Notas iniciais
Mais algumas duplas se formam... mas até onde vai a amizade quando a única opção para permanecer vivo é matar?

– Olá crianças! – diz o general através dos autofalantes – Este é o primeiro comunicado... Faz uma hora que o último aluno saiu da escola. Estou orgulhoso de vocês. Em apenas 60 minutos já contamos seis mortos... Está indo num ritmo bom, hein? Agora, vamos ao quadrante restrito. B-6. É o quadrante da escola. Quem permanecer nele por mais cinco minutos será exterminado. Continuem se matando crianças... E quebrem o recorde de tempo... Fim do comunicado.

***

Iara não parava de chorar e implorar piedade a Deus. Estava encolhida num beco escuro no conjunto de casas. Quando olhou na bolsa com a ajuda da lanterna achou um spray de pimenta. Pegou o localizador e notou que alguém estava se aproximando. Ficou apavorada e desligou a lanterna.

Ouve a respiração pesada e apavorada de alguém. Prepara o spray de pimenta. É então que Thiane, sua melhor amiga, aparece de frente ao beco. No mesmo momento as duas se abraçam num reencontro emocionante.

– Ainda bem que você está bem... – diz Iara chorando – Eu temi que você estivesse entre os seis que já foram mortos...

– Eu também... Mas ainda tem o Walber, a Thaynara, a Nathalia... Eu preciso saber se eles estão bem...

– Não acredito que tem gente matando seus próprios colegas de turma...

– Pior que muita gente vai entrar nesse jogo. – diz Thiane, enxugando as lágrimas – Esses filhos da mãe que organizaram isso tudo são espertos. A regra é simples: Matar ou morrer... Estou com muito medo.

– Como a gente vai sair dessa? – Iara chorava muito.

– Não faço a menor ideia... Mas o que sei é que alguém vai pensar em um jeito. O Walber é inteligente... Ele vai pensar em alguma coisa. Vamos nos encontrar e fugir desse jogo maldito... Todos juntos! Vamos pegar esses psicopatas malucos!

– Para isso precisaremos estar preparadas! – afirma Iara – Que arma você recebeu? A minha foi este spray de pimenta idiota.

– Eu ganhei este revólver... – Thiane retira da bolsa um colt de uso civil.

– É bem melhor que o meu... – Pela primeira vez desde que acordou naquela ilha, Iara sorri.

– Mas eu não vou matar ninguém...

***

Rosana (n°24) caminhava com dificuldade e nervosa, segurando o machado que havia sido destinado a ela. Ainda estava abalada pela morte de Mércia. E Jonatas tinha tentado matá-la também. Uma flecha passara de raspão na sua coxa antes que ela fugisse.

Queria encontrar uma de suas amigas, mas numa tentativa de se afastar o máximo que podia e entrou em um bosque. Seu localizador apita. Ela fica ainda mais nervosa. É quando ela pisa em uma armadilha para urso.

A armadilha fecha em sua perna e os ferros furam sua carne. Ela grita de dor. Sentia os ossos quebrando e gritava ao ver o sangue escorrer dos ferimentos. Caída e presa, não podia se levantar nem fugir.

Então Wilgner aparece na sua frente, sem esboçar nenhum sentimento. Aponta a besta para a garota agonizante e dispara.

A flecha atinge o rosto de Rosana e a garota morre. Wilgner apanha seu machado e pendura a arma em sua bolsa. O garoto tenta retirar a armadilha da perna de Rosana, mas não consegue, então abandona a armadilha. Vira-se e vai embora.

***

A alguns metros dali, Neto, armado com uma escopeta, corre desesperado. Ele vê Wilgner matando Rosana e não queria ser o próximo. E não arriscou atirar e errar.

Na fuga, ele topa em uma raiz e cai. Machuca o joelho. Ele fica abaixado e olha em seu localizador. Percebe que tinha alguém muito próximo dele. Quando Neto olha para trás vê Alex (n°14), o melhor amigo de Jonatas.

Alex estava armado com um cutelo, um instrumento usado por cozinheiros para cortar carne. Ele estava nervoso e se tremia.

– Ei! Alex... Você não vai querer matar ninguém, vai?

– Eles mataram o Jonatas... Mataram o meu amigo... – Alex chorava.

E o garoto avança sobre Neto brandindo o cutelo. Como reflexo, Neto atira. Um único tiro da escopeta na barriga de Alex é o suficiente para matá-lo. Neto, apavorado, sai correndo, esquecendo sua própria bolsa ali.

Estava com o joelho sangrando e latejando, então não corri muito rápido. Percebe que esqueceu sua bolsa, e lembra que dentro dela tinha deixado o localizador.

É quando vê ao longe seu amigo, Pedro.

– Ai meu Deus... Pedro! – Neto o chama – Que bom que você está vivo!

– Neto! – Pedro fica feliz ao revê-lo e os dois se abraçam.

– E então? O que foi que te deram? – pergunta Neto.

– Um taco de beisebol... Não sei o que é que vou fazer com isso...

***

Matheus decide atacar. Carol se distraiu. Sentou-se em um tronco de arvore caído. Para a sorte de Matheus ela não tinha tirado o localizador da bolsa. Seria a hora certa de pegar a submetralhadora da menina. Quando ele ia se aproximar, porém, alguém grita:

– Carol, cuidado!

O garoto olha para trás e vê Daniele (n°30) segurando uma Magnum 44 em sua direção. Carol se afasta assustada e pega sua arma. Daniele atira duas vezes, mas não acerta os tiros. Matheus se assusta e sai correndo. Carol atira. Várias balas passam de raspão pelo garoto. Um tiro atinge o braço esquerdo quase na altura do ombro. Outra bala perfura sua perna direita. Matheus grita de dor e cai, mas consegue fugir.

Carol e Daniele se abraçam e choram emocionadas.

– Na próxima vez eu atiro para matar... – diz Carol.


35 alunos restantes.

Notas finais
E então? Curtiram? Não perdem por esperar o próximo.. ;)