JisaBaka - O Homem Suicida e a Eterna Idiota

5 Capítulo 4 - Memórias de um Verão Perdido


Notas iniciais
- Jistatsu no Otoko to Fumetsu no Baka - - O Homem Suicida e a Eterna Idiota - por Diogo Lima.

– Parte Quatro -

— Himura, não tem graça... — eu falei com uma voz amedrontada à medida que íamos mais a fundo na casa escura, segurando apenas uma lanterna que insistia em piscar.

O vento passou por uma janela, deixando ecoar aquele som fantasmagórico. Isso fez com que minha espinha se arrepiasse. Ademais, eu me abaixei e agarrei minha cabeça rezando para magicamente sair daquele lugar.

E foi então que...

— Kekekekeke! — eu ouvi um som medonho vindo atrás de mim. Em circunstâncias assim, havia apenas uma coisa que um homem poderia fazer.

— Uaaaaah! — eu saí correndo como uma gazela assustada, rodando em círculos por um tempo antes de achar um bom esconderijo dentro de um dos cômodos.

— Hahaha! — eu ouvi uma risada infantil vinda do corredor em que eu estava segundos atrás, então tirei cautelosamente a cabeça do esconderijo para dar uma espiada.

Lá estava ele, rindo enquanto apontava para mim, e segurando uma máscara tribal assustadora.

Aquele garoto era Kurogami Himura. Meu irmão gêmeo.

Ele sempre fazia coisas desse tipo. Me levava para lugares que eu normalmente não iria, me assustava, me fazia pregar peças nos outros... Não que eu não me divertisse com isso. Na verdade, eu o invejava. Ele era confiante, criativo e extrovertido. Eu, por outro lado, sempre fui muito tímido e reservado. Mas, mesmo assim, ele sempre estendia a mão para mim.

Porém, tudo mudou naquele dia.

. . .

— Himura! — eu estendi a minha mão desesperadamente, tentando alcança-lo. Mas não era o suficiente. Eu era muito pequeno, e ele já estava muito longe.

Naquele dia, Himura decidiu que brincaríamos de escalar. Havia uma árvore num parque próximo que sempre escalávamos, mas sempre parávamos nos primeiros galhos. Daquela vez, porém, eu havia apontado um ninho num dos galhos mais altos.

— Vamos lá ver, Kano! — Himura ficou animado no momento em que eu apontei o ninho, começando a escalar para alcança-lo. No entanto, o vento estava forte naquela manhã de verão.

Bastou apenas um movimento em falso para que acontecesse.

Eu me odiei. Se eu apenas não tivesse apontado aquele ninho, não tivesse feito meu irmão subir naquela árvore...

Se eu apenas... Tivesse ido no lugar dele...

Desde então, sem ter quem segurasse a minha mão para me incentivar, eu tenho me trancado. Foi assim que eu me tornei o homem patético que sou hoje. Talvez a razão de eu realmente ser levado por aí por essa garota é por que eu ainda sou a mesma criança que era antigamente, sempre sendo arrastado pelo meu irmão.

Mas eu estou morto para a sociedade. Eu já morri há muito tempo.

Então por que... Essas memórias continuam a me perseguir?

– Parte Quatro —
– Memórias de um Verão Perdido. -

Notas finais
Nomes Japoneses - Nomes japoneses, como, por exemplo, Kurogami Kano, são escritos ao contrário. Ou seja, o nome dele é Kano e seu sobrenome é Kurogami. Bem simples, não? -chan, -san, -kun - Essas três palavras, dentre outras existentes, fazem parte de um grupo de palavras consideradas "sufixos" japoneses. Basicamente são palavras que se ligam ao final do nome de alguém para demonstrar carinho, respeito, dependendo da palavra utilizada.