Jogando Alto

2 Capítulo 2 - Buscando sentidos


‘'Quinn Fabray, será que estou em um metro fantasma ou você está realmente viva?'’ Santana perguntou em um clássico tom sarcástico, mas Quinn se limitou a lhe dar um sorriso tímido, o fato é que desde que tinha se mudado para a Argentina, Quinn simplesmente sumiu da vida de seus amigos, falava apenas com a irmã e mãe por telefone, nem perfis em rede social tinha, no inicio ela pensou apenas que ir sem contar aos amigos era menos dolorido, depois ficou com vergonha de ter saído sem se despedir e quando viu, já sentia como se fosse tarde demais para dar explicações.

‘'Eu estou viva’' Ela disse agora em voz mais baixa e timida.

‘'Olha Quinn, eu realmente tenho que ir trabalhar agora, mas você não me escapa, eramos amigas Quinn e sinto falta de você'’ Santana mexeu em uma bolsa estilo pasta executiva, só então a loira viu que sua amiga estava vestida de forma social ‘'Não sei porquê sumiu, mas tome o cartão e me ligue'’ Ela entregou um cartão de visita a Quinn ‘'Ah, e você não é mais uma pessoa confiável, me de seu número, se você não me ligar até hoje meia-noite eu mesma te ligo'’ Quinn sorriu, talvez seus amigos fossem mais compreensíveis do que ela realmente tenha julgado, pegando em sua bolsa ela deu um cartão para sua amiga.

‘'Eu ligo para você Santana'’

‘'Vou ficar esperando'’ O metro já estava se aproximando e Santana se posicionou para entrar quando se lembrou de Beth ‘'Como está a menina?'’ Ela perguntou de forma abstrata mais Quinn entendeu.

´'Ótima'’ Quinn sorriu e a latina fez o mesmo, com a troca de sorrisos Santana embarcou no metro e Quinn seguiu para seu pequeno estúdio.


Era de noite, Quinn já tinha dado a janta de Beth e colocado a menina para fazer a lição de casa, o cartão com o número de Santana estava na sua mão direita e o telefone na sua esquerda, porém a coragem de ligar não estava em canto algum. Ela respirou fundo, não poderia cometer o mesmo erro duas vezes, não mesmo, não aquele. Com a mão tremula discou o número do cartão, que surpreendentemente estava escrito ‘Dr. Santana Lopez, perita em direito de família

‘'Aló'’ Uma voz familiar atendeu logo no terceiro toque, não era a voz de Santana, era uma voz doce e ela sorriu sabendo que era a voz de Brittany.

‘'Britt'’ Quinn disse empolgada.

‘'Quinn é você?'’ A voz do outro lado perguntou assustada.

‘'Sim, sou eu'’ Um grito de alegria foi ouvido do outro lado, Quinn afastou o telefone do rosto e riu da reação da amiga, quando colocou o telefone novamente perto do ouvido, conseguiu ouvir Britt e Santana conversando, a latina perguntava se estava tudo bem, provavelmente se assustou com o grito e Britt por sua vez só conseguia dizer ´É Quinn, é a Quinn’ ela realmente não imaginava que seus amigos ficariam feliz com sua volta.

'‘Você realmente ligou'’ Santana disse assim que pegou o telefone.

‘'Eu disse que ligaria’'

‘'Mas você sumiu'’

‘'Eu não disse que não sumiria'’

Uma pausa foi feita, não existia motivo racional, mas ambas sabiam que era preciso tempo para digerir tudo.

‘'Prometa que não vai mais sumir'’ A voz de Santana era em um tom que Quinn não tinha ouvido antes, doce, talvez?

‘'Eu prometo'’ Quinn disse firme, era verdade, ela se arrependia de ter sumido, não de ter saído para viver em outro lugar, na época foi o melhor, porém de ter saído fugida, era algo que ela sempre iria se arrepender.


A conversa durou quatro horas, Quinn contou sobre Beth, sobre como foi sua vida na Argentina e Santana contou que fez faculdade, era agora uma doutora e trabalhava para um grande escritório, Britt tinha um estúdio de dança e coreografava grandes eventos, Quinn queria saber de todos, mas sabia que perguntar por telefone seria estranho, as mulheres resolveram marcar um almoço no dia seguinte.



Era 12 horas e 30 minutos, Quinn já esperava Santana na pequena lanchonete aonde marcaram e a latina se encontrava 30 minutos atrasada, Quinn ligou para a amiga já impaciente.

‘’Onde você está Santana?’’

‘’Atrás de você’’ Foi a resposta em um tom brincalhão, a loira se virou e viu sua amiga sorrindo para ela, seria estranho a abraça-la, mas foi o que ela teve vontade de fazer, porém não fez ‘’Vejo que sua paciência continuar mínima Fabray’’

‘’Não mesmo Santana, tenho uma filha de seis anos, acredite, paciência não me falta’’

Elas sentaram em uma mesa afastada, o restaurante era pouco frequentado, então poderiam conversar em paz, o garçom logo fez seus pedidos e saiu deixando uma mesa silenciosa e um ar palpável de se respirar. Nenhuma das duas sabiam por onde começar a conversar, as perguntas eram inúmeras, as curiosidades latentes, mas parecia não ter um inicio.

‘’Então’’ Elas falaram ao mesmo tempo e sorriram, o clima ficou mais leve.

‘’Como estão todos Santana? Você ainda fala com todos do McKinley?’’ Quinn perguntou.

‘’Não falava com todos quando estudava lá, vou falar agora?’’

‘’Então não manteve contato com ninguém?’’ O tom de voz da loira era triste, algumas pessoas não saiam de sua mente, Santana era uma, Britt outra e Rachel era a terceira, tinha também Puck e ela sabia que teria que enfrentar um raivoso encontro com o último.

‘’Falo, me casei com Brittany, certo?’’

‘’ Isso eu sei Santana, pergunto dos outros’’ Revirei os olhos, Santana sabia mexer na minha paciência, ela sorriu sabendo que tinha conseguido me atingir.

‘’Sempre falo com Berry, Puck e até mesmo Kurt e Mercedes’’ Sorri para essa informação, eu tinha me ligado a Rachel no último ano antes de ir, até mesmo Beth tinha sentido sua falta quando partiu, a pequena não se lembrava mais da ‘Tia Rachel’ hoje, mas quando foram para a Argentina era difícil fazer a pequena dormir sem ouvir a tia cantar no viva-voz do telefone do outro lado.

‘’Como todos estão?’’ O garçom chegou com nossas saladas e Santana não me respondeu, como eu odiava aquele péssimo time das pessoas, sempre chegam nas horas erradas. O garçom lerdo demorou quase cinco minutos para deixar a mesa, acho que ficou perdido entre o decote de Santana e minhas pernas, por isso não deveriam contratar menores para trabalhar ‘’Então, me conte, como estão todos?’’ Perguntei assim que ele saiu.

‘’Vivendo Fabray, vivendo’’ Ela tomou um gole de sua água ‘’Vamos começar assim, Puck quer realmente te matar, Kurt desenvolveu uma linha de roupas, não é nada grandes coisas e nem tem nome, porém ele ganha o suficiente, Mercedes ainda tenta a vida como cantora e Rachel’’ Ela não precisava nem de dizer aonde estava a pequena, eu sabia, na Broadway é claro ‘’Joga futebol, acredita?’’ Engasguei com a minha salada, droga, pensava que essas coisas só ocorria em filme, nunca engasguei com uma noticia antes.

“Por Deus Quinn, o que deu em você?’’ Santana me estendeu minha água e eu bebi, em poucos minutos já estava normal.

‘’Futebol? Mas e a Broadway? Mas e a música?’’ Isso não fazia sentido, Rachel jogando futebol?

‘’A menina é boa Fabray e eu não sei em que caverna você vivia para nunca ter lido sobre Rachel, ela simplesmente ganhou o prêmio de melhor jogadora do mundo ano passado pela segunda vez consecutiva’’

‘’Não se fala de futebol na américa do sul, ao menos não o feminino’’ Eu não podia acreditar que Rachel Berry era uma jogadora e não uma cantora ‘’Por que futebol? Por que não a música?’’ Perguntei tentando buscar um sentido.


Notas finais
Eu realmente espero que vocês gostem, amanhã posto o 3° capitulo. Pretendo postar um capitulo por dia.