Jogo Perigoso
8 8 - Você não sabe nem a metade do que imagina
Notas iniciais
Como vocês estão?
Espero que tenham tido um ótimo Natal e que tenham uma ótima virada de ano!
Quero agradecer a todos que favoritaram, deixaram reviews, e que acompanham essa fic, mesmo aqueles que nunca se manifestaram.
Essa fic só vai para a frente por causa de vocês, então eu quero agradecer!
O cap de hoje não ficou exatamente como eu gostaria. Mas, eu precisei deixá-lo assim, não posso entregar todas as informações de cara né? Precisode tempo para desenvolver os persôs... Mas aí vai mais uma dose sobre o passado do nosso morango!
Espero que gostem! Nos vemos ano que vem!
8º Assalto — Você não sabe nem a metade do que imagina
“Às vezes parece que o sol voltará a brilhar, mas só parece. Logo depois volta a chover de novo e não para mais.”
Kuchiki Rukia.
Ichigo não se lembrava de adormecer se sentindo tão leve. Ele se sentia bem como nunca antes, satisfeito por ter feito algo por alguém além de si mesmo em muito tempo.
Com um sorriso, o ruivo retirou a mecha de cabelo que caia sobre a face delicada e a acariciou, tomando todo o cuidado que poderia para não despertá-la.
“Você não compreende, Ichigo. Você nunca compreenderá. Porque você é egoísta, mesquinho e arrogante.”
Suas palavras ainda ecoavam em sua cabeça. Ela estava certa. Quando fora a última vez que se importara com alguém verdadeiramente além de si mesmo? Não era como se ele fosse desprovido de sentimentos, mas os que ainda restavam em seu coração estavam congelados. Poderia Rukia ter derretido um pouco daquela crosta com suas palavras? Ichigo não podia afirmar com certeza, mas que as palavras dela o tinham sacudido e o feito acordar um pouco para a realidade, ah, isso tinham.
Com um franzir de nariz, Rukia se mexeu na cama, dando suas costas a ele. Olhou para o relógio e percebeu que ainda não passava das 4h00. Todavia parecia que ele tinha dormido muito, tão descansado estava. “Devo voltar a dormir”, pensou ao deitar a cabeça no travesseiro e fechar os olhos. Esperava, em breve, estar no mundo dos sonhos...
TRIM TRIM TRIM!
― Mas que inferno! ― resmungou ao pegar o celular e atender sem olhar o identificador de chamadas. ― Moshi, moshi.
― Ichigo, tenho um serviço pra você.
― Ah, claro. Obrigada pelas suas desculpas por ligar essa hora, Oyabun ― disse entre dentes.
“O que...”
Rukia resmungou, virando-se mais de duas vezes na cama, até acabar deitada de bruços e ocupando o lado de Ichigo. O ruivo achou que seu coração pararia naquele momento, principalmente após ver como ela abrira os olhos rapidamente e os fechara logo depois. Pé ante pé, aproximou-se dela e a tocou suavemente no ombro, só podendo respirar aliviado quando percebeu que ela parecia estar dormindo profundamente.
― Ichigo, você está me ouvindo?
― Espera aí! ― sussurrou. ― Pode falar agora.
― Tenho um trabalho para você.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx o xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
― Para onde vamos? ― perguntou o taxista quando Ichigo se sentou no banco de trás.
― Aeroporto de Karakura.
― Viagem de negócios, senhor?
Ichigo não respondeu, concentrado demais em seu celular para prestar atenção ao que o taxista perguntava. Com uma ansiedade incontrolável, checava sua caixa de e-mail o tempo inteiro, verificando se seu Oyabun havia lhe enviado maiores informações daquele caso. Mas, até o momento, nada chegara.
Ele mal podia acreditar que tamanho caso estava sendo confiado a ele e não ao Shinji ou outra pessoa. Ele não era, nem de longe, o mais experiente do grupo ou o membro mais antigo. Ao contrário, o tão famoso Ishikawa Goemon, fazia parte da Operação Kireina Te hápouco mais de oito anos, tendo ingressado aos 22 anos de idade.
“― Hey, você! ― chamara um homem loiro, me tocando no ombro. ― Pare com isso, você não precisa matá-los...
― E se eu quiser matá-los? ― respondi, me afastando dele e dos quatro homens que eu deixara jogados no chão, inconscientes.
― O que você ganharia matando eles?
Não respondi. Toquei meu lábio inferior, percebendo-o inchado e observei como meus dedos estavam tingidos com uma cor carmesim. Meu sangue, o sangue deles. Cansado, sentei-me no chão e me recostei contra a parede, fechando os olhos antes de responder ao estranho homem:
― Satisfaria meu ódio.
― E seria preso.
― Talvez ― dei de ombros. ― E se for o que eu quero?
― Seria um desperdício para alguém tão jovem.
Tomando uma respiração profunda, abri os olhos e o encarei. O homem vestia uma espécie de quimono esverdeado e um haori24 preto. Em sua cabeça, um estranho chapéu brega que escondia seus olhos. ― Como eu detestava quem escondia os próprios olhos. Desde cedo, aprendi com minha mãe que toda e qualquer verdade pode ser reconhecida ao olhar para os olhos de uma pessoa, mas o que fazer quando esse alguém os ocultava? ― Para completar o visual estranho, sandálias guetas adornavam seus pés. Não me surpreenderia se ele carregasse uma katana25 também.
― Acho que é um desperdício de tempo alguém como você vir falar comigo. Não é como se você fosse conseguir mudar a minha mente.
― Eu nunca disse que queria isso ― respondeu, sentando-se ao meu lado.
― E o que você quer? ― perguntei, voltando-me para encará-lo.
― Fazer com que você canalize esse ódio para outra coisa.
― Muito obrigado. Você sabe... tenho coisa mais interessante pra fazer do que andar com alguém que se veste como um retardado.
Diferente do que eu pensei que ele faria, ele apenas riu. Sua gargalhada rouca ecoando pelo beco sem saída em que nos encontrávamos. Fiquei observando-o durante um tempo.
― Por que você fez isso?
― Porque eu quis. Eles me irritaram.
― Um motivo tão infantil, Kurosaki Ichigo ― disse, um sorriso misterioso em seus lábios.
Espere aí! Como ele sabia meu nome? Quem era aquele homem e o que ele queria comigo?
― Como você sabe meu nome?
― Eu sei muitas coisas... ― o tom misterioso de sua voz não o abandonou, nem quando ele estendeu a mão para me cumprimentar. ― Me chame de Urahara Kisuke.
Não apertei sua mão, não o cumprimentei. Não era como se eu fosse confiar nele só porque ele sorrira e estendera a mão.
― Ora, ora, você é realmente um garoto desconfiado Kurosaki-san.
Levantei-me do chão e comecei a caminhar em direção à rua, desejando me afastar daquele homem estranho e suas palavras sem sentido.
― Venha comigo.
― Não. Não te conheço e não tenho nada que fazer com você.
― Sempre pode conhecer, Kurosaki-san.
― O que você quer? Quer arrumar briga?
Ele deu de ombros, rindo suavemente com a minha sugestão.
― Façamos um acordo então: se você conseguir me vencer, eu te deixo em paz. Se eu ganhar, nós vamos conversar sobre algumas coisas.
― Isso se você puder ganhar.
― Não seja tão confiante assim, Kurosaki-san. Confiança é como uma faca de dois gumes.”
Ichigo sorriu ao lembrar de como entrara para a Kireina Te. Obviamente ele não havia conseguido vencer Urahara Kisuke. Quem poderia? Havia realmente alguém capaz de derrotar aquele homem, que até hoje usava chapéu brega e sandálias de gueta?
Fora vergonhoso e ele odiara perder daquela forma. Ele nunca tinha apanhado tanto. Urahara o deixara dolorido por mais de uma semana. Mas, assim como as palavras de Rukia, a surra de seu Oyabun fora imprescindível para acordá-lo. Choque de realidade às vezes era necessário...
― Chegamos, senhor ― informou o taxista tirando-o de seus devaneios.
― Obrigado ― respondeu.
Ao mesmo tempo em que ele terminava de pagar e saía do automóvel, seu celular vibrava indicando a chegada de um novo e-mail. Rapidamente, puxou-o do bolso e observou, com um sorriso de vitória a se delinear em sua face o assunto.
“Informações sobre Aizen Sousuke.”
― Finalmente vamos nos encontrar... Me aguarde, Aizen.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx o xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Mal ele tinha deixado o quarto, Rukia tirou o lençol que a cobria e pulou da cama, espumando de raiva.
― Mentiroso! Desgraçado! ― resmungou mordendo o travesseiro com força, à beira das lágrimas. ― Eu te odeio, Kurosaki Ichigo!
A morena fechou os olhos e respirou fundo, controlando a vontade que sentia de gritar. Por mais que parecesse impossível, sabia que tinha que se controlar. Não podia acordar uma família inteira só por um acesso de cólera mal contido.
Mas não só parecia, era realmente impossível.
― Apenas confie em mim... ― disse, imitando o tom voz suave que ele utilizara. ― Eu confiei e você me enganou de novo, desgraçado!
Rukia ainda não podia acreditar no que ouvira momentos atrás. Era uma brincadeira não era? Sim, só poderia ser! Ichigo não podia estar falando a sério com aquele homem no telefone. Se estivesse, isso significava que ele era realmente um assaltante...
Ao menos estava aliviada por ter fingido que continuava dormindo. Ao que parecia, se não o tivesse feito nunca saberia que tipo de pessoa era Kurosaki Ichigo.
“Mentiroso, estúpido, desgraçado”, repetia essas palavras como um mantra em sua cabeça. E, dessa vez, o fazia para não se esquecer quem ele era e cair novamente em sua conversa barata.
Ainda se lembrava perfeitamente do novo trabalho que Ichigo iria executar. Embora, não tivesse conseguido ouvir o que faria, o estúpido repetira algumas informações enquanto anotava numa folha de papel.
Algo como pesquisar informações sobre alguém e o roubo de cinco bilhões de ienes26 estavam envolvidos.
Por todos os 7 infernos e os 7 céus! Ele tinha realmente falado em cinco bilhões de ienes? Cinco bilhões! Aquilo era uma quantia quase absurda!
As perguntas “onde?”, “como ele iria conseguir esse dinheiro?”, “para quem Ichigo trabalhava?”, surgiram em sua mente enquanto ele estava em um silêncio. ― O emissor da mensagem havia dito algo que o deixara pensativo. Mas rapidamente foram substituídas por mais uma onda de raiva ao ouvi-lo responder “Não se preocupe, não há nada, nem ninguém que me prenda aqui. Farei esse trabalho”.
Como ele pudera? Não há nada, nem ninguém... E a promessa que ele havia lhe feito momentos antes? Como ele podia ser tão baixo? Num momento ele lhe prometia uma coisa, no outro ele a descartava por outro objetivo. Que tipo de homem Kurosaki Ichigo era?
Meneando a cabeça, Rukia se levantou da cama decidida a beber água. Não era preciso conhecê-lo para chegar rapidamente a uma resposta: “Um homem sem palavra”.
Mais uma vez pensava no erro que cometera ao ir para lá. Nanao havia lhe dito para não ir, pedido para que ela ficasse e dito que não era uma boa ideia, mas Rukia resolvera ignorá-la, quando, mais uma vez, Nanao provara estar completamente certa.
Abriu a porta da cozinha e se deparou com Karin sentada próximo ao balcão, fitando a lua pela janela. Querendo evitar mais problemas, pensou em dar meia volta e arrumar suas coisas, quando a voz dela a interrompeu:
― Eu sei que Ichigo saiu...
A morena parou e tomou uma respiração profunda antes de responder, mal controlando sua raiva:
― Ele não avisou.
Karin a fitou intensamente enquanto enchia e lhe entregava um copo com água. Rukia bebeu tudo sentindo que realmente precisava molhar sua garganta. As morenas continuaram se fitando por mais alguns momentos antes que Karin falasse:
― Não se preocupe, para ter dado o anel da mamãe para você, ele deve te amar muito.
Rukia colocou a mão sobre a boca. Amar? Ichigo sabia o que era sentir algo por alguém além de si mesmo? Talvez fosse uma boa hora para repetir seu mantra, dessa vez em voz alta.
― Ele é só, estranho... ― completou, vendo que a outra permanecia quieta. ― É por causa da mamãe, sabe?
A raiva rapidamente foi substituída pela curiosidade e antes que percebesse, se viu perguntando:
― O que aconteceu com a mãe de vocês?
― Ele nunca falou? ― perguntou, arqueando uma sobrancelha.
― Não... ― admitiu em voz baixa, sentindo que aquela mentira não se sustentaria daquela forma por muito tempo. ― Ele sempre fugiu do assunto.
― Normal... Típico de Ichigo... ― concordou Karin, voltando a fitar a lua. ― Eu acho estranho falar sobre isso para alguém, mas desde que vocês são noivos agora, acho que não tem problema, não é?
― É... Não ― respondeu, mordendo o lábio inferior.
A verdade é que se sentia realmente péssima por se intrometer na vida pessoal de alguém daquela forma. Ichigo e ela não eram próximos. Revirar seu passado, bem... Não era algo que ele fosse querer que ela soubesse, não é?
Indecisa sobre interromper Karin ou não, deixou que a curiosidade levasse a melhor sobre si. Que problema teria? Afinal, o ruivo sabia sobre ela e Byakuya e, em troca, ficaria sabendo sobre ele e sua mãe. Uma troca mais que justa.
― Bem... ― começou Karin, com a voz baixa. ― Ela morreu quando ele ainda era muito pequeno... Acho que a confundiram com outra pessoa...
A voz da garota fora ficando cada vez mais baixa depois disso. Rukia notou como ela parecia tensa, encarando a lua. Viu-a fechar os olhos e depois reabri-los rapidamente, com uma sombra de dor a se acercar de sua bonita face.
― Eu mal lembro do rosto dela... ― sua voz agora não era nada mais que um sussurro. ― Mas Ichi-nii era feliz quando ela era viva...
Rukia prendeu a respiração. Não estava gostando daquele relato. Ele só a fazia pensar que Ichigo era um humano com sentimentos e não o monstro que ela construíra em sua cabeça e gostaria que ele fosse. Tirando-a de seus pensamentos, Karin continuou a falar, sua voz firme dessa vez.
― A verdade é que a executaram na frente do Ichigo. Encontramos Ichi-nii todo ensanguentado naquele dia...
Execução... Separação... Morte... Sangue... Lágrimas.
Rukia fechou os olhos após o relato de Karin se lembrando de sua própria dor. Execução... Aquela palavra não saía de sua cabeça. As cenas dela e Byakuya sendo separados voltando com força total à sua mente. Ichigo... Ichigo realmente sabia o que era passar por aquilo? Sentir aquela dor?
― Kuchiki-san... ― murmurou Karin, tocando-a no ombro. ― Você está bem?
― Sim ― respondeu com a voz trêmula. Seus olhos muito arregalados devido à lembrança.
Sem acreditar muito em sua resposta, Karin se afastou desejando boa noite e dizendo que precisava dormir, pois teria aula logo cedo no outro dia. A morena apenas acenou, antes de sussurrar:
― Ichigo...
____________________________________________
24 Haori – capa tradicional japonesa. Geralmente utilizada com quimonos e outras roupas tradicionais.
25 Katana – Espada japonesa.
26 Cinco bilhões de Ienes – Esse valor, convertido para reais, dá aproximadamente 119 milhões.
Notas finais
Até ano que vem, minna-san!
Fale com o autor