Jogo de sedução: A aposta.
7 Provando o seu valor.
Notas iniciais
Ao me aproveitar da oportunidade, acabei ganhando pontos com a "chefinha", mas apenas uma aproximação ou uma mudança na forma que ela me via não era suficiente. Eu tinha um objetivo maior, uma aposta onde estava envolvida a minha honra. No fim das contas, eu levaria para casa o troféu dos troféus, a conquista mais difícil. E pensando bem, esse jogo poderia se tornar cada vez mais excitante.
Naquela noite, ao chegar em casa, aproveitei a disposição para organizar o apartamento, já que estava uma verdadeira bagunça. Na sala, que era um conjugado com a cozinha, haviam latas de cerveja e embalagem de pizzas remanescentes do último jogo da temporada, que estavam em cima da mesinha de centro que eu adorava usar para esticar as pernas. As louças de três dias de café da manhã estavam acumuladas dentro da pia e por toda bancada de mármore escuro que formava um L pela cozinha. No quarto estavam espalhadas pela cama as camisas que usei durante toda a semana anterior, e pelo chão as meias, isso sem contar nas sungas penduradas no banheiro. Enquanto arrumava toda aquela bagunça, pensei nos conselhos que minha mãe me dava sobre ter uma mulher que colocasse ordem na minha vida, e que isso certamente me traria segurança. Não discordo dela nesse ponto, mas seria uma covardia alguém como eu me prender a somente uma mulher. As outras mulheres ao redor do mundo também merecem um pouco de felicidade!
Casa arrumada, banho tomado, e finalmente um merecido descanso... Só que não! Ao relaxar no sofá e depois de finalmente encontrar o controle remoto por debaixo dele, a campainha insistente soou em meus ouvidos, para minha tristeza. Levantei um pouco cambaleando e ao chegar na porta, girei a maçaneta coordenadamente com um suspiro profundo.
– Finalmente você me atendeu cara! Não me diga que você esqueceu que hoje na TV vai passar a luta do século — Otávio gritou em meus ouvidos com uma expressão ansiosa e os olhos brilhando pela expectativa do evento que estava perto do início.
– Sim, eu havia me esquecido... Mas você pelo jeito não — Respondi forçando um sorriso para disfarçar minha cara de descontentamento e falta de vontade de assistir a luta.
– Sabe, esse mês eu me esqueci de pagar a conta da TV por assinatura, então eu passei na loja de conveniências e me abasteci dessas "besteiras" pra vir assistir a luta com meu melhor amigo — Disse levantando os braços que estavam segurando salgadinhos, cerveja e outros petiscos.
– Loja de conveniências, abastecendo inconvenientes...
– O que você disse cara? — Me perguntou, franzindo a testa e tentando entender se ouvira corretamente.
– Disse que estou muito feliz que você tenha aparecido — Inventei tentando disfarçar. — Eu não comprei nada para ver a luta hoje, estava mesmo com fome. E não tem nada melhor do que assistir um ótimo programa de TV com uma ótima companhia! — Tratei de encerrar o assunto, pegando algumas coisas que estavam em seus braços e o empurrando para dentro.
Enquanto assistíamos as lutas, conversamos sobre os mais variados assuntos, e Otávio sempre fazia questão de enfatizar suas opiniões ultrapassadas sobre todos eles. Para ele, as mulheres não deveriam sair desacompanhadas para beber, os homens sempre deveriam tomar atitude durante um flerte e roupas curtas eram motivo para os homens serem mais "saidinhos" com elas. Era nítido o quanto tentava me passar uma imagem de homem confiante e dominante, já que para ele, sempre fui uma espécie de exemplo a ser seguido. Mas essas declarações não me impressionavam. Por mais macho dominante que eu fosse, nunca teria a mente fechada para assuntos que se relacionavam a liberdade das mulheres.
A noite seguiu tranquila, com o Otávio errando todos os palpites sobre quem ganharia as lutas, e até que me diverti. Esses momentos sempre me remetiam aos nossos tempos de adolescente, onde apostávamos placares de jogos de futebol, vencedores e melhores em campo. Quando finalmente acabou a transmissão, Otávio foi para casa e eu pude relaxar. Antes de dormir, pensei sobre tudo que havia acontecido naquele dia, e percebi que era melhor ocultar do Otávio o que havia acontecido no estacionamento e no café. Era melhor que meus progressos fossem uma surpresa.
No outro dia, logo pela manhã, ao me dar conta de que estava no horário limite para sair de casa, levantei rapidamente, me arrumei, e depois de uma exaustiva procura pelas chaves do carro saí correndo em direção a editora. Ao chegar em minha sala, fui surpreendido por Maria, que apareceu com seu sempre largo sorriso matinal para me informar do que viria a acontecer naquela manhã.
– Bom dia seu Fred — Saudou-me com um largo sorriso.
– Bom dia Maria. É impressão minha ou hoje você está mais bonita... Um tanto diferente? — Questionei fazendo cara de interessado.
– Ai seu Fred, o senhor percebeu! — Exclamou com a mãos na boca abafando um sorrisinho — Ontem fui ao salão e dei um trato no cabelo, estava mesmo precisando.
– Maria, você não precisa de nada. Você é perfeita do jeito que é! — Retruquei com um sorriso galanteador.
– Ai seu Fred, vai me deixar sem graça — Respondeu vermelha — Tá vendo, já estava me esquecendo. O senhor tem reunião em dez minutos.
– Tudo bem, minha doce Maria — Respondi levantando da cadeira, e agarrando uma de suas mãos para em seguida beijá-la.
Pelo visto havia chegado antes de todos na sala de reuniões. Será que assim como eu, todos estavam atrasados naquela manhã? Depois de me fazer aquela pergunta, percebi que minha falsa pontualidade era devido a minha eficiente secretária. Então todos os conselhos da minha mãe sobre ter uma mulher que colocasse ordem em meus dias caíram por terra. Eu já tinha a melhor das mulheres como secretária, e não precisava de compromisso. Enquanto esboçava um largo sorriso no rosto, contente por minha conclusão, fui interrompido por uma doce e agradável voz, de alguém que se sentou ao meu lado:
– Bom dia, Frederico — Falou Thalita, com um sorriso agradável, enquanto se sentava. Com uma das mãos arrumava o cabelo e com a outra organizava os papéis em cima da mesa.
– Bom dia Thalita — Respondi amigavelmente.
Antes que pudéssemos prosseguir para qualquer outro assunto, fomos interrompidos por Adriano, Otávio e o restante da equipe, que entrava na sala falando alto e sorrindo. Thalita apenas se aproximou, e cochichou em meus ouvidos:
– Só queria dizer que liguei para o telefone do guincho que você me deu, eles estão consertando o meu carro. Obrigada pela ajuda — Aquelas palavras doces ecoaram por minha mente, era impossível ficar indiferente àquele tom de voz. Não pude responder nada, já que fomos interrompidos por Adriano, então pude apenas retribuir com um sorriso e um sinal de joia.
– Estamos muito contentes em anunciar que nossa diretora e editora chefe já tem sua primeira missão designada — Exclamou Adriano, seguido de palmas, sorrisos e felicitações a Thalita — Nossa competente e adorável Thalita, irá cobrir a exposição de carros antigos do senhor Alfred, que começou ontem.
– Espera um pouco, eu não acho que nossa editora chefe deva cobrir esse evento — Interrompi Adriano.
– Não acredito que você começará a propagar seu discurso machista, Frederico — Retrucou Thalita, com expressão de indignação.
– Não, não estou falando disso — Tentei completar meu raciocínio. — Todos sabemos que o senhor Alfred é um velho muitos machista, que se recusa a dar entrevistas a mulheres, porque ele pensa que elas não entendem nada sobre a cultura de carros antigos.
– Ótimo! Então tenho uma dupla missão; cobrir o evento e fazer esse senhor repensar sobre suas posturas retrógradas. — Thalita me respondeu, mais uma vez seguida de palmas.
– Pessoal, não apenas questão de se impor. Sabemos o quanto esse senhor é irredutível. Ele pode se recusar a deixar a gente cobrir o evento, e consequentemente perderemos anunciantes de peso nesse mês — Tentei parecer ao máximo imparcial.
– Fred, você tem razão — Otávio tentou me encorajar e fazer a equipe relfetir.
– Adriano. Se não se importa, gostaria de tentar. Agora que sou editora chefe, preciso me impor e mostrar que sou competente o suficiente para carregar nossa marca — Discursou Thalita — Eu sei o peso que os anunciantes desse evento tem para nossa revista, mas não quero falhar em minha primeira missão aqui.
– Concordo com você Thalita — Adriano respondeu dando seu aval.
– Frederico, façamos o seguinte. Você me acompanha e me apresenta como editora chefe da revista. A partir daí eu assumo, e se você perceber qualquer hostilidade ou sinal que o senhor Alfred vai nos abandonar, você intervem e eu saio de cena — Thalita me propôs lançando pra mim um olhar fixo e determinado, como se estivesse querendo se provar. — Então, o que você me diz; aceita ser meu parceiro?
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