Notas iniciais
Fic especial para o Natal, eu terminei já faz um tempinho, mais só tive tempo de postar agora, não foi betada, qualquer erro é só avisar. Não resisti, e acabei escrevendo mais uma história com o meu peixinho ♥ Espero que gostem, boa leitura ♥ E principalmente um FELIZ NATAL. :3

Jingle Bells

Ele havia sido um menino travesso, e não iria ganhar presente de Natal...

O chão estava branco, as crianças brincavam de bola de neve, as árvores estavam enfeitadas, e os sinos tocavam felizes, era véspera de natal. Os olhos atentos em todos naquela praça, quantas pessoas felizes, e hipócritas. Assim ele pensava, acreditava que deveriam ser felizes em todas as épocas do ano, solidários em todo tempo, ficava imaginando a qual inferno as mandaria, o pior possível com certeza. Seus pecados? A falsidade. Seu crime? Ser feliz no natal, como ele não poderia ser, ou como acreditava não poder, gostava de alimentar o rancor pelos seres humanos, esqueceu-se até que um dia fora um deles.

― Hey maninho, cadê o sorriso nesse rostinho lindo? ― Brincou Aiacos, dando uma leve batida no ombro do irmão, sem se dar conta do perigo, na verdade, ele gostava de provocar. ― É natal, tire essa carranca do rosto. ― Não deu tempo de ser morto pelo irmão. Aiacos saiu assim que viu certo ex- cavaleiro de Virgem passar por si.

― Idiota! ― Retrucou Minos baixinho, que logo aguçou a visão e não acreditou no que viu. Não, aquele não podia ser Radamanthys trocando presentes com Valentine. Só podia ser o fim dos tempos. Eles, seus irmãos, juízes do submundo, estavam agindo como aqueles humanos malditos. ― Desgraçados!

Antes que se pergunte por que Minos estava ali, saiba que ele foi arrastado pelos irmãos, que não suportavam seu mau humor, desde a última guerra santa, onde o mesmo foi derrotado pelo cavaleiro de peixes. Albáfica, esse nome não saia da sua boca. Quem pagava por sua fúria eram as pobres almas. Recebeu férias, quando perceberam que nem a mais pura alma, ganhava os Elísios como destino pós – morte.

Minos sentou em um banquinho ali perto, pensou em voltar, mas ficou ali, perdido nas cenas de amor e união. Estirou as pernas para frente e recostou a cabeça no banco. Foi quando ouviu o baque. Alguém havia tropeçado em suas pernas.

― Ai, droga! ― Limpou o rosto encoberto de neve, mostrando a bela face ruborizada, por conta do tombo e da vergonha que sentia. ― Desculpas seriam bem vindas, presta atenção onde põe os pés. ― O olhou sério, mas não demonstrava raiva.

― Preste atenção por onde anda idiota... ― Os lábios do albino se fecharam, e não acreditou no que via, o fitou por um tempo, e nem percebeu quando se desculpou. ― Desculpe... Albáfica.

O rapaz o olhou, como se tentasse reconhecê-lo, não era bom fisionomista, pensou de certo conhecê-lo e não lembrar-se dele. ― Deixa pra lá... Conheço você? Sabe, sou péssimo em lembrar das pessoas. ― Ficou totalmente sem graça, e isso o deixava mais gracioso.

― Já comprei flores... Na sua floricultura. ― Era perspicaz, logo viu o crachá que o rapaz usava.

― Sabia que te conhecia de algum lugar... ― Bagunçou os fios azuis. ― Quais flores?

― Rosas, as mais belas rosas vermelhas... ― Não sabia quando se tornara um tolo, nem como começou a agir como aqueles idiotas, sim os humanos, mas a atmosfera mudou quando aquele rapaz apareceu. ― Onde está indo? Posso te dar uma carona se quiser. ― Ele faria surgir um carro se preciso fosse.

O rapaz abanou o ar com as mãos, corando mais uma vez. ― Oh, não precisa, já estão me esperando... Foi um prazer, é...

― Minos.

― Foi um prazer Minos. Feliz natal. Aqui, uma lembrança, anuncia a chegada de boas novas, o nascimento do menino Jesus. Quem sabe não recebe uma boa notícia? ― Entregou dois pequenos sinos de natal, muito bonitos e trabalhados que tilintaram assim que o albino os pegou.

― Obrigado. ― Olhou para o sino, em seguida encarou os belos olhos azuis, viu o outro acenar e sumir, se misturando a multidão.

O juiz do submundo não iria se contentar apenas com aquilo, guardou o presente com cuidado no bolso e foi atrás do outro, o procurando por toda parte.

Não muito longe dali o pisciano se aproximava da rua e procurava com atenção o carro conhecido, não demorando muito a ver o mesmo, sorriu. O carro parou diante de si, e um belo homem de cabelos azuis curtos e repicados, desceu do mesmo, deu a volta no carro e foi até Albáfica sem demora, o puxando para um beijo não demorado, por conta da multidão.

― Demorei muito meu peixinho? O transito fica terrível nessa época. ― Acariciou o rosto alvo. ― Está lindo como sempre. ― Deu um sorriso largo e abriu a porta do carro para ele entrar.

― Não demorou Manigold, eu acabei de chegar. ― Sorriu em resposta, o abraçando e entrando no carro, esperando que Mani fizesse o mesmo.

― Para onde senhor Albáfica? ― Piscou.

― Casa. Quero passar o natal com minha família. ― Riu ao ver o rosto do canceriano corar, coisa atípica dele. Fazia um ano que haviam casado, e esse era o primeiro natal juntos depois da cerimonia.

― Claro, esse vai ser o melhor Natal de todos... ― Mais um beijo foi depositado nos lábios do pisciano, dessa vez com mais fervor, ninguém estava vendo, isso era o que pensavam.

Os olhos fixos naquela cena, que nem mesmo o telespectador sabia descrever. Ele queria o sangue dos dois, do canceriano por tocar naquilo que considerava seu e do pisciano por lhe trair. Viu o carro sair. Era um juiz do submundo, não seria difícil encontrá-los.

― Aonde vai? ― Perguntou Radamathys, quando o viu passar rapidamente por si.

― Creio que não lhe interessa. ― Disse sem diminuir os passos, sentiu o braço ser agarrado e olhou para o loiro com fúria.

― Sabe que não pode interferir não é Minos? Atena os protege, mesmo eles não lembrando quem foram um dia. ― O loiro não era carinhoso, ou todo família, no entanto, zelava os irmãos a sua maneira. ― Há quem faria qualquer coisa por você, por que não dá uma chance a ele?

― Lune não me interessa, vá correr atrás do menino de cabelo rosa. Aiacos pode, por que não eu? ― Rosnou.

― Eu posso porque sou correspondido, o Asmita me ama, mas Albáfica não ama você. ― Respondeu o moreno se aproximando, já sabendo do que se tratava a conversa.

― Para o Tártaro todos vocês! Aquele Peixe é meu! Meu! ― Não tinha quem o segurasse, sumiu dali.

― Ele é um idiota. ― Retrucou Aiacos.

― Eu sei. Ele só vai sofrer ainda mais com essa obsessão, isso não é amor, é frustração. ― Respondeu Radamanthys.

...

Albáfica abriu a porta da casa, a mesma estava toda escura, entrou com cuidado procurando o interruptor. ― Não pagou a conta de luz Mani? ― Ouviu um risinho do outro. Finalmente conseguiu acender e parou diante do que viu. A mesa estava montada com uma linda ceia, a árvore cheia de presentes como se ali morassem várias pessoas, Jingle Bells começou a tocar em um ritmo suave, com voz melodiosa.

― Gostou? É simples, mas, achei que iria gostar. ― Falou escorado na quina da porta da sala, sorriso largo desenhado nos lábios, e as sobrancelhas arqueando, esperando uma resposta.

― Adorei... ― Falou sincero, eram órfãos e aquilo, era maravilhoso para ambos. ― Que bom que eu escolhi vir para casa. ― Encarou o canceriano e sorriu.

― Não sabe o quanto fiquei com medo que fosse o contrário. ― Riu divertido, se aproximando.

― Banho. ― Se desvencilhou de Mani, que retrucou algo sobre ele ter apenas 5 minutos para isso.

Olhando pela janela, espreitando feito um ladrão, estava Minos, podia ver Manigold apreciando um vinho qualquer enquanto esperava o outro chegar, encarava o canceriano que não o via, imaginando que era para ele estar ali, arrumando e acendendo as velas da mesa para Albáfica, se perdeu em delírios, voltando a si quando viu o azulado chegar, ainda mais bonito do que era. Os observava como se fosse atacar a qualquer momento, e era isso que ele iria fazer.

Mani serviu uma taça de vinho para o amado, e assim que o mesmo a bebericou foi puxado para uma dança, a cabeça recostada no peito de Mani, que o conduzia de forma lenta e romântica.

― Pensei que fossemos ceiar... ― Falou Alba em um sussurro, acolhido pelos braços do outro.

― Ainda é cedo, só depois da meia noite, até lá... ― Afagou os fios longos e azuis cor de céu, enquanto os lábios desciam com suavidade, pelo pescoço do mesmo, e a outra mão passeava por baixo da camisa de linho que o ex-dourado de peixes usava, ambos arfaram, as respirações perdiam o ritmo, quando deram por si já estavam no sofá. Manigold puxou Albáfica para cima de sua cintura, pousando a mão no volume que se formava na calça do rapaz, o apertando e logo tratando de desabotoar sua camisa.

― Mani... ― A voz saiu sensual.

O vidro da janela da frente se estilhaçou, chamando a atenção dos residentes da casa, quebrando todo o clima, rapidamente o azulado de fios curtos tirou o outro de cima de si, o sentando no sofá.

― Fique aqui Albáfica. ― Falou baixo e sério, saindo assim que recebeu um aceno positivo do rapaz assustado, pegou o primeiro objeto pontiagudo que viu e saiu com cuidado de casa, indo até a janela, arrodeou a mesma, fez uma vistoria na casa, nada encontrou, voltou para a sala.

― Mani? ― Indagou Albáfica ao ouvir um barulho.

― Sou eu peixinho, não encontrei nada, exceto essa pedra. ― Mostrou o objeto. ― Algum idiota metido a engraçadinho, ou uma criança arteira, já chamei a polícia e amanhã mesmo vou arrumar essas janelas, colocarei grades em todas e...

― Está tudo bem. ― O beijou. ― Assim que a polícia se for, continuamos nosso natal. ― Olhou de forma travessa, algo que fazia quando estavam apenas os dois juntos, e recebeu um sorriso largo do canceriano como resposta.

...

― O Radamanthys te alertou, e eu também, mas você quis pagar pra ver. ― Falou Aiacos impaciente. ― Lune está vindo cuidar disso, tsc! ― Saiu dali irritado.

Lune chegou ao que parecia ser uma enfermaria. ― Senhor Minos, o que foi isso? ―Tratou de cuidar do corte em seu rosto.

Sentia o rosto arder, mas não fez nem mesmo uma careta se quer. ― Acha que sou tão ruim assim, a ponto de não receber nem mesmo um presente de natal? ― Encarou Lune que o olhava com surpresa.

― Apenas não é compreendido senhor Minos. ― Limpava seu rosto com devoção fazendo um curativo para enfermeiro nenhum botar defeito.

― Ganhei esse corte quando tentei invadir a casa daquele maldito pisciano, eu apenas o queria pra mim, isso é pedir muito? A janela estilhaçou, quando pensei que eles estavam olhando para mim com cara de assustados, acordei sendo reanimado por Aiacos, e com esse corte no rosto. Maldita Atena.

Lune nada respondeu, muito menos falou sobre a pontada que sentiu no peito ao saber da insistência do juiz em desejar o ex-dourado, terminou de fazer o curativo.― Não ficará cicatriz. ― Falou antes de voltar para a sala principal de onde residia com Minos.

Minos o olhou de soslaio, porém também ficou calado, pensaria em outra forma de fisgar o peixe, antes precisava tomar uma ducha. Chegando à sala, ficou um tanto surpreso com o que viu. Sentado no sofá, Lune lia um livro de forma despreocupada, não percebeu a presença do Grifo, a sala estava decorada, tão bela quanto a que Minos vira na casa de Albáfica, a lareira esquentava o ambiente, proporcionando uma sensação de conforto, uma pequena ceia posta na mesa, e um presente em baixo da árvore. Minos se aproximou e apreciava os enfeites em torno da lareira.

― Você quem fez tudo isso? ― Falou um tanto encantado.

― Sim senhor Minos, espero que não se importe, também fiz o jantar, quando sentir fome... A mesa está posta.

Olhou com curiosidade o rubor no rosto do servo. ― Não incomoda, eu não ligo para essas coisas, mas está muito bonito, e a ceia também, isso é muito mais que um jantar para mim. Tenho algo para a nossa árvore.

Lune corou ainda mais ao ouvir tais palavras e ver, o que o albino retirava do bolso, um par de sinos delicados, colocando-os na árvore. ― Lune, você não acha que ficou bom?

― Ficou lindo senhor Minos. ― Um sorriso singelo surgiu nos lábios do rapaz e as mãos se entrelaçaram sem jeito. Abaixou-se e pegou um presente o entregando para o Grifo. ― Feliz Natal senhor Minos...

O albino olhou para o relógio e viu que já era meia noite.

― Feliz Natal Lune. ― Pegou o presente o abrindo e apreciando o lindo broche de ouro, uma replica fiel dos tempos que era rei, o brasão de sua família. ― Como... Como conseguiu isso Lune?

― Não é o original, mas pensei que iria gostar, ainda lembro-me de todos os detalhes... ― Não conseguiu terminar a frase, os lábios foram tomados pelos do juiz em um beijo ardente, um misto de prazer e gratidão, dando apenas uma opção ao servo, aceitar, e esse o fez de bom grado.

― Não sabia que se lembrava desse símbolo. ― Acariciou o rosto do menor, com um carinho que ambos desconheciam.

― Fui seu servo naquela época também, é bom lembrar de vez em quando que fomos humanos. Eu me lembro de tudo que se refere ao senhor. ― A voz saiu suave, porém audível.

A mão do juiz apertou a de Lune, entrelaçando os dedos. ― Estou faminto, venha ceiar comigo... Eu não lhe comprei nada. ― Completou sem jeito.

― Eu já ganhei meu presente. ― Sorriu de canto, sem acreditar, em tudo o que estava acontecendo naquela noite de natal.

No fim, todos ganharam seu presente, até os que não mereciam como Minos. Ele pode não ter ganhado o que queria, mas ganhou o que precisava.

Fim.

Notas finais
Se chegaram até aqui, muito obrigada. Reviews são bem vindas, assim como criticas construtivas ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!