Jikan Ryoko
3 Capítulo 3: Beta
Notas iniciais
|CAPÍTULO 3: BETA.|Erika|
***
Quando eu menos esperei, baixou um espírito vida louca em Honoka.
Nós três, eu, Honoka e o viado do Bob Nelson, estávamos no andar de cima, comendo nossos respectivos almoços, quando vimos a irmã de Bob conversando com aquele garoto de terno – que, vamos combinar, é um gatinho —, quando de repente, Honoka saiu correndo desesperada, como se fosse tirar o pai da forca. Isso simplesmente porquê ela viu aquele gatinho preto – não o de terno, um felino que a tonta ficou olhando no meio da aula. Ela correu, e saiu descendo as escadas, me deixando sozinha com Bob.
—EU JÁ VOLTO! – ela gritou, enquanto descia as escadas. Ela estava simplesmente nos ignorando? Ah, aquela ruiva maldita não se atreveria...
—EI, ESPERE! – eu gritei, mas ela sumiu de vista, enquanto descia igual uma louca. Eu fiquei com cara de bunda, enquanto Bob também não entendia nada. Um clima bem tenso invadiu o local onde nós dois estávamos, e ficamos parados em pé, igual a retardados mentais.
—...Afinal, o que deu nela? – Bob quebrou o silêncio. Olhou lá pra baixo, curioso, e olhou pra mim novamente – Minha irmã e aquele gato sumiram... Afinal, será que Honoka conhecia aquele gato?
—Ah, isso aquela vaca vai ter que me responder... – não aguentei. Me encaminhei até a escada. Iria atrás daquela vagabunda e descobrir o que rolou. Eu detestava ser a última a saber das coisas. Mas aí aquele gay me segurou pelo braço – EI, ME SOLTE!
—Não vamos nos precipitar! – ele falou, com aquela voz gay de sempre que eu tanto detestava— Vamos apenas esperar Honoka voltar! Ela já deve estar voltando...
—Ah, não me venha com essa! – eu finalmente consegui me livrar o braço dele – Se você não vai, eu vou. Fique aqui e vê se toma conta da comida, O.K? — eu saí correndo até a escada. Comecei a descê—la, quando Bob gritou de novo:
—EI, EU NÃO VOU FICAR AQUI BOIANDO! – ele gritou, protestando.
—AH, VOCÊ VAI! – eu desci a escada correndo, pouco me importando com Bob Nelson. Eu cheguei ao andar de baixo, e como sempre, havia alunos em todos os lugares. Garotas passavam conversando as merdas de sempre, garotos sentados conversando, mas nenhuma Honoka em lugar nenhum. E nenhum garoto de terno. AFF!
Saí andando entre as pessoas, pedindo licença, ou simplesmente empurrando, pois era mais fácil e me fazia sentir bem. Olhava para todos os locais, os locais mais isolados, e nenhuma ruiva retardada. Comecei a correr. Esbarrei em uma garota mimada que caiu de bunda, e ficou reclamando com aquela voz de galinha esganiçada comigo, e eu simplesmente dei—lhe um dedo e saí andando novamente.
Olhei onde eu tinha visto o garoto, e aquela garota... qual era o nome dela mesmo? A irmã de Bob estava andando normalmente, e, quando eu freei em cima dela, ela se sobressaltou, quase tropeçando. É muito tenso quando você quase atropela alguém.
—Ah, foi mal, eu não vi por onde... Ah, enfim. – eu disse, e ela assentiu.
—Ah... Tudo bem. – ela deu um leve sorrisinho imbecil. Na boa, por que diabos essas meninas fofas tem que dar sorrisinhos imbecis?
Eu podia simplesmente ter continuado andar, mas como meu lado tarado não sossega, eu tive que perguntar:
– Hã... quem era aquele garoto de terno? – eu perguntei, tentando desviar o olhar dela. Me arrependi de ter perguntando logo em seguida.
—Eu... d—desculpe? – ela pareceu confusa.
—Ah, esquece. – eu saí andando rapidamente de novo, deixando ela mais confusa que nunca. “Agora não, Erika. Você precisa achar Honoka.” Foi o que eu disse pra mim mesma. Então, me embrenhei em um lugar que dava caminho à minha direita.
Me vi andando em um corredor aberto, e bem arrumado. Parei de andar rápido. Olhei nos lugares, meio cansada. Tinha um jardim do lado, com flores ainda molhadas pela chuva que caiu enquanto eu e Honoka estávamos fora de sala.
Continuei andando. Eu nem sabia se estava andando pelo lugar certo, ela podia ter simplesmente pego outro caminho. Mas era diferente... era como se alguma coisa me prendesse a atenção indo por aquele lugar. Bom, ainda tínhamos quase uma hora pela frente, então achar Honoka não era tão difícil quanto estudar.
Continuei andando, quando pisei em alguma coisa estranha, e olhei para baixo para ver o que era. De início, achei que fosse um brinco. Mas era um tipo de colar prateado, fino. Espere... aquele colar era de Honoka, ou seria minha impressão?
Peguei—o, e realmente, era dela. Reconheci, pois nele estava gravado o nome dela, em uma letra bonita e curva que nem em cem anos eu conseguiria imitar. Então, eu realmente estava indo no lugar certo.
Eu bem que podia ter perguntado à alguém se tinham visto por onde uma ruiva desastrada ia, mas como eu sou muito inteligente, esqueci desse pequeno detalhe.
Na moral, aquela ruiva nojenta estava agindo muito estranha hoje... primeiro, a droga do gato. Depois, a droga da reação dela em vários momentos. Além da droga de um sonho que ela teve e não me contou... afinal, o que diabos ela tinha? Aí sobrou pra diva e linda Erika fazer tudo nessa porra, como sempre.
Continuei andando, e notei que havia ainda outra curva pra direita mais pra frente. Como eu era educada e pouco desesperada, saí correndo até a curva, querendo achar logo aquela desgraçada.
E eu realmente achei!
Quando eu me virei pra direita, Honoka corria lá pelo final do corredor, que levava a outro corredor fechado. Ela corria atrás de alguma coisa, e gritava algo como:
—EI, ESPERA! GATINHO LOUCO! – ela realmente ainda estava atrás daquele gato? Me dei conta de que minha melhor amiga era uma sonsa retardada. Bem... eu já havia percebido isso. Mas havia piorado.
—...Honoka... ? EI, HONOKA! – eu gritei, esperando que ela ouvisse, mas ela não ouviu, e desapareceu nas sombras do outro corredor – EI! Ai meu santo Deus, lá vamos nós!
Eu comecei a correr atrás dela, olhando atentamente para o final para ver se ainda vislumbrava algum detalhe dela. Vi apenas seus cabelos vermelhos esvoaçando, e disparei. Eu talvez tivesse alcançado ela, se uma mão misteriosa não tivesse agarrado meu braço, do nada, enquanto eu corria, quase me fazendo tropeçar.
—EI, ME SOLTA! – eu gritei, e, quando já estava pronta para afundar minha delicada mão na cara da pessoa, quando percebi que era uma menininha – Ah...
Espere. Uma menininha?
Era uma garotinha que aparentava ter uns dez anos de idade. Era loira, tinha cabelos meio encaracolados e amarrados em um rabo de cavalo. Tinha olhos azuis, usava um vestido branco arrumado, era branca e era bem fofinha, eu tinha que admitir. Ela estava me encarando sem sorrir, com uma cara bem tensa. Eu olhei pra ela meio confusa, me perguntando quem diabos seria este ser. Era muito bonitinha, mas me apertava com uma força tensa.
—...O que foi, pirralha? – eu disse pra ela. Ela, no entanto, não disse nada. Ficou me encarando, e eu comecei a me irritar com a presença dela – Olha, o que você... – mas eu fui impedida de completar a frase, pois nesse momento, ela colocou o dedo indicador dela em frente à minha boca, me mandando calar a boca. Eu já estava perdendo a paciência com ela.
Ela apontou para o lugar onde Honoka havia sumido, sem dizer nenhuma palavra, e eu apenas fiquei observando. Ela fez um gesto como uma alavanca puxando para ela.
—Mas... é exatamente isso que eu estou tentando fazer! – eu exclamei irritada. Por que diabos eu estava dando atenção à uma pirralha, afinal? Eu tinha mais o que fazer.
Mas ela repetiu o gesto, e pôs o dedo no pulso, logo em seguida, e ficou apontando, como se ela tivesse um relógio. Talvez ela fosse muda, ou apenas uma tapada mesmo, e eu detestava meninas tapadas.
—... Mas o quê....
Eu percebi, nesse momento, que ela tinha um tipo de pulseira—anel em volta do braço, um anel grande e levemente lilás. Tinha um relógio gravado em um lugar perto do pulso. Eu já estava cheia daquela menina, e achei que ela estava tirando uma com a minha cara, e tive vontade de meter uma tapa. Mas eu sentia uma coisa estranha, enquanto ela me segurava. Foi quando algo mais estranho ainda aconteceu.
“Traga—a imediatamente.”
Foi isso que eu ouvi em minha mente, o que me deixou muito mais confusa ainda. Eu recuei dois passos, mas a mão dela ainda segurava meu braço. No entanto, a frase soou como se eu tivesse entendido o que ela tivesse tentando dizer, e não ela me ordenando isso. Eu fiquei mais confusa ainda. Aqueles malditos olhos azuis ainda me encaravam, de uma maneira serena e meio melancólica, como se estivesse triste. Não pude deixar de sentir um pouco de pena dela.
—... Quer me soltar, miserável?– eu respondi, pois embora eu tivesse pena, eu ainda era educada. Eu me desvencilhei do braço dela, mas ela não sorriu. Eu virei de costas e saí lembrei de Honoka. Saí correndo até o local onde ela havia desaparecido.
Quando estava mais ou menos na metade do caminho, virei pra trás. A garota havia sumido. Afinal, o que porra estava acontecendo naquela merda? Meninas tensas fantasmas alucinações a base de maconha, gatinhos felinos, gatinhos humanos, amigas imbecis – não que isso fosse muita novidade — ... Afinal, o que estava rolando? Quem porra era aquela menina?
Senti que iria dar merda.
Mas não importava muito. Eu saí correndo novamente, até que cheguei ao corredor fechado. O intervalo ainda acontecia e as conversas foram abafadas quando cheguei ao corredor.
Estava meio escuro. Havia uma sala do lado esquerdo e outra do direito. Andei pelo corredor, sem nenhum sinal de Honoka ou aquele gatinho. Havia um relógio de parede na parede — ah não, imagina, iria ser no chão, Erika idiota — , porém, ele estava parado. Continuei andando, e percebi que levava à uma curva à direita e uma na esquerda. Ah, na boa eu era péssima em múltipla escolha. Virei na curva da esquerda , colocando minha fé e sorte nas mão de Jesus cristo amém, e torcendo pra que aquela puta estivesse na curva da esquerda.
Quando fui andando, percebi que havia mais outro corredor aberto – afinal, aquilo já estava se tornando um labirinto! —, e nele, havia um jardim do lado esquerdo. Havia alguns arbustos, flores, pilares, e uma garota agachada, olhando entre os arbustos. Era uma aluna, pelo menos... Espere, não eras só uma aluna.
Era Honoka!
—...Ei, Honoka! – eu gritei pra estabanada, que olhou pra trás assustada, e quando me viu, ficou confusa, e eu me aproximei daquela borboleta com síndrome de down. – “Parabéns! Você encontrou a princesa Peach!” O que diabos você está fazendo aí, sua piranha? – eu definitivamente estava revoltada com aquela puta.
—...A—Ah, E—Erika—chan! – Honoka exclamou.
—Não, não, a minha avó. – eu disse, ironicamente – Afinal, que diabos você está fazendo?
—Ah, e—eu vi aquele.... A—A—ALI! PEGA ELE! – Honoka exclamou, e eu me virei. Ali, tinha um gato preto, e ele estava correndo entre os arbustos, e a retardada virou pra mim – Eu vou atrás dele! Me ajuda!
—Eu... O quê? Você está falando sério? – eu disse – Você está atrás de um... mísero gato?
—Ele tem alguma coisa estranha! Pega ele! Espere aí, gatinho! – a doida começou a correr pelos arbustos, atrapalhada, aos tropeços, enquanto ele se escondia. Eu me lembrei da música: “Prendam! Segurem! Agarrem! Capturem! Peguem o pombo agora!”. Ela tropeçou e caiu de cara no arbusto, e eu comecei a ter um ataque de riso muito alto. Agora imagine a cena: uma louca perseguindo um gato pelos arbustos da parte de trás da escola e uma menina linda e poderosa rindo.
—Ai, cadê os meus óculos... ? – ela se levantou, e começou a passar a mão pelo chão, e eu ainda ria – E—Erika—chan, pare de rir! M—Me a—a—ajude!
—Eu não, uai! – eu ri mais ainda com a situação. Estava pensando em filmar a cena – Te vira aí! Espera, que eu vou filmar aqui...
—O qu——— N—N—NÃO, ERIKA! ... AI MEU DEUS, AGORA O GATO ESTÁ SUBINDO O MURO! – a louca correu atrás dele, e ele caiu do muro e começou a correr sem orientação. A cena, embora não fizesse o menor sentido e eu não estivesse entendo nada, eu ri. Procurei no meu bolso meu celular, quando percebi que havia deixado ele em casa. Droga! Bem no melhor momento!
Honoka pulou em cima do gato –literalmente – e fez ele cair no chão, e ela bateu a cara lindamente na parede, o que me arrancou mais uma risadas. Eu estava parecendo uma galinha ciscando, quando do nada, o gato correu em minha direção, com um olhar do tipo ‘’Eu imploro sua salvação!”. Mas, como eu ria muito, eu não dei muita atenção.
Honoka se levantou, e quanto eu percebi, alguma coisa pequena escalou meu corpo rapidamente, e se escondeu debaixo da minha blusa, isso em menos de um segundo. Quando percebi, o gato pervertido nigeriano das trevas estava escondido em mim... na minha blusa! Ele puxou alguma coisa debaixo de lá e ele... ele... ELE SE ESCONDEU NO MEU SUTIÃ!
Ah, hoje ia ter gato pro jantar...
Quando me dei conta, o gato estava acomodado em meus seios, e como a droga do gato era gordo, fazia meus seios crescerem o dobro do tamanho. Era até sexy, tirando a parte do gato. Quando me dei conta, eu quase surtei, enquanto Honoka olhava pros lados, procurando—o.
—Onde ele... – ela pareceu localizar a bolota na minha blusa — ...E—Erika—chan... isso nos seus seios... seria...
—ESSE GATO É TARADO! – eu gritei, possuída por algum espírito vida louca – ACH, MEU DEUS, HONOKA DO CÉU, ME AJUDA A TIRAR ESSE MACARRÃO DE PELOS DO SATANÁS DOS MEUS BELOS SEIOS! SOCORRO! – e, como eu sou a menos desesperada, enfiei a mão no meu sutiã tentando arrancar aquela peste de lá a força, mas o maldito me fazia cócegas. Ele se mexia que nem um louco lá dentro, perturbado, provavelmente.
Aí você pensa: “Ohhh, que fofinho, coitado, ele só está agitado, a culpa não é dele...” FOFINHO UM CACETE! Aquela bolota estava simplesmente alojada nos meus seios! Pensei em quanto seria o aluguel a se cobrar, mas isso não era o mais importante. Eu precisava tirar aquela merda peluda de lá!
Honoka, como uma bela anta retardada, tropeçou de novo. Ela foi até mim, e tentou tirá—lo também. Ela não sabia o que fazer, eu tive que gritar com ela.
—MEU SANTO JESUS, ALÁ, ODIN E JÚPITER HONOKA, ENFIA A DROGA DA MÃO E TIRA ESSA PESTE! – eu gritei, mas me arrependi. No andar de cima, alguns estudantes começaram a notar, e tiravam a cabeça pra fora, alguns riam, eles observavam, e uma professora do infantil que passou estranhou a cena. Puta que pariu, qual era a droga do problema dessas pessoas? É legal ter um gato gordo arranhando e fazendo a festa nos seus seios? É LEGAL? NÃO, NÃO É!
—MEU DE——— ERIKA, O GATO NÃO QUER SAIR! – Honoka gritou, desesperada, tentando tirar, e as pessoas riram ainda mais, aquele povo que não tem mais o que fazer.
—DÁ LICENÇA QUE EU VOU ARRANCAR ESSA BOLA DE PELOS DAÍ! – agora era questão de honra. Eu enfiei minhas mãos na minha blusa e arranquei aquela peste dos infernos de lá. Aquela peste estava confusa e tentando não sair, mas eu estava com muita raiva pra pensar, e como eu sou educada, resolvi de uma forma pacífica.
—MORRA, SATANÁS! – eu simplesmente soltei o gato no ar, e dei—lhe um chute. Não foi um chute normal, mas um que jogou ele pro alto.
—MIEEEEEEEEEEEEEEAAAAAAAAAW! – ele berrou, sentindo dores, e a minha mente declarando ‘’Vingança completa!”. A vida era bela nesse momento.
—AI MEU DEUS ERIKA DO CÉU! NÃO FAZ ISSO COM O COITADO! – Honoka gritou pra mim, enquanto os alunos ficaram boquiabertos com minha delicadeza – O GATO!
Ela correu e tropeçou no chão, e estendeu os braços, e o gato indo para a direção dela, enquanto ela caia. O momento ficou em câmera lenta. Uma ruiva louca caindo, enquanto um gatinho caia em direção a ela.
O que aconteceria nessa hora?
Ela salvaria o bichano? Ela rolaria e sairia sem ferimentos? Um salvamento heróico?
Não! Afinal, isso não era um filme!
Honoka caiu de costas no chão, e pra completar, o gato caiu no rosto dela, com força, enquanto estava apavorado. As pessoas começaram a rir, outras ainda estavam boquiabertas. O gato estava assustado e Honoka tentava se levantar, quando o gato berrou:
—MIEEEEEEEEEEEEEEEAAAAW! – ele arranhou desesperadamente o rosto de Honoka, que tentou, em meio às dores, tentar tirá—lo do rosto, e ele saiu correndo desesperado, e sumiu de vista. Eu comecei a rir muito alto, e os alunos riam também. Na boa, aquele gato não podia ser normal. Nem eu. Mas enfim.
Enquanto dávamos risadas, Honoka levantou, com o rosto todo arranhado pelo gato, roupas sujas e o cabelo assanhado. Eu ainda tinha ataques de riso,e os alunos riam, e alguns tiravam até fotos... é, pois é. Nosso momento de felicidade e paz acabou quando uma secretária apareceu e mandou nós duas voltarmos para o pátio de recreação. Os alunos que espiavam ficaram calados, para não se ferrarem também. Por fim, nós duas acabamos seguindo pelo corredor, enquanto ela tentava ajeitar os óculos. Eu ainda ria, enquanto ela, vermelha, estava furiosa.
—Sinceramente, Erika! – ela bufou – Não precisava ter chutado o gato daquela forma! Quantas vezes eu vou ter que te dizer, os gatos e cães são INOCENTES! – eu achava um saco quando Honoka dava esses discursos. Ela amava animais, até demais. Eu ainda ria, mas os risos iam diminuindo.
—Ah, por favor... – eu respondi, pouco me lixando – Aquele gato da bruxa do 71 tem sete vidas, minha filha. Ele tem mais vidas que o Mario. Um chute com certeza não o matará... ou matará, quem sabe... Não se iluda , minha querida! Aquele gato era um maníaco sexual.
—Ah, Erika, você podia retirá—lo da sua blusa com delicadeza! – ela me encarou indignada. Ainda não parecia acreditar que eu tinha dado um chute naquela bola de pelos maníaca sexual – Sério, você...Ah, scheisse. – ‘’Scheisse’’ era um xingamento em alemão que significava, literalmente, ‘’Merda’’, mas podia ser usado para mandar alguém ir pra merda. Honoka amava soltar um ‘’scheisse’’ quando estressada, mas não era tão comum.
—MINHA FILHA, SABE O QUE É TER UM FELINO NA SUA TETA? Obrigada. – sério, até eu ri disso.
—...Ach, fale baixo, Erika—chan, por favor... – ela espiava para trás, para conferir se ninguém havia escutado. Ela era muito contida, muito... argh. Muito fresca. Bom, eu não podia reclamar muito. Eu também já tinha sido assim, antigamente, mas Honoka passava dos limites.
Nós duas continuamos andando por uns momentos em silêncio, até que eu resolvi quebrá—lo.
—Afinal querida, qual o seu problema pra, subitamente, sair correndo igual a uma louca desesperada atrás de um gatinho e tentar pegá—lo de qualquer forma? – eu perguntei, ainda sem entender porra nenhuma daquela situação – Por acaso, é o gato do Bill Gates? Ele vale uma fortuna? Podemos sequestrá—lo e fazer Bill pagar um bilhão de Ienes pra devolvê—lo?
—Eu... sei lá. – Honoka respondeu, e ficou calada. Simples assim.
—Ah, explicou muita coisa.
—E—E—Eu... n—não sei... só queria achar aquele gato... – ela respondeu, gaguejando como sempre. O pior é que eu achava que aquela puta realmente estava falando a verdade. Honoka é péssima em mentir – Eu senti alguma coisa estranha nele, e quis conferir... só isso.
—Bom, se o gato for valioso, eu topo em um sequestro. – eu mesma ri disso. Honoka também começou a rir, e nós ficamos rindo iguais a retardadas. Fala sério, tem coisa melhor do que rir de coisas retardadas nos piores momentos?
Andamos por um bom tempo em silêncio. O intervalo ainda tinha um bom tempo. Decidi nem perguntar mais nada pra Honoka, pois nem a songa—monga sabia de alguma coisa. Foi quando me lembrei do colar que ela deixou cair.
—Ah, pega isso aqui. – eu joguei o colar pra ela, e ela se assustou com o movimento repentino. Ela pegou, e encarou ele por um tempo.
—Esse colar é... Ai meu Deus, eu deixei esse colar cair! – ela logo o colocou no pescoço. Podia parecer meio indiferente para alguém,, mas a verdade era que Honoka tinha um laço forte com o colar. Seu pai lhe dera na infância, segundo o que ela contara. Na época, eles tinham muito mais tempo pra passar juntos. Hoje, como ele trabalhava muito mais, ela quase não o via. Não que ela tivesse uma relação extremamente amorosa com os pais, mas ela gostava bastante do pai.
—É, deixou cair. E quem era a garotinha loira? – eu perguntei, me referindo àquela menina aparentemente muda e debiloide também.
—Eu... hã? – ela se virou pra mim – Que garotinha?
—Eu sei lá... era uma menina que parecia ter uns... sete anos de idade, loira e não usava um uniforme escolar. Ela... estava tentando me fazer te buscar. – ao longo que eu contava, a expressão de dúvida no rosto de Honoka crescia mais.
—Mas quem era essa garotinha? – ela perguntou.
—Ah, e como é que eu vou saber? Ah, esquece essa parada. – eu falei.
Quando estávamos andando, percebemos que alguns alunos riram quando passamos, provavelmente nos reconhecendo. Aqueles malditos... eu ainda ia meter um cacete neles depois. Afinal, agora nem se pode passar mais tranquilamente na escola? Sinceramente.
***
Subimos novamente na escada para o andar de refeição que estávamos. Estávamos exaustas. Podia não parecer tanto, mas eu suava, e Honoka mais ainda. Um exercício na escola não era a melhor coisa do mundo, principalmente com um gato tarado psicopata das trevas.
Ao subirmos, olhamos para o banco, e vimos que Bob conversava com outro aluno. Era um garoto mais ou menos da nossa idade, com um cabelo espetado levemente ruivo, olhos vermelhos – não se iluda, ele usava lentes de contato coloridas, pelo que eu sabia —, e tinha um sorriso no rosto enquanto conversava. Eu o via de vez em quando conversando com Bob, mas eu nunca lembrava a porra do nome dele... qual era mesmo? Banny? Nam? Bom, o que eu sabia era que ele era chato pra cacete – mais chato que Bob, embora eu já tivesse achado um dia na minha adorável e simpática vida de que isso era impossível.
Nós nos aproximamos, e Bob ergueu o olhar.
—E então, o que aconteceu? Poderiam explicar? E por quê vocês estão meio... cansadas?
—A gente... estava perseguindo... um gato. Um gato com aura estranha. – Honoka falou, simples assim, como se as pessoas acreditassem facilmente em borboletas aladas felizes.
—E tarado. – eu me sentei do lado dele, e peguei meu lanche. Ainda sobrara um sanduíche, mas o outro caíra no chão. Merda. Bom, ainda tinha mais um pra despertar a minha alegria, então o enfiei na boca, revoltada.
—Hã, beleza... – Bob respondeu. Eu nunca entendia esse cara! Pelo visto, tínhamos um cristão que aceitava tudo na maresia.
—Hello, beautiful girls. – o garoto falou. Na boa, por que esse povo ama falar em inglês? Só porquê eu não sei quase porra nenhuma de inglês, essa porra tem que ser língua universal, onde até o povo de Marte fala inglês – sim, eu sou uma japonesa péssima em inglês. E pra você aí, que se pergunta: “Nossa, mas como pode existir um(a) japonês(a) que não fala inglês bem?” Pois é mini—jovem, eis Erika—sama, a toda poderosa deusa da discórdia que odeia inglês.
—Oi, Ban. – Honoka disse, sem dar muita atenção. Ah, então esse era o nome dele. Na moral, por que diabos os pais tem esse péssimo gosto pra nomes? A maioria tem um nome ridículo. Veja meu sobrenome, “Otsuka”, é idiota. Mas graças a Buda que minha mãe me pôs com um nome não muito típico do Japão. Honoka se sentou também, do meu lado.
—Erika—chan, meu amor... – Bob falou comigo, e eu tive vontade de pular na droga do pescoço daquele viado – Ban falou com você, por que a deusa não responde os pobres plebeus?
A sorte é que eu não estava à fim de entrar em uma briga, então apenas mostrei o dedo do meio. Ambos riram.
***
Os minutos que se passaram foram de conversas imbecis. Os alunos lá de baixo estavam falando alto, e eu estava boiando geral. Bob e Ban conversavam sobre esportes – que era um assunto que me interessava, então aterrissei novamente na Terra pra prestar atenção.
—...Sabe, ultimamente, eu fiquei em primeiro lugar de melhor jogador de Basquete. – Ban falou, com um ar meio exibido. Quando ele falava, costumava apoiar os braços atrás da cabeça, e eu odiava isso. Na boa, qual a desses caras que se acham sexys colocando os braços pra trás? Se você faz isso, acredite: você fica ridículo – Acho que a seleção de Tokyo de Basquete vai me contratar em pouco tempo... – ele deu uma risadinha escrota.
—...Em primeiro lugar? – Honoka perguntou, olhando pra ele. Eu também me virei, embora eu não quisesse realmente dar muita atenção aos dois babacas.
—Pois é, eu marquei cinco pontos de partida, sozinho, em apenas uns dez minutos de início da partida. – enquanto ele falava disso, ele pareceu se encher de orgulho — Minha mãe diz que eu sou bom nisso, afinal, eu jogo desde meus seis anos, e já tenho duas medalhas. Talvez eu até me torne um jogador profissional, não é mesmo Bob? – ele deu uma cotovelada em Bob, que estava mastigando seu lanche, e quase engasgou. Isso foi uma coisa que eu gostei.
—...Eu acho que você está subestimando isso. – Bob respondeu, como sempre, querendo dar uma de pessoa exemplar sem ser – Não é tão fácil entrar pra liga dos profissionais. Você só tem duas medalhas, afinal. Ainda tem um longo caminho pela frente.
—Ahhh cara, qual é! Você está parecendo um velhote falando! Assim me desanima! – Ban falou, e em seguida riu. Em seguida, foi Honoka que falou.
—B—Bob, não seja tão duro... Duas medalhas são bom sinal, certo? — ela olhou pra Ban.
—Sim, sim! Tá vendo ,até sua amiguinha reconhece meu valor e você não! Na boa,só porquê você é rico que você não precisa ser pessimista, certo? Afinal...
—Eu não sou rico. E eu acho que vou descendo, — Bob falou, do nada, assumindo uma postura um tanto estranha. Ele se levantou, pegou o resto do seu lanche, enfiou dentro da boca, e falou: — o intervalo vai terminar em cinco minutos. É melhor vocês virem também. Até depois. – e saiu, nos deixando a sós.
Ele detestava quando mencionavam o fato dele ser rico, cheio da grana, senhor bam—bam—bam. Ele sempre dizia a mesma coisa: não era rico, só tinha uma situação financeira boa.
Mas isso era mentira.
Todo o mundo sabia que ele era rico.
Porém, ele insistia em tentar esconder isso.
O pai dele – que, como eu nunca lembrava o nome daquela porra, eu o chamava de ‘’Sr. Fodão” ou ‘’Pai—do—viado” – era dono de algumas empresas, e entre elas algumas internacionais. As empresas são baseadas em tecnologia e ciência, mais especificamente de computação gráfica, chamada de “Star of Gold Line”. As empresas eram reconhecidas não só no Japão, mas fora de lá também, principalmente na China, onde as empresas da linha SGL faziam mais sucesso. Cada empresa, embora tivesse o mesmo nome, tinha um segundo nome pelos quais eram reconhecidos, e eu nunca os decorava. Por isso, o pai de Bob era quase milionário.
A sua casa, à dois quarteirões da minha e de Honoka, era grande e espaçosa. Eu nunca fui lá, mas é muito grande. O lugar onde eu morava era organizado e bom, sendo a minha uma típica casa japonesa, e a de Honoka não tinha muitas coisas japonesas. Mas a de Bob era incomparavelmente grande. Além de ser enorme, bem visível, tem um portão eletrônico bem novo e um quintal enorme. Havia outras casas parecidas perto da dele, mas a dele era épica. Agora o porquê dele não morar em uma melhor eu não sei.
Eu não sabia quase nada sobre Bob, mas pelo que Honoka havia me contado, ele morava com seus pais e sua irmã. Eu não conhecia nenhum, mas sua mãe era brasileira. Ela havia se separado do pai de Bob por vários anos, e eles foram morar em outra cidade, e depois reconciliaram. No meio tempo de separação, ele se casou com uma japonesa, que seria a mãe da irmã dele, que acabou falecendo no começo de 2013.
Eu jurava que Bob era aquele típico garoto descolado que se gabava, mas ele odiava quando se toca no assunto do dinheiro de sua família. Era como se ele o repudiasse, ou tivesse algum probleminha pessoal com o pai, ou algo do tipo. Eu nunca entendia isso, afinal, se eu tivesse dinheiro, o gastaria na hora. Bom, vai entender.
***
Assim como previsto pelo grande profeta ostentação Bob Nelson, o intervalo acabou em cinco minutos. Nós voltamos para nossas sala, e a professora ainda não havia chegado, e aproveitamos para ficar conversando.
Eu estava sentada em cima da mesa de Honoka – sim, da mesa, não da cadeira, pois sentar na cadeira é para os fracos – e estávamos conversando. Honoka, por estar acostumada à isso, não se importou comigo. Ficamos conversando distraidamente, e a professora lerda não chegava.
—Na boa, a próxima prova está uma merda. – eu comentei – Afinal, qual a droga do problema dos professores em passar esses testes que não vão servir de porra de utilidade nenhuma quando crescermos?
—Não está difícil, não, Erika—chan – ela comentou — Na verdade, está bem fácil. E os testes vão servir tanto para a nossa sabedoria quanto pra nossos empregos.
—Ah, você é a melhor aluna da classe, é óbvio que vai achar fácil! – eu comentei. E era verdade: Honoka era a melhor aluna, a mais comportada e a mais inteligente, e provavelmente a mais isolada. O que eu tinha ódio é que aquela vagabunda insistia em negar que era a melhor da classe. Afinal, qual o problema de ser a melhor da sala?
—...Hã, e—eu não sou a melhor da sala, Erika! – ela respondeu – Sou apenas esforçada... eu procuro sempre tirar notas boas, e você deveria fazer isso tam———
Eu, novamente, esperei que ela terminasse a frase.
Ela, novamente, não completou.
Pois, novamente, havia um gato preto andando pelo corredor.
Ah, aquele maldito gato dos infernos.
Honoka olhava para o corredor da porta da sala aberta, e quando eu me virei para ver o que ela olhava, vi ele... aquele gato tarado dos infernos, parado, olhando pra dentro, como se procurasse alguém.
—...Ai, meu Deus, é ele de novo! – Honoka comentou comigo, baixo, e nós duas ficamos olhando — ...Será que ele ainda está machucado por sua causa?
—Ah, se não está, agora vai ficar de novo! – eu estava enfurecida. Por culpa daquele gato, meus seios ficaram cheios de pelos e arranhados. Eu não iria aguentar calada.
E, dessa vez, o espírito do satanás baixou em mim, e eu desci da mesa e saí andando apressada para a porta atrás dele, deixando Honoka com cara de bunda.
—...E—EI, ERIKA—CHAN! V—VOLTE AQUI!– ela me chamou, mas eu não lhe dei atenção. Quando o gato me viu, se assustou e saiu correndo. Eu, como odiava ser ignorada por gatos, corri atrás dele também.
Enquanto eu passava, as pessoas olhavam para mim assustadas, e eu sai da sala pedindo licença pra Deus e o mundo. O corredor estava vazio. O gato corria em uma direção qualquer, e eu o persegui correndo.
—AH, AGORA VOCÊ NÃO ME ESCAPA, BICHANO DOS INFERNOS! – eu gritei, e provavelmente as pessoas me escutaram, e algumas olharam pra mim e riram, afinal, o que diabos uma garota está fazendo correndo atrás de um gato?
Honoka saiu da sala e começou a correr atrás de mim também.
—E—ERIKA—CHAN, ESPERE, NÃO FAÇA NADA DE MAL COM ELE! MULHER, ELE NÃO TEM CULPA! – Honoka gritou pra mim, e as pessoas começaram a rir, outras estranhar. O gato estava apavorado, correndo de mim, e o corredor era grande.
Agora era eu atrás do gato e Honoka atrás de mim.
Eu, ignorando Honoka, continuei correndo, e quase esbarrei em alguém quando esse alguém dobrou a esquina a apareceu na minha frente.
O gato passou por suas pernas, mas eu quase esbarrei no garoto que apareceu. Ok, eu posso não ter derrubado ele, mas seus livros não posso dizer o mesmo. Caíram no chão, e o garoto pareceu assustado, e admito que eu também não esperava que aquele filho da puta fosse brotar na minha frente.
Pra acabar com o suspense: O garoto era Bob, aquele viado.
—Ai, que susto, Erika! – ele falou pra mim, enfurecido, enquanto me encarava de um jeito estranhamente bizonho – Olhe mais pra onde and———
—AH, SAIA DO MEIO, SUA BICHA CHEIA DE PURPURINA! – eu o empurrei com força pro lado, e o gato havia dobrado a esquina. O professor de uma sala saiu, e me encarou, mas eu pouco me importei e continuei. Eu, como uma anta, dobrei também e continuei a correr atrás dele, que já estava... uau, bem mais distante do que antes, pois já estava no final do corredor.
Afinal, como aquele gato foi parar lá no quinto dos infernos?
—...M—Me dê licença, Bob... ERIKA, VOLTE! NÃO VÁ ATRÁS DO GATO, A PROFESSORA JÁ ESTÁ CHEGANDO NO CORREDOR! – ela corria atrás de mim, embora não quisesse realmente isso.
Eu, apressada, me virei e mostrei meu dedo do meio pra ela, e saí correndo. Ela também correu atrás de mim, pra variar.
—Ai, sobra pra mim me meter em confusão... –eu ouvi a desgraçada comentar.
Porém, para a grande infelicidade do gato e pra minha sorte, o corredor tinha um fim de concreto. O gato parou, provavelmente se perguntando pra onde ia, e tentou entrar na porta da direita, sem sucesso, e ficou perdido por onde se esconder.
“Agora você não escapa, bichano!” – eu pensei.
Ah, e antes que você pense besteira, esclareço: eu não maltrato animais. Eu não ia fazer nada grave com ele, apenas o pegar e jogar por cima do murinho... nada demais, o que é isso. Pra você ver como eu sou da paz.
Quando eu me aproximei, já estava sem fôlego – caso não lembre, eu já tinha enfrentado uma maratona no intervalo – e Honoka me alcançou, mas o gato ficou virado pra parede.
—...E—E—E—Erika—chan! – ela falou, me alcançando, enquanto eu recuperava o fôlego – Vamos voltar pra aula! D—Deixa esse gato pra lá! – ela falou, tentando me puxar pelo braço – Não seja ridícula! Vamos, temos aula de revisão pra próxima prova... por favor!
Eu olhei pro gato. Ele aparentava estar bem assustado, a uns dez metros de distância, e tremia. Achei que já bastava, e percebi o quão eu estava sendo infantil e imbecil correndo atrás de um mísero gato. Me virei pra Honoka.
—É, acho que você tem razão... – eu olhei pro gato, que estranhamente ainda estava virado pra parede, e algumas pessoas das salas do lado olhavam pra nós, e pediam silêncio – E não entre mais no meu sutiã, gatinho.
Aí você, que está lendo, pensa: Ah, então tudo acabou bem, certo? Um final feliz onde Honoka e Erika não perdiam aula e o gatinho continuava em paz, certo? Todo mundo feliz pra sempre, beijinho, beijinho, passada na bunda, certo?
Errado, pequena criança ingênua.
Muito errado.
O gato se virou, e seus olhos brilharam... brilharam intensamente. Uma luz tensa saiu de seus olhos , me cegando temporariamente. Eu achei que alguém havia colocado uma lanterna na minha frente, mas Honoka também pareceu estar zonza por causa da luz. O gato nos encarou, e a luz tensa do satanás me deixou nauseada.
“Eita, porra!” eu pensei “Agora satanás fumou crack!”
Nesse momento, meu corpo reagiu como ser eu tivesse fumado uma droga forte. Meu corpo ficou dormente, e a única coisa que vi, antes de desmaiar junto com Honoka (sendo que essa vadia caiu em cima de mim, o que me fez acordar com dor), foi um labirinto negro e obscuro... Afinal, quem manda eu mexer com satanás e seus demônios?
Talvez eu tivesse fumado muita maconha de manhã, ou batido a cabeça, ou um assassino nigeriano das trevas tenha me dado remédio para dormir, ou algo do tipo. Eu não sabia direito o que estava acontecendo, enquanto a coordenadora chegou no corredor metendo bronca em nós duas, mas antes que eu pudesse ouvir sua meiga e delicada voz encantadora, eu desmaiei como uma bêbada em uma festa.
E é aí que essa história começa.
Ω
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