Morro da Babilônia, favela carioca, alto índice de pobreza. Num beco sujo e num barraco sem número mora João Gostoso. Jovem de 25 anos, negro, pobre e analfabeto, como muitos moradores de seu bairro.

Contudo e por tudo, João tinha uma particularidade que o diferia dos demais moradores: Era um rapaz muito feliz, alegre e brincalhão. Vivia a cantar, inclusive as morenas do morro. Não podia ver uma e já gritava:

— Ei morena bonita! Da aqui um beijo no teu gostoso!

As morenas, conhecedoras de sua fama, passavam a balançar os quadris, sem ao menos olhar para o lado. Daí o apelido, colocado pelos amigos em ato de pilheria.

E era nessa felicidade e assanhadez que João ia parra a feira livre, nas proximidades da Lagoa Rodrigo de Freitas, onde trabalhava como carregador, do nascer do dia até o entardecer.

Como todo bom brasileiro, carioca, João também gostava de samba e de uma “birita”. Ao fim de um dia exaustivo, lá estava ele, marcando ponto no bar de “Seu Manoel”, português, casado com uma mulata carioca, e mãe de Maria Tereza, por quem João se apaixonara. E sempre que a via exclamava com ar sonhador:

— Ah morena! Se não casares comigo, prefiro morrer.

Porém seu Manoel, pai prestimoso, conhecedor da fama de João, não permitia que a filha, dele se aproximasse, até por desejar uma “vida melhor” para ela.

Esse amor não correspondido minava a alegria de viver de João, que dia após dia ficava mais triste e se entregava à bebida. Perdendo toda a vivacidade de outrora.

Certa noite, na tentativa de esquecer Maria Tereza, foi ao bar 20 de Novembro, que ficava nas proximidades da feira. Sentou-se e bebeu muito. Tendo ficado “alegre”, entrou na roda de samba, dançou e cantou.

Madrugada alta, exaurido e infeliz, ao passar pela Lagoa, viu ali uma maneira de acabar com seu sofrimento.

Num rompante, atira-se na água gelada e escura, e lentamente, a dor se esvai. As forças o abandonam, na entrega ao descanso tão almejado. O corpo pesando... pesando, na extenuação lenta da vida e aproximação da morte

— Acorda João! Acorda! – Grita Zé Lelé, amigo e companheiro de feira, jogando-lhe água gelada no rosto. Acorda que é hora da feira.

Fim!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.