Joe

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Esse capítulo serve somente para apresentar o personagem, como um prelúdio.

Já era noite quando os gritos de medo ecoavam dentro da floresta escura. Nada se via no frio escuro do Inverno, em meio aquela escura floresta. Nada, além de uma fogueira, e dois corpos em sua volta. Um deles está de pé, andando de um lado para o outro, pensativo. O dono desse corpo é Joe.

Muitas vezes ele fizera isso antes, mas nunca ocorrera tal situação semelhante a essa. O outro corpo é o de Lily Grey. É uma moça de cabelos loiros, com olhos azuis, e bochechas rosadas. Uma típica garota popular de faculfades. Mas Joe viu um potencial nela. Ela poderia ser uma das escolhidas.

Joe continua ali, as mãos trêmulas, andando de um lado para o outro, pensando em vão. Ele sabe oque precisa ser feito, mesmo assim, fica ali, pensativo.

Joe conheceu Lily em um bar. Ele não é muito fã de bares, prefere ficar em sua casa, pequena e imunda, ao socializar com desconhecidos bêbados. Mas nessa ocasião, ele fora obrigado a sair. Sua bebida havia acabado.

Foi nesse bar que ele a viu pela primeira vez. Sua risada graciosa foi oque lhe atraíu a atenção. Ela estava com os amigos populares da escola, bebendo e fofocando sobre passos de dança e provas. Mas Joe não prestava atenção na conversa. Ele só conseguia ficar olhando para ela, como se hipnotizado.

Ela notou que estava sendo observada, e sorriu para Joe. “Até que ele não é feio”, ela pensou. E ela tinha razão. Para os padrões atuais de beleza, Joe era oque chamam de “sortudo”. Mas nessa beleza se escondia algo malígno, um desejo e prazer estranhos para o resto da população, mas não para Joe. O desejo de matar.

Desde pequeno ele foi assim, quando assistia a ratos sufocarem dentro de potes de geléia. Inúmeros psicólogos fizeram análises, tentando encontrar oque havia de errado com o pobre garotinho, mas para Joe, eles é que estavam errados. Para Joe, todos devem, ao menos uma vez na vida, matar. Isso é como uma regra para Joe. Para Joe, o único momento em que vale a pena estar vivo, o único momento em que as pessoas são realmente oque são, é no momento da morte. Todos agimos de maneiras diferentes, alguns imploram chorando e balbuciando palavras sem sentido de que nada adianta, já outros aceitam a morte quando ela chega. Esses são aqueles que sabem que não há escapatória, que não importa oque eles digam, oque eles façam, o quanto eles chorem, seu destino já está traçado, e a morte é certa.

E é por isso que Joe está tão inquiéto, mesmo sabendo que seu dever neste mundo é matar a jovem Lily, de 22 anos. Ela é desse tipo de pessoa. Ela aceita o seu destino. Sim, ela gritou, mas sabe que o socorro não virá.

- Sabe garota, você é a primeira que não chora – Joe para em frente a fogueira. Uma faca em suas mãos, um casaco preto e calças jeans surradas. – E isso me deixa perplexo. Como alguém como você, com um futuro inteiro pela frente, um futuro brilhante é claro, pode simplesmente aceitar a morte de tal forma que só fica aí e assiste?

- Eu se-sei que v-vou morrer – Lily está amarrada à uma árvore. Suas roupar estão sujas por sua última tentativa desesperada de escapar. Ela treme de frio. — N-não há nada que eu p-possa fazer a respeito.

Joe fica parado perto da fogueira. Ele caminha até a árvore onde Lily está amarrada. Lily se encolhe de medo. Joe se ajoelha, e coloca o rosto a centímetros do de Lily.

- Você não tem medo de morrer? — Pergunta Joe, olhando fixamente para os olhos de Lily. Seu olhar fica ainda mais aterrorizando sob as chamas da fogueira. Ele a olha com raiva.

- Tenho. — diz Lily. Sua voz quase que não pode ser ouvida, e seu corpo inteiro treme de frio.

Joe aproxima a faca da barriga de Lily. Ela e encolhe mais ainda.

- Sabe oque eu não entendo Lily? — diz Joe, como se aquela situação fosse a mais normal possível. — Eu já matei 6 pessoas. Todas elas tinham medo de morrer. Todas, homens e mulheres. Mas não entendo. Se você tem medo de morrer, por que se arriscar? Por que sair para a rua, se nos dias de hoje pode ter tudo oque quiser com o clique de um botão?

- Porque é assim que vivemos. C-correndo riscos. Se n-não corrermos riscos, de q-que vale viver?

-Sabe Lily, eu vou me lembrar desse momento para sempre. – Joe sorri. — Pela primeira vez na minha vida, alguém sabe o sentido de viver: correr riscos. Mas é uma pena Lily. É assim que eu corro meus riscos. Matando. E você deve morrer – Joe fica sério.

Ele encosta seu rosto no de Lily, e sussurra em seu ouvido.

- Só não demore muito para morrer. — Neste momento, Joe enfia a faca na barriga de Lily. Ele sente a carne sendo cortada. Sente o sangue quente escorrer por sua mão. Sente um prazer indescritível. — Eu não gosta quando demoram.

Joe se levanta para assistir sua obra. Lily está ensanguentada. Ela tenta dizer alguma coisa, mas não consegue. A morte chega antes das palavras. Não há mais vida no corpo que segundos atrás fora de Lily Grey. Joe sorri. É um riso falso, porque por dentro ele se contorce de dor, uma dor causada, não por ele, mas pela voz em sua cabeça.

Joe acredita que essa voz é sua amiga, que ela o manda matar para poder ascender aos céus, mas ele está enganado. A voz é seu subconciênte, que o faz matar para que ele não se mate. A voz sabe de uma coisa que Joe não sabe. Joe já está morto.

A estrada está molhada. Joe dirige com cuidado pela avanida. Ele deixou o corpo para trás, ainda com a faca cravada na barriga de sua última vítima. Ele não escolhe as vítimas, mas a última foi diferente. A voz não teve participação, mesmo Joe pensando que sim. Daquela vez Joe fez por vontade própria.

Ele está quase dormindo. Nas últimas duas noites, ele não conseguiu dormir. A voz não o deixa dormir. Por isso ele bebe. A bebida dá um tempo, a bebida cala a boca da voz. Mas a bebida também tráz a tona os rostos das vítimas de Joe. E essa é a pior parte.

Voltar a rever os rostos em pânico. Voltar aos últimos momentos das vidas daquelas pessoas.

Joe liga o rádio. Quase todas as estações estão com chiado, menos uma.

- Foi encontrado agora a pouco o corpo de mais uma vítima do serial killer conhecido como Joe. A polícia já sabe quem é o homem, e está a sua procura. Homem, cabelos pretos, na faixa dos 40 anos, 1,80 m. Se você tiver qualquer notícia ou pista sobre o paradeiro de Joe, contate as autoridades imediatamente.

Ao ouvir isso Joe acorda. Ele fica estranhamente feliz. “Finalmente estão me dando valor” ele pensa. Em sua infância, seus pais o batiam. Ele era o caçula de 5 irmãos, e não ganhava muita atenção. A violência dentro e fora de casa fez com que o menininho frágil virasse um homem sem sentimentos. Mas não foi só isso que fez Joe virar oque é. Nem por ele ter afogado o bebê, que viria a ser o mais novo da família, em uma banheira. Nem por ter visto seu pai matar sua mão por culpa dele. Nem por ver o corpo de seu pai completamente mutilado e sem vida depois de uma briga na cadeia. Talvez Joe sempre foi assim. Porque algumas pessoas nascem com as trevas dentro de si.

Joe chega ao apartamento em que está hospedado. Ele não pode voltar para casa. Seu rosto está (ou um retrato falado dele) está em todos os lugares. O apartamento não é muito espaçoso. Tem cama, um guarda roupas, uma cozinha e banheiro. Mas esse é o máximo de luxo que se pode ter quando se está sendo procurado.

Ninguém o reconheceu naquele Motel de beira de estrada. Não ainda.

Joe desce até o saguão, para pegar alguma coisa para comer. Ele vai em uma máquina enferrujada de salgadinhos, e pega três deles. Há um policial falando com a balconista do motel. Joe não ouve tudo, mas vê o mais importante: o policial entrega seu retrato falado para a mulher, e sobe as escadas, rumando para os quartos.

Joe segue o policial, que bate de porta em porta, perguntando e mostrando o retrato de Joe. Joe volta para seu quarto, e tranca a porta. Ele continua acompanhando o policial com os olhos, atravéz da perciana. Os paços pesados do policial gordo são ouvidos de longe, e cada vez ele chega mais perto do apartamento 18, onde Joe está.

O policial para no apartamento 17. O coração de Joe acelera. A porta do apartamento de abre, e a velha senhora Jenkins está lá, com seus rolinhos de cabelo e roupão. Joe não escuta nada. Os apartamentos são um ao lado do outro, mas o som do rádio do apartamento 19 abafa todo tipo de barulho. A velhinha olha para o retrato de Joe, e fica atônita. E nesse momento o som do rádio para. As batidas do coração de Joe aumentam a cada palavra solta pela velha. Eis que ele finalmente consegue ouvir.

Oque foi que ele fez? — Pergunta a velhinha para o policial. Ela ainda está em choque.

Ele já matou sete pessoas até g agora senhora. E esse número tende a aumentar. Ele é um maníaco louco.

Ao ouvir isso, Joe começa a ficar com raiva. Ninguém o chama de louco. “Fui enviado em uma missão” ele pensa.

Mas vamos pegá-lo senhora. Não se preocupe. Ele é um amador. — Diz o policial. O sangue de Joe começa a ferver de raiva. — Na verdade, nunca vi um assassino deixar tantas provas no local do crime. Uma das primeiras vítimas dele que o descreveu, mas morreu no hospital.

Que horror. Uma pessoa dessas tem que queimar no inferno! Que Deus me perdoe.

Não. Joe não pode mais aguentar. Ele tenta se segurar, e consegui. Mas, quando estava voltando a si, a voz volta: “Mate-os”, diz a voz. Foi o estopim para que Joe perdesse o controle novamente.

O rádio do apartamento 19 volta a tocar. A música da vez é “Psychossocial”, do Slipknot.

Joe pega uma faca que havia em sima do balcão da cozinha e vai para o ataque. Ele não vê nada além de escuridão. Não é Joe que está naquele corpo. A música continua tocando, e é só isso que Joe ouve. Ele empunha a faca, a apretando em sua mão, e sai do quarto.

A velhinha do 17 vê Joe. Ela aponta para ele, mas não consegue gritar. O horror de ver um assassino em série caminhando em sua direção e paralizador. O policial tenta pegar sua arma, presa na sintura. Mas é tarde demais. Joe empurra o grande homem gordo para cima da velhinha. Os dois caem para dentro do apartamento. Joe verifica se alguém viu o ocorrido, mas não há ninguém. Então Joe entra para dentro do apartamento. Ele fecha a porta. O policial tenta se levantar, mas é lento demais. Joe pega um grande abajur que há em cima de uma mesinha de centro e o quebra na cabeça do oficial da lei.

O policial acorda. Ele está com um corte profundo na cabeça. O sangue pode ser sentido, quente. Está amarrado em uma cadeira. Ele olha ao redor, e encontra com os olhos o corpo da Velha senhora Jenkins sentado ao seu lado. Ele toma um susto.

O corpo da velhinha já está pálido. Um corte na garganda, do qual ainda sai sangue. Ele tenta alcançar a arma na cintura, mas ela sumiu. Nesse momento ele nota a silhueta de alguém em sua frente. É Joe. Ele está sentado em uma cadeira, igual a que o policial. Joe se inclina para frente.

Então vocẽ me acha um amador, não? — Pergunta Joe.

Você, você não precisa, SOCORRO! — grita o policial inutilmente. O som do apartamento 19 ainda toca, com uma música diferente, mas igualmente alta.

Silêncio, senhor oficial da lei – diz Joe. — Ninguém vai nos atraplhar. Bem, eu tenho um plano em mente, mas você vai ter que colaborar se quiser sair vivo dessa.

O policial está suando. Joe se levanta e vai até o quarto. O policial o acompanha com os olhos, pensando em que instrumentos de tortura ele irá trazer. Quando Joe volta, trás consigo um boné.

Para quê o boné, você deve estar se perguntando. Bem, isso é parte do plano.

Joe coloca o boné na cabeça do policial. A cabeça careca facilita a entrada do boné, mas quando esse toca o corte, um grito de dor é solto pelo policial. Ele se contorce na cadeira, sem poder fazer nada para a dor parar.

Ah, para com isso! É só um machucado! — diz Joe sorrindo para o oficial da lei.

EU VOU TE MATAR DESGRAÇADO! — grita o policial. Suas veias se saltam de raiva.

Não vai não. E, a menos que você queira que eu mate a sua filhinha – Joe mostra uma foto da filha do policial. É uma menininha de 3 anos, nos braços do grande homem que agora se encontra amarrado em uma cadeira. — você vai fazer exatamente oque eu mandar.

Não encoste as mãos em minha filha! NÃO CHEGUE PERTO DELA! — lágrimas de ódio se formam nos olhos do policial.

Não, não. Mas se tentar qualquer gracinha, eu mato ela. Por que, por que você venho até aqui? Não podia, sei lá, ir comer uma rosquinha, ou fazer qualquer outra coisa que os policiais fazem? — diz Joe, como se estivesse brincando com o policial.

Oque nós vamos fazer? Não vai conseguir sair dessa! — pergunta o policial. Su rosto está coberto de sangue, suor e lágrimas.

Primeiro vamos limpar você, depois levaremos a senhora Jenkins para passear.

Ela tá morta cara! — fala o policial, olhando e apontando com a cabeça para o corpo ao seu lado.

É, e quem foi que disse que precisa estar vivo para dar um passeio? Espere eu enrolar ela neste tapete. — Joe joga o corpo da velhinha no chão, e começa a enrolar o tapete no corpo.

E depois vocẽ me deixa ir? — novamente o policial pergunta.

Mas... só depois de cavar não é? — diz Joe com um sorriso diabólico.

Notas finais
Terminou o capítulo 1! Comente se você gostou ou não, de sugestões, e me diga: O Joe é tão mal assim ou só é incompreendido? Até o próximo capítulo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.