: Um bom peão e nada mais. – Riu. – Você viver ou morrer não era importante para eles.
− Chega! – Ao gritar em ira e desilusão, as mãos de Daenerys enchem-se de fogo, despertando assim o seu verdadeiro poder: O fogo celestial dos quatro anjos caídos.
− Bravo! – Loki aplaudiu o poder sagrado dos celestes, parando em frente à jovem, fitando-a com ganância.
− O que eu sou? – Perguntou a loira, fitando o Deus da trapaça confusa.
− Você é aquela que pode tornar o impossível possível. – Respondeu, pegando de dentro de seu bolso a joia da alma, oferecendo-a para ela.
− O que tem esse Cristal?
− Sua passagem de volta para o reino dos vivos. – Informou, aproximando seu rosto do dela. – Vai querer acertar algumas contas pendentes?
− O que eu terei que dar em troca? – Com os olhos fixos na pedra, a garota pergunta.
Surpreso com a sabedoria da garota, Loki a responde com um sorriso.
− O que tenho que dar em troca, Deus trapaceiro? – Voltou a indagar.
− Uma alma.
Os olhos de Dany se arregalam, mas logo voltam a ficarem inexpressivos como a esperança existente em seu ser houvesse morrido. – Pode ser de qualquer pessoa? –
− Não. – Respondeu em um tom sério, pousando sua mão no rosto manchado de sangue da Targaryen.
− De quem então? – Os olhos violetas fitavam os verdes com intensidade.
− A alma que deverá dar em troca da sua deve ser de alguém amado.
Com os olhos obstinados, Daeneys pousa sua mão no rosto de Loki, determinada, tomando sua decisão sem arrependimentos. – Jon Snow.
Ao pronunciar o nome da pessoa amada, uma luz avermelhada envolve o corpo da mãe dos dragões. fazendo-a perder a consciência.
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