Jogo De Ideias
8 Carpe Diem
Notas iniciais
Quem for capaz de dizer quem é o autor dessa teoria, ganha todo o meu respeito...., mas para ser mais fácil, ele é mais conhecido por esta frase:
"Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma"
Quem for o genio que me der o nome dele (sem procura-lo no google), Parabens!
Carpe Diem
A noite estava fria como sempre. Um vento gélido transpassava pelo meu rosto, fazendo que as minhas mãos se protegessem dentro do meu cassaco velho. E como eu não podia evita-lo, o vento sem misericórdia bagunçava mais ainda o meu cabelo já bagunçado. Sentia as minhas mãos geladas, enquanto me aproximava da praça, nessa noite sem estrelas. E lá estava ela. Indo de um lado para o outro, conversando, brincando, rindo e, é claro desenhando.
Realmente estava lindo. Com todas aquelas pessoas por perto. Eram crianças brincando, mães conversando, velhos descansando, amigos rindo e, é claro: pessoas admirando esta noite magica. E realmente era magica, por ter todas estas pessoas reunidas pelo mesmo motivo. Eram as mesmas pessoas estressadas com o dia a dia, que outra aurora poderiam estar assistindo a T.V. ociosamente nas suas salas bem decoradas, eram as mesmas crianças trancadas em casa por causa da “violência” e as mesmas pessoas que não se falavam por causa das malditas “intrigas”, que nesse mesmo instante estavam aqui reunidas a beira da noite fria, somente pela feira da meia lua.
E soava estranho que todas estas pessoas estavam reunidas apenas para escutar um pouco de musica, as crianças talvez para brincarem um pouco, as mães ociosas apenas para estarem com os seus maridos, os mais velhos quem sabe, apenas para jogarem um pouco de domino, enquanto que alguns mais loucos como a Anne estavam ai para fazerem um pouco de arte e os seus desenho no meio da rua. Era a arte urbana.
Realmente era tudo muito maluco! Pintura por todo lado, pessoas grafitando, esboços e papeis nos bancos da praça, lápis e borrachas no meio de grama. E como não faltava, tudo mundo queria um retrato. Mas não era um retrato, era apenas uma mera caricatura, esboço feito pela criatividade humana. E talvez disso tudo se tratava: de mostrar um pouco de criatividade. Era a arte de rua.
A arte que definia Anne. Pois tudo é arte: das obras aos momentos ditos, ate a vida é arte. Isto é claro, segundo os pensamentos dela. E era a arte, a arte urbana que reunia todas aquelas pessoas. Porque a arte era para as pessoas e não para serem expostos num excêntrico museu enferrujado. O pelo menos isso era o destino que os meros esboços e caricaturas da Anne recebiam: a rua. A rua que escuta todas as conversas que não lhe pertencem, a rua que capta qualquer sorriso ou lagrima alheia... A rua: que acompanha os passos da humanidade nesta estranha sociedade.
E talvez eu estivesse sentindo um pouco de orgulho, por ver uns dos desenhos dela, retratado no que era uma velha parede suja, que agora não era mais suja, senão que continha um mix de cores tão estranhos que faziam a parede cobrar alegria. E não era algo tão difícil e muito menos tão excêntrico como uma obra da Monalissa. Apenas era o desenho de uma ave branca, carregando nas suas pequenas patas um grande símbolo da paz, para o que parecia ser um pequeno mundo redondo. Hahaha....ainda bem que se tratava de um desenho, senão a pobre ave já morreria asfixia pela falta de oxigênio que há no espaço. Sem disser que isso seria fisicamente impossível. Uma pomba trazendo a paz ao mundo. E vinda do espaço! O que era o mais maluco.
Mas mesmo assim, gostava dos seus desenhos, do seu talento. A admirava. E não era somente ela que estava grafitando, devia haver umas oito pessoas ao todo. Todas malucas: desenhando. Apenas entendendo a complexidade da sua própria mente. Todas tentando criar um pouco de ser. Com os esboços dos lápis e as técnicas da arte abstrata, pensando, criando, desenhando para o mundo. Enquanto que as pessoas ao redor todas olhavam atentamente, algumas animadas, outros de um jeito mais silenciosos, e outros, entre tantos, meros observadores sem voz e ou rostos a contrapostos. E mesmo assim, se admirava cada um destes malucos desenhos e paradigmas. Mesmo se não se entendesse nada, mesmo sendo um mero expectador, mesmo apenas só para estar ai. Pois se tratava de arte. Era arte. Apenas uma mera arte. Arte na rua. Mas uma arte para as pessoas.
Se bem que, todo mundo pensa diferente, todo mundo tem uma vida diferente e pensamentos diferentes. Simplesmente não se pode comprazer o mundo inteiro. E para algumas pessoa podia ser arte, enquanto que para outras era apenas vagabundismo. Tudo apenas para se mostrar os sentimentos, apenas os pensamentos abafados. Desenhar- os, mostrar- os, admirar- os, completa-os. Pois não eram abafamentos ditos, eram abafamentos expressos. E isso era todo. Simplesmente tudo o que importava.
E mesmo o céu não tendo tantas estrelas, isso não importava, não se sentia, pois a noite cobrava vida com cada sorriso dado e com cada desenho criado. E a sua sombra escura, era decorada com as luzes que pendiam nas diferentes arvores, dos mais diversos celulares e das luzes de uma casa próxima. Desse jeito as crianças não tinham medo e os desenhos podiam ser criados. E ali estava ela, com sua roupa manchada de tinta e com algumas malucas ideias...ali estava ela.
- Icarooooo!!!!!! – ela gritou meu nome quando me viu. – Icaro, vem!
Cheguei bem ao seu lado, em frente a um desenho incompleto, bem num muro baixo. E mesmo incompleto, se podia perceber que se tratava de um desenho de uma criança (todavia que faltasse desenhar a sua saia e o par de sapatos), que deixou ir uma bexiga com forma de coração. E o estranho que era só o coração que tinha cor. Nada mais e nada menos. Bom, quem sabe a saia da minha teria cor, ou talvez ela tivesse o cabelo claro igual que Anne. Mas não, era um desenho em preto e branco, contrastando com o tom da parede e o coração extremamente vermelho que ia embora das mãos da pequena menina. Enquanto que a sua mão estava esticada ao céu obscuro, tentando em vão alcançar a bexiga com forma de coração carmim vermelha.
- O que ela estava fazendo? – perguntei apontando para o desenho incompleto.
- ela esta tentando alcançar o amor – me respondeu.
- Como assim? – respondi atônito. Era apenas um desenho.
- Bom, acho que ela esta tentando alcançar o amor que ela tanto quer, mas que a deixou ir, enquanto estava nas suas próprias mãos. Por isso que ela esta tentando alcançar de novo “o seu amor”. Mas é uma obra de Bansky, então não sei muito que dizer. Apenas o estava retratando a imagem. Na verdade, vamos muda-lo um pouco, fazer a nossa versão sem que o desenho original seja modificado. Não queremos fazer uma copia apenas queremos retrata-lo. – Anne me respondeu.
- Ahh....tah, entendo – respondi quase não entendendo nada. Mas parecia ser um desenho bem bonito, apenas me intrigava o seu resultado final. – O como vai ser no final? – perguntei.
- mmmm, bom. – Anne me respondeu pensativa depois de um tempo em silencio. – pensamos em fazer mais crianças, todas perdendo bexigas e algumas as soltando a proposito. “E inscrito dentro em uma das bexigas haverá “esperança”, em outras “ideias”, enquanto que as bexigas que se perderam terão a palavra “sonhos” e a “paz”“. – E isso era tudo.
Me aproximei mas ao seu lado, abraçando-a. Os meus braços a segurava fortemente, enquanto que ela permanecia de costas para mim, colocando todo o seu peso no meu peito. Ficamos assim por um largo tempo, eu abraçando-a por causa do frio e, é claro, por algo muito mais verdadeiro. Sentia o seu aroma suave aroma da sua nuca, puxado a minha direção pelo vento inconveniente. E pequenas mechas do seu cabelo claro eram levantadas levemente para o ar, numa melodia intrometida do vento pervertido, que chegava bem na minha cara com o seu arome. Apertei-a mais para mim, puxando-a delicadamente ao meu corpo, no momento exato que as minhas mãos encontraram o seu ventre. Aproveitei o momento para dar- lhe um suave beijo no seu couro cabeludo, sentindo muito mais perto o seu aroma fresco. Ela ruborizou-se, enquanto uns beijos indevidos se estendiam na sua nuca. Nos extremos dos seus sentidos. Realmente era uma noite magica.
E segurando-a um pouco mais forte, o seu corpo no meu controle. A puxei ao meu lado, para banco mais próximo. E estivemos lado a lado, sentados no banco rachado. Enquanto que levemente continuava a segurar a sua mão tênue e palpitar o extremo do seu rosto. Fiquei a procura dos seus lábios, para que estes estivessem com os meus. E proferi um beijo audacioso. Pecado confessado de um amante nada cauteloso. Apenas um crime premeditado de um demente silencioso. Com o único pecado de querer-te ansiosamente. Nestes meros segundos, minutos, relatos da tua vida.
Continue segurando a sua delicada mão, enquanto que a minha cabeça caída indevidamente no seu ombro. Ela logo começou a fazer cafune no meu cabelo desajeito, com movimentos suaves, pulsantes, e com o toque de seus dedos fazendo leves ondas constantes, que começou a dar-me um leve sono. Era extremadamente relaxante. Extremadamente perfeito. E os seus toques, cativantes. Daria o que pudesse por ficar ai por um pouco mais de tempo, apenas apreciando as suas leves caricias e atitudes gostosas. E foi nesses meros lapsos inconsistentes da minha presença, que percebi ao longe uma grande lua cheia.
Lembrei-me por uns instantes dos momentos meditados com os sonhos logo criados. Lembrei-me por um segundo dos sentimentos que foram despertados e dos tênues lábios que foram tocados. Lembrei-me facilmente do teu corpo sagrado, ao lado dos cobertores de bom grado. E eu, ironicamente culpado, pelo desejo deste um pecado consagrado. Para sentir muito mais perto, na medida do mais certo, o teu belo beijo embriagado.
E como queria ficar por muito mais tempo, sentindo o calor do teu corpo, nessa meia- noite bem elaborada. No meio dos relatos da vida, nesses momentos de companhia. Pois eram destes momentos improvisados dos que se tira o melhor proveito.
Senti a sua mão segurando levemente o meu rosto, apoiando nela o meu dormido queixo. Senti, pouco a pouco, os seus lábios contra o meu ouvido, proferindo um delicado beijo que veio a ser constituído na minha consciência. E aquele beijo inoportuno despertou o meu sono quase profundo. Fitei por um instante os seus olhos azuis safira, a bela imagem que tinha na minha frente. Percebi as suas suaves mãos manchadas de tinta, e a sua blusa branca redesenhada com novas gotas de varias cores. Com as mais diversas cores e formas diferentes, consagrando a sua imagem tão bem conhecida.
E da sua bolsa de tela ela pegou o que era um caderno de folhas brancas. E procurando angustiadamente achou o um lápis e um marcador obscuro: utensílios próprios da sua arte. Fiquei lá, apenas com expectador, olhando tenuamente o esboço que estava sendo criado bem na minha frente. E o que dava vida ao esboço era um garoto com cabelo castanho. Apenas uma criança, com uns 3 ou 4 anos de idade, brincando despreocupadamente no chão empoeirado da praça arquitetada .
E os seus cabelos cobravam novos toques com cada traço que Anne desenhava. E agilmente o esboço do menino sorridente foi tomando forma, brincando tranquilamente nessa noite inusual.
- São estas pequenas coisas Icaro, que faz que eu goste da vida. – disse sorrindo.
Fiquei pragmático com a visão do garoto brincando, sem nenhum tipo de preocupação ou meros sinais de medo deste mundo tão estranho. Aquele menino não contemplava as incertezas de existir, as constantes duvidas de estar ai. E por que ele estava ai? Onde estavam os seus pais? E porque brincava? O que fazia... Nada disso importava para o pequeno menino. Ele apenas existia. Apenas brincava. Apenas sorria. E sorria para esta noite sem estrelas.
Fiquei feito um bobo olhando para aquele menino. Ate o momento em que a mão de Anne passou varias vezes no meu rosto, ate que conseguisse desconcentrar toda a minha atenção. A sua voz estava distante, nem parecia que estava comigo. Ou melhor dito, era eu que estava distante. Vivendo em outra constante. Instantes dos meus pensamentos inquietantes.
E Anne ria com o pequeno garoto, aplaudia com o garoto, sorria com ele, e cuidava dele.
- Ai que fofo! – escutar ela disser, enquanto estendia as suas mãos para o menino. Foi mas tarde que percebi que os seus pais estavam sentados bem atrás do garoto; conversando freneticamente. O menino se levantou do chão devagar, como se andar fosse um mecanismo tão complexo, que reunia tanto esforço e músculos. E logo ele chegou aos braços dela, segurando-a fortemente.
- É o sorriso deste bebê que faz que eu goste da vida. É poder ler um grande livro que faz que legal vida. É poder sentir um bolo de chocolate que faz que eu goste da vida. É poder assistir um filme de terror com uns amigos que faz que eu aprecie a vida. É poder sentir o gato se espreguiçando nos meus pés que faz que eu sinta a vida. É poder escutar o som da manha, que faz que eu goste da vida. É poder escolher o que eu quero que faz digna a vida. Assim como são as outras pequenas coisas genuínas que me faz gostar da vida. São todas estas pequenas coisas e os instantes momentos que da significado a vida. E não necessariamente o status e o dinheiro, Icaro.
A criança seguia no meio dos braços da Anne, brincando (ou na verdade o que parecia era roubando, ou pelo menos tentando) um brinco de pena longo que ela carregava. E o brinco de cores chamava a sua atenção inquietamente. E ela seguia rindo com o menino, brincando com o menino, amando o pequeno menino.
- Há muitas coisas importantes na vida que hão de ser mais apreciadas e que tem mais significado como é o riso deste menino. Porque mesmo ele não sendo gente grande, ele é gente; que sente e que pensa, e que vive neste mundo. – ela disse dando um beijo na bochecha do pequeno, deixando-o ir, enquanto retornava nos braços da sua mãe.
- Há muitas coisas com mais sentido nesta trágica vida para ser vivido Icaro. – ela disse me fitando, apoiando os seu queixo sobre os seus braços.
- Como assim? – respondi dando a mínima de atenção para a minha pergunta intrometida. Na verdade, nem sabia como aquela pergunta havia saído da minha boca.
- Bom, os momentos da vida tem muita mais importância do que status e dinheiro Icaro. Você é o que você faz e o que você significa para as pessoas, e não um objeto desejado, de uso e de entretenimento. O que você é e o que você faz não depende da sua sala muito bem decorada, da T.V. 3D de 32 polegadas que você tem, muito menos do Mercedes Benz que você dirige e a roupa de Gucci que você tem empoeirada no armorio aglomerado. E mais do que isso, é muito mais do que isso Icaro. Porque nos não somos coisas, e muito menos somos medidos pelas coisas. A nossa vida não se mede pelo o que temos e sim pelo o que presenciamos. E são estes pequenos momentos implicáveis da vida descontinua que nos definem, que marcam intensamente a nossa personalidade apática, e re- definem o curso na nossa vida estática. São os amigos que eu tenho que vão fazer parte da minha lembrança e não o tipo de roupa que usei ontem. É apenas poder escutar a musica que eu gosto que importa e não o tipo de Mp3, I-pod ou Tablet em que é tocado que importa. É a alegria de estar por perto, contigo, que me faz querer-te e não a tua conta bancaria, Icaro.
- sim, mas o que fazemos com as coisas que temos Anne? Por acaso são inúteis? Por acaso você não precisa delas? Não seja cínica suficiente ao me disser que você não precisa do seu caderno de desenho e de pelo menos o mínimo de um decente lápis para realizar a sua arte Anne. Por favor.
- Haha...ai que ta Icaro- ela riu. – Somos nos que criamos as coisas, e não necessariamente precisamos delas. As coisas são mecanismos criativos que construímos para uma necessidade ou por um mero capricho....mas nos as criamos Icaro. Apenas são meras criações humanas, assim como a minha arte.
“Nossa... e eu que pensava que ela estaria brava comigo por chama-la de cínica”.
- Precisamos das coisas para viver Icaro, do mesmo jeito que precisamos da comida para que o nosso corpo continue vivo, mas os atos da nossa vida não se definem apenas para os atos de comer e muito menos para comprar. Você não é o relógio de ouro no seu pulso raquítico e muito menos a blusa desgasta que cobre o teu pobre corpo. E nem ousa pensar, que você é (definido pelo) o teu salario, Icaro. Se você faz atitudes hipócritas, então você é um hipócrita. Se você mente, então você é um mentiroso. Mas se você é humilde, você se da bem com as pessoas. Se você sorri, então você se da bem com a vida Icaro. E é isso que importa.....sorrir para a vida, mesmo que esteja chovendo, mesmo que não importe, mesmo que não tenhamos ninguém com quem conversar, e mesmo que tudo seja tão simbólico, sem sentido.....ha muitas coisas que todavia não sabemos da vida para reclamar.
- Haha. – Ela riu, elaborando um pequeno sorriso, sutil, nesses lábios juvenis. E parecia que ela realmente gostava de aquilo tudo: de apenas presenciar o que a vida lhe oferecia. Sem se importar muito com os detalhes gastos, mas sim com os segundos, minutos e dias vividos.
A sua mão logo se estendeu ao longo do meu pescoço, dando espaço a um longo e impertinente meio abraço. Abraço inconveniente este, nada mais que negligente, pois apenas sentia todo o peso do seu corpo, numa mera atitude desobediente.
Anne se apoio no meu ombro, relaxando todo o seu corpo contra o meu, como se eu tivesse a carregando. Tudo isso, resposta inconveniente para os desgastes da vida, como se o que os demais pensam ou agem, atribuindo em aflito e conflito, realmente não importasse, e muito menos, tendo valor inconsequente. Apenas despreocupadamente, esperando e olhando, as atitudes estranhas da vida. nessa atitude de relaxo, para o sereno da vida sempre em dilema.
-São as pequenas coisas que me faz apreciar a vida, Icaro. – ela falou, conseguindo um pouco de animo. -É o que eu posso fazer que me faz viver. São todos os meus atos que definem a minha vida, assim como os atos dos demais me influenciam. É o que eu posso fazer, fazer para as pessoas e para o mundo que me faz viver. Porque a nossa vida é medida pelas ações e não pelos substantivos concretos. São os risos de uma criança que me faz escutar a vida. É o aroma de uma tarde que a vida me permite cheirar. São as diferentes as amizades que a vida me permite tocar. São as diferentes companhias que a vida me faz saborear. É o filme de um romance que a vida me faz ver. São os conjuntos dos momentos que a vida me faz contemplar. São as alegrias e as tristezas que a vida me faz vivenciar. São as falas dos pensamentos que eu posso presenciar. São os tênues momentos que eu posso sentir. São todos os meus sonhos que eu posso conquistar. E é todo o que eu me proponho que eu possa realizar. Que dão significado a minha vida. Apenas numa vida. Apenas uma vida. É mais do que suficiente para conquistar os passos incertos da grande vida. Apenas uma vida é mais do que suficiente para aprender todo o que o tempo me oferece. Apenas uma vida é suficiente para apreciar todo o que o mundo me propõe. Em apenas em uma vida é possível gostar e admirar muitas coisas. Em apenas uma vida é possível observar e aprender com as pessoas. Em apenas uma vida é possível contemplar os passos insolentes do mundo. E é suficiente para sentir e viver todo que há neste mundo. Apenas uma vida é suficiente para saber deste mundo. Pois não há vida sem o mundo. E não há mundo sem as mudanças da vida. Pois são as pequenas coisas, genuínas, infantis, impensadas, improvisadas, desejadas e colocadas que fazem mudar o estado original dos acontecimentos e do tempo, e, é claro, de uma vida. De muitas vidas. Penetrando intensamente em cada coração palpitante e em cada pensamento, mecanismo vivo. Mudando, transformando, recriando tudo de há neste mundo. Transformando cada insignificante vida humana. Mudando cada proteína, mitocôndria ou partícula existente no grande universo. E recriando o já existente para novos paradigmas e pensamentos expostos.
- “Nada se cria ou se destrói....tudo se transforma.” Se transforma para novos pensamentos e paradigmas inusitados. Se transforma para nova matéria inexistente da vida. Se transforma para novos momentos encravados nos mais tênues dos meus pensamentos. Momentos e sentimentos que criam novas atitudes. Atitudes estas demonstradas para o mundo. É a minha vida que eu demonstro. A minha vida composta pelos mesmo pensamentos e atitudes. Sou isso que eu significo. E os meus pensamentos adquirem significados com a minha existência. Por isso que dou importância os pequenos momentos e aos mais incrédulos acontecimentos. Porque eu sei que vão mudar alguma coisa. Eu sei que vão influenciar a vida de alguém. Eu sei que vão mudar o curso transposto da vida. Eu sei que tem algum significado. E se não é dos pequenos momentos e das lembranças que temos, então o que temos da eloquente na vida? Se não são dos momentos e dos milimétricos segundos que compõe a vida, então no que se mede esta? Se não dos momentos que preenchem o espaço e o a sucessão dos pensamentos equivocados.... e dão significado aos acontecimentos mais inusitados, então de que é feito uma vida, Icaro? De que é feito uma vida, senão dos momentos contados a cada milimétrico segundo... ahh Icaro?
“Droga Anne, porque que você me faz estas perguntas.” – pensei irritado. Na verdade não sabia como responde-la, e por mais que tentasse eu dar uma resposta contraditória, não sabia como responder. Não sabia o que dizer. Eu queria começar uma discussão. Queria provar que ela estava errada. Mas como eu podia contestar com ela? Como eu podia mostrar que ela estava errada!? Que droga Anne!
E logo ela apoiou o seu queixo na minha cabeça, permanecendo imóvel por uns instantes. Podia sentir a sua respiração bem perto da minha. E Talvez compartíamos os meus batimentos cardíacos. Talvez, mas quem sabia. Eram duas pessoas juntas....dos pensamentos compartidos. E com um mesmo sentimento sendo sentido. E quem o saberia... que ela me acompanharia. Dentro das minhas recordações e dentro da minha vida.
A sua cabeça permanecia apoiada sobre o meu, mas ela fazia um esforço, apoiada nas pontas dos pés. E o seu corpo permanecia recostada nas minhas costas. E ela permaneceu assim, por uns raquíticos instantes. Como se fosse uma criança numa brincadeira. O seus lábios logo estavam a procura de algo, de alguma coisa, e pouco a pouco os podia sentir descendo, ate encontrarem o lóbulo da minha orelha.
- Há coisas que valem mais a ser vivido em vez das brigas e das empatias, Icaro. Não deixe que o ódio e o rancor tome conta da tua vida. Pois nos somos apenas escravos dos momentos. E viciados nos sentimentos. – ela disse tenuamente na minha orelha.
Peguei a sua mão que teimava estar no meu ombro, e com um pequeno deslize, a puxei para minha frente. Deixando cair as suas coisas no chão. Havia lápis, cadernos, borrachas caídas no chão. Mas tudo isso era irrelevante diante o que eu tinha na minha frente. A sua mirada fitou a minha, e por uns momentos não dissemos nada, pois não havia nada que ser dito diante ao sentimento. Os seus lábios encontraram os meus, para um tênue momento com muito mais significado. Tinha a sua mão sobreposta na minha e os seus pensamentos calados.
Talvez tudo valia um pequeno significado, composto neste emaranhado da vida. Talvez, seja assim, que eu vou vivendo dia a dia com os pequenos acontecimentos e os mais mínimos entretenimentos. E assim os pensamentos são formandos, e a minha consciência do mundo. Do que eu acho do mundo. E do que eu sou para este. Talvez, não há resposta certa do que é a vida, e muito menos do que esta se trata. Não há formula magica que deixe a nossa vida maravilhosa e não viemos com um manual de instruções dizendo de como devemos vive-la, Anne. É apenas um mistérios deixado para nós. E também é um fenómeno que podemos criar, porque é deste onde criarmos o que somos, mas apenas podemos criar a nossa própria vida.
E tudo estava tão calado, nesta meia noite, no interior da minha sorte. E eu estava inutilmente ocupado. Por um sentimento muito mais forte. Era um desejo de estar por perto. Mas perto dela. Era todo apenas inutilmente incerto. Este desejo por dentro. De querer-te ao meu lado. E os teus lábios a serem tocados. Com o teu aroma memorizado. Era um desejo obcecado. Um momento inusitado. Para apenas ter os lábios sagrados, no teu beijo embriagado, que eu tenho tão acostumados. Nesta meia noite. Meia- noite que te prometo Anne.
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